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O Corporativismo Político, o Foro Privilegiado dos Parlamentares e o Sistema Eleitoral: As Principais Mazelas Políticas do Brasil

O Corporativismo Político, o Foro Privilegiado dos Parlamentares e o Sistema Eleitoral: As Principais Mazelas Políticas do Brasil

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Published by Ivo S. G. Reis
Este mini-ensaio analisa o excessivo corporativismo na atual política brasileira, as questões do foro privilegiado para os parlamentares, o fisiologismo, o regime político e o sistema eleitoral vigentes.

Exemplifica casos de crimes políticos, de corrupção e de como se dá a impunidade. Por fim, sugere soluções.
Este mini-ensaio analisa o excessivo corporativismo na atual política brasileira, as questões do foro privilegiado para os parlamentares, o fisiologismo, o regime político e o sistema eleitoral vigentes.

Exemplifica casos de crimes políticos, de corrupção e de como se dá a impunidade. Por fim, sugere soluções.

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Published by: Ivo S. G. Reis on Apr 17, 2009
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Corporativismo Pol\u00edtico, Foro Privilegiado e
Sistema Eleitorial: As Maiores Mazelas da
Pol\u00edtica Brasileira

Um pol\u00edtico nunca serra o galho em que est\u00e1
sentado (frase da jornalista L\u00facia Hip\u00f3lito, no programa

de entrevistas do J\u00f4 Soares (15/04/2009), ao referir-se \u00e0s mudan\u00e7as estruturais e pol\u00edticas necess\u00e1rias \u00e0 moraliza\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional Brasileiro)

Foro especial \u00e9 concebido deliberadamente (grifo nosso) para assegurar a impunidade a certas classes de pessoas (Joaquim Barbosa, ministro do STF,

em declara\u00e7\u00e3o \u00e0 revista "Isto \u00c9). Minha pergunta: Por que

os pol\u00edticos n\u00e3o serram logo esse galho? O projeto de acabar com o foro especial j\u00e1 existe. Mas ser\u00e1 aprovado? Chegar\u00e1, sequer, a ser apreciado?

De fato, se no lugar do menino a\u00ed da foto fosse um pol\u00edtico, ele estaria serrando o galho l\u00e1 de cima, mas nunca o dele. Mais: tamb\u00e9m n\u00e3o serraria o de nenhum colega, a n\u00e3o ser que fosse inevit\u00e1vel. No Congresso, em qualquer de suas duas casas, quando a causa \u00e9 coletiva e suscet\u00edvel de retirar vantagens

dos
deputados

e senadores ou impor-lhes restri\u00e7\u00f5es mais r\u00edgidas, ou vasar informa\u00e7\u00f5es de pr\u00e1ticas il\u00edcitas internas, entra em

cena o "corporartivismo pol\u00edtico". E \u00e9 sobre isso que vamos falar neste artigo, passando pelo fisiologismo, pela corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, reforma do sistema eleitoral, do regimento interno do Senado e da C\u00e2mara, da extin\u00e7\u00e3o do foro privilegiado, das mordomias, do ajustamento e controle das verbas de gabinete, das impunidades, da mudan\u00e7a do nosso regime pol\u00edtico, etc.

O corporativismo pol\u00edtico (um por todos, todos por um e
ningu\u00e9m contra ningu\u00e9m):
Assim pode-se definir, em car\u00e1ter gen\u00e9rico, o que seja \u201ccorporativismo\u201d:

\u201cCorporativismo \u00e9 a a\u00e7\u00e3o em que prevalece a defesa de interesses ou privil\u00e9gios de um setor organizado da sociedade, em detrimento do interesse p\u00fablico.\u201d

O corporativismo pol\u00edtico \u00e9 uma das pr\u00e1ticas mais nefandas da pol\u00edtica brasileira. N\u00e3o que ele n\u00e3o exista em outros pa\u00edses ou em outras categorias profissionais. H\u00e1 o corporativismo dos m\u00e9dicos (a "\u00e9tica" os pro\u00edbe de condenar colegas e o CRM s\u00f3 o faz em casos extremos); h\u00e1 o corporativismo policial (Pol\u00edcia defende Pol\u00edcia); h\u00e1 o corporativismo entre ju\u00edzes (juiz evitando condenar juiz); h\u00e1 o corporativismo

entre engenheiros (tamb\u00e9m por "\u00e9tica", n\u00e3o se critica a obra de colegas) e por a\u00ed v\u00e3o os exemplos. Mas ser\u00e1 que pol\u00edtico tem "\u00e9tica"? Arrisco-me a dizer que no Congresso Nacional, pelo menos 80% deles n\u00e3o t\u00eam. E como as minorias n\u00e3o resolvem nada...

