analítico e crítico, desvendando-lhe sua estrutura, percebendo os recursos utilizados pelo autor para a transmissão damensagem [...]".Nesse aspecto, o professor de língua portuguesa poderia propor as seguintes capacidades: a
formativa
,que possibilita a compreensão e produção de qualquer tipo de texto; a
transformativa
, que possibilita areformulação de uma idéia; e a
qualificativa
, que possibilita a identificação da tipologia do texto (CHAROLLESapud TAVAGLIA, 2002). Desse modo, o aluno adquiriria a chamada "competência textual".Azambuja e Souza (2003) sugerem um modelo como técnica para o ensino de leitura que se divide daseguinte forma:
Predisposição para a leitura
: é a fase em que o professor motivará o aluno a ler o texto, aguçando suacuriosidade acerca do tema em questão. Para isso, o professor levará em consideração as experiênciasprévias dos alunos, a fim de que o texto não seja entregue "secamente".
Atividade de leitura do texto
: é quando o aluno tem o primeiro contato com o texto, que pode serindividual-silenciosa - sendo esta uma etapa importante enquanto primeira leitura, pois o aluno a fará deacordo com o seu ritmo e não será induzido a interpretações por parte do professor ou dos colegas - eoral - pode ser realizada com textos curtos e ajuda no desenvolvimento da expressão oral do aluno,podendo ocorrer individual ou coletivamente.
Estudo do texto propriamente dito
: o texto deverá ser lido quantas vezes forem necessárias. O alunolevantará hipóteses, para testá-las, confirmá-las ou refutá-las; deixando, portanto, de ser uma leiturasuperficial.
Estudo do texto como gerador de outro texto
: as autoras argumentam que o texto só é bem estudadoquando gera outro texto, isto é, quando o aluno recria, isso significa que ele não se limitou a recebersignificados, de forma passiva e acrítica, mas construiu dentro de si suas próprias idéias.
Para a realização de uma aula de leitura, as etapas acima sugeridas parecem atingir um resultadosignificativo, podendo também ser adaptadas de acordo com cada nível ou necessidade comunicativa do aluno. Noentanto, fica com o professor a responsabilidade de aprimorar os métodos de ensino e investigar a eficácia dos seusresultados, uma vez que é ele quem está inserido na sala de aula aplicando os métodos e convivendo com os alunos.
OS gêneros textuais e os PCNs no ensino de língua portuguesa
Uma possibilidade para a superação das falhas vigentes na atual conjuntura do ensino de línguaportuguesa seria a efetiva implementação das propostas dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), modeladasde acordo com a realidade de cada escola. Um dos objetivos dos PCNs é a formação de cidadãos, e isso nãocondiz com o modelo do ensino de língua portuguesa tradicional com o qual, usualmente, deparamos no Brasil.Nesse modelo, nota-se a restrição a apenas uma exposição gramatical da variedade padrão da língua, eque, quando parte para os níveis textuais, não se concentra no pleno desenvolvimento da competência discursiva,que é a capacidade de comunicação oral e escrita nas diversas situações. O que, para Jacqueline Peixoto Barbosa(2000, p. 151), é "[...] um dos 'passaportes' para a cidadania". Mesmo sendo este um elemento que é inerente aoensino de língua portuguesa, não se pode dizer que seja significativamente efetivado, pois grande parte dosprofissionais da área desenvolve as tipologias textuais focalizando apenas os aspectos estruturais, o que não contribuiem muito para a formação lingüística do discente.Um fato que tem contribuído para o fracasso no ensino de língua portuguesa, enquanto língua materna, éque, com a restrição à variedade padrão da língua, as regras gramaticais são vistas como a forma "certa" de se falar eescrever, e isso parece ter criado uma "barreira" no momento da produção textual, pois o aluno, por não dominaressa norma, na maioria das vezes, acaba criando um sentimento de inferioridade e um bloqueio no momento deproduzir um texto.Portanto, a adoção da noção bakhtiniana do discurso pode ajudar para desenvolvimento dacompetência discursiva do aluno, já que ela concentra-se nos aspectos da enunciação e do discurso, relacionando-osao contexto sócio-cultural e histórico de cada texto. Sendo assim, trabalhar com a noção bakhtiniana trata-se deabordar os gêneros textuais, focalizando não apenas os aspectos internos do texto, mas também as condições deprodução e as características singulares de cada gênero.O trabalho com os gêneros do discurso exige uma preparação dos professores de português para queeles possam estabelecer uma progressão curricular que consista numa seleção dos gêneros a serem aplicados,baseados em critérios coerentes e não em critérios de ordem, simplesmente, como aqueles que classificam os textosem narrativos, descritivos e dissertativos, sem uma preocupação com as características singulares de cada texto eque, muitas vezes, passam despercebidas. A fábula, o conto de fadas, a crônica literária, o romance policial, oromance de aventura podem ser textos narrativos, mas com características próprias que os diferenciam. Assim comoo editorial de jornal, o artigo de opinião, a resenha crítica e o artigo científico são geralmente considerados textosdissertativos, mas não chamam a atenção para as diferenças de gênero. Isso não aconteceria num trabalho com
14/4/2009 ENSINO DE PORTUGUÊS: PRECONCE…C:/…/REVISTA%20FAFIRE.htm 3/5
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