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DISPARIDADES DE CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL EM PORTUGAL

DISPARIDADES DE CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL EM PORTUGAL

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Published by Manuel Beninger
“ (.…) no século XXI, os vencedores serão aqueles que estão à frente da curva da mudança, redefinindo constantemente as suas empresas, criando novos mercados, proclamando novas pistas, reinventando regras competitivas, desafiando o status quo (….)”. Charles Handy (1994).
“ (.…) no século XXI, os vencedores serão aqueles que estão à frente da curva da mudança, redefinindo constantemente as suas empresas, criando novos mercados, proclamando novas pistas, reinventando regras competitivas, desafiando o status quo (….)”. Charles Handy (1994).

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Disparidades de Crescimento e Desenvolvimento Regional em Portugal
 
DISPARIDADES DE CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL EM PORTUGAL
“ (.…) no século XXI, os vencedores serão aqueles que estão à frente da curva da mudança, redefinindo constantemente as suas empresas, criando novosmercados, proclamando novas pistas, reinventando regras competitivas, desafiando o status quo (….)”.
Charles Handy (1994
 ).
Este artigo se marca como objecto dar um modesto contributo para um melhor entendimento do fenómeno das desigualdades de crescimento edesenvolvimento espacial Português. O elevado grau de incerteza e descontinuidade a elevada volatilidade e sofisticação da demanda dos consumidores eusuários, que caracterizam o meio envolvente, são factores que provocaram erosão nos tradicionais fatores produtivos. Porquanto, o modo de competir daseconomias e organizações se alterou em virtude da mudança dos fatores tradicionais de vantagem competitiva. Assim sendo, fatores como a globalização,volatilidade das economias e dos mercados, conjuntura internacional, sofisticação das necessidades e demanda dos clientes, o incremento da capacidadetecnológica e o encurtamento do ciclo de vida dos produtos, a convergência das economias, as fronteiras menos definidas entre o sectores de actividade, a prevalência dos padrões, o fim da intermediação, a intensidade tecnológica, a desregulamentação e a nova consciência ecológica, são factores que provocaram um efeito de alavancagem e de mudança radical nas economias e organizações e no meio social, configurando o surgimento de um arquétipoeconómico com base na produtividade e na inovação, como factores geradores de riqueza, na criação e geração de uma dinâmica de crescimento edesenvolvimento sustentável. A condição fundamental que caracteriza a era cunhada por proeminentes autores da literatura estratégica designada de,economia baseada no conhecimento [EBC], é a capacidade da economia se adaptar e ajustar às alterações que ocorrem no meio ambiente competitivo.Ademais, as organizações económicas são crescentemente influenciadas por um mundo globalizado, heterogéneo e cada vez mais competitivo einterdependente. Isto significa, que será necessário comunicar, trabalhar e negociar com recurso a regras e linguagens diversificadas e todas as actividadeshumanas são decisivamente condicionadas pelas dimensões civilizacionais em que se inserem e competem- modos de vida, atitudes, crenças,comportamentos, hábitos, valores, e interacção com o ambiente natural. Deste modo, o êxito ou o sucesso e a capacidade de sobrevivência de qualquer economia, dependerá da sua capacidade de adaptação e resposta às novas formas de funcionamento das sociedades e às suas exigências, que ditarão os paradigmas civilizacionais emergentes ou em transformação.O sucesso ou fracasso de uma economia é mensurado pelo crescimento do seu produto e capital. Tampouco, as diferenças de crescimento edesenvolvimento entre economias conduzem a diferenciais de crescimento ou
 gap´s
de crescimento e desenvolvimento. Como assinalam distintos autores,as economias e as organizações económicas necessitam ter uma arquitetura estratégica flexível e dinâmica criadora de valor em lugar de apropriadora devalor. Isto significa, incorporar conhecimento com base nas habilidades, recursos e competências em novos produtos, processos, tecnologias e outrasformas de competitividade. O que diferencia as economias é a capacidade do seus recursos e competências serem capazes de gerarem valor para osconsumidores e usuários, em que a concorrência deixa de ser entre produtos e serviços e passa a ser entre recursos e competências, pois são estes fatoresgeradores de valor económico e por conseguinte criam uma dinâmica de crescimento e desenvolvimento sustentado. É assim expectável que osdiferenciais de crescimento e desenvolvimento são atribuídos a certas economias, serem capazes de sustentarem elevadas taxas de crescimento edesenvolvimento e outras não. Este pressuposto está correlacionado com a criação de valor económico que é produzido pelas diferentes dimensõeseconómicas. A intensidade competitiva resultante das mudanças tecnológicas, que são provocadas pelo encurtamento do ciclo de vida dos produtos,serviços, tecnologias, decorrentes do ciclo da inovação, obriga a que as diversas configurações económicas adoptem estratégias flexíveis que proporcionem mais valor que o oferecido pela concorrência, criando assim um efeito incremental
