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O Globo 030511

O Globo 030511

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04/08/2014

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OGLOBO
RIO DE JANEIRO, TERÇA-FEIRA, 3 DE MAIO DE 2011 • ANO LXXXVI • N
o
-
28.393
IRINEU MARINHO
(1876-1925)
ROBERTO MARINHO
(1904-2003)
oglobo.com.br
Edição Metropolitana •
Preço deste exemplar no Estado do Rio de Janeiro:
R$ 2,50
• Circulam com esta edição: Classificados, Segundo Caderno, Revista Megazine e Caderno Esportes: 80 páginas
CHICO
.
SEGUNDO CADERNOENTREVISTA
Morte é grande golpe de relações públicas,mas não elimina ameaças.
S
HIRAZ
M
AHER 
,paquistanês, especialista em terror.
‘Hell’ e Babenco
O cineasta se aventura noteatro retratando umpersonagem que odeia,vivido por sua mulher.
Torcida do Fla festejacom humor 
‘Inquérito do Riocentroé repleto de omissões’
EUAjogamcorpodeBinLadennomarparasepultaromito
Obama diz que mundo ficou mais seguro, mas faz alerta geral contra represália do terror
MEGAZINE
Alexandre Cassiano
TORCEDOR RUBRO-NEGRO exibe a bem-humorada adaptação do “trem-bala” vascaíno
Trinta anos após o Riocentro, Júlio Bier-renbach, ministro aposentado do SuperiorTribunal Militar, diz que o governo do pre-sidente Figueiredo deixou de apurar o aten-tado para proteger oficiais, entre eles o ge-neral Octávio Medeiros, então chefe do SNI.“Era omissão de todos os lados.”
Página 3
Prédios da Brahma serãoimplodidos em 5 de junho
Página 11
O CAFOFO DE OSAMA:
avaliada em US$ 1 milhão, a casa onde Bin Laden se escondia, numa rua de terra e com infiltrações nas paredes, fica a 700 metros de academia militar.
IMAGEM DE uma cama na mansão-fortaleza de Bin Laden: manchas de sangue NA SITUATION ROOM: Obama e equipe acompanham a operação
The White House, Pete Souza/APABC News/APAnjum Naveed/AP
DORRIT HARAZIM
As Forças Armadas americanas estãoatoladas no Afeganistão há dez anos eOsama bin Laden sequer estava lá.
MERVAL PEREIRA
Na notícia da morte de Osama binLaden, jornais impressos e on-line dãouma lição de parceria.
O País, página 4
MÍRIAM LEITÃO
No mercado, clima é de incerteza e tensãosem data para acabar: ontem, o petróleocaiu, subiu e caiu.
Economia, página 20
OstorcedoresdoFlamen-go festejaram pelas ruas doRio o título carioca invictodo clube, com bom humore criatividade na provoca-ção aos adversários, comoo “trem-bala” vascaíno,montado com balas. O Lar-go da Carioca virou o prin-cipal reduto da festa rubro-negra.
Caderno Esportes
Hit avassalador
Morador de Vigário Geral,Vitinho, de 18 anos, virasucesso na web com o grupode funk Avassaladores.
Numa decisão que levantou questiona-mentos ao redor do mundo, os EUA joga-ram no mar o corpo do terrorista Osamabin Laden, líder da al-Qaeda, morto numaoperação militar no Paquistão, domingo.A intenção seria privar os extremistas is-lâmicos de um ponto de peregrinação. A operaçãofoidenominada“Geronimo”,emreferência a um renegado apache do sé-culoXIX.“EsteéumdiabomparaosEUA”— celebrou o presidente Obama. “O mun-do está mais seguro.” O país foi tomadopor uma onda de patriotismo, com festanas ruas de Nova York — onde os aten-tados do 11 de Setembro mataram quase3 mil pessoas. As autoridades aumenta-ram o alerta em aeroportos, estações detrem, bases militares e representaçõesdiplomáticas no exterior, temendo repre-sálias. Na Líbia, foram enterrados os cor-pos do filho e de três netos de MuamarKadafi, mortos pela Otan no sábado.
