• Embed Doc
  • Readcast
  • Collections
  • CommentGo Back
Download
 
O medo de ver o clube decidido por uma minoria
O antigo presidente 'regressa' nove anos depois para defender o projecto da actualDirecção Roquette ainda acredita numa solução Soares Franco HÁ cerca de nove anosque José Roquette não tinha significativa intervenção pública sobre o Sporting. Ele, quedera o nome a um projecto que ainda hoje se mantém como sinónimo de viragem dosclubes portugueses para uma gestão de rigor, capaz de compatibilizar a emoção e osafectos próprios dos tradicionais clubes desportivos com o racionalismo da gestão dassociedades anónimas desportivas.Roquette surge, agora, nove anos depois da sua saída da presidência do Sporting, nadefesa de um projecto e do que considera ser a própria sobrevivência do Sporting«como uma instituição, ao mesmo tempo capaz de honrar os seus compromissos e de ter um elevado padrão de competitividade desportiva».Escolheu A BOLA para dar conta, a todos os sportinguistas, da sua profunda preocupação com o futuro. Teme que a assembleia de hoje não aprove a proposta daactual Direcção e que, segundo ele, poderá proporcionar que um universo mais alargadode sportinguistas decida sobre um assunto decisivo para o futuro do Sporting. Preocupa-o que um retrocesso leve ao vazio de pessoas e de ideias e tem um profundo receio:«Que cinco ou seis anos da minha vida, dados ao Sporting, tenham sido desperdiçados». Não tem dúvidas de que o momento é histórico e que o Sporting não pode perder maisesta oportunidade de resolver o problema essencial do clube: manter-se como umainstituição credível e, ao mesmo tempo, garantir condições para ter, enfim, o futebol profissional ao mais alto nível. Acredita que não há alternativa e que a oposição, seconseguir inviabilizar um projecto tão essencial ao futuro do clube, deverá ser responsabilizada.Quanto ao vazio que se perspectiva na sucessão de Soares Franco, acredita que, apesar de lhe reconhecer as razões, o ainda presidente do Sporting será o primeiro a aceitar ser  protagonista de uma solução que impeça que o clube caia no vazio ou na armadilha deum aventureirismo destruidor. É, enfim, a entrevista de um notável que, de repente, sevê na necessidade de regressar à ribalta em defesa do seu clube, do seu projecto e deuma ideia renovadora para o Sporting e, mais do que isso, para o futebol português.
«Franco não deixará Sporting num vazio»
 Nove anos de silêncio quebrados, aqui e agora, por uma forte preocupação com o futurodo Sporting. José Roquette explica, hoje, em A BOLA, por que razão está ao lado deSoares Franco no projecto de reestruturação do clube: Essencial para a sustentabilidadedo Sporting e a única maneira do futebol vir a ser desportivamente mais forte.Entrevista de VÍTOR SERPAHá quem veja na nova tentativa de reestruturação do Sporting um meio de levar o clubea perder o domínio accionista da SAD. Existe, ou não, esse perigo? — Não existe esse perigo, mas também não é essa a questão fundamental, até porquenessa matéria, na minha opinião, não deve haver qualquer tipo de fundamentalismos.Aliás, chamo a atenção para o exemplo do FC Porto, que, tanto quanto eu sei, não
 
