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AULA 2
REDAÇÃO
Professora Sandra Franco
I.
Formas variáveis da língua.
1.
 
Classificações:a)
 
Culta.
b)
 
Coloquial.
c)
 
Regional.
d)
 
Gíria.2.Exemplos.
II.
 
Diferentes linguagens.
1.Poesia e prosa.
1.
 
Apresentação das formas variáveis da língua.
Importante é você perceber que a variação da linguagem ocorreem razão do receptor, do contexto e do tipo de informação que sequer transmitir. Não vamos chamar nenhuma forma de expressãode “certa” ou “errada”: vamos observar se está ou não adequadaàquele receptor, ou ao contexto, ou ao assunto, combinado?Sobre esse tema, leia um trecho de palestra proferida, naAcademia Brasileira de Letras, por um eminente gramático chamadoEvanildo Bechara.
 “E agora, para terminar, retomemos o nosso tema inicial que é osaber, a normal culta na democratização do ensino. O que vem a ser isso?Vem a ser o seguinte. O professor deve convencer-se de que uma línguahistórica (português, francês, espanhol), não é uma realidade homogêneae unitária; ela está dividida em várias línguas, de acordo com asvariedades regionais, as variedades sociais e as variedades estilísticas.Cada variedade dessas tem uma tradição lingüística e essa tradição éum modo correto, é uma maneira de correção da linguagem. Agora, todas
 
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essas variedades lingüísticas confluem na língua exemplar, que é a línguade cultura. Então, a língua exemplar não é nem correta, nem incorreta,porque correto na língua é o que está de acordo com uma tradição. Seexiste, por exemplo, uma tradição coloquial que diz "chegar em casa",esse é o padrão de correção na língua exemplar. Agora, o "chegar à casa" já é uma eleição cultural, que é exclusiva da língua exemplar.De modo que quando os consultórios gramaticais dos nossos jornaisfalam: isto está certo, isto está errado - na realidade, não é isso. Cadamodo de dizer tem o seu padrão de correção; entretanto, todos essespadrões convergem, por eleição, a uma forma exemplar. Essa formaexemplar é a forma que está na língua literária, quando o escritor sabetrabalhá-la artística, cultural e idiomaticamente.Então, o que acontece? A democratização do ensino consiste em que oprofessor não acastele o seu aluno na língua culta, pensando que só alíngua culta é a maneira que ele tem para se expressar; nem tampoucoaquele professor populista que acha que a língua deve ser livre, eportanto, o aluno deve falar a língua gostosa e saborosa do povo, comodizia Manuel Bandeira. Não, o professor deve fazer com que o alunoaprenda o maior número de usos possíveis, e que o aluno saiba escolher esaiba eleger as formas exemplares para os momentos de maiornecessidade, em que ele tenha que se expressar com responsabilidadecultural, política, social, artística etc.E isso fazendo, o professor transforma o aluno num poliglota dentro dasua própria língua. Como, de manhã, a pessoa abre o seu guarda-roupapara escolher a roupa adequada aos momentos sociais que ela vaienfrentar durante o dia, assim também, deve existir, na educaçãolingüística, um guarda-roupa lingüístico, em que o aluno saiba escolher asmodalidades adequadas a falar com gíria, a falar popularmente, a saberentender um colega que veio do Norte ou que veio do Sul, com os seusfalares locais, e que saiba também, nos momentos solenes, usar essalíngua exemplar, que é o patrimônio da nossa cultura e que é o grandebaluarte que esta Academia defende.“
Você entendeu o texto, claro. Hoje, consideram-se as variaçõeslingüísticas como absolutamente aceitáveis, sempre com a ressalvade que a norma culta deve ser conhecida e observada em situaçõesformais.
a)CULTA
A norma culta é aquela que deve ser empregada, quando emsituações formais, ou em textos científicos, acadêmicos. Não se
 
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permite ambigüidade na linguagem formal: a objetividade deve sero principal traço desse uso da língua.
 A supremacia da civilização ocidental, representada peloimpério norte-americano, carece de medidas e atitudes de nível  planetário que evitem ao máximo o rastro de destruição deixado emseu curso expansionista. Há a urgência de uma racionalidade outraque a do americanizado mundo contemporâneo.
Revista Cult, dezembro de 2001
.
b)COLOQUIAL
Os objetivos na linguagem coloquial são outros: simplesmente sequer conversar, ou, escrever como se estivesse conversando. Háuma descontração presente no uso da língua; não se trata decometer barbarismos contra a língua culta e, sim, adaptá-la, deixá-la mais
 pessoal 
. Na linguagem do dia-a-dia, por exemplo, podemos,usar frases como “Você pegou o que eu te pedi?. Formalmente,essa construção em que se misturam as pessoas gramaticais estáinadequada:“você” indica 3
a
.pessoa e “te” é um pronome oblíquoque se refere a 2
a
. pessoa ; o correto seria dizer "Você pegou o queeu lhe pedi?"
 A Jô e a irmã dela acreditam que um vizinho antropólogomora em frente ao prédio delas. Quando fazemos coisas absurdas,tipo ficar brincando de tocar percussão ou pulamos sem parar gritando às 2h da manhã, alguma delas sempre disse. O vizinho nãodeve estar entendendo nada. Ou... essa cena deve estar sendosuper importante para a tese de mestrado dele. Na verdade, elasnunca pensaram que poderia ser tipo um tarado se divertindo comduas loucas pulando pela sala de camisola
Folhateen, fevereiro de 2002.
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