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Bates - PLASTICIDADE, LOCALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM.doc

Bates - PLASTICIDADE, LOCALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM.doc

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PLASTICIDADE, LOCALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEMElizabeth BatesUniversity of California, San Diego
Tradução: Pedro Lourenço GomesO termo "afasia"se refere a um distúrbio agudo ou crônico da linguagem, uma condiçãoadquirida que é mais freqüentemente associada a danos no lado esquerdo do cérebro, quasesempre produzidos por traumas ou um AVE. conhecemos a ligação entre dano nohemisfério esquerdo e perda de linguagem há mais de um século (Goodglass, 1993). Por quase o mesmo tempo também sabemos que as correlações lesão/sintoma observadas emadultos não parecem se aplicar em crianças muito pequenas (Basser, 1962; Lenneberg, 1967).De fato, na ausência de outras complicações, as crianças com dano congênito em um doslados do rebro (direito ou esquerdo) quase sempre chegam a adquirir habilidadeslingüísticas que estão bem dentro do âmbito da amplitude normal (Eisele & Aram, 1995;Feldman, Holland, & Janosky, 1992; Vargha-Khadem, Isaacs, & Muter, 1994). Certamente, ascrianças com um histórico de lesão cerebral precoce tipicamente têm um desempenho abaixodaquele dos controles neurologicamente intactos de mesma idade em muitas mensuraçõeslingüísticas e não-lingüísticas, incluindo uma diferença média de QI em escala total entre 4-8 pontos de um estudo para outro (especialmente em crianças com ataques epiléticos persistentes - Vargha-Khadem et al., 1994). O dano cerebral não é nada bom de se ter, e deve-se pagar um preço pela reorganização total do cérebro para compensar por lesões precoces.Mas o ponto crítico para nossas propósitos atuais é que estas crianças não são afásicas, adespeito de dano precoce de um tipo que quase sempre leva à afasia irreversível quandoocorre em um adulto.Além das revisões de outros autores citados acima, meus colegas e eu também publicamosdiversas revisões detalhadas do desenvolvimento lingüístico, cognitivo e comunicativo decrianças com lesão cerebral focal, a partir de vários pontos de vista (por exemplo, Bates et al.,1997; Bates, Vicari, & Trauner, no prelo; Elman et al., 1996; Reilly, Bates, & Marchman,1998; Stiles, 1995; Stiles, Bates, Thal, Trauner, & Reilly, 1998; Stiles & Thal, 1993; Thal etal., 1991). Como atestam estas revisões, emergiu um consenso que se coloca a meio caminhoentre os extremos históricos da
equipotencialidade
(Lenneberg, 1967) e da
predeterminaçãoinata
do padrão adulto de organização cerebral para a linguagem (por exemplo, Curtiss, 1988;
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Stromswold, 1995). Os dois hemisférios certamente não são equipotenciais para a linguagemao nascimento; de fato, se eles o fossem seria impossível explicar porque a dominância dohemisfério esquerdo para a linguagem surge entre 95-98% das vezes em indivíduosneurologicamente intactos. Entretanto, as evidências de recuperação a partir de um dano precoce no hemisfério esquerdo são hoje tão fortes que não é mais possível pensar-se nahipótese de que a linguagem
 per se
está inata e irreversivelmente localizada em regiões perisylvianas do hemisfério esquerdo.A vio de ajuste é aquela na qual a organização cerebral para a linguagem emergegradualmente através do decurso do desenvolvimento (Elman et al., 1996; Karmiloff-Smith,1992), baseada em "limitações leves" que estão apenas indiretamente relacionadas à próprialinguagem. Daí o padrão usual de localização da linguagem em adultos é mais produto do quecausa do desenvolvimento, um produto final que emerge a partir de variações iniciais namaneira como as informações são processadas de uma região para outra. Crucialmente, estasvariações não o específicas da linguagem, apesar de terem importantes implicõesreferentes a como e onde a linguagem é adquirida e