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Agradeço
também
aoWendell, pelopreciosotmbalho de organi zação
do
material,diagramaçãoeconcepção visual
da
tese
de
livredocência;
à
Hilda,compreensiva
e amiga,
por manter minha
casafunci
onandoquando parto
para
outros
mundos.
Ao
Doá,
pela compreensão e carinho; a Cláudia,
Marta
e
Gui,
filhos queridos
que
meajudammuito.
E
à
Bia, sempre.
SUMÁRIO
Apresentação
9
1 Educação musical:
tecendo
a.linha do
tempo
17
2
Tramando
os
fios
da
educação
musical.:
os
métodos
ativos
107
3
Desenredando
a
tramada
música
naescola brasilelra
191
4
Alt-ernab
vased
ucacionais:
urdindo
as
tramas
da rede
261
Conclusão
Costurando
a rede:
tramas
dios
313
Referências
bibliográficas
331
Bibliografi.a
consultad
a.
341
 
80
MARlSATRENCH
DE
Ol!VEIRA FONYl'RRADA
significado musical.
Não
se
tratade
um
referencial psicológico, mas
do próprio centro de
atividades
relacionais,
que
organizao
mundo
sonoro
de
acordo
comleismusicais. A
tendênciariemanniana de
desmaterializaçãoda
música
e o radicalismo
desuas
afirmações dirigern-se à reafirmação
do
primado
do significado
sobre
omeio físico, e
do
princípio
segundo
o qual arealidade musicalsitua-se
no
espaçológico
da
representação e não
na.
efetividade
sonora.
A
tese
de Riemann
a construção
das
imagens
da música
e
do
sujeito musical
irredutíveis
a
uma
perspectiva natu
ralista.
Essa
posição
de
teorização
de um
sujeito musical
encontra
se
bem
longe
da
perspectiva
de Helmholtz
e. apenas parcialmente,
concorda
com
Stumpf,
quepostulauma
relação objetiva
entresom
como
fenômeno
físicoe
seu
reflexo
na
consciência.O
fato
de
essereflexo
se
dar
por
meio
daestrutura
da
psique
e
partir
da
intencionalidade
do
sujeito
o
o
afasta
do
fato
de
ser
uma
resposta
a
mri
estimulo
externo, provindo
deum
mundo
dado.
Para Riemann,
ao
contrário
,o
som
musicaloriginado
é
fruto
da
ati~dade
do
sujeito
e
sua
estrutura
é
institu
í
da
na
composição
,
ou
reconstruída
na
execução e
na
escuta.
Além
disso, essa
atividade
é
vinculada
a
esquemas,regras
e
automatismos
que
p
ertencem
ao
âmbito
dos
códigos
musicais,e
o
da
legalidade física
domundo
externo. O
ouvido
musicalrespeitaas leis
da
lógica
própri
a
da
sica, e
não simplesmente
as leis
dosom
como realidade física (Serravezza,1996,p.73-90).
Os
pensadores aqui
destacados
abrem no
vas
portaspara
a investigação musical,
mostrando
direções
que,
em
maior ou
menor
grau, exercerão influência
no
pensamentoe
nas pro
postas
de
educação
musical
no
século XX.
~
O
sécuio
XX
o
final
do
século XIX
fo
isacudido
por umatremenda
reviravoltaintelectual.social,
moral
eartísLi.ca,
contundentemente
dirigida
con
traas bases
sus
t
entado
ras do
romannsrco. Como
em
outros
perí
odoshistóricos,essa revo
luçã
omanifesta-se: nasartes,
de
tal
manei
ra
[,t
I
,
,,~MAS
E.FIOS
81
que
é possível
traçar-sé
um
paralelo
entre
areversão
de
noções
do
espaço
pictórico,
da
forma
e
da
tonalidade, e as reavaliaçõesde espaço e
tempo
efetuadas pela física.Einste
in
, com
sua
teoria
da
relatividade, nega oespaçoeo
tempo
absolutose osconsidera
mutuamente
dependentes.
