erosão da democratização das tecnologias da informação, comunicação e conhecimento.O perpetuar do saber por via de suportes tecnológicos, começando, evidentemente, pelasparedes das cavernas, e a democratização do acesso a eles, de há uns duzentos anos paracá, modificou e generalizou o número de discursos possíveis, lançando as bases de umarevolução que hoje atinge, de alguma forma, o seu clímax, naquilo a que se chamou aSociedade da Informação.Para além de todas as discussões eruditas possíveis sobre o significado dosdiscursos sobre o real e as possíveis relações desses discursos com o próprio real, paraalém da qualidade desses discursos, o final do milénio trouxe, mais do que tudo, umaexplosão no número de discursos possíveis e, chegados ao século XX, o nosso tempoparece cada vez mais curto perante a profusão da camada mediatizada de realidade (?)que nos rodeia, os conteúdos. A palavra
media
parece mesmo ter perdido a sua conotaçãode espelho ou janela sobre o real para se constituir como um mundo auto-inventado, maisdo que um universo paralelo, um multiverso permanente.No século XX, o fenómeno talvez mais importante, pelo menos nas sociedades dohemisfério norte – e de exclusão se falará adiante –, foi a generalização de formasdiversas de educação e cultura, criando gerações muito mais novas com um domíniocompletamente inesperado das tecnologias e linguagens circundantes.O século XX é o século do cinema, da banda desenhada, da televisão, dos jogosindividualizados e já não comunitários, dos desenhos animados, além, é claro, da culturapop, da música à televisão, às mais variadas formas de imprensa especializada egeneralista. E todos estes produtos se dirigiram ou dirigem, num momento ou noutro, deuma forma ou de outra, a um público mais jovem, apostando, não numa qualquersensatez ou conhecimento acumulado trazido pelos anos, mas na imediatez e nacapacidade intuitiva para lidar com estas mensagens que vem do banho permanente numasociedade em sobre-informação.A sobre-informação não é uma coisa má, é uma coisa boa. E daqui vem a primeiraforça desta geração que terá 20 anos no ano 2000. O seu tempo é muito mais largo,amplo, que o tradicional tempo estreito da escrita, do conhecimento linear.Explique-se.Laurie Anderson pergunta, genial, numa das suas músicas, “
Is time long or is it wide?
”
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. Eu atrevo-me a responder: ambos, mas está a alargar-se. O tempo estreito, veja-se, é aquele que se define como uma linha, é o tempo da sucessividade, da causa econsequência, de uma coisa a seguir à outra. O tempo largo é o tempo que se define comoum espaço, o tempo da simultaneidade, da rede, das coisas todas que estão a acontecerneste momento e a que eu me posso ligar
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.Neste tempo largo, os “adultos” descobriram de repente que tudo está diferente, esempre diferente. Foi como se a sensação difusa de aceleração que tinha dominado oséculo atingisse extremos praticamente insuportáveis. Foi como se de repente olhassem
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Na música
Same Time Tomorrow
do albúm
Bright Red
3
“
No beginning / No end / No direction / No duration / Video as mind
”, anotações geniais de BillViola em 1980, incluídas em
Reasons for knocking at an empty house – Writings – 1973-1994