Página 25, caderno especial e editorial“O legado da morte de Bin Laden”
 
2
2ª edição •
Terça-feira, 3 de maio de 2011
O GLOBO
PORDENTRODOGLOBO
Batismo de fogo
AUTOCRÍTICA
Na página 2 de ontem:
“Ricardo Noblat/Bem-vindo,Delúbio!”. “Foi nele, sob as
bençãos
de Lula, que osimplório, mas esperto Delúbioconstruiu sua trajetóriapolítica.” Erro na flexão doplural [“benção” (forma antiga,oxítona) tem o plural“benções”; ao plural “bênçãos”(plural de “bênção”, formausualmente falada, paroxítona)faltou o acento gráfico]. Certo:“Foi nele, sob as
bênçãos
deLula...”
P. 3:
“Pneumoniaderruba Dilma”. “Kalil pediu
para que
a presidente viajassepara São Paulo no sábado.”Erro de regência: “para” amais. Certo: “Kalil pediu
que
...”
Adiante:
“Pneumoniaderruba Dilma”. “...não havianecessidade de internação,pois
tratava-se
apenas...”Erro na colocação do pronomepessoal. Certo: “...pois
setratava
apenas...”
P. 8:
“Nainternet e no celular/ Audiência”. “...em que elarevela a sua paixão pelo pianoe
sonha em participar
de ummusical...” Erro de regência.Certo: “...e
sonha participar
deum musical...”
P. 12:
“Oterrorista mais procurado domundo desde 2001.“...nascido na Arábia Saudita,seu pai era um imigrante
iemita
que fez fortuna nopaís.” Erro de grafia. Certo:“...imigrante
iemenita
...”
(Resumo da crítica internacoordenada pelo jornalista AluizioMaranhão, distribuída todos os diasna Redação do GLOBO)
 A 
primeira capa a gente nunca esque-ce. Especialmente quando ela valepor duas, como foi o caso da ediçãode ontem do GLOBO. Um batismo defogo para a editora da Rio,
A
DRIANA
O
LIVEI-RA
, que, 20 dias após assumir a nova função, játinha se deparado com a cobertura do primei-ro massacre de estudantes do país, que origi-nou dois cadernos especiais.— Eu estava preocupada de não ter man-chete. Por sorte, tínhamos várias possibilida-des: a conquista do Campeonato Carioca peloFlamengo; o rombo nas contas do FAT; a des-coberta da caixa-preta do voo 447; o revide deKadafi à ONU. Isso sem contar a beatificaçãode João Paulo II e a pneumonia da presidenteDilma. Ninguém poderia imaginar que a man-chete histórica chegaria quase à meia-noite,com o jornal já fechado — conta Adriana.O alerta de que Obama faria um pronuncia-mentofoidadopelaequipedositeque,desdenovembro de 2009, está fisicamente integrada àRedação do jornal impresso. A equipe — a edi-tora de Economia
ERNANDA
D
ELMAS
e os re-pórteres
ABÍOLA
L
EONI
,
M
ELISSA
C
RUZ
,
B
ER-NARDO
B
ARBOSA
e
A
NTÔNIO
C
ARLOS
L
ISBOA
rapidamente mudou o noticiário e varou a ma-drugada atualizando a versão on-line. Com oanúncio da morte do terrorista mais procura-do do mundo, outro time entrava mais umavez em campo para atualizar a versão impres-sa em uma hora, correndo contra o relógio. Odesafio era virar o jornal que já estava sendoimpresso à velocidade de 100 mil exemplarespor hora. A editora-assistente
OBERTA
J
AN-SEN
teve o socorro de seu colega
LÁVIO
L
INO
,queveiodecasa.Aelessomaram-seesforçosdeeditores-assistentes, redatores e repórteres devárias editorias, como
P
AULO
M
ARQUEIRO
,
M
A-RIA
E
LISA
A
LVES
,
ERNANDA
REITAS
e
D
EBORA
G
ARES
. Os diagramadores
C
RISTINA
LEGNER 
e
ABIO
S
OUTO
redesenharam as páginas. Na Se-cretaria da Redação, o editor-adjunto de Carroetc,
E
DUARDO
S
ODRÉ
, fazia a interface com oParque Gráfico. À 0h21m, Adriana foi autorizadapela direção a dizer a frase mais sonhada porqualquer editor estreante: “Parem as máquinas!”Uma página inteira da editoria Rio foi derrubadaparaabrirespaçoparaoassuntomaisimportan-te do dia no mundo.