As
propostas artísticasdo mesmo período
manifestam
idêntica preocupaçãoe relai vízarnessasnoções, disso1
endo
o
tem
poe o espaço e reavaliandoos
princípios
geométricos
da
perspectiva,
Na
pintura, cabe
ao
impressionismo
explorar a dissoluçãodoes
paçÇl
geometricamenteconstruído,
o
que
se manifesta,
também,em
outras
formas
de
expressão artística.
Enquanto
as
demais
artes ocu
pam-se
em
revera
questão
do
espaço, a
música
empenha
-se
em
se
emancipar
do
sistema
tonal
maior!
menor
-
fundamento
da
constru
çãomusical
desde
a
Renascença
-e
dos
princípios
de
organizaç.ão
rítmica que'até entãotinhamdirecionado
a
composiç
ão
music
al,
buscandooutrosprincípios constr.Jtlvos. Masdo mesmo
medo
ciu
e"
ocorre
com
a
pintura
em
relação
ao
espaço,esseab
andono não
se
por
completo,
continuandoosprincípios
d,a
tonalidade,decerto
modo,
presentes.
Convivem,então
,princípios
to
bais e
novas sono
ridades, alcançadas
com
o
afastamento da
tonalidade, bem
como
aexploração
do
tempo,
dando
abrigo
a
um
sem-número
de
combina
çõesaté
então
não
previstas
na
composição
music
a
l.
Uma
interessante
análise
da
música
na
passagem
do
séculoXIX
para
o
XX
é
a·de
Henry
Lang.noúltimo
capítulo
deseu
livro
M'US-lC
in WesternCivilization
(1941);
segundo
ele,o classicismoassentava
se
na
unidade
ideal
entre forma
ec
ontexto
,e
su
a
arquiteturamusi
cal baseava-se
na
lógica
harmônica.
Os
românticos,
por sua
vez,
en
fatizavam os
componentes individ
uais
mais
do
que
os
pormenores
formais,
procurandoobte
r lógica e
unidade
pela
ênfase
noselemen
··
tos expressivos.
Essa
ênfasealc
anço
u
seu ponto
alto
na"orgia
sinfônica"
da última parte
do sé
cu
lo
XIX.
A virada. do
século
caracte
ri
za-se
pela
perdados
ideais
românti
cos e acelerada
mudança
nos valo
res
e sistemas,
reconhecidas
como
sintomas
da
desintegraçãodavidamental
da.
época.
Tantas
sãoas
ten
dências
que
é
comum
afi
gura
de
um
delta
para
exemplificaressa
multiplicação
no
novo
culo.
Na
sica,
deacordo com
Lang,o
 
82
MAR1SATRENCHDE OLIVEIRA
FONl
E:I!Ri\
,'
i\
demarcação
nitidaentre
diferentessistemase grupos.
Há,
porém,urn
enorme
desejo
de
e
mancipação
(L2.ng,
1941,p.l023).
A
tonalidade, levadaaseus
extremos
pelos últimos românticos,começa
a
alargar
mais
ainda
suas
fronteiras,
para
muitoalém
do
que
se
experimentara
até então.
Enquanto
isso, outras escolas voltam
secontra
a
tradiçãotonale
buscam
co
nstruir
sistemas harmônicosbaseados
em
outrasestruturas,não
tonais;
experimentam-se
escalasalternativas, explora-se oneomodalismo,criam-se acordes construí
dos
a
partir
de
organizações
não
triádicas,abre-seespaço,
na
orques
tra,
para
um
sem-número de
i'nstrumentos
de
percussão.
Diluem-se
as
fronteiras
entre
os
ruídos
e o
som
musical.É
como se
toda
a
parafernália
de
ruídos das máquinas
sé estendesse ao campo
da
estética e da
composição
musical.A
corrente
expressionistaantagoniza-
',
se com
a
lmpreSSlomsta,
que
Ousca
quase
plctonallilt:lüe Lüüstrarimpressões
em
traços
rápidos
e
privilegia
o
emocional,o não
natu
ral.
o
torturante
.
A
destreza
técnica é
prioritariamente buscada
ea orquestra
fir
ma··se
como
grande
conjunto,
como
seu apelido "orquestra
mamute"se
encarrega
de mostrar.
Essa atração pela desmedida, pelocolossal, pelo
tremendo
é
produto
de
uma
época
cujo
maior
anseio
é
exibir o
poder
da
matéria.
