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A arte do (im)possível

A arte do (im)possível

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Published by carlosebert
Memórias de um diretor de fotografia brasileiro nos anos 70/80. Publicado originalmente no site da Associação Brasileira de Cinematografia www.abcine.org.br
Memórias de um diretor de fotografia brasileiro nos anos 70/80. Publicado originalmente no site da Associação Brasileira de Cinematografia www.abcine.org.br

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A arte do (im)possível
Técnica cinematográfica e Cinema Marginal
 
O cinema, caçula das artes e filho da revolução industrial, se apoia num aparato técnico quepode e está sendo minimizado, mas que de forma alguma é descartável. Para produzir imagensem movimento são necessários equipamentos que empregam mecânica, óptica e eletricidade.Não há como fugir disso.Participei de alguns dos filmes selecionados para esta mostra, e quando fui convidado a refletir sobre a cinematografia de então, algumas lembranças marcantes acabaram por delinear umroteiro de idéias e impressões, que na falta de uma metodologia mais rigorosa, passo a seguir.Eram tempos de furiosa antropofagia visual. Ambicionávamos sínteses improváveis: IrmãosMaysles e Samuel Fuller. Camera na mão e chiaroscuro barroco. Mauro e Gláuber. Não raro,como alguns momentos destes filmes atestam, conseguíamos operar senão uma síntese, pelomenos uma explicitação das teses e antíteses com que nos debatíamos. Estas surgiram e seconsumiram ao sabor dos ciclos (ou quem sabe, surtos) que caracterizam a trajetória do nossocinema.Do primitivismo dos cinegrafistas do início do século XX passando pelas tentativas de indústriada Cinédia, Atlântida e Vera Cruz, até a onda autoral do cinema novo, mudaram os paradigmasmas os métodos, ou a falta deles, permaneceram os mesmos.Somos a pátria do improviso. E o que na musica é uma benção, no cinema nem sempre resultaem mais do que confusão. Filmar com “jeitinho” era nada mais do que tentar superar asdeficiências de equipamento, material sensível, pessoal e infra-estrutura que enfrentávamos.Como fotógrafos de produções mambembes, andávamos atrás da luz ambiente, presente doCriador. Luz que dispensa listas e não gera faturas. Nosso problema é que filmávamos nostrópicos, e nessas latitudes a latitude dos filmes não dá conta dos incríveis contrastesexistentes. Os “estouros” luminosos eram inevitáveis e não restava outra opção senão assumi-los. Já os financeiros iam prá pindura. Ficou famosa a história do colega que, advertido por umtécnico mais experiente de que fora da sala onde filmavam, a luz estava fortíssima e as janelasabertas estavam em quadro, retrucou: “E daí com lá fora? Eu estou filmando aqui dentro.” Nadamais foi dito, nem lhe foi perguntado.Não só assumíamos os contrastes como amávamos a fotografia dura. O preto no branco. Separa os autores de então “ a moral era uma questão de travellings” para nós fotógrafos ela erauma questão de contraste. E aí se instaurou um conflito, pois os laboratórios rezavam pelacartilha dos fabricantes de filmes e queriam obter no processamento o máximo de gradaçãopossível no negativo (o que diga-se de passagem é o certo).Vivíamos então o auge da contracultura. Um dos meus gurus prediletos era Buckminster Fuller.Pensador multidisciplinar, duble de arquiteto e filósofo, pregava o princípio do Dymaxion: fazer mais com menos. Se a natureza agia assim, quem éramos nós para fazer diferente? Nacinematografia local sua inspiração calou e colou fundo. Tudo o que refletisse luz era bem-vindoao set. Até com os lençóis de casal da mãe de uma namorada construi rebatedores. Aslâmpadas fotoflood, relativamente baratas e que dispensavam refletores, eram as nossasfavoritas nos interiores. A sucata da Vera Cruz, os frankensteins do Honório Marim e osgentilmente cedidos pelo Jaques Dehenzelein completavam o parque de luz.Pelos Cahiers du Cinema, acompanhávamos atentos as experiências do Raoul Coutard com osfilmes para fotografia mais sensíveis (800ASA!!!), que ele tinha a manha de emendar na cameraescura para usar na sua Cameflex. Genial! Gianni Di Venanzo com suas calhas de fotofloods deluz suave e sem sombras, virou um ídolo. Mas, mesmo sabendo tudo isso não escapávamos de,como comentou com perspicácia Lauro Escorel, iluminar mais as idéias e o discurso do diretor do que os cenários e os atores.

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