boosting effects
”, gerador de uma dinâmica decrescimento sustentado e subsequentemente de vantagem competitiva. A vantagem competitiva pressupõe que as dotações dos recursos e competências deuma economia sejam heterogéneas, de modo a garantir a manutenção do crescimento da produtividade. Em virtude da heterogeneidade dos recursos ecompetências, as economias apresentam diferenciais de performance económica, traduzidos por variações de produtividade, lucratividade ourentabilidade. As grandes mudanças económicas, sociais e culturais na era da economia do conhecimento, sugerem um imperativo estratégico que permitaa redução das disparidades regionais e de renda necessárias para se atingir o desenvolvimento. A condição principal para a redução das assimetrias decrescimento entre economias, está na adoção de políticas económicas que conduzam a uma automação, aceleração da função crescimento e convergênciado produto, através do ajuste produtivo entre economias regionais e locais. Assim mesmo, o pressuposto fundamental que assegura e garante asobrevivência e crescimento das economias regionais e locais, é a sua capacidade de adaptação e reação à elevada volatilidade e ambiguidade do meioenvolvente. Porquanto, a incerteza e a descontinuidade são fatores de que provocam uma dinâmica de desequilíbrio no contexto da economia doconhecimento, como estado permanente e uma não uma fase transitória ou temporária, nas economias espaciais. A garantia de sobrevivência ecrescimento económico é com base na criação de uma drive de eficiência competitiva sustentável. A emergência de um contexto económico caracterizado por mudanças aceleradas nos mercados e no meio envolvente, nos processos, tecnologia e nas formas organizacionais de competir, tem como modelo decrescimento mais adequado e consistente o modelo da teoria evolucionista ou da corrente evolucionista neo-Schumpeteriana, baseado nos processos deinovação. De acordo com Schumpeter (1942), o desenvolvimento económico ocorre quando a economia desenvolve inovações perturbando o equilíbriodas forças competitivas anteriormente prevalecentes. Este processo é designado de “
destruição criadora
”, consiste na renovação e reinvenção contínua de produtos, sistemas, modelos, processos, tecnologia e outras formas de valor económico, que permitem o estabelecimento de rendas temporárias e queimpede o mercado de estabelecer uma posição de equilíbrio, em que o desequilíbrio é um estado permanente.A economia regional portuguesa é constituída a nível de NUT´s II, por cinco regiões; região Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, e anível de NUT´s III por 314 concelhos. Com base nas estimações empíricas de avaliação das assimetrias regionais nos diferentes níveis de crescimento edesenvolvimento regional, verifica-se um dualismo regional de desenvolvimento no caso português que são; o interior e o litoral ou o urbano e o rural. Asdisparidades regionais traduzem-se em diferentes níveis de desenvolvimento económico e social que poderá induzir a um estado de vulnerabilidade dasregiões, já que a aplicação de políticas de desenvolvimento regional incoerentes e inadequadas, têm consequências significativas para a coesão social eterritorial de Portugal. A economia portuguesa é constituída por regiões heterogéneas, em que o aspecto económico só por si é insuficiente para analisar uma região ou local, sendo por isso necessário analisar outros indicadores de mensuração. O conceito de desenvolvimento económico é entendido como acapacidade de satisfação das necessidades económicas, com uma lógica crescente de racionalização dos recursos disponíveis, que de modo eficaz eeficiente atinja os objetivos definidos. A eficiência competitiva na economia espacial tem uma importância fundamental, já que o desempenhosocioeconómico, conduz à criação ou constituição de desfasamentos de crescimentos e desenvolvimentos e por conseguinte ao surgimento de assimetriasespaciais (regionais e locais), põe em risco a eficiência competitiva das regiões e locais, comparativamente a outras economias regionais e locais.Tampouco, a configuração de vantagem competitiva resultante do desempenho económico superior relativamente a outros desempenhos económicosregionais e locais, é a condição necessária para existência de diferentes níveis de desenvolvimento, isto é, a existência de