detém a maioria da sua SAD. O FC Porto já não será o accionista maioritário da PortoSAD. No entanto, há por trás do núcleo duro que detém essa maioria um envolvimentocom o clube que retira os riscos que, de outra forma, poderiam surgir. — Seria possível e, eventualmente, aconselhável que um grupo de sportinguistas viesse,no futuro, a deter a maioria da SAD do Sporting? — É sempre possível um modelo desse tipo e no caso do Sporting, até poderia haver,em tese, uma dúzia de pessoas, com suficiente sentido de sportinguismo, capazes deassegurar o tipo de estrutura que existe no FC Porto e que tem tido sucesso. Não sei sevirá, um dia, a ser possível. — Mas reafirma que não existe, para já, essa intenção. — Para mim, é claro, tanto quanto consigo ver no quadro da actual reestruturação queestá em curso, o Sporting vai continuar a ser o maior accionista da SAD. Mas devemosdeter-nos no ponto que é, de facto, o essencial. — E que é... — Não me parece haver outra possibilidade de reforçar os capitais da SAD que não seja pela via proposta pelo actual Conselho Directivo. Aliás, é importante que se diga queninguém apareceu a protagonizar uma alternativa. — Há, ao que parece, uma maioria que não entende ainda bem o que está em causa na proposta — A solução globalmente considerada tem, em si mesma, uma equação financeiracomplexa, mas que reflecte esta realidade essencial: Uma instituição como o SportingClube de Portugal não é gerível, pelo menos na actual conjuntura, com o nível de passivo que carrega. Pura e simplesmente não tem viabilidade e isso é o que é mesmofundamental entender. Ou seja, tal como hoje existe, um Sporting desportivamente fortenão é viável. — Não existe alternativa?-A alternativa que pode existir é qualquer coisa de tão dramático como de indefensável.Será dizer: não pagamos! não pagamos! Ora, o Sporting tem uma história e umacredibilidade que não o pode deixar de honrar os seus compromissos. Isso é um dever de todos os sportinguistas para com a história do seu clube e de todas as gerações desportinguistas que nos antecederam. — O dr. Soares Franco afirma-se farto e cansado de ser ofendido. Foi o mesmo motivoque levou, afinal, o dr. Roquette a afastar-se da direcção do Sporting, há nove anos... — Eu disse, no conselho leonino, que se alguém sente profundamente aquilo que o dr.Soares Franco deve estar a passar sou eu, porque passei exactamente pelo mesmo. Ser  presidente de uma instituição como o Sporting é, quanto a mim, ainda mais desgastantedo que ser líder político, ou responsável por uma grande empresa. Eu entendo bem ocansaço, a amargura, a desilusão do actual presidente do Sporting.
 
 — É um defensor acérrimo da gestão do dr. Soares Franco... — Não é fácil encontrar um bom perfil para presidente do Sporting. Depois dasalterações profundas conseguidas em 1995, a liderança do Sporting obriga a altos níveisde exigência. São precisas qualidades muito específicas de alguém com visãoestratégica, com experiência empresarial e, fundamentalmente, com credibilidade. Não é possível gerir uma instituição com um nível de endividamento de qualquer umdos grandes clubes nacionais se não houver um mínimo de credibilidade e de certeza decapacidade de resposta em relação às responsabilidades assumidas.Parece que há pessoas que consideram isto como qualquer coisa de ultrapassável. Ainda julgam que tudo isto é a feijões. Há aqui um sentido de impunidade enorme, que mecausa o maior espanto. — Há sempre quem acredite que, mesmo nas piores situações, os clubes terão sempre pontos de fuga... — Pois. Há quem entenda que os bancos nunca teriam a coragem de executar oSporting e que nunca acontecerá nada. Isto, em 2009, é de uma irresponsabilidade e deum autismo alarmante. Essa gente esquece-se que colossos como a General Motorsentram em falência e continuam a achar que nada pode acontecer a uma instituiçãodesportiva. É dramático. — Acredita que será possível convencer o dr. Soares Franco a continuar se as decisõesdas assembleias lhe forem favoráveis? — Alguma coisa poderá acontecer que possa transmitir ao dr. Filipe Soares Franco umgénero de bálsamo e que o leve a acreditar que o Sporting não irá percorrer um caminhode atracção por um estilo de destruição a que já temos assistido noutros momentos davida do clube. A verdade é que por vezes parece que há uma praga que cai sobre osdirigentes desportivos quando têm altos níveis de qualidade e de credibilidade. — Dizia o dr. Roquette, há anos, que o Sporting tem uma tendência destruidoratremenda. Ainda é assim? — Não é só o Sporting. Com excepção dos últimos trinta anos do FC Porto, issoacontece nas instituições desportivas, porque há um contexto de envolvimentoemocional que não é possível ultrapassar. — O dr. Roquette estará na Assembleia a defender a posição do conselho directivo... — Vou lá defender essa posição, como já fui. — Não acha que houve um défice de informação aos sócios ? — Admito que sim. Isto é uma coisa complexa, mas reconheço que deveria ter havidoum maior esforço para se tentar explicar, mais terra a terra, o que se estava aqui a tratar. No essencial o que deveria ter sido dito é que não é possível o Sporting carregar o passivo que actualmente carrega e que temos de encontrar soluções para que o Sporting,
of 00

Leave a Comment

You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...
You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...