Domingos Peixoto
PARTE DA EQUIPE do fim de semana que mudou, correndo contra o relógio, as versões on-line e impressa
O GLOBONA INTERNET
a
Leia a íntegra da coluna
oglobo.com.br
Marco Antonio Cavalcanti
Siderúrgicas se preparam parasubir preços entre 6% e 10%
Os reajustes atingem em cheio montado-ras e fabricantes de eletrodomésticos, gran-des compradoras de aço. Além disso, a altapressiona a inflação.
ECONOMIA, página 19
Código Florestal libera quemdesmata além do permitido
O deputado Aldo Rebelo confirma que otexto do Código Florestal será votado com aconcessão para manter margem mínima dematas de proteção dos rios.
O PAÍS, página 9
 Agora é tudo pelo PT, diz onovo presidente do partido
Eleito presidente do PT contra a vonta-dedapresidenteDilma,RuiFalcãodizque,depois de investir tudo na eleição dela,agora é a hora do partido.
O PAÍS, página 5
Mercado continua apostandoem alta da inflação para 2011
OesforçodoBancoCentralparaseguraraaltadepreçosnãoconvenceomercado,queelevou novamente a projeção da inflação de6,34% para 6,37%.
ECONOMIA, página 19
PEDRO DORIA
O caso Playstation Network expõeos riscos de segurança na nuvem
ECONOMIA • PÁGINA 24
Programa americano antecipaformação de engarrafamentos
Software desenvolvido na Califórniaprevê com até 40 minutos de antecedên-cia em que regiões o motorista encontra-rá trânsito intenso.
CIÊNCIA, página 26
Voo 447: começam as buscaspela segunda caixa-preta
De acordo com o Escritório de Análises eInvestigaçõesdaFrança,semosregistrosdevoz não será possível determinar com pre-cisão as causas do acidente.
RIO, página 18
Governo promete Cartão SUSpara todos até 2014
O Ministério da Saúde fez nova promessapara implantação do Cartão SUS, com histó-ricomédicodeusuários.Outrastentativascustaram R$ 400 milhões.
O PAÍS, página 10
Rede de radares para prever tempestades e tornados
Os EUA testam sistema de detecção detempestades extremas que funciona pra-ticamenteemtemporeal,comdezenasdepequenos sensores.
CIÊNCIA, página 26
UM AGENTE da Secretaria municipal de Assistência Social vigiaum grupo que foi detido ontem pela PM na cracolândia do MorrodoCajueiro,emMadureira.Das83pessoasrecolhidas,68foramlevadas para abrigos da prefeitura. Segundo o comandante do41
o
-
BPM (Irajá), tenente-coronel Alexandre Fontenelle, essasoperações para deter usuários de crack — foram três em poucomais de cinco meses — reduzem em até 90% o número deassaltos a transeuntes na região. RIO, gina 17
PANORAMA POLÍTICO
de Brasília
Selando a paz
Depois de meses de guerrilha, por causa das no-meações na Funasa, o ministro Alexandre Padilha(Saúde) e o líder do PMDB, Henrique Alves (RN), de-vem acertar os ponteiros hoje. Eles devem jantarjuntos com o novo presidente da Funasa, GilsonQueiroz Filho, e a nova diretoria. O objetivo é con-vencê-los, já que disputavam espaços entre si, a tra-balharem juntos de agora em diante.
Contra Serra, Marta é candidata
E-mail para esta coluna:
panoramapolitico@oglobo.com.br 
■■■■■■
ADIAMENTO.
A ex-senadora Marina Silva (PV-AC) estáem campanha para adiar a votação do novo CódigoFlorestal, marcada para hoje.
O PREFEITO
de São Paulo, Gilberto Kassab, estáconstruindo uma ponte entre o ex-presidente do PFLJorge Bornhausen e o Palácio do Planalto.
O VICE-GOVERNADOR
do Rio, Luiz Fernando Pezão(PMDB), acaba de emplacar o superintendente daFunasa no estado, Marcos Monfarreg, na diretoria deAdministração da instituição.
BICADA.
O ex-vice-governador paulista Alberto Goldman está cobrando,em seu blog, que o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, saia em defesado ex-governador José Serra, por este estar “injustamente sendo acusadode contribuir para a formação do PSD”. A reação decorre de uma nota,assinada por Guerra, que defende o governador Geraldo Alckmin “dasanálises maldosas de que ele seria o responsável pelos problemas doPSDB no diretório da capital paulista e a saída de vereadores”.
