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Vantagens comparativas e degradação ambiental

Vantagens comparativas e degradação ambiental

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DALLEMOLE, Dilamar. Vantagens comparativas e degradação ambiental. MovendoIdéias, Belém, v. 8, n. 14, p. 54-59, nov. 2003.
DALLEMOLE, Dilamar. Vantagens comparativas e degradação ambiental. MovendoIdéias, Belém, v. 8, n. 14, p. 54-59, nov. 2003.

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Categories:Types, Research
Published by: Semeador Jr. on May 29, 2013
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Vantagens comparativas e degradação ambiental
[...]
A relação comércio e meio ambiente
Como já dizia Marx, o objeto geral de trabalho do homem é a terra. O homem devese comportar na natureza como um elemento da natureza. Assim como os demaisanimais, o homem interfere na natureza, mas, diferentemente dos animais, elepode antecipar suas ações sobre o meio ambiente de forma consciente.Em função disso, a sociedade não pode ser compreendida de modo dissociado dosprocessos naturais. Apesar de ser responsável pelas modificações do planeta, existeuma interdependência ancestral em relação aos ecossistemas. É deles que asociedade extrai sua alimentação e exerce sua atividade econômica. Sendo assim, aatividade econômica depende também do meio ambiente e, em função disto, causaefeitos sobre ele.O uso dos diversos ecossistemas de maneira sustentável, usufruindo dos recursosnaturais de forma a não extingui-los, gera vantagens econômicas que podemproporcionar ganhos a toda uma nação. A importância da preservão dosecossistemas, ou da biodiversidade, justifica a existência de uma gestão eficientedos recursos naturais, primando pela sua sustentabilidade. (MELO; SILVA, 2001,p.173)O debate sobre a relação comércio internacional e meio ambiente foi iniciado hámuitos anos, mas tem ganhado crescente atenção no cenário internacional emfunção, justamente, de uma provável insustentabilidade ambiental. O principaldebate nos fóruns internacionais diz respeito à compatibilidade entre fluxoscomerciais e a proteção do meio ambiente (LICHTINGER, 2003). A questão setornou mais complexa após a globalização das economias e o aumento dos fluxoscomerciais.O comércio internacional é uma das forças motrizes da atividade econômica, a qual,gera um impacto sobre o meio ambiente. O setor comercial é responsável pelospreços e conseqüentemente pela concorrência externa; portanto, um estimuladorda produção. Sendo assim, é um instrumento promotor do crescimento econômico.Por gerar impactos na economia, o comércio internacional automaticamente temefeitos sobre o meio ambiente. (Idem, ibidem)O crescimento das discussões sobre a referida relação também estão apoiadas nochamado desenvolvimento sustentável, definido na ECO92 como um modeloeconômico, capaz de gerar riqueza e bem-estar e, ao mesmo tempo, promover acoesão social e impedir a destruição da natureza. O desenvolvimento sustentávelabrange os aspectos econômico crescimento do Terceiro Mundo –, social integração e solidariedade entre os Hemisférios Norte e Sul – e ambiental –preservação dos bens mundiais de todos e regeneração dos recursos naturais.Existe uma preocupação mundial com a ampliação do livre comércio, pois este nãoleva em consideração a origem dos bens comercializados (Idem, ibidem). Emoutras palavras, os fluxos de investimentos e o aumento da produção poderiamvoltar-se contra o meio ambiente, estimulados pelas demandas externas por bensoriundos da natureza. Estes, tendo um custo de produção relativamente baixo,seriam competitivos no mercado internacional e seriam os principais produtos
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geradores de lucros; justamente por isso, os estímulos à produção se direcionariampara esta espécie de bens.Isto tende a fazer com que a extração de produtos oriundos da natureza aumenteem um patamar tão alto, que causaria danos ao meio ambiente. Por isso, pode-sedizer que o comércio internacional gera efeitos ou influência na natureza; nestecaso, negativamente.[...]
A problemática
A exploração dos recursos naturais tem sido crescente e encontra-se num patamarmuito elevado atualmente; principalmente se estes produtos estão destinados aocomércio internacional. Esta situação força para baixo o preço dos bens primários,que possuem, por exemplo no Brasil, um montante de 70% destinado àexportação. A queda dos preços faz com que se busque ampliar a oferta destesprodutos a cada ciclo para se obter um montante de recursos semelhantes.(GUDYNAS, 2002)A exportação de