 gap´s
de crescimento edesenvolvimento regional/local. A questão que se coloca é a existência de vantagem competitiva regional, traduzida pelas diferenças de performanceeconómica ou diferentes níveis de crescimento do produto e desenvolvimento. A adoção e implementação de politicas estratégicas orientadas para adiminuição das diferenças ou aproximação aos níveis de crescimento, redução das assimetrias, a outras economias regionais com maior desempenhocompetitivo, deverão estar ancoradas e calibradas em factores estratégicos de produção de valor, capital físico e humano, atividades de (I+D, C+T),formação e qualificação, de modo a criar uma dinâmica de eficiência competitiva sustentada. Tampouco, poderá se criar uma “
 path dependence
” daseconomias regionais/locais ou organizacionais com a administração central, já que são as economias organizacionais que competem nos mercadosinternacionais e não os países, isto significa adoptar uma lógica de iniciativa empreendedora e de investimento privado, contrariando a filosofia económicade estado providencia, já que a competitividade de um pais é o reflexo da competitividade das suas organizações empresariais. À semelhança dasempresas que competem numa amplitude global, as regiões terão de competir na mesma amplitude global de forma a criar atractores de investimento,criando uma dinâmica de sustentabilidade, que lhes permita adaptar-se e reagir às alterações do meio envolvente de modo a sobreviver e crescer criandouma configuração de eficiência competitiva. A sustentabilidade de uma economia tem como pressuposto fundamental, a criação de um equilíbrio
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Disparidades de Crescimento e Desenvolvimento Regional em Portugal
adequado entre as componentes do sistema envolvente que são; a variável económica, sociocultural, politico-legal, tecnológica, demográfica, ecológica egeográfica. Tampouco, sustentabilidade do crescimento e desenvolvimento está assente numa plataforma de equilíbrio entre as variáveis que constituem omeio envolvente, principalmente as variáveis politico-legal, económica e social e demográfica. No médio e longo prazo um maior desenvolvimento deuma qualquer das variáveis ambientais é incapaz de compensar o menor crescimento e desenvolvimento registado por uma das outras variáveis, istosignifica a incapacidade de um subsistema do meio envolvente compensar o menor crescimento de outro subsistema da envolvente. Urge a necessidade deuma política integrada de gestão combinada, parcimoniosa e equilibrada das diversas variáveis do meio ambiente, com base no conhecimento da naturezade cada uma dessas amplitudes ambientais que constituem uma região ou local. A política regional portuguesa não tem um quadro institucional ou legalque esteja no mesmo nível de legitimidade política das amplitudes local e central. O modelo regional adoptado em Portugal é caracterizado peladesconcentração das competências e não da descentralização. A estrutura espacial portuguesa tem uma configuração em cinco regiões a nível de NUT´s II,com dependência a nível funcional ou táctica das comissões de coordenação de desenvolvimento regional, CCDR`s, e subordinada à dependência de nívelestratégico do ministério com articulação interministerial.Em 1986, Portugal passou a ter acesso aos fundos estruturais concentrados em três grandes dimensões de intervenção, FEDER (fundo europeu dedesenvolvimento regional), FEOGA (fundo europeu de orientação e garantia agrícola) e o FSE, (fundo social europeu). A gestão financeira destes fundoeuropeus foi da competência das CCDR`s (comissões de coordenação de desenvolvimento regional). As políticas regionais adoptadas estão ancoradas emdois pressupostos que são os seguintes; (1) promoção e reforço da coordenação e convergência das políticas públicas sectoriais e regionais, no respeitantea instrumentos de política fiscal, emprego, formação profissional e proteção social, (2) criação das condições necessárias à dinamização do investimento produtivo e de capital humano com o objetivo de procurar ultrapassar as vulnerabilidades estruturais das regiões mais deprimidas. O impacto produzido pelas políticas públicas no desenvolvimento regional ficaram aquém do expectável. A avaliação do período compreendido entre 1986 a 1990, deixouantever as debilidades na planificação regional e colocar em evidência o primado das infra-estruturas em acessibilidades. Isto significa, que a planificaçãoregional sobrevalorizou a componente das infraestruturas. A inflexão desta tendência com QCA-I (quadro comunitário de apoio) resultou na disseminaçãodos fundos estruturais pelos