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Edição nalizada em
11/04/2009
Tiragem: 11 mil exemplares
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Abril de 2009
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EditORiALOpiniÃO
Meos
spread
, masemregos e saláros
Demorou, mas o governo brasileiroacabou fazendo mais um de seusdeveres de casa: declarou – com ações – que o Brasil não pode continuar comum spread bancário tão alto. Ao menosnão em um banco do Estado. A ação foi a demissão do presidente do Bancodo Brasil (BB), Antônio Francisco de Lima Neto, no dia 8 de abril. O recado poderia servir a todos os bancos.Spread é a diferença entre o custo pago pelo banco para captar recursose o juro que ele cobra dos clientes. Em2008, segundo a Folha de São Paulo,os brasileiros gastaram com o spread 2,5 vezes o orçamento do governodestinado à Saúde. O BB se comportoucomo um banco privado, aplicandoaltas taxas de spread, em busca delucratividade. O presidente Lula jáhavia pedido mudanças às quatroinstituições: BB, Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia e Bancodo Nordeste. Não foi ouvido. Então, Lima Neto, do BB, foi demitido.“Combatemos dirigentes de bancos públicos que se comportam comodirigentes de bancos privados”, dissea ministra Dilma Rousseff. Foi mais
um passo do governo, com frmeza,
em prol da economia nacional, dosempregos, do afastamento da crise.Mais ainda são necessárias outrasações para superarmos os efeitos dacrise, como uma política diferenciada para os setores mais afetados, subordinada ao fortalecimento domercado interno, e contrapartidas sociais, com garantia de empregoe renda. Os trabalhadores do setor aéreo e de todos os outros setores daeconomia clamam por isso. Boa leitura!
Vi a cena há pouco tempo, na televisão:na favela, um negro sai correndo, de calçãorasgado, chinelo de dedo, morro abaixo.O helicóptero da polícia sobrevoa, e dohelicóptero partem tiros. Era uma caça, foiabatido.
São esses os tracantes? Negros decalção rasgado e chinelos de dedo? Gentemiseravelmente vestida?Ora, esses são os soldados do tráco,talvez até escravos do tráco. As armas
utilizadas são caras, fabricadas no exterior econtrabandeadas para cá.
Os verdadeiros tracantes, os que sãodonos de jatinhos, os que dominam osesquemas de remessa da droga, os que
corrompem policiais, esses não estão nosmorros ou nas favelas.
Essa gente – esses milionários do tráco – é atingida quando há investigações das Varasde Lavagem de Dinheiro. É a partir de lá quese identica a movimentação de quantias
bilionárias de dinheiro sendo lavado emdiversos países.Primeiro foi a UBS (União de Bancos
Suíços) que foi obrigada a abrir o sigilo
bancário de alguns de seus “correntistas”.
Agora foi o Deutsche Bank alemão que se viuobrigado a indenizar porque estava ajudando
a lavar dinheiro da corrupção de Paulo Maluf.Segundo o promotor de Justiça responsável
Quem são os verdadeiros tracantes?
Por Luis Antonio Castagna Maia*
pelo caso, Maluf teria desviado 93 milhões
de reais da Prefeitura de São Paulo. Ou seja,há um evidente conluio de grandes bancos
internacionais que sobrevivem exatamentedisso, das “aplicações” da bandidagem de
colarinho branco. São sua clientela “vip” einvocam o sigilo bancário para proteger umdinheiro sabidamente vindo do crime e dacorrupção.
As varas de lavagem de dinheiro é que têm
conseguido, a partir do trabalho da PolíciaFederal e do Ministério Público, localizar os
verdadeiros donos do tráco, os verdadeiros
bandidos. E, não raro, as campanhas
nanciadas com esse dinheiro ilícito.Daí a cautela com que se deve observar a cada notícia contrária à existência dessas
varas, a cada denuncia de abuso. O abuso
pode existir, e é provável que exista, e deve
ser coibido. Coibir o abuso, no entanto, não
signica garantir a permanente invalidação
das provas colhidas legalmente contra oscriminosos.
*Advogado previdenciário, assessor dos sindicatos cutistas e da Fentac/CUT nas ações emdefesa dos participantesdo Aerus, e editor do blog http://www.castagnamaia.com.br/blog/
Cátia Cilene/Ag. Virya
V a l t e r C a m p a n a t o / A B r
Manifestantes protestam contra a ajuda dos governos aos bancos, durante reunião do G20, em São Paulo, em novembro de 2008
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