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AS VEIAS ABERTASDA AMÉRICA LATINAColeção ESTUDOS LATINO-AMERICANOSVol.: 12- EDUARDO GALEANOAS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINATradução Galeno de FreitasPAZ E TERRA© Siglo Veintiuno Editores, 1976 Traduzido do original em espanhol Las IlenasAbiertas de América Latina Capa: Mário Roberto Corcêia da Silva(Preparada pelo Centro de Catalogação-na-fonte do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ)Galeano, EduardoGlSv As veias abertas da América Latina: tradução de Galeno de Freitas, Rio de Janeiro, Paz eTerra,(Estudos latino-americanos, v. 12)Do original em espanhol: Las venas abiertas de America Latina1. América Latina -História 2. América Latina - Recursos 3. Imperialismo I. Título II. Série-338(8 = 6) CDD-327.11-338.O98 77-O562 CDU-327.2Direitos adquiridos pela EDITORA PAZ E TERRA S.A.Rua do Triunfo, 177CEP: O1212-O1O - São Paulo, SP Tel.: (O11) 223-6522Rua Dias Ferreira, 417CEP: 22431-O5O -Rio de Janeiro, RJ Tel.: (O21) 259-8946que se reserva a propriedade desta tradução.Conselho Editorial Antonio CandidoCelso Furtado Fernando GasparianFernando Henrique Cardoso (licenciado)1994 Impresso no Brasil l Printed in Brazil"... Temos guardado um silêncio bastante parecido com a estupidez... "(Proclamação insurrecional da Junta Tuitiva na cidade de La Paz, em 16 de julho de 1819.)Este livro não teria sido possível sem a colaboração que deram, de uma ou outra maneira, SérgioBagú, Luis Carlos Benvenuto, Fernando Carmona, Adicea Castillo, Alberto Couriel, André Gunder Frank, Rogélio García Lupo, Miguel Labarca, Carlos Lessa, Samuel Lichtensz- tejn, Juan A.Oddone, Adolfo Perelman, Artur Poerner, Germán Rama,Darcy Ribeiro, Orlando Rojas, JulioRossiello, Paulo Schilling, Karl-Heinz Stanzick, Vivian Trías e Daniel Vidart. A eles, e aos muitosamigos que me alentaram natarefa destes últimos anos, dedico o resultado, do qual são, é claro,inocentes.Montevidéu, fins de 1970
 
SUMARIOIntrodução: Cento e vinte milhões de crianças no centro da tormenta 13PRIMEIRA PARTE: A POBREZA DO HOMEM COMO RESULTADO DA RIQUEZA DATERRAFebre de ouro, febre de prata 23 o signo da cruz nos cabos das espadas, 23; os deuses retornam com as armas secretas, 27; "como porcos famintos, anseiam pelo ouro", 3O; esplendores de Potosí: o ciclo da prata, 32; a Espanhatinha a vaca, mas outros tomavam o leite, 34; a distribuição de funções entre o cavalo e o cavaleiro,39;ruínas de Potosí: o ciclo da prata, 43; o derramamento de sangue e de lágrimas: e entretanto o Papadecidira que os índios tinham alma, 49;a nostalgia combatente de Túpac Amaru, 54; a SemanaSanta dos índios termina sem Ressurreição, 57; Vila Rica de Ouro Preto, a Potosí de ouro, 62contribuição do ouro do Brasil para o progresso da Inglaterra, 66O rei do açúcar e outros monarcas agrícolas 71as plantações, os latifúndios e o destino, 71; o assassinato da terra no nordeste do Brasil, 73; emmarçha lenta nas ilhas do Caribe, 77; castelos de açúcar sobre os solos queimados de Cuba, 79; arevolução ante a estrutura da impotência, 83;o açúcar era o punhal e o império o assassino, 86;graças ao sacrifício dos escravos no Caribe, nasceram a máquina de James Watt e os canhões deWashingtan, 9O; o arco-íris é a rota do retorno a Guiné, 95;a venda de camponeses, 98; o ciclo da borracha: Caruso inaugura um teatro monumental no meioda selva, 1OO; os plantadores de cacau acendiam charutos com notas de quinhentos mil réis, 1O3; braços baratos para o algodão, 1O6; braços baratos para o café, 1O9; a cotação do café lança nofogo as colheitas e marca o ritmo dos casamentos, 111; dez anos que sangraram a Colômbia, 114; avarinha gica do mercado mundial desperta a América Central, 118 : os flibusteiros naabordagem, 119; a crise dos anos 3O: "é um crime maior matar uma formiga do que matar umhomem", 123; quem deflagrou a violência na Guatemala?, 125; a primeira reforma agrária daAmérica Latina: um século e meio de derrotas para José Artigas, 128; Artemio Cruz e a segundamorte de Emiliano Zapata, 133; o latifúndio multiplica as bocas; mas não multiplica os pães, 139;as treze colônias do Norte e a importância de não nascer importante, 143As fontes subterrâneas do poder 147a economia norte-americana precisa dos minerais da América Latina como pulmões necessitam dear, 147; o subsolo também produz golpes de Estado, revoluções, estórias de espionagem e aventurasna selva amazônica, 148; um químico alemão derrotou os vencedores da guerra do Pacífico, 152;dentes de cobre sobre o Chile, 157; os mineiros do estanho, por baixo e por cima da terra, 161;dentes de ferro sobre o Brasil, 166; o petróleo, as maldições e as façanhas, 17O;o lago de Maracaibo no bucho dos grandes abutres de metal, 18OSEGUNDA PARTE: O DESENVOLVIMENTO É UMA VIAGEM COM MAIS NÁUFRAGOSDO QUE NAVEGANTESHistória da morte prematura 189
 