municípios e por conseguinte no reforço do investimento em infraestruturas. No que observa ao plano de investimento edesenvolvimento de administração central, se regista que pelo menos 60% dos fundos estruturais estavam direcionados para o objetivo de base regional elocal. Este objetivo não tem passado de uma simples intenção sem quaisquer resultados positivos. O QCA-II compreende o período entre 1995-1999,introduziu novidades em matérias de política regional no que respeita à gestão do global dos fundos estruturais, cuja gestão é feita a partir de programasregionais (POR) e sectoriais (POS), com uma componente de acção estratégica de reforço à competitividade espacial, mediante a implementação deacções que extravasam o município, em cooperação com os diversos tipos de agentes de desenvolvimento. O propósito principal de um município é promover o potencial de desenvolvimento endógeno da região, com base na revitalização estratégica do sector primário e do interior do país. Tampouco,os pressupostos desta programação tem como objetivos a correção e mitigar as assimetrias regionais e local, com base na promoção da melhoria daqualidade de vida. Não obstante, a avaliação dos resultados da política regional, baseada na utilização dos fundos estruturais, instrumentos defundamentação da política de coesão, não existe evidência credível quanto à utilização nos processos de convergência entre as regiões portuguesas aonível de NUT´s II e III por insuficiências estatísticas. No que reporta ao QCA-III foi implementado com o objetivo principal da coesão social, económicae territorial, dando mais importância à diminuição territorialização das políticas de fixação das pessoas através da criação do seu próprio emprego edinamização de atividades integradas nas economias locais e regionais. A sustentabilidade económica e social regional/ local está configurada em funçãoda evolução da estrutura da população, em que a variável demográfica garante a massa crítica para atrair e manter a economia como geradora de riqueza.Contudo, a performance económica não apresenta níveis de produtividade competitiva, devido à elevada tendência de desertificação, conduzindo a umadegradação do capital intelectual (capital humano) do território.O modelo de exploração agrícola, agricultura de subsistência, que prevalecia mais justamente no interior de Portugal, com níveis de produtividade baixa,não tinha capacidade de gerar valor e emprego e desta forma criar uma dinâmica de eficiência competitiva. Assim mesmo, desencadeou-se um fluxomigratório interno das zonas rurais para a cidade, mais precisamente para o litoral originando o surgimento das metrópoles de Lisboa e Porto, e posteriormente para os países com nível de desenvolvimento mais elevado. Em consequência deste fenómeno, o interior de Portugal assistiu a uma erosãoeconómica e social, resultante do período de maior intensidade da emigração devido à saída da atividade agrícola dos mais jovens e também porque osdecisores políticos não tiveram a capacidade para empreender as alterações estruturais necessárias para configurar um novo enquadramento da actividadeagrícola que incentivasse o surgimento de um perfil empresarial inovador e empreendedor com capacidade de gestão, através do aproveitamento dosrecursos endógenos. Uma parte da actividade económica portuguesa tinha como base o sector primário, a agricultura, em que o abandono desta actividade,resultou num perda significativa do rendimento na produção de bens agrícolas e concomitantemente um fluxo migratório para as cidades que já se iniciarana década de 60, com o fenómeno da emigração para os países mais evoluídos da Europa. A maior parte da capacidade instalada nas regiões/locais portugueses, é baseado no sector terciário, tem uma natureza pública e é integrado nos sectores da administração do Estado sector da Saúde, Educação,Justiça, Segurança Pública e Forças Militares e Militarizadas. Ademais, o investimento em despesas em qualificação e formação da população não temsido requerido pelo surgimento de oportunidades de emprego, isto significa que as necessidades do mercado de trabalho não absorvem os recursoshumanos que resultam da formação e qualificação da população. Este escopo regista-se nas regiões do interior de Portugal e conduz a uma ineficiência daregião /local para gerar ou criar um mercado de trabalho atrativo e ativo e exigente, sendo um fator de desequilíbrio forte que conduziu a fluxos demigração para o litoral induzindo a um fluxo de migração de pessoas do interior para as zonas do litoral, com maior recursos financeiros e maioresfactores atrativos. Em consonância com este cenário, emerge um marco conceptual de modelo de crescimento regional/local com uma lógica dominante demobilidade dos factores produtivos da região mais pobres, regiões do interior, para as regiões mais ricas, regiões do litoral, isto é, um fluxo migratório deum sentido das regiões mais pobres (interior), para as regiões mais ricas regiões do litoral de modo a obterem remuneração maior nas regiões mais ricas.Todavia, para além destes fluxos migratórios terem um sentido, existem “
