tratar de uma nova paciente, “uma jovem de dezoito anos”. Esta moça era evidentemente “Dora”,e, como sabemos pelo próprio caso clínico (ver em [1]), seu tratamento terminou cerca de trêsmeses depois, em 31 de dezembro. Durante todo aquele outono Freud estivera dedicado a sua
Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiana
(1901
b
) e, em 10 de janeiro, ele escreve (numa cartanão publicada) que está simultaneamente empenhado em dois trabalhos:
A Vida Cotidiana
e“Sonhos e Histeria, Fragmento de uma Análise”, que, como nos diz seu prefácio (ver em [1]), erao título original do presente trabalho. Em 25 de janeiro (Carta 140) ele escreve: “ ‘Sonhos eHisteria’ foi concluído ontem. É um fragmento de análise de um caso de histeria em que asexplicações se agrupam em torno de dois sonhos. Portanto,é, na realidade, uma continuação dolivro sobre os sonhos. [
A Interpretação dos Sonhos
(1900
a
) fora publicada um ano antes.]Contém ainda resoluções de sintomas históricos e considerações sobre a base sexual-orgânicade toda a enfermidade. De qualquer forma, é a coisa mais sutil que já escrevi, e produzirá umefeito ainda mais aterrador que de hábito. Cumpre-se com o próprio dever, entretanto, e o que seescreve não é para um presente fugaz. O trabalho já foi aceito por Ziehen.” Este era co-editor,com
Wernicke, do Monatsschrift für Psychiatrie und Neurologie
, no qual o trabalho veiofinalmente a aparecer. Alguns dias depois, em 30 de janeiro (Carta 141), Freud continua: “Esperoque você não se decepcione com ‘Sonhos e Histeria’. Seu interesse principal continua sendo apsicologia - uma estimativa da importância dos sonhos e uma descrição de algumas daspeculiaridades do pensamento inconsciente. Há apenas vislumbres do orgânico - as zonaserógenas e a bissexualidade. Mas ele [o orgânico] é claramente mencionado e reconhecido,ficando aberto o caminho para seu exame exaustivo em outra oportunidade. Trata-se de umahisteria com
tussis nervosa
e afonia, cujas origens podem ser encontradas nas características deuma chupadora de dedo; e o papel principal nos processos psíquicos em conflito édesempenhado pela oposição entre uma atração pelos homens e outra pelas mulheres.” Essesexcertos mostram como este trabalho forma um elo entre A
Interpretação dos Sonhos
e os
TrêsEnsaios
. O primeiro é seu antecedente, e o segundo, sua conseqüência.Em 15 de fevereiro (Carta 142), Freud anuncia a Fliess que
Sobre a Psicopatologia daVida Cotidiana
estará terminado em poucos dias e que então as duas obras ficarão prontas paraser corrigidas e enviadas aos editores. Mas, na verdade, a história dessas obras foi muitodiferente. Em 8 de maio (Carta 143), Freud já está revendo as primeiras provas de
Sobre aPsicopatologia da Vida Cotidiana
(que foi devidamente publicada nas edições de julho e agostodo
Monatsschrift
), mas esclarece, agora, que ainda não se decidiu a publicar o caso clínico. Em9 de junho, todavia (em outra carta não publicada), ele anuncia que “ ‘Sonhos e Histeria’ foidespachado e enfrentará o olhar estarrecido do público no outono”. Não temos informaçõessobre como Freud veio novamente a mudar de idéia e postergou a publicação por mais quatroanos. Em sua biografia de Freud, o Dr. Ernest Jones informa (Volume 2, p. 286) que a primeira
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