O
sistemacapitalista prevalecentefavorecea ins talação
de
megaindústr
ias,
com
correlatos.em
di
versos países,
que
se
confrontam
com
as
indústrias
têxteise metalúrgicas.
Umdos
principais
fenômenos
do período
é
o
enorme aumento
populacional,
que
mais
quedobrou
na
Europa,apesar da intensa
migração
para
a América.Aênfase
que
o períodoromântico coloca
ra
no
indi víduo rapidamente
precisa adaptar-se à novasituação,
p
ó-
vilegiandoocoleti
voo
Dessemodo,
a
necessidadedo
homem
passa a
equivaler
à
necessidade dasmassas,o
que determina uma
reviravo]
ta
nas
con
cepções devida
e
nastécnicase
meios
de produção,Nasce,
com
isso,a
indústriamoderna
e a conseqüente mecanização da
cul
tu
ra
;a
indús
tria, por
sua
vez, reforça ocoletivismo
e
afas
ta
o
indiví
duoda
vi
dapr
ivada
.Atendência geraldeix8.de seroúni co, o
peq
uen
o,
o
individua
l,
e
passa
a
favorecer
o
coletivo,
o
que
se
evidencianacriação
de
sociedades, associações, entida
des
de
classe,
83
sindicatose cartéis.
Abrem-se
salas de concerto,
que
abrigam
um
m
ero
enorme
de eventos artísticos,
embora somente uma
ínfi
maparteda
literaturamusical disponível
seja
executada.
Foi
precisamente
essa
abundância
de
concertosque
dificultou
a disseminação
da
música
moderna, pois,
como
a
indústria cultural
visa aolucro,
nos concertosinternacionaisnão
se
pod
ia
investir em
projetos
que
dessemmargem
a
dúvidas
quanto
ao
retornodo
capital
em
pregado;
entre
as precauções
tomadas,evitava-se
apresentar mú
sicascuja sonoridade pudesse afastaropúblico. Conseqüent!!mente, a necessidade
de
satisfazero gosto
do
público,oferecendo-lhe o
que
gostava
de
ouvir,
fez
criar
uma
espécie
ded
igo
de
consumo,
se
guidopor
todos
ospaíses
ocidentais
em
que
a
indústria
cultural
prosperava.
É
interessante notar
que
a situação apontada
é
oposta
ao
que
ocorria
nos
concertos,
à
época
de
Beethoven,
em que
o
público
era
mais
Teceptivo
às
idéias novas
do que
asgerações
que
se
seguiram
.
Insta
la-se,
port
anto,
um
paradoxo,
po
isa enorme
quantidade decomposi
ções
experimentaisconvive
com
a
indústria
dos
concertos,q
ue pre
fereo conhecido,assimilado e aceito, não
abrindo
espaç-o para a febrilatividade
compos
icitiva
do
séculoepara a
experimentação
a
partir
de
novos materiais.
Além da
questão do concerto, há,
também,
a
da
atuação do
intér
prete
e
do
críticomusical.
Quanto
ao intérprete, o
virtuo
se
mostra
se
cada
vez mais ligado àtécnica, satisfazendoos anseiosdopúblico,
que
espera dele momentosdedeleite, causados
pela
vertigemda velocidade, inspir
ad
ana rapidezdasmáquinas.
A
crítica,porém,mostra
se
em
declínio, pelasrestrições
que
sofre,
causadas
pelojornalismomoderno.
Até
o
início
doséculo
XX,
os
críticos musicaisli
am
partituras e asestudavam, comopreparaçãopara
os
concertos
a
que assistiam.
No
entanto,
essa
capacid
adede
leitura musicaleoconhecimento do repertóriovão
sendo
postos
de
ladoeficando
cada
vez
maislongínq'uos
na
prática
modern
a.
Não há
mais
tempo para
aelaboração
de
ura
estudo
crítico a
respeitodo
que
se
ouviu,
pois
osjomais
passam
a
exigir
que
a.
,
ri1.&I~éria
seja apresentada
ao
público
na
manhã
seguin
teao dia
do
ê;:n'lé~rh:),
pr
ovocando,com issocríticas
menos
técnicas
of 00

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