Que exista o corporativismo em determinadas categorias profissionais, \u00e9 at\u00e9 compreens\u00edvel, desde o momento em que isso n\u00e3o afete a popula\u00e7\u00e3o, como um todo. Mas os atos pol\u00edticos afetam e, por isso, essa pr\u00e1tica deveria ser banida. S\u00f3 que eles n\u00e3o querem isso, porque no meio deles, \u00e9 perigoso. Seria como "serrar o pr\u00f3prio galho que se sentam, pois se esse galho cair, todos caem juntos. "Defendo

voc\u00ea hoje, para que voc\u00ea me defenda amanh\u00e3"; "n\u00e3o divulgo os seus podres, para
que voc\u00ea n\u00e3o divulgue os meus"; "n\u00e3o ataco, para n\u00e3o ser atacado". Essa \u00e9 a regra

que vigora internamente e que a maioria das pessoas aqui fora n\u00e3o sabem como funciona. O nosso corporativismo pol\u00edtico \u00e9 excessivamente condescendente e prejudicial ao pa\u00eds.

O "foro privilegiado", a quebra do "decoro parlamentar" e a
impunidade:

Uma das grandes ferramentas do corporativismo pol\u00edtico \u00e9 o "foro privilegiado" existente para os parlamentares. E por qu\u00ea? Porque nao sendo julgados pela justi\u00e7a comum, como qualquer mortal n\u00e3o pol\u00edtico,eles praticamente n\u00e3o sofrem puni\u00e7\u00f5es. A pena m\u00e1xima que existe \u00e9 "perda do mandato por "quebra do decoro

parlamentar". Nesses processos, eles geralmente s\u00e3o absolvidos pelos colegas e,

quando a falta \u00e9 grave e n\u00e3o tem jeito, eles "renunciam" antes, para n\u00e3o perder o mandato, e voltam eleitos nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es (brasileiro \u00e9 socialmente alienado e esquece r\u00e1pido).

"Decoro parlamentar"? Que figura esdr\u00faxula \u00e9 essa? F\u00e1cil! Foi inventada para dar um nome \u00e0 puni\u00e7\u00e3o m\u00ednima dos parlamentares, puni\u00e7\u00e3o esta que n\u00e3o d\u00e1 em nada, a n\u00e3o ser em rar\u00edssimos casos (como o do ex-presidente Collor de Mello, por exemplo), quando o clamor popular exige. Mesmo assim, vejam: Ele n\u00e3o foi condenado, saiu por ren\u00fancia for\u00e7ada ( s\u00f3 teve que ficar 8 anos sem ocupar cargo pol\u00edtico), mas j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1 no Congresso de novo, como Senador, ocupando uma fun\u00e7\u00e3o interna important\u00edssima, apoiado pelo seu colega Renan Calheiros, um outro corrupto impune, que s\u00f3 perdeu a presid\u00eancia do Senado, mas continua mandando quase tanto quanto o presidente, tal \u00e9 a influ\u00eancia que exerce. E que dizer de

Paulo Maluf?E Jader Barbalho, Jader Barbaaaaaaaalho, v\u00e1rias vezes processado
(estelionato, forma\u00e7\u00e3o de quadrilhas e fraudes contra o sistema financeiro)?.

Todas essas v\u00e1lvulas de escape s\u00e3o permitidas pelos regimentos internos das casas, e foram inseridas e deixadas l\u00e1 de prop\u00f3sito, para legislar em causa pr\u00f3pria e permitir o fisiologismo e a impunidade. \u00c9 uma farra geral. A lista dos processados e n\u00e3o condenados \u00e9 enorme, com e 100% deles at\u00e9 agora impunes, gra\u00e7as ao "corporativismo" e ao "foro privilegiado". E isso, gente, \u00e9 coisa s\u00f3 do Brasil.

Mas, afinal, o que seria o tal "foro privilegiado" de que tanto os pol\u00edticos se valem?
\u00c9 a prerrogativaconst itucional de s\u00f3 poder ser julgado pelo STF, ainda que em
crimes comuns. E \u00e9 essa prerrogativa que tanto tem estimulado a impunidade

pol\u00edtica. Ao que se sabe, o STF nunca condenou nenhum parlamentar. Por acaso algum r\u00e9u do mensal\u00e3o ou de alguns dos recenntes esc\u00e2ndalos descobertos pelo Minist\u00e8rio P\u00fablico ou a Pol\u00edcia Federal, j\u00e1 foram condenados? Claro que n\u00e3o! E a estrat\u00e9gia \u00e9 simples: como a nossa justi\u00e7a \u00e9 lenta e o STF n\u00e3o considera o julgamento de pol\u00edticos como "prioridade", os processos v\u00e3o sendo deixados para tr\u00e1s, at\u00e9 prescreverem, por decurso e prazo, e o r\u00e9u sair limpo. Quando, por press\u00e3o num ou noutro caso o STF tenta acelerar, os pol\u00edticos entram com diversos recursos, meramente protelat\u00f3rios, at\u00e9 extinguir-se o prazo e o processo ser arquivado por "prescri\u00e7\u00e3o". Maravilha!... Isso \u00e9 Brasil. N\u00e3o posso afirmar com certeza, mas, do que sei, em nenhum pa\u00eds do mundo existem tantas facilidades e

prerrogativas pol\u00edticas como aqui, tudo "na forma da lei". Depois, quando o ex- Presidente da Fran\u00e7a, Charles de Gaulle, disse que o Brasil n\u00e3o era um pa\u00eds s\u00e9rio, todos ficamos ofendidos.

