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Interculturalidades Da Multiculturalidade

Interculturalidades Da Multiculturalidade

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Isabel Capeloa Gil
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AS INTERCULTURALIDADESDA MULTICULTURALIDADE
Isabel Capeloa Gil
II
 
II
 AS INTERCULTURALIDADES DA MULTICULTURALIDADE
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 As culturas estão todas envolvidas umas com as outras; nenhuma é pura e singular, todas são híbridas, heterogéneas,extraordinariamente diferenciadas e nada monolíticas.
E
DWARD
S
 AID
Culture and Imperialism
(1993)
 Entre o diálogo e o conflito:o momento intercultural
Se o século XX se revelou o século das identidades, o século XXI será neces-sariamente o século das interculturalidades. Grafo a palavra no plural, nãoapenas pela recusa essencialista de um modelo de exercício intercultural está- vel, fixo e hegemónico, mas porque, tal como Stuart Hall referia a propósitoda construção identitária (Hall, 2006, 25), o intercultural se manifesta deforma processual, instável, metamórfica, a construir-se e a renovar-se cons-tantemente. Contudo, se a afirmação do momento intercultural, que o AnoEuropeu do Diálogo Intercultural consagra, não é apanágio da complexi-dade do nosso presente, já que a hibridação se constitui como umainevita-bilidade do processo cultural, na verdade,a contingência da diversidade nomundo globalizado e as transformações do tecido social e étnico português,nas últimas três décadas, constituem uma realidade própria, que apresentanovos desafios à convivência entre culturas.Desde sempre espaço de transição e interacção entre povos e culturas,Portugal construiu na modernidade uma auto-imagem diaspórica, primei-ro com o avanço quinhentista para o mar e, depois, com a emigração, no sé-culo XX. Já nos anos 70, com a descolonização, mas particularmente nadécada de 90, a realidade modificou-se e o País transformou-se rapidamenteem espaço de acolhimento para emigrantes africanos, asiáticos e do Leste daEuropa, que constituíam,em 2003,5% da população nacional (Pimentel,2007, 102ss.). A renovação do tecido étnico com os novos grupos de imigra-ção transformou a paisagem cultural, social, religiosa e económica. A novatessitura étnica e cultural propiciou o surgimento de manifestações culturaishíbridas, de fusão, com particular expressão na música
1
,nas artes
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e nasletras, mas é certo também que a estética não se revelou meramente comolocal de reconciliação, afirmando a tensão e a resistência presentes no pro-cesso de interacção. Se a desconfiança religiosa entre comunidades se fezsentir, não é menos certo que esta foi acompanhada por novos sincretismos,e que,formas de exclusão social, conflitos culturais, étnicos e políticos,
 
Isabel Capeloa Gil
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foram combatidos por renovadas formas de cidadania participativa e de luta,pelo que Nestor Garcia Canclini designa «os direitos conectivos»(Canclini,1994, 39), isto é, o direito de acesso à sociedade da informação e do conhe-cimento. Neste contexto, a interculturalidade apresenta-se como estratégiaplural, reflectindo-se nas práticas simbólicas, na interacção intermediática,nas formas de sociabilidade, no exercício da cidadania, nos padrões decon-sumo, no acesso às tecnologias, nas formas de cuidado e de acção ética.Trata-se, assim, de um processo multidireccional, heterogéneo, de agencia-mento diferenciado e que assume a pluralidade como gesto de uma reno- vada hermenêutica cultural e política. Falamos então de interculturalidades,que na prática ocorrem na comunicação e na interacção cultural, mas tam-bém nas relações económicas, no entendimento e no conflito religioso, naconvivência intergeracional, na acção dos
 media
, nas práticas de saúde. Maisdo que uma moda teórica ou ideológica, as práticas e o pensamento inter-culturais são uma constatação necessária do presente e do futuro. AntónioPinto Ribeiro afirma,na introdução do projecto cultural«Distância eProximidade», com o qual a Fundação Calouste Gulbenkian celebra o Anodo Diálogo Intercultural, que:«Só há um futuro pacífico para a Humani- dade se a Interculturalidade for viável. Com isto quer dizer-se que a Inter- culturalidade, mais do que uma estratégia de encontro ou de comunicaçãocultural, deve ter subjacente um projecto político de transformação socialtransnacional»(Ribeiro, 2008, 4). As interculturalidades engendram-se,afinal, onde a identidade soçobra, como forma estratégica de posiciona-mento no mundo, geram-se nas cesuras, nos interstícios, no momento emque a humanidade abdica do egoísmo solipsista e abraça o diferente, assu-mindo, para além da utopia, a possibilidade um futuro em conjunto.Embora o intercultural ultrapasse, no entendimento e na acção, o espectrosimbólico-cultural, o conceito ancora-se nos modelos fundamentais queenquadram a relação entre culturas, pelo que se torna importante traçar umbreve percurso genealógico do mesmo. Na verdade, a definição de cultura,ao contrário do que defenderam as teses puristas até ao século XX 
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, pressu-põe a existência do Outro e o diálogo com o diferente. A percepção antro-pológica de cultura,enquanto modo de vida,conduz, por um lado, à relati- vização das hierarquias entre culturas altas e baixas, e,por outro,coloca arelação e o contacto com o diferente ou primitivo como gesto definidor cen-tral do campo de estudos. É no contacto, e nas variadas formas de que sereveste, que se ancora o intercultural.

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