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Bullying e vitimização entre pares: da realidade ancestral à busca de respostas,passando pela evidência empíricaAna Almeida, Juan Benítez, María Jesus Caurcel, Giuseppina Bartolo, Manuela Silva &Sylvie Marinho
Resumo
Bullying, um termo sinónimo de maus tratos ou vitimização entre pares, é caracterizado apartir de três componentes essenciais: intencionalidade, repetição e assimetria de poder. Uma zangaocasional entre jovens não se apelida de bullying. Pelo contrário, designa-se de bullying quando sepensa existir perseguição e humilhação prolongada por parte de uma ou mais pessoas que seservem do seu poder para intimidar outro mais fraco que passa a ser a vítima num relacionamentoem que precisamente o poder e a desigualdade dificultam que a última se proteja. O termo começaa ser adoptado e cada vez mais usado por professores e alunos portugueses, e que, em face dasdificuldades de tradução, o preferem a outras designações, não obstante haja a preocupação dedefinir o conceito a partir de comportamentos concretos, nomeadamente, chamando a atençãopara os critérios que o distinguem de outro tipo de agressões mais ou menos próximas (veja-seAlmeida, 2006).Muito embora o fenómeno tenha sido estudado com maior rigor desde os anos 70 (Olweus,1999), o conhecimento existente sobre o tema é notável, em larga medida graças ao interesse que otema atraiu nas duas últimas décadas. A grande maioria dos estudos nesta área incidiu as suasanálises: 1) na prevalência do bullying e 2) nos correlatos sociais, psicológicos e comportamentais davitimização entre pares. Os resultados do Relatório Internacional da Saúde Mundial (Craig, 2004;Craig & Harel, 2004) e o Relatório da UNICEF Innocenti Card 7 (United Nations Children’s Fund, 2007)referem que o bullying é um problema mundial que afecta cerca de um terço de crianças por mês.Para cerca de 11% crianças, este tipo de abuso, praticado pelos seus companheiros, é severo (váriasvezes por mês).As consequências para os directamente envolvidos e para o clima relacional das turmas e, porconsequência, para o ambiente que caracteriza a experiência escolar têm sido documentadas apartir de várias investigações, alertando para o facto de os efeitos da vitimização entre pares não selimitarem aos aspectos mais imediatos e relacionados com o ajustamento escolar, maisfrequentemente, o rendimento e a relação com os companheiros, mas a muitas outras dificuldades
 
de ordem psicossocial que sobrevêm para além da idade escolar, afectando seriamenterelacionamentos pessoais, a adaptação ao mundo do trabalho e os níveis de saúde e bem-estar.Estas preocupações têm estado subjacentes aos estudos que vimos realizando desde os anos90. A exemplo do que acontecia noutros países europeus, através da adaptação e tradução daversão inglesa do questionário de Dan Olweus (Smith & Sharp, 1994), começou-se por efectuarinquéritos a um número muito alargado de alunos do 1º e 2º ciclos do ensino básico, tendo a partirdeste primeiro levantamento de situação obtido uma visão da incidência do bullying e dastendências que se desenhavam em função do nível de escolaridade, idade, género, número dereprovações, local, com a finalidade de reunir dados para uma caracterização do fenómeno a nívelnacional (Almeida, 1999). Posteriormente, a participação da Universidade do Minho, num consórciode outras universidades europeias, possibilitou levar por diante a investigação num quadro europeue, no seio desta colaboração, a realização de um conjunto de estudos comparativos, uns de carácterempírico e outros com uma componente de intervenção alargada a um período de três anos(Almeida, Benítez, Chiappetti, & Laranjeira, 2000; Benítez & Almeida, 2002; Benítez, Almeida &Justicia, 2005; Benítez, Almeida & Justicia, 2007). No decurso de alguns estudos de mestrado edoutoramento, uns já concluídos e outros em curso, o foco tem conciliado o desenvolvimento demetodologias aplicadas aos objectivos da investigação, contando-se assim com a criação de uminstrumento inédito para o estudo das representações de maltrato entre pares: o SCAN-Bullying,uma aplicação narrativa com duas versões, a primeira no formato de uma entrevista clínica semi-estruturada, e a segunda no formato de questionário (Almeida, del Barrio, Marques, Gutiérrez, &Meulen, 2001; Del Barrio, Almeida, van der Meulen, Bárrios, Gutiérrez, 2003; Almeida & Caurcel,2005; Almeida, Lisboa & Caurcel, 2006; Almeida, Caurcel & Machado, 2006; Silva, 2007).Paralelamente, prosseguindo numa linha mais conotada com os estudos etológicos eparticularmente identificada com os estudos observacionais de crianças de idade escolar (entre os 6e os 9 anos), estendemos o estudo à observação das interacções sociais no recreio e em tarefascooperativas na sala de aula (Bartolo, 2006).Finalmente, numa fase mais recente, os nossos interesses de pesquisa têm abarcado outrasquestões que passam por indagar a eclosão das práticas de vitimização aliada aos processos deformação e ruptura dos grupos de pares. A este nível procuramos suscitar novas questões que levama inquirir em que medida as explicações para o fenómeno passam por integrar as variáveisindividuais, relacionais e grupais, nenhuma delas indissociáveis do contexto sócio-cultural da escola.
Referências bibliográficas
 
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