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Os índios e a sociodiversidade nativa contemporânea no Brasil. Ricardo, C A

Os índios e a sociodiversidade nativa contemporânea no Brasil. Ricardo, C A

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Tribos, línguas e associações índigenas no Brasil. Carlos Alberto Ricardo.

Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro

bibvirt.futuro.usp.br

RICARDO, Carlos Alberto. "Os índios"e a sociodiversidade nativa contemporânea no Brasil IN: SILVA, Aracy Lopes e GRUPIONI, Luis Donizete Benzi. (orgs) A Temática Indígena na Escola MEC, MARI, UNESCO, Brasília, 1995
Tribos, línguas e associações índigenas no Brasil. Carlos Alberto Ricardo.

Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro

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RICARDO, Carlos Alberto. "Os índios"e a sociodiversidade nativa contemporânea no Brasil IN: SILVA, Aracy Lopes e GRUPIONI, Luis Donizete Benzi. (orgs) A Temática Indígena na Escola MEC, MARI, UNESCO, Brasília, 1995

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‘Os Índios’ e a Sociodiversidade Nativa Contemporânea no Brasil Carlos Alberto Ricardo
 
RICARDO, Carlos Alberto. "Os índios"e a sociodiversidade nativa contemporânea noBrasil IN: SILVA, Aracy Lopes e GRUPIONI, Luis Donizete Benzi. (orgs) A TemáticaIndígena na Escola MEC, MARI, UNESCO, Brasília, 1995O Brasil, que vai completar 500 anos no ano 2000, desconhece e ignora a imensasociodiversidade nativa contemporânea dos povos indígenas. Não se sabe ao certosequer quantos povos nem quantas línguas nativas existem. O (re)conhecimento, aindaque parcial dessa diversidade, o ultrapassa os restritos rculos acadêmicosespecializados. Hoje, um estudante ou um professor que quiser saber algo mais sobre osíndios brasileiros contemporâneos, aqueles que sobraram depois dos tapuias, tupiniquinse tupinambás, terá muitas dificuldades.Em primeiro lugar, porque há poucos canais e espaços para a expressão diretamenteindígena no cenário cultural e político do país. Via de regra, vivendo em locais de difícilacesso, com tradições basicamente orais de comunicação e na condição de monolíngües,com domínio precário do português, as diferentes etnias encontram barreiras para seexpressar livremente com o mundo dos não-índios. Seus pontos de vista são tomadosgeralmente fora dos contextos onde vivem, mediados por intérpretes freqüentemente precários, e registrados, finalmente, como fragmentos e em português. Aqui, por exemplo, são raríssimos os registros em língua nativa do que se poderia chamar de arteoral. Não há publicação que contemple sequer uma amostra dos gêneros praticadosatualmente, como também são raríssimos os museus indígenas, a literatura publicada ouvídeo de autores indígenas. (1)Em segundo lugar, porque sabe-se pouco sobre os índios. Basta mencionar, por exemplo, que das 206 etnias relacionadas no quadro adiante (das mais de mil que,segundo estimativas (2), existiam nessa parte do mundo quando da chegada doseuropeus) e das cerca de 170 línguas nativas existentes hoje no Brasil, talvez apenasmetade tenha sido objeto de pesquisa básica por parte de etnólogos ou lingüistas (3),resultando numa bibliografia especializada (artigos e monografias), cuja maior parte nãoestá publicada ou é acessível apenas em língua estrangeira (4).O público leigo interessado em conhecer mais a respeito dos índios está diante de umabismo cultural e terá que se contentar com uma bibliografia didática rala, quando não preconceituosa ou desinformada (5). Como exemplo, vale registrar que apenas em umadas enciclopédias (6), dessas que se vendem nas bancas de jornais e revistas, destinadas
 
a um público estudantil de primeiro grau, constam verbetes sobre etnias nativascontemporâneas no Brasil, ainda assim com diminutas quatro linhas de texto, em média, para cada uma. Neste panorama, o presente livro é uma honrosa e bem vinda exceção,que vem se somar a outros esforços equivalentes (7).Mas há ainda o noticiário da imprensa. Apesar do interesse da mídia pelos índios nosúltimos 25 anos, o que se informa , e , portanto, o que se "consome" sobre o assunto,são fatos fragmentados, histórias superficiais e imagens genéricas, enormementeempobrecedoras da realidade. A coisa mais comum de se ler ou de se ouvir na imprensasão notícias com o nome das "tribos" trocado, grafado ou pronunciado de maneiraaleatória. Não raro um determinado povo indígena é associado a locais onde nuncaviveu, ou ainda a imagens que, na verdade são de outros povos indígenas (8).Os arquivos das redações dos jornais diários têm informações descontínuas sobre as"tribos" em pauta, sem nenhuma densidade cultural ou histórica específica. Bastalembrar, por exemplo, as etnias que, por circunstâncias históricas, ocuparamconcretamente o espaço do "índio de plantão" no noticiário e no imaginário do país emdiferentes épocas: como o foram, na década de 40, os Karajá da Ilha do Bananal, ou osXavantes de Mato Grosso, que logo após os primeiros contatos com os "civilizados"apareceram, nos anos 50, vestindo ternos brancos numa loja da rede Ducal em SãoPaulo e, depois, voltaram, nos anos 70, com Mário Juruna. Ou ainda como osKrenakarore, os "índios gigantes", "pacificados" e removidos para que uma rodovialigando Cuiabá a Santarém fosse aberta na floresta, nos anos 70. Ou ainda os Kayapóguerreiros, de Raoni e Paiakã, do sul do Pará, nos anos 80, os Yanomami de Roraima,vítimas da invasão garimpeira há dez anos e, mais recentemente, o retorno dos velhosGuarani que, misteriosamente, passaram a produzir suicídios em cadeia de jovens. Atéos famosos "índios do Xingu", desde muito tempo no noticiário e presença obrigatóriaem qualquer coleção de postais sobre o Brasil, não passam de uma referência genérica egrosseira para se tratar de um conjunto de 17 povos que hoje vivem no chamado ParqueIndígena do Xingu, alguns deles tão diferentes entre si como os brasileiros dos russos. Sequer sabemos os seus nomesOs povos indígenas que viviam no que veio a se chamar Brasil eram ágrafos eatualmente a maioria não domina a leitura e a escrita. Foram - e continuam sendo -"batizados" por escrito por "brancos", antes mesmo que alguém lhes compreendesse alíngua. Como muitos povos nativos não se expressam em português e não foram

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