as naus britânicas saudavam a independência do meio do rio, 189 ;as dimensões do infanticídioindustrial, 191; protecionismo e livre cambismo na América Latina: o breve vôo de Lucas Alamán,195; as lanças montoneras e o ódio que sobreviveu a Juan Mauel de Rosas, 198; a guerra daTríplice Aliança contra o Paraguai aniquilou a única experiência, com êxito de desenvolvimentoindependente, 2O4;os empréstimos e as ferrovias na deformação econômica da América Latina, 214;protecionismo e livre-cambismo nos Estados Unidos: o sucesso não foi obra de uma mão invisível,217.A estrutura contemporânea da espoliação 223 um talismã vazio de poderes, 223; são os sentinelas que abrem as portas: a esterilidade culpável da burguesia nacional, 226 ;qual bandeira tremula sobre as máquinas?, 232; o bombardeio do FundoMonetário Internacional facilita o desembarque dos conquistadores, 237; os Estados Unidos cuidamde sua poupança interna, mas dispõem da alheia: a invasão dos bancos, 241; império que importacapitais, 243; os técnocratas exigem a bolsa ou a vida com mais eficiência do que os mariners, 245;a industrialização não altera a organização da desigualdade no mercado mundial, 255; a deusatecnologia não fala espanhol, 262;a marginalização dos homens e das regiões, 266; a integração da América Latina sob a bandeirra delistras e estrelas, 271 "nunca seremos afortunados, nunca!", profetizou Simón. Bolívar, 278CENTO E VINTE MILHÕES DE CRIANÇAS NO CENTRO DA TORMENTAHá dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se emganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamosde América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que oseuropeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta.Passaram os séculos, e a América Latina aperfeiçou suas funções. Este já não é o reino dasmaravilhas, onde a realidade derrotava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus dasconquistas, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como umserviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo eferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricosque ganham, consumindo-os, muito mais do que a América Latina e ganha produzindo-os. Sãomuito mais altos os impostos que cobram os compradores do que os preços que recebem osvendedores; e no final das contas, como declarou em julho de 1968 Covey T. Oliver, coordenador da Aliança para o Progresso, "falar de preços justos, atualmente, é um conceito medieval. Estamosem plena época da livre comercialização..." Quanto mais liberdade se outorga :" aos negócios, maiscárceres se torna necessário construir para aqueles que sofrem com os negócios. Nossos sistemasde inquisidores e carrascos não só funcionam para o mercado externo dominante; proporcionamtambém caudalosos mananciais de lucros que fluem dos empréstimos e inversões estrangeiras nosmercados internos dominados. "Ouve-se falar de concessões feitas pela América Latina ao capitalestrangeiro, mas não de concessões feitas pelos Estados Unidos ao capital de outros países... É quenós não fazemos concessões", advertia, lá por 1913, o presidente norte-americano WoodrowWilson. Ele estava certo: "Um país - dizia - é possuído e dominado pelo capital que nele se tenhainvestido." E tinha razão: Na caminhada, até perdemos o direito de chamarmo-nos americanos,13ainda que os haitianos e os cubanos já aparecessem na História como povos novos, um século antesde os peregrinos do Mayflower se estabelecerem nas costas de Plymouth. Agora, a América é, parao mundo, nada mais do que os Estados Unidos: nós habitamos, no máximo, numa sub- América,numa América de segunda classe, de nebulosa identificação.
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