as naus britânicas saudavam a independência do meio do rio, 189 ;as dimensões do infanticídioindustrial, 191; protecionismo e livre cambismo na América Latina: o breve vôo de Lucas Alamán,195; as lanças montoneras e o ódio que sobreviveu a Juan Mauel de Rosas, 198; a guerra daTríplice Aliança contra o Paraguai aniquilou a única experiência, com êxito de desenvolvimentoindependente, 2O4;os empréstimos e as ferrovias na deformação econômica da América Latina, 214;protecionismo e livre-cambismo nos Estados Unidos: o sucesso não foi obra de uma mão invisível,217.A estrutura contemporânea da espoliação 223 um talismã vazio de poderes, 223; são os sentinelas que abrem as portas: a esterilidade culpável da burguesia nacional, 226 ;qual bandeira tremula sobre as máquinas?, 232; o bombardeio do FundoMonetário Internacional facilita o desembarque dos conquistadores, 237; os Estados Unidos cuidamde sua poupança interna, mas dispõem da alheia: a invasão dos bancos, 241; império que importacapitais, 243; os técnocratas exigem a bolsa ou a vida com mais eficiência do que os mariners, 245;a industrialização não altera a organização da desigualdade no mercado mundial, 255; a deusatecnologia não fala espanhol, 262;a marginalização dos homens e das regiões, 266; a integração da América Latina sob a bandeirra delistras e estrelas, 271 "nunca seremos afortunados, nunca!", profetizou Simón. Bolívar, 278CENTO E VINTE MILHÕES DE CRIANÇAS NO CENTRO DA TORMENTAHá dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se emganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamosde América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que oseuropeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta.Passaram os séculos, e a América Latina aperfeiçou suas funções. Este já não é o reino dasmaravilhas, onde a realidade derrotava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus dasconquistas, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como umserviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo eferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricosque ganham, consumindo-os, muito mais do que a América Latina e ganha produzindo-os. Sãomuito mais altos os impostos que cobram os compradores do que os preços que recebem osvendedores; e no final das contas, como declarou em julho de 1968 Covey T. Oliver, coordenador da Aliança para o Progresso, "falar de preços justos, atualmente, é um conceito medieval. Estamosem plena época da livre comercialização..." Quanto mais liberdade se outorga :" aos negócios, maiscárceres se torna necessário construir para aqueles que sofrem com os negócios. Nossos sistemasde inquisidores e carrascos não só funcionam para o mercado externo dominante; proporcionamtambém caudalosos mananciais de lucros que fluem dos empréstimos e inversões estrangeiras nosmercados internos dominados. "Ouve-se falar de concessões feitas pela América Latina ao capitalestrangeiro, mas não de concessões feitas pelos Estados Unidos ao capital de outros países... É quenós não fazemos concessões", advertia, lá por 1913, o presidente norte-americano WoodrowWilson. Ele estava certo: "Um país - dizia - é possuído e dominado pelo capital que nele se tenhainvestido." E tinha razão: Na caminhada, até perdemos o direito de chamarmo-nos americanos,13ainda que os haitianos e os cubanos já aparecessem na História como povos novos, um século antesde os peregrinos do Mayflower se estabelecerem nas costas de Plymouth. Agora, a América é, parao mundo, nada mais do que os Estados Unidos: nós habitamos, no máximo, numa sub- América,numa América de segunda classe, de nebulosa identificação.
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