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O ensino do jornalismo em Portugal
João Manuel Messias Canavilhas 
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 jc@ubi.pt
Resumo:
O ensino do jornalismo em Portugal tem apenas 30 anos, uma situação que estárelacionada com a conjuntura política vivida no país até 1974. A primeira tentativa paracriar uma escola de jornalismo data de 1926, mas o objectivo não foi atingido até 1973,ano em que foi lançada a Escola Superior de Meios de Comunicação Social, um projectode curta duração que encerrou em 1975 sem ter conseguido o reconhecimento oficial.Só em 1979 surgiria, na Universidade Nova, a primeira licenciatura em ComunicaçãoSocial, mas desde então o número de cursos cresceu de forma exponencial, com a ofertaactual a perfazer um total de 34 cursos, entre ensino superior público, privado econcordatário. É uma oferta excessiva para a dimensão do mercado português,sobretudo se tivermos em conta o enorme afastamento que ainda existe entre aacademia e o mercado de trabalho. Neste contexto, os novos desafios decorrentes dadigitalização do sector são uma ocasião única para uma convergência entre estes doismundos.
Palavras-chave:
Jornalismo. Ensino. Portugal. Digitalização.
1. Ser jornalista em Portugal
De acordo com o Estatuto do Jornalista, “são considerados jornalistas aqueles que,como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem com capacidadeeditorial funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ouopines, atras de texto, imagem ou som, destinados a divulgão, com finsinformativos, pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou porqualquer outro meio electrónico de difusão”
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, ficando no entanto excluídos todos os que
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Doutorado pela Universidad de Salamanca (Espanha), é professor no Departamento de Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior, Portugal. Actualmente é director o do Mestrado em JornalismodaUBI, director do jornal online URBI, coordenador da televisão TUBI, director de programação da RádioCova da Beira e pesquisador do Labcom.
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Estatuto do Jornalista, artº 1º, ponto 1.
 
desempenhem estas funções em “publicações que visem predominantemente promoveractividades, produtos, serviços ou entidades de natureza comercial ou industrial.”
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São também considerados jornalistas “os cidadãos que, independentemente doexercício efectivo da profissão, tenham desempenhado a actividade jornalística emregime de ocupação principal, permanente e remunerada durante 10 anos seguidos ou15 interpolados, desde que solicitem e mantenham actualizado o respectivo títuloprofissional.”
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 Este título, a chamada carteira de jornalista, é condição fundamentalpara o exercício da profissão em Portugal, sendo emitido e renovado pela Comissão daCarteira Profissional de Jornalista.
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No que concerne ao acesso ao título profissional, a única condição é o candidato sermaior de 18 anos e estar no pleno gozo dos seus direitos civis
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. Em termos dehabilitações de acesso, o Estatuto do Jornalista é omisso, considerando-se assim queapenas é exigida a escolaridade mínima obrigatória em Portugal, o 9º ano quem nasceudepois de 1981. Nestas condições, o candidato a jornalista inicia a carreira com umestágio que deve ser concluído com aproveitamento. De acordo com e Estatuto doJornalista, a profissão inicia-se com um estágio obrigatório “com a duração de 12meses, em caso de licenciatura na área da comunicação social ou de habilitação comcurso equivalente, ou de 18 meses nos restantes casos.”
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 Em termos legais, a duração dotempo de esgio é a única diferea existente entre candidatos com veis dehabilitação tão diferentes como o 9º ano e o mestrado. Este foi, aliás, um dos pontosmais discutidos aquando das alterações ao Estatuto do Jornalista, em 2007. Noanteprojecto colocado em discuso, o Governo propunha a licenciatura comohabilitação mínima de ingresso, mas o ponto foi alterado devido à oposição dosindicato dos jornalistas e ao veto presidencial. O Estatuto do Jornalista (Lei n.º 1/99,de 13 de Janeiro) foi assim actualizado com a Lei n.º 64/2007, de 6 de Novembro, maistarde rectificada pela Declaração de Rectificação n.º 114/2007, da Assembleia daRepública.Embora o ingresso na profissão não obrigue os candidatos a ter o grau de licenciado,dados de 2006 (gráfico 1) revelam que 60,3% dos jornalistas é detentor deste grau deensino.
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Estatuto do jornalista, artº 1º, ponto 2
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Estatuto do jornalista, artº 1º, ponto 3
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Estatuto do jornalista, artº 4º, ponto 1
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Estatuto do jornalista, artº 2º
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Estatuto do jornalista, artº 5º, ponto 1.
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Gráfico 1.
Nível de formação dos jornalistas
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Para além do normal contributo para a melhoria do nível de habilitações dos jornalistase, consequentemente, da sua qualidade, o Ensino Superior teve ainda um papelimportante no aumento do número de jornalistas em Portugal. Se em 1966 eramapenas 414, em 2008 são 6484 os jornalistas com título profissional válido. Apesardeste aumento significativo, saliente-se que no último ano se registou um decréscimono número de jornalistas com título válido, o que poderá ser explicado pela vaga dedespedimentos e encerramento de meios de comunicação ocorrida nos últimos meses,uma situação que poderá ter levado alguns jornalistas a não renovar o título.
Gráfico 2
. Jornalistas com carteira profissional
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Fernandes, J.L. (2008).
 Motivações e Modos de acesso na profissão de jornalista
.
 Revista Trajectos
, 12,97-124.
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Gráfico retirado do trabalho
 Motivações e Modos de acesso na profissão de jornalista
(Fernandes,2008). Os dados relativos 2008 foram acrescentados, referindo-se ao nº de jornalistas com título válido.
Ensino Superior (60,3 %)Ensino Secundário (36 %)Mestrado (2,1 %)Ensino Básico (1,3 %)Doutoramento (0,3 %)
100020003000400050006000700080009000019871990199419972004200620081281237438504287734974026484
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