3pensamento ora reproduzido, traduz, de forma significativa, a essência dadoutrina neoliberal e, principalmente, o descaso com o qual ao menos parte deseus seguidores tratam temas e valores essenciais (por mais que se procurenegar) para a humanidade.Que todo o Estado, toda a democracia e até mesmo toda a Justiça são,em última análise, fenômenos ligados à vida humana em sociedade, realmenteparece elementar (pelo menos, desde Aristóteles), sendo, portanto,absolutamente dispensáveis as referências feitas pelo ilustre economista (enão serão os termos "economia" e "neoliberalismo" eles próprios uma"armadilha semântica"?). Quando, no entanto, se pode afirmar que a expressão"social", agregada aos termos "Estado", "Democracia" e "Justiça" (assim comoao termo "Direito") sempre teve a função de ressaltar uma alteraçãosubstancial de conteúdo e significado dos referidos termos ao longo daHistória, ainda que não de forma similar nos mais variados quadrantes, verifica-se que a terminologia utilizada pode até ser objeto de controvérsia, mascertamente não se reduz a uma mera "bobagem semântica". A evolução doassim chamado Estado Liberal para o Estado Social de Direito (apenas osegundo seria uma "armadilha" ou "bobagem semântica"?) certamenterepresentou para a humanidade bem mais do que um mero caprichosemântico. Da mesma forma, haveríamos de reconhecer que todos os ilustres juristas, economistas, sociólogos, políticos e filósofos que fizeram e aindafazem largo uso destas expressões (de Marx e Lassale a Tony Blair, Bobbio,Gomes Canotilho e, entre nós, Paulo Bonavides), nada mais foram ou são doque "bobos" ou, na melhor das hipóteses, vítimas "das armadilhas semânticas"criadas pela fértil imaginação humana ao longo dos tempos.Já que iniciamos pelo aspecto "semântico" da questão, cumpreevitar que nos enredemos na própria teia e sejamos, também nós, vítimas dasarmadilhas das quais nos falava o ilustre articulista, um dos mais destacados eferrenhos representantes do pensamento liberal (no melhor estilo "neo") pátrio.Assim, até por falta absoluta de espaço para enfrentarmos o problema,haveremos de partir do consenso, em termos do que se poderia chamar de"acordo semântico", a respeito da terminologia "Estado Social de Direito", queaqui utilizaremos ao invés de outras expressões, tais como "Estado-Providência", "Estado de Bem-Estar Social", "Estado Social", "Estado Social eDemocrático de Direito", "Estado de Bem-Estar" ("Welfare State"). Muitoembora nem todos atribuam às expressões referidas exatamente o mesmosentido, e respeitadas as diferenças entre os diversos modelos, cumprereconhecer que, mesmo cada uma das terminologias utilizadas, já (mas nãoexclusivamente) pela sua inevitável abertura semântica, tem sido objeto dasmais diversas interpretações e definições quanto ao seu conteúdo esignificado. Todas, porém, apresentam, como pontos em comum, as noções deum certo grau de intervenção estatal na atividade econômica, tendo por
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