Lembro-me que na ocasi\u00e3o, eu tamb\u00e9m fiquei indignado. Mas hoje, reanalisando o Brasil, come\u00e7o a achar que o ex-presidente franc\u00eas tinha raz\u00e3o. Num pa\u00eds em que Paulo Maluf se autodeclara o campe\u00e3o de processos na Justi\u00e7a, com mais de 150 ajuizados contra ele e, em seguida, com a cara-depau e jact\u00e2ncia que lhe s\u00e3o peculiares, se declara o campe\u00e3o de vencimentos de processos, pois, em nenhum deles foi condenado, o que se pode pensar? E o apadrinhado dele, o ex-prefeito de s\u00e3o Paulo, Nelson Pitta, por onde anda? Ainda n\u00e3o foi preso? Como dizem os mais jovens: \u201cFala s\u00e9rio, cara!... Que pa\u00eds \u00e9 esse? Tem pol\u00edtico que j\u00e1 comprou at\u00e9

castelo de 25 milh\u00f5es, levou v\u00e1rios colegas para visitar e ningu\u00e9m viu nada, achando perfeitamente normal que ele tivesse o seu castelinho. E era esse o deputado que ia ser o Corregedor da C\u00e2mara! Pode?\u201d \u00c9 nessa linguagem que o

pov\u00e3o mais jovem, quando tem algum esclarecimento, se expressa.
Quem d\u00e1 respaldo ao foro privilegiado e \u00e0 imunidade
parlamentar?

Infelizmente, a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o Federal, em seu T\u00edtulo IV, Se\u00e7\u00f5es V e VI e os regimentos internos das duas casas d\u00e3o o respaldo legal necess\u00e1rio. Mas tudo isso foi "armado" de prop\u00f3sito. Afinal, quem faz as leis? Ser\u00e1 que eles n\u00e3o seriam inteligentes o bastante para legislarem em causa pr\u00f3pria e deixarem uma brechinha para escapar? Foi o que fizeram! E fizeram o mesmo nas leis eleitorais. Ou seja: arrumaram a casa em que iriam morar (e reinar). E n\u00e3o adianta a renova\u00e7\u00e3o dos quadros de 4 em 4 anos, porque os v\u00edcios continuam e os novatos, os poucos que se renovam, aprendem r\u00e1pido, com as velhas raposas.

A im(p)unidade pol\u00edtica e alguns casos conhecidos:
Vamos a alguns exemplos, todos favorecidos pelo corporativismo pol\u00edtico e oforo
privilegiado que,por sua vez, garantem a imunidade e impunidade pol\u00edticas:1 -
Paulo Maluf(PP/SP): Ser\u00e1 que existem d\u00favidas quanto \u00e0 sua culpabilidade em

desviar dinheiro p\u00fablico para os para\u00edsos fiscais? Acaso j\u00e1 n\u00e3o ficou comprovado? E por que Maluf n\u00e3o est\u00e1 preso e continua na pol\u00edtica?; 2 - Senador Jader Barbalho (PMDB/PA): Processado por estelionato, forma\u00e7\u00e3o de quadrilha e fraudes contra o sistema financeiro, sem falar na ren\u00fancia do mandato na legislatura anterior, em processo por "quebra de decoro parlamentar", no epis\u00f3dio em que junto com o Senador Antonio Carlos Magalh\u00e3es, tinham acesso e interfiriam no quadro de vota\u00e7\u00e3o do senado. 3 - Senador Renan Calheiros, ex-presidente do Senado, for\u00e7ado a renunciar por corrup\u00e7\u00e3o e "quebra de decoro parlamentar": est\u00e1 ativo e mandando mais do que o atual presidente; 4 - Fernando Collor de Mello: O ex- Presidente da Rep\u00fablica, depois de ser for\u00e7ado a deixar o Governo, volta com for\u00e7a total, como senador, apoiado internamente por seu comparsa Renan Calheiros. Atualmente, esta sendo processado por falsidade ideol\u00f3gica e tr\u00e1fico de influ\u00eancia;

5 - Michel Temer (Presidente do PMDB): sofre processos por crimes ambientais e
grilagem de terras, mas est\u00e1 a\u00ed tamb\u00e9m, mais forte do que nunca; 6 - Deputado
Valdemar Costa Neto: processado por crimes contra a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica,

forma\u00e7\u00e3o de quadrilha e lavagem de dinheiro (caso do mensal\u00e3o); 7- Pedro Henry (PP-MT),Paulo Rocha (PT/PA), Jos\u00e9 Genoino (PT/SP),Jo\u00e3o Paulo Cunha (PT/SP): Estes s\u00e3o todos ainda remanescentes doi caso "mensal\u00e3o"; 8 - Neuto de

Conto (PMDB/SC): crime contra o sistema financeiro; 9 - Sando Mabel(PR/GO):
crime contra a ordem tribut\u00e1ria.

No momento, existem 44 parlamentares sendo processados (6 senadores e 38 deputados), fora mais 127 que ainda n\u00e3o foram ajuizados porque

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