Um ‘consenso’ forçado vai se chocar com arealidade no plenário: haverá disputa, ainda que sejamajoritária a ‘santa aliança’ da oposição ruralista com amaioria da base do governo” —
Chico Alencar,
deputado(PSOL-RJ), sobre a votação do Código Florestal
Divisor 
Ograndeembatenavotaçãodo novo Código Florestal, mar-cada para hoje, será a obriga-toriedade ou não das proprie-dades de até quadro módulosfiscais de terem reserva legal.OrelatóriodeAldoRebelo(PC-doB-SP) derruba a exigência.
Nas alturas
Um grupo de alpinistasque trabalham em platafor-mas de petróleo
offshore
vaiinstalar os novos vitrais daCatedral de Brasília, cuja re-forma é patrocinada pela Pe-trobras. A previsão é que ostrabalhos comecem amanhãe vão até agosto.
Esquenta
A Fundação Ulysses Gui-marães, do PMDB, fazworkshop eleitoral quinta-feira no auditório Nereu Ra-mos, na Câmara. Com a pala-vra os estrategistas eleito-rais Pete Giangreco (BarackObama) e Mark McKinnon(George W. Bush).
Mais um
O presidente da Fiesp, PauloSkaf, também vai deixar o PSB.Skaf conversou com integran-tes da cúpula do PMDB na se-mana passada e ontem, por te-lefone, confirmou para o vice-presidente Michel Temer quevai se filiar ao partido.
Recado
Numa roda de senadores, falando sobre o risco de seu caso irpara o Conselho de Ética, Roberto Requião (PMDB-PR) saiu-secom esta: “Eu fui pioneiro em muitas coisas na minha vida,mas, desta vez, vou ceder o lugar para o Aécio.” A “brincadeira” tem sido reproduzida por senadores do PMDBquando o assunto vem à tona. Requião tomou o gravador deum repórter e apagou seu conteúdo. Aécio, pego em uma blitz,recusou-se a fazer o bafômetro e estava com a carteira vencida.
Michel Filho/1-4-2010
ILIMAR FRANCO
com Fernanda Krakovics, sucursais ecorrespondentes
Estenãoeraseuprojetoini-cial, mas a senadora MartaSuplicy (PT-SP) tem dito queé a única no partido capaz dederrotar o tucano José Serrana campanha para a Prefeitu-ra de São Paulo. Argumentaque tem obras para mostrarna cidade, que administrouentre 2000 e 2004. Seus adver-sários, no entanto, citam a al-ta taxa de rejeição da ex-pre-feita. A senadora precisa ain-da conquistar para essa teseo ex-presidente Lula. Os pe-tistas dizem que ele é quemvai articular e definir a candi-datura petista na capital deSão Paulo. E, nas últimas ve-zes em que tratou do tema,sempreseposicionouporumnome novo.
 
3
O PS
Terça-feira, 3 de maio de 2011
• 2ª edição
O GLOBO
A REDE SECRETA DO SARGENTO
 Jailton de Carvalho
O GLOBO:
O caso Riocentro comple- tou 30 anos. O senhor acha que faltamuita coisa ainda para ser esclareci- da? O que faltou apurar? 
 JÚLIO BIERRENBACH:
Deram umjeito no espaço e no tempo. Primei-ro, ao insistir em que a bomba nãoestava no colo do sargento. Era umabsurdo. Depois deram um jeitinhonotempocomaemendaconstitucio-nal de 1985. Deixaram de botar o pa-rágrafo segundo da emenda, que li-mitava a coisa ao período da Anistiaconcedida pelo (presidente João) Fi-gueiredo até 1979. Quando o HélioBicudo era presidente da Comissãode Direitos Humanos da Câmara, meconvidou para ir a Brasília prestardeclarações. Tinha 12 representan-tes lá, e tudo isso veio à baila. É de-sagradável. A decisão do meu tribu-nal no segundo inquérito foi comple-tamente errada, um absurdo (o STMincluiu o atentado entre os casosprotegidos pela Lei de Anistia).
Por que era absurdo? 
BIERRENBACH:
A segunda vez emque o caso foi julgado, baseado naemenda votada pelo Congresso em1985. O período era o mesmo, até1979. E o Riocentro foi depois de 79.
Ou seja, o caso Riocentro não foi alcançado por essa emenda? 
BIERRENBACH:
Não, absolutamen-te, a emenda não protegia (os res-ponsáveis) pelo caso do Riocentro.
Então o senhor acha que deveriahaver punição? 