 side effects”
que acabam por agravar as assimetrias regionais/locais com efeitode mobilidade dos factores produtivos-força de trabalho- induzindo um incremento nos custos mais elevado, já que a estrutura etária da populaçãomigratória é mais jovem, dinâmica e produtiva. O menor investimento na qualificação do fator trabalho é observado na dimensão do rendimento médioauferido como remuneração do trabalho em que este se apresenta abaixo do registado a nível nacional e das regiões do interior. O fator rendimento, produtividade, formação e educação e emprego são assim variáveis que convergem negativamente para a fixação do seu capital humano qualificado nointerior do território e assim factor de coesão social. Assim sendo, o estabilizador automático do emprego é garantido nas regiões do interior de Portugalem actividades económicas de natureza publica (sector terciário), o que por si não assegura as condições de sustentabilidade económica e social, istosignifica a criação de uma “
 path dependence”
económica e social do emprego publico. No que respeita à estrutura demográfica as regiões do litoral dePortugal apresentam uma configuração de maior percentagem da população jovem cerca de 38% nas regiões do litoral em contraposição com os elevadosíndices de envelhecimento das regiões do interior. A evolução desta tendência é do agravamento destes valores, atendendo à desproporção que se observaentre a taxa de natalidade e de mortalidade, inexistência de renovação demográfica. O desenvolvimento económico não é
 per si
suficiente para caracterizar uma determinada amplitude territorial (país, região, município ou local) ou uma família ou empresa. Outras dimensões contribuirão para um melhor entendimento do desenvolvimento de uma dimensão económica e social tais como; padrões de vida, emprego, conforto, rendimento, PIB, esperança devida, alfabetização, escolarização, educação e formação. Estes indicadores vão permitir uma compreensão das desigualdades ou assimetrias e recursos eavaliar o bem-estar económico e social, isto é, a qualidade de vida de uma dimensão económica. Neste sentido, como exemplo recursivo de avaliação donível de desenvolvimento, se indica o IDH (indicador de desenvolvimento humano), IDS (indicador de desenvolvimento social), e o indicador dedesenvolvimento económico e social (IDES), baseado soma aritmética dos indicadores sectoriais que são; (1) índice de longevidade (IEV), (2) índice deeducação (IEDU), (3) índice de conforto (IC), (4) índice de rendimento ajustado (IRA), (5) produto interno bruto PIB. A análise empírica aos indicadoresIDS, IDH, IDES que aferiram do crescimento e desenvolvimento regional revelam que a realidade económica regional apresenta um movimento deaproximação dos espaços regionais, através de uma diminuição das disparidades de valor referentes aos vários domínios analisados. Contudo, estatendência não tem sido uniformemente atingida mas distintas realidades regionais. Sector como a educação, longevidade ou conforto denotam uma
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Disparidades de Crescimento e Desenvolvimento Regional em Portugal
convergência entre as diferentes regiões. Os valores referentes ao produto e à distribuição de rendimentos das NUT´s II e III, revelam aproximação entreos espaços regionais como revelam um afastamento das áreas conectadas com as zonas metropolitanas de Lisboa e Porto do comportamento restante,refletindo um dualismo de crescimento e desenvolvimento regional, derivado da inexistência dos espaços que possam harmonizar e reequilibrar asdiferentes áreas, com os indicadores mais favoráveis em regiões que apresentam valor mais modesto. Verifica-se o contrate entre litoral urbanizado eindustrializado e interior em processo de despovoamento, envelhecimento, desertificação e com uma parte característica rural em acelerado processo dedeclínio. Uma forte concentração da população no litoral, com uma elevada densidade de habitantes, em contraponto com a desertificação do interior queapresenta uma densidade de 36 habitantes/km
