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E Agora, Obama

E Agora, Obama

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Published by Ricardo Amorim
Texto do economista Ricardo Amorim publicado na Revista IstoÉ (11/2012)
Texto do economista Ricardo Amorim publicado na Revista IstoÉ (11/2012)

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Published by: Ricardo Amorim on May 16, 2013
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E agora, Obama?
Para alegria geral da maioria dos brasileiros, latino-americanos, europeus, chineses, árabes e,desconfio, até marcianos, o presidente Barack Obama se reelegeu. A vitória não foi consequência do sucesso econômico da primeira gestão de Obama
 –
que,aliás, não aconteceu
 –
mas das muitas gafes de seu adversário e, na última hora, da chegadado furacão Sandy à costa leste americana. Obama não derrotou Romney no campo político,mas no carisma pessoal.
Em sua primeira campanha eleitoral, Obama vendeu esperança: “Yes, we can”. Agora foi bem
mais sóbrio, dizendo que ninguém poderia resolver em apenas quatro anos todos os problemaseconômicos que herdou do governo Bush. Verdade, mas exatamente o contrário do que elemesmo dizia em 2008.São mais quatro anos para ele tentar, mas o desafio continua hercúleo. Esperemos queObama tenha aproveitado bem a noite de núpcias da reeleição, porque a lua de mel já foicancelada. No dia após à eleição, tivemos as maiores quedas das Bolsas de Valoresamericanas neste ano. Investidores estão preocupados com as dificuldades que ele enfrentarápara desarmar o que nos EUA apelidou-se de abismo fiscal e para elevar outra vez o teto dadívida pública americana.Na última vez que os congressistas americanos aprovaram o aumento do limite da dívida,permitindo que o governo se endividasse ainda mais, eles também programaram uma série deajustes fiscais para evitar que as contas públicas ficassem descontroladas, levando os EUA auma crise similar à vivida pela Europa. Estes ajustes entram em efeito a partir de 1º de janeiro.Para acomodar demandas de Democratas, várias isenções de impostos criadas peloPresidente Bush deixarão de existir. Para satisfazer os Republicanos, vários programas dogoverno vão passar por cortes significativos.Somando aumentos de impostos e cortes de gastos públicos, mais de US$ 600 bilhões serãoretirados dos bolsos dos consumidores americanos, praticamente garantindo uma recessãoem 2013, se efetivamente implementados.Obama tem até o final de 2012 para desarmar esta bomba-relógio e elevar novamente o tetoda dívida pública americana. No início deste ano, o governo foi autorizado a expandir suadívida em US$ 2,1 trilhões, podendo chegar até US$ 16,4 trilhões. Até o fim do ano, o novo tetodeve ser atingido, exigindo nova elevação. A negociação será difícil. O partido de Obama, os Democratas, tem maioria no Senado, mas éminoria na Câmara dos Deputados. Sem o apoio de mais de uma dezena de deputadosRepublicanos, Obama não conseguirá nem desarmar o abismo fiscal, nem elevar novamente oteto da dívida.O problema é que os Republicanos opõem-se radicalmente a qualquer aumento de impostos,fundamental para os ajustes necessários. O mais provável é que, no último minuto,Republicanos e Democratas se entendam e um acordo seja alcançado, mas tal acordo estálonge de ser uma certeza. Mesmo que acabe acontecendo, antes disso o mundo deve viver semanas de grandes preocupações e incertezas quanto ao futuro da economia americana.Como se já não bastassem a crise europeia, a desaceleração da economia chinesa e umeventual conflito bélico com o Irã...Boa sorte, Obama. O mundo vai precisar.

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