BIERRENBACH:
Deviam julgar, de-viam apurar. Ninguém apurou nada.Não apuraram porque não quiseramapurar. É pena você não ter em mãoso meu livro (“Riocentro: quais os res-ponsáveis pela impunidade?”). Eu ci-to as declarações do Figueiredo.
Tudoindicaqueosdoismilitareses- tavam no Riocentro cumprindo or- dens superiores. Por que essas pes- soasnãoforamchamadas,nãoforaminvestigadas e não foram punidas? 
BIERRENBACH:
Que pessoas?
Tudo indica que o crime foi pla- nejado por um grupo maior e nãoapenas por dois.
BIERRENBACH:
Ummorreueoutronunca foi ouvido. Até comento nomeu livro que o Ministério PúblicoMilitar ficaria desacreditado se o ca-pitão que foi ferido não compare-cesse à auditoria para prestar decla-ração. Ele nunca declarou nada. Écheia de falhas a coisa.
O então capitão Wilson Machadonunca foi chamado para depor? 
BIERRENBACH:
Ele nunca depôs.Evitaram de todo jeito que ele depu-sesse.
Quem estava acima desses doismilitares, o capitão Wilson Macha- do e o sargento Rosário? 
BIERRENBACH:
Figueiredo, na oca-sião, declarou que não estavam su-bordinados a ele. Estavam subordi-nados ao I Exército, ao ministro doExército. Isso era o Figueiredo li-vrando o pessoal do SNI (ServiçoNacional de Informações). Mas aí fa-ço uma pergunta: o I Exército nãoestava subordinado ao presidenteda República? Eles não apuraramporque não quiseram, porque nãoconvinha. E o negócio todo foi feitopara liberar o chefe do SNI.
Estavam protegendo o chefe do SNI por quê? 
BIERRENBACH:
Porque o general(Octávio) Medeiros era um possívelcandidato a substituir Figueiredo.De modo que Figueiredo fez tudo di-zendo que aquilo foi coisa de tenen-tinho, capitão. Tirado tudo de cima,como se eles não fossem subordina-dos ao presidente da República.
Então o senhor acha que houveenvolvimento do presidente da Re-  pública também? 
BIERRENBACH:
Omissões, omis-sões. Deviam ter tomado outrasprovidências. Era omissão de todosos lados. Eu tive luta no SuperiorTribunal Militar com alguns minis-tros. Queriam reunião secreta. Mas,depois, Cabral Ribeiro prestou de-clarações em sessão aberta e deu(entrevista) à imprensa. Aí eu res-pondi em nota à imprensa.
E essa falha na investigação e no processo, o senhor acha que desa- creditou a Justiça Militar? 
BIERRENBACH:
A Justiça Militar,não, mas alguns ministros saíramdesacreditados. Disso não há dúvi-da nenhuma. Por exemplo, ninguémviu como é que foi sorteado o rela-tor. Eu digo abertamente no livro. Seeu tivesse mentindo, podiam vir pa-ra cima de mim. O relator foi esco-lhido, a imprensa esperou até o fimdo expediente e ficou para o dia se-guinte. No dia seguinte, os jornais jápublicavam o nome do relator esco-lhido pelo presidente do tribunal.
Houve manipulação? 
BIERRENBACH:
Houve manipula-ção, não tenho dúvida nenhuma.Agora, a esta altura, estou eu criti-cando atos do meu tribunal. Como éque vou me defender? Sou aposen-tado, tenho 92 anos, vão dizer queestou gagá. O negócio é esse.
Quando o senhor era ministro do STM, foi pressionado por alguémdo governo, do Exército? 
BIERRENBACH:
De jeito nenhum.Se viessem me pressionar, eu bota-va a boca no mundo. Eu tinha bomcontato com a imprensa. O meu vo-to, que foi longo, os principais jor-nais publicaram a íntegra.
 JÚLIO BIERRENBACH: “Houve manipulação, não tenho dúvida nenhuma. Agora, estou eu criticando atos do meu tribunal”
‘Não apuraram porque não quiseram’ 
Ministro aposentado do STM afirma que atentado no Riocentro deixou de ser investigado para proteger altos oficiais
Paulo Nicolela
ENTREVISTA
Júlio Bierrenbach
BRASÍLIA.
