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GARRAFA, Volnei. A dimensão da ética em saúde pública. São Paulo:Faculdade de Saúde Pública/USP, 1995.LÓPEZ, Mário. Fundamentos da Clínica Médica; a relação paciente-médico.Rio de Janeiro: Medsin Editora Médica e Científica, 1997. NOVAES, Adauto. (org). Ética. São Paulo: Cia das Letras, 1992.PEREIRA, Araci Carmem. O ethos da enfermagem; aspectosfenomenológicos para uma fundamentação da deontologia da enfermagem.Rio de Janeiro: Universidade Gama Filho, 1981. (Dissertação, mestrado emfilosofia).SAMICO, Armando H. R., MENEZES, José Dilson V. de, SILVA, Moacir da. Aspectos éticos e legais do exercício da odontologia. 2ª ed. Rio deJaneiro: Conselho Federal de Odontologia, 1994.SILVA, Alcino Lázaro. Temas de ética médica. Belo Horizonte: CooperativaEditora de Cultura Médica, 1982.VALLS, Álvaro L. M. O que é Ética. 3ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1989.(Coleção Primeiros Passos).
INTRODUÇÃO
A sociedade moderna assiste a um progresso tecnológico jamais imaginado,que ultrapassa as previsões dos mais perspicazes futurólogos. Oextraordinário progresso técnico-científico, principalmente na área médico- biológica, e o avanço econômico-social, não são suficientes para deter nohomem contemporâneo uma certa angústia, que o afasta de si, do outro e daauto-realização.Deve-se isto à massificação da informação, através dos meios decomunicação e da informática, que por sua vez traz como corolário, uma"desagregação de certos valores que de alguma forma vinham conduzindo amaioria das pessoas e grupos humanos nos seus posicionamentos morais básicos."(1)Esta crise, em fins do século XX, é o reflexo da conturbação moral, em quehomem adota uma posição relativista em torno da vida; os juízos de valorese as normas éticas são consideradas meramente uma questão de preferênciade cada um, sem qualquer validade objetiva.É objeto deste trabalho realizar a distinção entre os vocábulos Ética e Moral;autores há que usam os termos indistintamente, enquanto que para outros,considera-se Moral como tradução latina de Ética. Percebe-se que
 
historicamente há diferenças; procuramos, deste modo, analisar a diferençaque existe entre os temas.Pretende-se neste estudo, além de se buscar a distinção dos termos Ética eMoral, fazendo breve análise, também, da Bioética, tema novo que abarca asciências médicas e biológicas;Hodiernamente, a crise dos valores chega a ameaçar a vida, a integridade e adignidade do ente humano, questionando até que ponto é vantajoso os benefícios da tecnologia e do desenvolvimento. Deste modo, todacontribuição ética é bem vinda, uma vez que as discussões que envolvem os problemas éticos passam, necessariamente, pelas vias acadêmicas.
DA ÉTICA E DA MORAL
Muitos sabem, ou pelos menos intuem o que seja Ética; todavia, explicá-la étarefa difícil. Além do mais, tentar defini-la seria nos privar de toda aamplitude de seu significado que pode ainda advir, fruto do desenvolvimentodo pensamento humano.Etimologicamente, o termo ética deriva do grego ethos que significa modode ser, caráter. Designa a reflexão filosófica sobre a moralidade, isto é, sobreas regras e os códigos morais que norteiam a conduta humana. Suafinalidade é esclarecer e sistematizar as bases do fato moral e determinar asdiretrizes e os princípios abstratos da moral. Neste caso, a ética é umacriação consciente e reflexiva de um filósofo sobre a moralidade, que é, por sua vez, criação espontânea e inconsciente de um grupo.Pode ser entendida como uma reflexão sobre os costumes ou sobre as açõeshumanas em suas diversas manifestações, nas mais diversas áreas. Também, pode ser ela tida como a existência pautada nos costumes consideradoscorretos, ou seja, aquele que se adequar aos padrões vigentes decomportamento numa classe social, de determinada sociedade e que casonão seja seguido, é passível de coação ao cumprimento por meio de punição.Em suma, temos a ética como estudo das ações e dos costumes humanos oua análise da própria vida considerada virtuosa.Pode ser considerada ainda como a parte da filosofia que tem como objeto odever-ser no domínio da ação humana. Distingue-se da ontologia cujo objetoé o ser das coisas. Propõe-se, portanto, a desvendar não aquilo que o homemde fato é, mas aquilo que ele "deve fazer" de sua vida. Seu campo é o do juízo de valor e não o do juízo de realidade, ou da existência. Estuda asnormas e regras de conduta estabelecidas pelo homem em sociedade, procurando identificar sua natureza, origem, fundamentação racional. Em
 
alguns casos, conclui por formular um conjunto de normas a serem seguidas;em outros, limita-se a refletir sobre os problemas implícitos nas normas quede fato foram estabelecidas.As noções decorrentes de ações advindas de uma ou mais opções entre o bom e o mau, ou entre o bem e o mal, relacionam-se com algo a mais: odesejo que todos têm de serem felizes, afastando a angústia, a dor; daí,ficamos satisfeitos conosco mesmos e recebendo a aceitação geral.Para que exista a conduta ética, é necessário que o agente seja consciente,quer dizer, que possua capacidade de discernir entre o bem e o mal (cabeobservar agora que agir eticamente é ter condutas de acordo com o bem.Todavia, definir o conteúdo desse bem é problema à parte, pois é umaconcepção que se transforma pelos tempos). A consciência moral possui acapacidade de discernir entre um e outro e avaliar, julgando o valor dascondutas e agir conforme os padrões morais. Por isso, é responsável pelassuas ações e emoções, tornando-se responsável também pelas suasconseqüências.Os valores podem se entendidos como padrões sociais ou princípios aceitose mantidos por pessoas, pela sociedade, dentre outros. Assim, cada umadquire uma percepção individual do que lhe é de valor; possuem pesosdiferenciados, de modo que, quando comparados, se tornam mais ou menosvaliosos. Tornam-se, sob determinado enfoque, subjetivos, uma vez quedependerão do modo de existência de cada pessoa, de suas convicçõesfilosóficas, experiências vividas ou até, de crenças religiosas. Do que foidito, as pessoas, a sociedade, as classes, cada qual têm seus valores, quedevem ser considerados em qualquer situação.A consciência se manifesta na capacidade de decidir diante de possibilidadesvariadas, decorrentes de alguma ação que será realizada. No processo deescolha das condutas, avalia-se os meios em relação aos fins, pesa-se o queserá necessário para realizá-las, quais ações a fazer, e que conseqüênciasesperar.Assim, para poder deliberar, realizar constantemente as escolhas, é condição básica a liberdade. Para isso, não se pode estar alienado, ou seja, destituídode si, privado por outros, preso aos instintos e às paixões.
ÉTICA E MORAL: SIMILITUDES E DIFERENÇAS
A coexistência é uma imposição a que todos as pessoas são submetidas.Todavia, a convivência é uma necessidade, esta como conseqüência daquela.É a necessidade de convivência que faz surgir a Moral, aquela reunião de
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