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.O território do interior com características rurais, é marcado por uma grande dependência de um sector agrícola em declínio, com escassa oferta deserviços e que integra uma rede de pequenos centros urbanos. A estrutura empresarial é frágil e tem um peso relativo muito reduzido. No planoinstitucional não existem plataformas que assegurem a implementação das políticas públicas de forma autónoma e as instituições desconcentradas, casodas CCDR`s (comissões de coordenação de desenvolvimento regional), não implementarem uma gestão dos investimentos de política regional com efeitosvisíveis na redução das assimetrias e a promoção da coesão territorial. A coesão territorial utilizada combate em factores ou variáveis que asseguram aestabilidade do equilíbrio regional e local e concorrem para a diminuição dos
 gap`s
de crescimento e desenvolvimento regional e local. Os factores decoesão regional e local são factores alavancadores estratégicos que além de garantirem a estabilidade no equilíbrio do bem- estar económico e social, sãofatores endógenos regionais que promovem a criação de uma dinâmica de crescimento sustentável. Factores tais como; rendimento, produtividade,educação e formação, inovação, ecologia e lucratividade são variáveis de eficiência competitiva espacial. No final de 20 anos de programas comunitárioscom vista à redução das assimetrias e à promoção da coesão, que asseguravam a sustentabilidade do crescimento e desenvolvimento e por conseguinte decompetitividade regional e local, verifica-se o agravamento das disparidades regionais e locais em termos de performance económica e competitiva,traduzida por 
 gap´s
de produtividade e rentabilidade (rendimento regional). Tampouco, se verifica diferenciais de desenvolvimento em que o sintoma principal é a degradação dos índices de demografia. As disparidades dai resultantes são provocadas por uma tendência de concentração de grandesinvestimentos públicos nos centros urbanos do litoral em detrimento de investimentos de modernização e reforço da competitividade nos territórios dointerior. Portugal tem uma localização periférica e os baixos níveis de desenvolvimento aferidos pelos indicadores, influenciados pelos deprimentesresultados dos territórios do interior, para beneficiar de ajudas ao desenvolvimento junto da comissão europeia, de modo a não utilizar esses recursos paradiminuição do permanente agravamento dos diferenciais de desenvolvimento. O território do interior de Portugal apresenta características dedespovoamento das zonas rurais (interior), com um elevado índice de envelhecimento sendo fatores impeditivos de se dispor de uma massa críticanecessária, quer no plano quantitativo que no plano qualitativo, que permita reduzir as disparidades de desenvolvimento. A inexistência de uma massacrítica tem repercussões na capacidade de mobilização de recursos financeiros que sustentam projetos de maior envergadura e com um efeito indutor nofuncionamento da economia regional. Os recursos endógenos são oportunidades de crescimento através do investimento e que devem ser aproveitados pelos agentes de desenvolvimentos externos – investidores, empreendedores e utilizados para incorporar a cadeia de valor e retirar deles, fora da região, amaior parte do valor acrescentado. Esta lógica impediu a fixação das pessoas e o desenvolvimento com efeitos de cavitação ou expansão demográfica esocial, compatível com uma lógica de sustentabilidade. Porquanto, a inexistência de uma massa crítica inibe o surgimento de investimento e a nãorealização do investimento, conduzindo ao despovoamento gerando um fluxo migratório em demanda de novas oportunidades de negócio e de emprego.O desenvolvimento regional tem como pressuposto a sustentabilidade ancorada no equilíbrio adequado às amplitudes economia, politico-legal, sóciocultural e demográfica. Deste modo, verificando-se a existência de desequilíbrio das variáveis demográfica, a sustentabilidade demográfica parececomprometida e conduz a desequilíbrios das restantes variáveis. Assumindo que as diferentes dimensões do meio ambiente concorrem para odesenvolvimento sustentado, que da acção conjunta das diferentes variáveis que as compreendem, asseguram o equilíbrio regional e local. O pressupostofundamental de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável é de que existe uma interação equilibrada entre as diferentes componentes do meioenvolvente que concorrem para o crescimento dos sectores e concomitantemente para o crescimento macroeconómico da economia (como um todo Noâmbito do crescimento e desenvolvimento espacial os fatores de especialização ou distintos “
core factor`s
