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Industriais do Brasil, uni-vos!

Industriais do Brasil, uni-vos!

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Published by Ricardo Amorim
Texto do economista Ricardo Amorim publicado na Revista IstoÉ (02/2013)
Texto do economista Ricardo Amorim publicado na Revista IstoÉ (02/2013)

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Published by: Ricardo Amorim on May 16, 2013
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05/16/2013

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Industriais do Brasil, uni-vos!
Há dois anos publiquei aqui uma coluna intitulada
Afirmava que éequivocada a ideia de que as dificuldades da indústria brasileira vem de um realexcessivamente valorizado. Baseado nesse diagnóstico errôneo, o governo promoveu umaforte desvalorização da taxa de câmbio no ano passado. Os resultados? A produção industrialcaiu 2,7% em 2012, e com o encarecimento dos produtos importados, a inflação de janeiro foi amais alta desde 2005. Nos últimos nove anos, a produção da indústria no Brasil cresceu em sete e caiu em dois, 2009e 2012, os únicos anos em que a taxa de câmbio média se desvalorizou. Se o problema é acotação do real, por que a indústria sofre exatamente quando o problema diminui? Porque avalorização do câmbio
 –
ainda que efetivamente aumente os desafios para a indústria
 –
não éa causa original de suas dificuldades, mas sim consequência dos mesmos processos globaisque tem causado tais dificuldades. A primeira, causada pela migração da indústria global para a China em função de custos de mão de obra menores, começou após aentrada dos chineses na Organização Mundial doComércio no final de 2001.Desde então, a produção da indústria chinesa triplicou, a brasileiracresceu menos de 30%, ainda assim um ótimo resultado quando comparado à indústria dospaíses ricos, que encolheu. A segunda é a própriacrise econômica dos países desenvolvidos desde 2008. Uma consequência inevitável da necessária reversão do excesso de endividamento que provocou talcrise foi oconsumo crescendo menos nos países ricos e mais nos emergentes.Com a expansão do crédito e da renda no Brasil,as vendas do varejo cresceram mais do que aprodução da nossa indústria em todos os anos desde 2004.Da mesma forma, aqueda da renda e do crédito nos países desenvolvidos desacelerou as vendas internas.Isto geroucapacidade ociosa e forçou a indústria deles a redirecionar uma parte crescente da produçãopara os países onde o consumo está crescendo, os emergentes, incluindo o Brasil.Estes fatores adversos não vão mudar tão cedo e há pouco que possamos fazer paraneutralizá-los diretamente, sem causar efeitos colaterais mais nocivos que eles próprios, comomostra a mal sucedida tentativa de ajudar a indústria desvalorizando o real, que aliás pareceestar sendo abandonada.Não significa que não possamos ou não devamos fortalecer nossa indústria. Muito pelocontrário. Além das dificuldades causadas pela conjuntura externa, todos os setores daeconomia brasileira enfrentam obstáculos estruturais. A solução para infraestrutura ruim,impostos excessivos, mão de obra mal preparada, burocracia e tantos outros problemas estáem nossas mãos, particularmente nas mãos do governo.Oferecendo isenções tributárias temporárias a alguns subsetores industriais e medidasprotecionistas a outros, o governo divide e cala nossos industriais, mas não elimina gargalosestruturais. Em alguns casos, até os agrava.Encarecer a importação de componentes, por  exemplo, além de aumentar o preço para os consumidores,piora a situação dos subsetores que os utilizam.Enquanto o setor privado brasileiro não se unir e exigir do governo um corte brutal de gastos e desperdícios,que permita a redução de impostos e libere recursos para mais investimentos eminfraestrutura e educação, as dificuldades da indústria não vão passar. Faço eco a um dosmais famosos gritos de protesto de Marx e Engels: industriais do Brasil, uni-vos!Ricardo Amorim 

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