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Introdução ao Estudo do Direito – II1.º Ano / Noite, 2008-2009I – Aspectos Gerais da Metodologia Jurídica1. Decisão do caso à luz da lei1.1 A distião entre «Interpretão» e «Aplicão».
Porfacilidade de exposição, a matéria antecedente tem sido organizadaem termos que aparentam a exisncia de diversas operõesautónomas, desde a determinação da fonte à aplicação da norma aocaso. Assim, dir-se-ia, a decio do caso concreto à luz da leidecompõe-se em sucessivas operações consistentes na determinaçãoda fonte relevante, na interpretação, na integração de eventuaislacunas existentes, na delimitação da matéria de facto relevante e,finalmente, na aplicação da lei ao caso concreto.Como veremos, esta visão do processo de realização do direito temna sua base certos pressupostos poticos e metodológicosquestionáveis: os pressupostos políticos consistem numa visão daseparação de poderes que tende a ver no juiz um simples autómato,ao qual é vedada qualquer intervenção activa no processo derealização do direito; os pressupostos metodológicos consistem nummodo de encarar a solução do caso concreto exclusivamente à luz dométodo subsuntivo.VERSÃO PROVISÓRIA1
 
Adiante iremos ver que estes pressupostos
teóricos
, de ordempolítico-constitucional e metodológica, de encarar o processo derealização do direito não podem ser aceites. Para já, interessa-noscompreender que, na
prática
, a distinção cortante entre interpretar eaplicar a lei não corresponde à experiência comum dos operadores jurídicos e não se apresenta como viável em muitos casos.Na verdade, a distinção entre interpretar e aplicar a norma surgecomo artificial, considerando que interpretamos a lei tendo em vista aresolução do caso e não podemos encarar a interpretação como algoencerrado antes de iniciar a aplicação da lei ao caso, mas antes comouma actividade que é continuamente reaberta à luz de cada novocaso concreto a decidir. Que isto é assim sabêmo-lo, desde logo, pelasimples experiência adquirida na resolução de casos práticos.Para além disso, é muitas vezes de todo inviável efectuar umadistinção entre interpretação e aplicação. Isso acontece, desde logo,em virtude da exisncia, em todas as ordens judicas, do quepoderíamos designar como válvulas de escape ou janelas do sistema.Podemos aí reconduzir a equidade, o direito de necessidade e mesmoo abuso do direito. Para além disso, a inviabilidade de ver ainterpretação e a aplicação como operações distintas resulta aindade, cada vez mais, toparmos com a existência frequente de conceitosindeterminados, cláusulas gerais, tipos e princípios na legislação.
1.2 Válvulas de escape do sistema1.2.1 Equidade.
A fim de compreendermos o sentido e alcance daequidade, convém começar por enunciar as principais disposições donosso direito em vigor sobre esta matéria.Como seria de esperar, é no Código Civil que encontramos a maioriadas disposições que mencionam a equidade:VERSÃO PROVISÓRIA2
 
Artigo 4.º - Os tribunais podem resolver segundo a equidadequando haja disposição legal que o permita, quando haja acordo daspartes e a relação jurídica não seja indisponível ou quando as partestenham previamente convencionado o recurso à equidade, nostermos aplicáveis à clausula compromissória.Artigo 72, n.º 2 Quando, no exercio de uma actividadeprofissional, duas ou mais pessoas tenham nomes total ouparcialmente iguais, o tribunal deve decretar as providências que,segundo juízos de equidade, melhor conciliem os interesses emconflito.Artigo 283.º, n.º 1 – Em vez da anulação do negócio usurário, o lesadopode requerer a sua modificação segundo juízos de equidade.Artigo 339.º, n.º 2 – Em caso de danos resultantes de uma actuaçãoem estado de necessidade, se o perigo que esteve na base daactuação não for provocado por culpa exclusiva do agente, o tribunalpode fixar uma indemnização equitativa e condenar nela, não só oagente, como aqueles que tiraram proveito do acto ou contribuirampara o estado de necessidade.Artigo 400.º, n.º 1 – A determinação da prestação, confiada a uma daspartes ou a terceiro, deve ser feita segundo juízos de equidade, seoutros critérios não tiverem sido estipulados.Artigo 437.º, n.º 1 Em certas condições, e como alternativa àresolução do contrato, a alteração das circunstâncias pode dar lugar àmodificação do contrato segundo juízos de equidade
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.Artigo 462.º - Se, tendo em vista uma promessa blica, riaspessoas tiverem cooperado e todas tiverem direito à prestação, seráesta dividida equitativamente, atendendo-se à parte que cada umadelas teve nesse resultado.
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Em termos próximos o artigo 314.º, n.º 2, do Código dos Contratos Públicos,aprovado pelo Decreto-Lei n.º 18/2008, de 29 de Janeiro, estabelece que a alteraçãoanormal e imprevisível das circunstâncias não imputável a decisão do contraenteblico confere direitos à modificação do contrato ou a uma compensaçãofinanceira, segundo juízos de equidade.
VERSÃO PROVISÓRIA3
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