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A escola do imaginário e seus representantes: uma tradiçãodo
tertium datum
Autor:
Marcos Namba Beccari
Vínculo Institucional:
Universidade Federal do Paraná, Programa de Pós-graduaçãoem Design, Campus Reitoria (Curitiba/PR).
Eixo Temático:
Educação, imaginário e cultura: reverberações da teoria durandiana
Categoria:
Comunicação
Resumo do Trabalho:
Este trabalho apresenta alguns dos autores através dos quais seexprime o pensamento teórico e filosófico da intitulada
escola do imaginário
. Sob aforma de revisão bibliográfica básica, iniciamos com os primeiros representantes atransitarem, partindo de um pressuposto em comum, entre a fenomenologia, ahermenêutica e o estruturalismo: Bachelard, Jung e Durand. Na sequência, incluímos o pensamento de autores relacionados aos primeiros três, tais como Eliade, Cassirer,Corbin, Hillman, Maffesoli, etc. Por fim, destacamos o princípio do
tertium datum
(terceiro incluído) como sendo um dos possíveis pontos de convergência entre osautores do imaginário a necessidade de contradições e, ao mesmo tempo, decoincidência dos contrários. Neste sentido, a perspectiva do Imaginário localiza-se, nas palavras de Hillman (1995, p. 25),
entre
outros e
de onde
outros podem ser vistos”, podendo também ser entendida por Jung como
esse in anima
ou por Corbin como
mundus imaginalis
. Trata-se, pois, mais de um
corpus
de ideias do que de um panoramahistórico-conceitual, isto é, um movimento não sistemático de retomada e reviravoltamovido pela pretensão de tornar compreensível a reflexão filosófica do imaginário.
Palavras-chave:
Escola do Imaginário,
tertium datum
, Gaston Bachelard, Carl GustavJung, Gilbert Durand.
 
Introdução
De modo geral, o
 Imaginário
se refere ao conjunto de imagens e símbolos quese formam a partir de estímulos do homem com o seu meio (PITTA, 2005). Os autoresdos Estudos do Imaginário, por sua vez, partem do princípio de que o processo deformação das imagens é similar, seja em um indivíduo, seja em uma cultura. Tal processo é entendido como uma função transcendente do homem em “dizer o indizível”,ultrapassando ao mesmo tempo o mundo material e o mundo subjetivo. Não obstante, é comum entre os autores o interesse pelo estudo dos Mitos – dogrego
miéin
(manter a boca e os olhos fechados). Derivados de
miéin
são também:
mystérion
(mistérios) e
mýstes
, palavra que designa os neófitos nos mistérios, ou osiniciados (BRANDÃO, 1986, p. 25). Os Estudos do Imaginário estão, portanto,associados de forma definitiva ao
misterioso
e ao que não pode ser expresso pelodiscurso lógico da consciência – o mundo do
logos
propriamente dito.Embora o
 ponto de convergência
dos estudos do Imaginário provenha datradão neoplanica, seus representantes transitam entre três abordagens predominantes: a fenomenologia, a hermenêutica e o estruturalismo(WUNENBURGER, 2007). Partindo deste pressuposto, apresentaremos neste artigo trêsautores que, respectivamente, associaram tais abordagens à Escola do Imaginário – Gaston Bachelard, Carl Gustav Jung e Gilbert Durand.
Jung e o inconsciente coletivo
Por via de constatação cronológica, consideraremos o psicanalista suíço CarlGustav Jung como sendo nosso ponto de partida – enquanto Bachelard fundava em1950 (Genebra, França) a
Societé de Symbolisme
(Sociedade do Simbolismo), Jung já participava do denominado
Círculo de Eranos
1
.Intrigado com o fato de seus pacientes relatarem sonhos idênticos a mitos deoutras culturas que não a deles, especialmente aquelas que nunca tiveram contato entresi, Jung (2006) propõe o conceito de
inconsciente coletivo
, uma espécie de memória da
1
Sob a orientação de Rudolf Otto, o Círculo de Eranos foi fundado em 1933 (Ascona, Suíça) por OlgaFröbe-Kapteyn. Jung foi desde o início o mentor destes encontros interdisciplinares que, por sua vez, podem ser divida em três fases: da mitologia comparada (1933-1946), da antropologia cultural (1947-1971) e da hermenêutica simbólica (1972-1988). Cf. JAFFÉ, 1988, p. 85-96.
 
experiência de toda a humanidade – aquilo a que Durand (
apud 
ARAÚJO; TEIXEIRA,2009, p. 8) se refere como “reminiscência do Destino ancestral da espécie”. Os
arquétipos
, em sua vez, seriam formas
a priori
de toda manifestação de pensamentohumano e que encontram suas raízes em uma dimensão atemporal, isto é, com origemnão verifivel na psique humana. Dito de outra forma, “as estruturas básicas euniversais da psique, os padrões formais de seus modos de relão, são padrõesarquetípicos” (HILLMAN, 1995, p. 22).Contudo, embora configurem as formas primárias que governam a psique, osarquétipos o estão contidos apenas no inconsciente coletivo, pois tamm semanifestam nos planos físico, social, linguístico, estético e espiritual (idem). Umdeterminado contexto cultural teria então o papel de
 preencher 
as formas arquetípicasque, vazias em um primeiro momento, desenvolver-se-iam assim em manifestaçõessimbólicas. Deste modo, uma concepção preliminar de
 símbolo
 – ainda que nãocorresponda à totalidade deste conceito – seria tratá-lo enquanto manifestação
 física
doarquétipo que seria, em si, inatingível por sua condição de estrutura
à priori
.Portanto, o conceito de arquétipo constitui um correlato indispensável da ideiade inconsciente coletivo, ideia esta que é claramente influenciada por Platão e osneoplatônicos. O idealismo kantiano é também implícito em Jung na medida em que ele pressupõe a existência de determinadas formas na psique que estariam presentes emtodo tempo e em todo lugar e que, de modo particular para cada indivíduo, oferecem umsentido simbólico à existência humana. Assim, o inconsciente coletivo seria uma parteimutável da psique humana, dividida por todos os homens, mas de caráter não evolutivona medida em que não se modifica. Trata-se de uma herança que nos fornece asestruturas de pensamento (arquétipos) necessárias para a formação de todas as culturasexistentes.
O inconsciente coletivo é uma parte da psique que pode distinguir-se de uminconsciente pessoal pelo fato de que não deve sua existência à experiência pessoal, não sendo portanto uma aquisição pessoal. Enquanto o inconsciente pessoal é constituído essencialmente de conteúdos que já foram conscientes eno entanto desapareceram da consciência por terem sido esquecidos oureprimidos, os conteúdos do inconsciente coletivo nunca estiveram naconsciência e portanto não foram adquiridos individualmente, mas devem suaexistência apenas à hereditariedade. Enquanto o inconsciente pessoal consisteem sua maior parte de
complexos
, o conteúdo do inconsciente coletivo éconstituído essencialmente de
arquétipos
.

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