commodities
do Brasil corresponde a 46,9% das exportações. Istofaz com que o país tenha um alto grau de dependência da exploração ambiental ou
do aumento da exploração na medida em que os preços caem e,conseqüentemente, acumulam o custo da depredação para as gerações futuras
.(DIAS, 2002)Já existem alertas em todo o mundo enfocando os fatores negativos da perda dabiodiversidade.
 A perda da diversidade biológica envolve aspectos sociais,econômicos, culturais e científicos
. (Idem, Ibidem)Os principais processos responsáveis pela perda da biodiversidade são...1-Perda e fragmentação dos habitats.2-Introdução de espécies e doenças exóticas.3-Exploração excessiva de espécies de plantas e animais.4-Uso de bridos e monoculturas na agroindústria e nos programas dereflorestamento.5-Contaminação do solo, água e atmosfera por poluentes.6-Mudanças climáticas. As inter-relações das causas de perda debiodiversidade com a mudaa do clima e o funcionamento dosecossistemas apenas agora começam a ser vislumbradas. (DIAS, 2002)São três os principais motivos que tornam importante que haja preservação dabiodiversidade:
é considerada responsável pelo equilíbrio de todos os ecossistemas;
representa um enorme potencial econômico, em fuão dossignificativos avanços da biotecnologia e
atualmente, [acredita-se] que a biodiversidade esteja sedecompondo, principalmente ao observar-se a constante extinção deespécies. (Idem, ibidem)
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Todas as economias do mundo passam a estar diante de um dilema cada vez maisatenuante, uma vez que, têm que optar entre a preservação de sua biodiversidadeou o comprometimento ainda maior de seus saldos comerciais.Atualmente, a crescente importância atribuída ao mercado na gestão dos fluxoscomerciais, o qual o analisa a exacerbação dos recursos naturais, temcontribuído para um desenvolvimento longe da sustentabilidade. é possívelevidenciar alguns dos proveis limites à sustentação do atual modelo dedesenvolvimento (MERICO, 1996, p.23)...1-Apropriação humana dos produtos gerados pela fotossíntese: com a possívelduplicão da população humana em aproximadamente 30 anos aapropriação humana poderá chegar a 80% dos produtos gerados pelafotossíntese, o restando energia suficiente para a manuteão dosecossistemas.2-Aquecimento global: a intermitente utilização de combustíveis fósseis liberauma quantidade enorme de CO
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, alterando o clima do planeta.3-A ruptura da camada de ozônio: isso ocorre em função da liberação de CFCna atmosfera. Mais de um milhão de toneladas são jogados na atmosferatodo o ano.4-A desertificão: trata-se da eroo acelerada dos solos em fuão donegligenciamento [sic] humano e trará, no futuro, perda da produtividadeagrícola.5-A extinção da biodiversidade: sem ela, simplesmente não existe uma formade sustentar os processos econômicos e sociais.Uma grande diferença entre os produtos gerados pela natureza e os gerados pelaindústria são os custos de produção. Não há um mercado que gere um preço aosprodutos naturais; eles têm custo zero. (Idem, p.35) Já, no mercado internacional,muitos destes bens possuem um valor significativo, fator este que estimula a suaextração ou produção pelos segmentos da sociedade, pois as perspectivas de lucroeram otimizadas.A questão torna-se ainda mais complexa se o modelo de desenvolvimento permiteque estas relações de mercado comandem estas relações entre o Homem e o meioambiente.O estímulo proporcionado pelas vantagens comparativas em países detentores devastos recursos naturais e, ao mesmo tempo, dependentes de bens manufaturadose/ou de luxo, pode acelerar o processo de degradação do meio ambiente.Têm-se como exemplos muitos países ou regiões que se valeram de vantagensoriundas dos recursos naturais para garantir seus fluxos comerciais e causaramsignificativos problemas ao meio ambiente em particular. Trata-se dos casos queserão pesquisados e analisados para justificar o caráter nocivo das vantagenscomparativas ao meio ambiente [...].A Serra do Navio, que teve sua exploração, segundo Brito, comandada pelo projetode exploração do manganês na década de 70, encontra-se atualmente degradada.Neste período, relatórios divulgados pela ICOMI registravam a existência de uma
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