Trinta anos de-pois do atentado do Rio-centro, um dos casosmais emblemáticos da fase final da ditadura militar, oministro aposentado do Superior Tribunal Militar(STM) Júlio de Sá Bierrenbach sustenta que a inves-tigação foi abafada para inocentar altos oficiais vincu-lados ao crime. O ministro aponta o dedo para o ge-neral Octávio Medeiros, chefe do Serviço Nacional deInformações(SNI),eatéparaoex-presidenteJoãoBap-tista Figueiredo, já falecido. “Figueiredo, na ocasião,declarou que (os militares envolvidos no atentado)não estavam subordinados a ele. Estavam subordina-dosaoministrodoExército.Masfaçoumapergunta:o I Exército não estava subordinado ao presidente daRepública?” O atentado ocorreu em 30 de abril de1981. Reportagens publicadas pelo GLOBO na semanapassadamostramqueaagendadosargentoGuilhermePereira do Rosário — um dos autores do ataque, mor-to na explosão — revela a rede de terror envolvida noepisódio, mas jamais foi usada nas investigações.
Governo planeja instalar Comissão da Verdade no Congresso neste 1
o
-
semestre
Maria do Rosário, que busca apoio da oposição, tem reunião com Vaccarezza
BRASÍLIA.
O governo quer celerida-de na instalação da Comissão Nacio-nal da Verdade e acredita que o pro-jeto que cria o grupo poderá seraprovadonoCongressoaindanopri-meiro semestre. A ministra da Secre-taria de Direitos Humanos, Maria doRosário, reuniu-se ontem com o líderdo governo na Câmara, Cândido Vac-carezza(PT-SP).Aexemplodominis-tro da Defesa, Nelson Jobim, que jáse reuniu com os líderes da oposi-ção, Rosário tem conversado com osopositores. O ministro já discutiu oassunto com o líder do DEM, Antô-nio Carlos Magalhães Neto (BA), umapoiador da proposta. Rosário já fezcontato com o líder do PSDB, DuarteNogueira (SP), e aguarda retorno.— É uma romaria mesmo, de ga-binete em gabinete, e a receptivida-de está sendo muito positiva. A Co-missão da Verdade hoje está sendodiscutida por diferentes partidos eo importante é transformar esta nu-ma questão de Estado e não de go-verno — disse Maria do Rosário.Jobim obteve de líderes da oposi-ção o compromisso da discussão dotema em seus partidos. ACM Netodiz estar convencido de que as di-vergências entre os militares com osetor dos direitos humanos cessa-ram com o fim do governo Lula:— Sou simpático ao projeto agoraporque é fruto de uma discussãoequilibrada e de um entendimento. Enãoécomoantes,quandooqueocor-ria era a tradução de um conflito.Se aprovada pelo Congresso, a co-missão será formada por sete inte-grantes,todososnomesindicadospe-la presidente Dilma Rousseff. Cada in-tegrante receberá salário de cerca deR$11mil.Oobjetivodacomissãoées-clarecer graves violações de direitoshumanos durante a ditadura.
O GLOBOEM SMS
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O voto que entroupara a História
Em dezembro de 1982, o al-mirante Júlio de Sá Bierrenba-ch, então ministro do SuperiorTribunal Militar (STM), pro-meteu que não pisaria emqualquer unidade do Exércitoenquanto o ministro da Forçafosse o general Walter Pires.Semanas antes, Bierrenbachprovocara a fúria de Pires aodivulgarumlongovotofavorá-vel ao desarquivamento doatentado do Riocentro. Em 52páginas, o almirante alegouque a ação de poucos milita-res não poderia comprometer“a grandeza do Exército”.Apesar de críticas contun-dentes às investigações, con-duzidas na época pelo entãocoronel Job Lorenna Santana,Bierrenbach não conseguiuconvencer os seus pares. Opedido de desarquivamentoacabaria derrotado por dezvotos a quatro. De quebra, oministro do STM entraria emconflito com o ministro doExército, que atacou dura-mente o conteúdo do voto.Franco e direto, um estiloconsolidado em mais de 40anos de carreira, Bierrenbach,que posteriormente assumiriaa presidência do STM, jamaisrecuou na posição sobre o epi-sódio. “Estamos diante de umcrime dos mais nefastos, ter-rorismo à beira da impunida-de. Por muito menos, este Tri-bunal já condenou alguns réusa muito mais”, escreveu no vo-to que entrou para a Históriado Brasil.
Eliária Andrade/22-3-2011
MARIA DO ROSÁRIO: a ministra diz que faz “romaria de gabinete em gabinete”

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