processada. Na ausência de lesão cerebral precoce, estas limitações leves da arquitetura inicial e das proclividades de processamento deinformação do hemisfério esquerdo levarão, em última análise, ao conhecido padrão dedominância do hemisfério esquerdo. Entretanto, outros "planos cerebrais" para a linguagemsão possíveis, e surgirão quando a situação inicial não se mantiver. Nas páginas a seguir, não pretendo fornecer outra revisão detalhada dos resultados associadosa lesões cerebrais precoces; outras referências são fornecidas ao leitor para um catálogo maiscompleto destes achados. O que eu gostaria de fazer, ao invés, é ir além destes achados atésuas implicações para a natureza e para as origens da localização da lingugagem no adulto,fornecendo uma descrição de como este sistema neural pode surgir no decurso dodesenvolvimento. Com este objetivo em mente, o capítulo está organizado da seguintemaneira: (1) uma revisão muito breve dos achados da neurobiologia do desenvolvimento quesirvam como modelos animais para o tipo de plasticidade que vemos nas crianças humanas;(2) uma ilustração igualmente breve dos resultados de estudos retrospectivos dodesenvolvimento da linguagem na população com lesões focais; (3) a distinção entre estudos prospectivos e retrospectivos, incluindo uma discussão de alegados "períodos críticos" para odesenvolvimento da linguagem; (4) uma visão mais ampla dos achados prospectivos sobre odesenvolvimento da linguagem em crianças com lesões congênitas em um dos lados do
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cérebro; (5) uma nova visão da organização cerebral para a linguagem no adulto, umaalternativa para a visão frenologista estática que dominou nosso pensamento por dois séculos,uma visão que leve em consideração o papel da experiência na especificação da arquiteturafuncional do cérebro.
(1)PLASTICIDADE DE DESENVOLVIMENTO: MODELOS ANIMAIS
A existência de evidências sobre a plasticidade da linguagem no cérebro humano não deveriaser surpreendente à luz de tudo que já se aprendeu nas últimas décadas sobre a plasticidade dedesenvolvimento do isocórtex em outras espécies (Bates, Thal, & Janowsky, 1992; Deacon,1997; Elman et al., 1996, cap. 5; Janowsky & Finlay, 1986; Johnson, 1997; Killackey, 1990;Mueller, 1995; Quartz & Sejnowski, 1997; Shatz, 1992). Sem tentar uma revisão exaustiva oumesmo representativa, aqui estão apenas alguns dos meus exemplos favoritos de pesquisasobre plasticidade de desenvolvimento em outras espécies, estudos que fornecem modelosanimais para o tipo de plasticidade que observamos no caso humano.Isacson e Deacon (1996) transplantaram trechos do córtex de fetos de porco no cérebro deratos adultos. Estes "estrangeiros" (chamados de "xenotransplantes") desenvolvem conexõesapropriadas, incluindo ligações axonais funcionais através da medula espinhal que seinterrompem nos locais apropriados. Apesar de sabermos muito pouco sobre a vida mental dorato resultante, nenhum sinal de comportamentos apropriados a porcos foi observado.Stanfield e O'Leary (1985) transplantaram trechos do córtex fetal de uma região para outra(por exemplo, do córtex visual para o córtex motor ou somatossensorial). Apesar dessestrechos corticais não serem inteiramente normais comparados com o tecido "nativo", elesestabeleceram conexões funcionais com regiões internas e externas do córtex. Ainda maisimportante, os transplantes desenvolvem representações (isto é, mapas corticais) que sãoapropriadas para a região na qual agora vivem, e não para a região onde nasceram ("Quandoem Roma, faça como os romanos...")Sur e seus colegas (Pallas & Sur, 1993; Sur, Pallas, & Roe, 1990) reorientaram informaçõesvisuais do córtex visual para o córtex audutivo no furão (
 ferret 
) recém-nascido. Apesar (novamente) das representações que se desenvolveram no córtex auditivo não sereminteiramente normais, estes experimentos mostram que o tecido auditivo pode desenvolver 
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