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Published by: Jean Marconi Carvalho on May 20, 2013
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08/10/2013

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'A
QUESTÃO ])0 DIAGNÓSTICO
, Psicóloga Simone Roballo
A partir da compreeno das conceões de desenvolvimento humanodefendidas por cada uma das principais teorias psicológicas, e, consequentemente, do .conceito de deficiência ou de defeito daí decorrcntes, considero impOltante analisar,discursivamente, o diagnóstico. Destaco o fill1c'ionamento dessas teorias em uminstrumento espefico, bcm como questiono as filiações teóri~as dominantes  presentes que vão levar a uma classificação do sujeito nos domínios do patológico, daanormalidade, trilhando os caminhos dos prej;OSi' ..
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dificuldades, das falhas, dosficits. Para tanto, faremos uma análise de um dos manuais oficiais utilizado, hoje, para classificar a Síndrome ,de Aspergcr, o Manual Diagnóstico e Estatístico deTranstornos Mentais, 4". edição - DSM IV - (APA,
1995).
Tunes e cols. (1992), em seu artigo "Sobre a Deficiência Mental", aoidentificarem as cOlicepções acerca da deficiência mental (DM) no âmbito das publicações científicas e no universo das práticas sociais e educativas, encontraram duasvertentes dominantes: a dico-psicológica e a social, e, analisaram-nas, relacionando-as com a concepção de desenvolvimento defendida pelas teorias psicológicas.A vio dico-psicogica, segundo Tunes e cols. (1992), é a mais antiga etomou uma proporção bem maior com o surgimento da psicometria, uma ciência daPsicologia, implantada sot a ótica do Positivismo, que tende a fragmentar o homemcomo objeto de estudo, criando instrumentos que mcnsuram, de forma estanque, aintelincia, a perceão, a subjetividade. ~sta vi~ da deflciência esdiretamenterelacionada com o determinismo biológico, ou seja, "a noção de que existem pessoasconstruídas com material intrinsecamente. inferior(cérebros mais pobres, genes de má qualidadeou coisas semelhantes)" (pág.1
O ).
Esta concepção de desenvolvimeto é dccc5rrente daaplicação da teoria da evolão (seleção natural) que explica os fenômenos humanos. Edesta aplicação decorrem as prúticas de segregaçào ,e.•e'genia. GOllld (1991), em seu
'
. .
livro, critica a tese maior desta concepção que é a de determinar o valor do indivíduo cdos grupos sociais atras ela medida da inteligência como quantidade isolada.Já as concepções soci"is, que tiveram sua origem na perspectiva dedesenvolvimento histórico-social proposto por Vygotsky, consideram, segundo Omote .(1979) que a DM é fruto de um "status social adquirido", ou seja, é um produtoresultante de determinadas condões em que atuam os slljeitus envolvidos, a situão
 
imediata e o contexto histórico mais amplo. Ele admite a exisncia de condões
dicas incapacitadoras, pom, admite também que essas condões podem o ser a
causa direta da deficncia, pois exist.~
à
história do individuo deficiente, que é marcada,geralmente, por um sentimento de inferioridade, que limita seu potencial e poconseqncia, traz efeitos negativos na sua auto imagem e em seus veis de expectativa.E ele fala também de condições sociais incapacitadoras,. que irão restringir a participação igualitária do deficiente, pois nicsmo que apresente um desempenho deoutras habilidades adequadamente, continuaa ser encarado como deficiente. Causassociais e culturais, como vel cio-econômico baixo de determinados indiduos,tambéni aparecem para explicar a deficiência mental.Da leitura atenta dessc Manual, reconhece-se que a Síndrome de Asperger daforma Como é ali classificada e descrita, situa-se de conformidade com a concepçãodico-psicogica, pois a partir da idenlificão de uma quantidade "x" de quesitosnuma lista de cririos diagsticos é que se estabelece a patologia no indiduo, ouseja, a partir de um instrumento de medida que avalia de forma fragmentada o homem,identificamos o portador da SA.Essa maneira de conceber a deficncia, numa vio dico-psicogica,escondizente com a perspectiva da Psicologia cienfica tradicional dominante, emque o conceito de deficiente é definido a partir dos resultados obtidos na aplicação deinstrumentos avaliativos (testes ou escalas psicométricas).Werner (1997), analisa e critica dois modelos metateóricos, identificadoscom o pensamento positivista, que vão caracterizar a racionalidade cienfica modernana compreensão cos femenos naturais c humanos: o organicismo e o mecanicismo. APsicologia, então, em consonância com essa racionalidade científica, vai sofrer influência de tais paradigmas na formnlão, classificão e no sistema diagstico dostranstornos mentais, como veremos a seguir.O modelo mecanicista, elaborado a partir da Física, considera a naturezauma maria, composta por elementos que podem ser decompostos e analisados,facilitando, assim, a exploração e ordenação do mundo. Os elementos sãomecanicamente combinados pela própria rao. Tcm-se no século XVII o predomíniodos conceitos mecanicistas de doença, que vão dar orígem às categorias denominadas denormal e patogico. Os femenos patogicos o, a partirde eno, definidos povariações quantitativas.
 
Em termos epistemogicos, no modelo mecanicista o objeto se sobree aosujeito, cabendo ao homem ter um papel passivo na constrão do conhecimento.O modelo organicista vai se destacar no s0culo XIX e se encontra presenteno pensamento positivista de Comte em relação
à
sociedade, que a considera umorganismo vivo, fruto de uma evolão do inferior para o superior. Desde a antiguidade,que o modelo organicista vai estar presente no conceito de doea, representando-a deforma dimica e totalizante. A natureza seria o equibrio e a doea qualque perturbação desse equilíbrio, o mal não estaria num órgão humano, mas no homemcomo um todo, como um sistema organizado.Pode-se concluir, provisoriamente, que o modelo mecanicista vai deixar deheraa o sistema classificario, quantitativo e associacionista das doenças, o queimplica uma relação linear de causa e efeito, passível de ser quantificada e prevista: adiferea entre normal e patológico é quantitativa. Já na conceão funcionalista-organicista, a doença
é
a quebra do equibrio, o esem uma parte, mas esno tododo homem e
é
toda dele e o que determina a diferea entre normal e patológico o osaspectos qualitativos tomados da perspectiva individualista. A doença pode ser vistanessa concepção como um esfoo do organismo para curar a si próprio, objetivandouma reestruturação totalizante do organismo e o equilíbrio funcional com omeio.(Canguilhem, 1995) Ressalte-se que estamos falando aqui de fuão e não defuncionamento e que a noção de totalidade daria o caráter de acabado, logo a-histórico,ao homem.Os dois atuais manuais oficiais de classificação de doenças, DSM e o CID,elaborados, respectivamente, pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) e pelaOrganização Mundial de Saúde (OMS), refletem a inflncia de uma determinada formade racionalidade cienfica. Tais manuais trazem conceitos relacionados a esses doismodelos, organicista e mecanicista, como os de normal e patológico, desvio eequibrio, deficiência e eficncia numa relação de oposição. Vejamos o funcionamentodiscursivo do DSM IV (APA, 1995):
"Os Transtornos Invasivos de Desenvolvimento caracterizam-se por prejulzosevero e invasivo em diversas áreas do desenvolvimento: habilidades deinteração social recíproca, habilidades de comunicação, ou presença decomportamentos, interesses e ativ,idades estereotipados. Os prejuízosqualitativos que definem essas condições representam um desvio acentuado emrelação ao nívelde desenvolvimento ou idade mentaido individuo"(pág. 65).

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