”, são fatores estratégicos de criação de valor ede eficiência competitiva. Porquanto, os fatores de especialização tais como; património histórico e cultural, gastronomia, turismo, agricultura e sector terciário (serviços), são alguns recursos endógenos distintos, que permitem criar uma dinâmica de especialização económica através de estratégias dediferenciação pela via especialização e diversificação pela via da inovação, isto significa a aplicação estratégica da multiespecialização espacial,garantindo a sustentabilidade do crescimento e subsequentemente desenvolvimento regional e local.Os diversos trabalhos de investigação regional, identificaram duas grandes dimensões económicas de crescimento e desenvolvimento que apresentamdiferentes níveis de desenvolvimento, resultantes da discrepância de crescimento espacial e que são; as economias do litoral e do interior. A explicação plausível e robusta das diferenças de crescimento e desenvolvimento entre as economias do interior e do litoral, estão associadas às diferenças derentabilidade dos investimentos em stock de capital físico e humano, investimentos em atividades de produção de conhecimento (I+D, C+T),implementação de estratégias de atracção de investimento. Assim sendo, as políticas espaciais que não utilizam drives económicas que proporcionem maisvalor económico, de forma a mitigar a desigualdades regionais e locais, com a criação de condições favoráveis para atracão de investimento, ancorados emfatores de fixação de infra-estruturas económicas, pessoas, capitais, bens e serviços, superam esta lógica competitiva com a introdução de “
 proxy´s
competitivas ou de crescimento para suprir as diferenças de níveis de desenvolvimento entre o litoral e interior de Portugal, através da; (1) redução daineficiência (desperdício), (2) aumento da eficácia dos recursos, (3) uso parcimonioso ou racionalidade económica dos recursos financeiros, físicos,humanos, metodológicos e administrativos, (4) políticas de equidade económica e social, (5) redução das desigualdades sociais através de uma políticatributária competitiva, e redistribuição do rendimento. Sem embargo, urge a necessidade de construção de um arquétipo económico de desenvolvimentoou reconfiguração estrutural regional/local que vise a eficiência e eficácia de modo a descentralizar e descomplexar as estruturas económicas, processos degestão e administração locais e regionais, nos aspetos decisionais, isto significa alterar a anatomia regional e local de modo ampliar a utilização eficiente eeficaz dos recursos estratégicos endógenos e incentivar a atitude inovadora e empreendedora e assim maximizar o valor económico existente naseconomias locais e regionais. Da análise empírica desenvolvida por distintos trabalhos de investigação desenvolvidos no âmbito da economia regional elocal portuguesa se extrai algumas conclusões que são as seguintes; (1) despovoamento das regiões do interior devido à migração e mobilidade da força detrabalho, para regiões do litoral mais ricas. A constatação da inexistência de políticas públicas que inflectissem esta tendência, ademais tem-se verificadouma concentração da intervenção de investimento público em regiões mais desenvolvidas do país, em regiões do litoral, em detrimento das regiões elocais do interior (mais pobres), com baixas taxas de crescimento do produto e por conseguinte de desenvolvimento. Esta lógica económica tem um efeitode concentração da atividade económicas nas regiões do litoral, permitindo o surgimento de uma atividade económica monopolista, isto significa osurgimento de comportamentos de concorrência imperfeita, criando externalidades negativas “
 side effects
”, nas economias próximas, contribuindo assim para o agravamento das disparidades regionais e locais, (2) o despovoamento teve suportes em fluxos migratórios internos e externos, com origem nogrupos etários mais jovens e no inicio da idade ativa, cujo a resultante é o envelhecimento aclarado do território e à rarefacção da massa critica, tanto emqualidade como em quantidade, (3) o modelo estrutural regional/local institucional vigente não acompanha a tendência de mudança evolutiva do meioenvolvente, desde à quase 40 anos, tendo como base a administração central que absorve a quase totalidade dos recursos do Estado e uma administraçãoregional/local diluída ou atomizada por uma profusão de municípios, que não têm dimensão para suportar programas de desenvolvimento regional. Areconfiguração administrativa do país tem sido adiada por dois motivos que são os seguintes; (1) efeito político que resulta das decisões políticas, (2)interesses instalados (lobbys), que se alimentam e exaltam o bairrismo local como força de inércia a qualquer mudança (as forças de inércia se poderãoclassificar; (a) falta de motivação, (b) distorção e reações inadequadas, (c) falta de uma consciência coletiva para impulsionar o processo de mudança, (d) perceções distorcidas em função das decisões políticas, (e) inércia cultural; crenças, atitudes, mentalidades, comportamentos, etc.); (4) os recursosendógenos não são valorizados ou quando são representam um menor peso na cadeia operacional ou de valor. Este escopo tem impedido as possibilidades
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