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Famílias Lagunenes 
Novo Hamburgo, 26 de Abril de 2009Prezados amigos, A realização deste trabalho, deve-se integralmente à gentileza do Sr. Professor e DesembargadorDr. Norberto Ulyssea Ungaretti, pela disponibilização de um cópia da obra inédita de MoacyrDomingues, de suma importância à Genealogia de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.O amigo Norberto, possuidor dos originais da inédita obra, sempre manifestou interesse empublicar o material, objetivando oferecer acesso a todos os pesquisadores de genealogia e história. Abaixo transcrevo a história que deu origem ao trabalho que ora disponibilizamos, conforme e-mailenviado em 28.06.2006 – 18:48 hs:
“Não sei se vc sabe - presumo que sim, pois contei isto a todos aqui da lista, mais de uma vez - as circunstâncias em que sou possuidor dos originais de "Famílias Lagunenses".Foi o próprio Moacyr Domingues quem os ofereceu ao historiador catarinense e meu grande amigo Oswaldo Cabral. Fez acompanhar a oferta de uma carta em que expressava sua admiração  por aquele historiador, com quem lamentava haver mantido apenas um ligeiro contacto pessoal, se não me engano num encontro de aeroporto. E como o dr. Oswaldo Cabral era lagunense e o mais eminente historiador catarinense da sua época, ele, Moacyr Domingues, achava que seu trabalho estaria em ótimas mãos, autorizando o dr. Cabral a publicá-lo, se o desejasse e houvesse interesse.Na ocasião desta oferta, que deve ter sido aí por 1975, o dr. Cabral me emprestou o trabalho,que devolvi depois de copiar alguns poucos dados, referentes a ascendentes meus.Em 1978 o dr. Oswaldo Cabral faleceu.Foi herdeira de seus arquivos e sua biblioteca, sua sobrinha, a profa. Sara Regina Poyares dos Reis, que transferiu residência para São Paulo.Há uns três anos voltou para Florianópolis. É minha amiga também,e por isso manifestei-lhe interesse em reler aquele trabalho. Quando ela o localizou, em meio ao vasto material deixado por seu ilustre tio, fez a gentileza de oferecer-me, ao invés de emprestar-me, assim procedendo certamente em consideração à minha grande amizade com o dr. Oswaldo Cabral. Abraço,Norberto Ungaretti”.
Dedico especial agradecimento ao estimado primo e amigo Luiz César Nunes, pelaintermediação, reprodução e remessa da cópia da obra que serviu como base para a realizaçãodeste trabalho.Em homenagem à Moacyr Domingues, incluí neste trabalho sua bibliografia. Adicionamostambém um índice onomástico, constando apenas os nomes dos principais troncos de cada família.Mauro Esteves
 
 
Famílias Lagunenes 
Moacyr DominguesD
uas Palavras ao LeitorMeu interesse por Laguna e por tudo quanto diga respeito à sua História, sobretudo até meados doséculo XVIII, decorre do fato de ter aquela humilde póvoa do litoral catarinense exercido, mercê de suaposição geográfica, papel decisivo no povoamento inicial do atual Rio Grande do Sul; devido aimpraticabilidade da barra que dá acesso à Lagoa dos Patos, perigosíssima à época da navegação àvela, serviu Laguna de trampolim para as expedições que devassaram o território riograndense embusca de índios e de imaginárias minas de prata, que na realidade jamais existiram.
 
Este assunto me seduz a tal ponto, que empreendi uma dispendiosa viagem a Portugal com oobjetivo exclusivo de fazer pesquisas a respeito nos opulentos arquivos portugueses e o resultadocolhido superou, felizmente, minhas mais otimistas expectativas; pronto para o prelo tenho umalentado estudo, calcado em documentação inédita ou pouco estudada que, acredito, dissiparámuitas controvérsias e imprecisões hoje existentes.
 
Posso afirmar que a primeira tentativa do Capitão Domingos de Brito Peixoto para se estabelecerem caráter definitivo em Laguna, onde já exercia atividades pesqueiras, foi levada a efeito pelo mêsde fevereiro de 1680, fracassando devido ao naufrágio de sua embarcação na foz do Rio Araranguá, enão no litoral baiano, como repetidamente se tem afirmado, e isso precisamente quando Dom ManuelLobo acabava de fundar, defronte a Buenos Aires, a malfadada Colônia do Sacramento.
 
E não é só, concomitantemente, o Capitão Francisco Dias Velho se estabelecia em Destêrro (hojeFlorianópolis) com seu clã e Manuel Jordão da Silva, Sargento-Mór das Ordenanças do Rio de Janeiro,tentava fundar uma povoação na barra do Rio Grande, naufragando também e o fazia sob o patrocíniodo General Salvador Corrêia de Sá, que pouco tempo antes obtivera, para seus herdeiros, a Donatariadaquelas terras.A expedição de Jordão da Silva, da qual Domingos de Brito Peixoto participava, é muito poucoconhecida
 
e no trabalho citado eu a estudo exaustivamente; acredito também ter decifrado o mistério que atéagora envolvia a expedição chefiada, na mesma oportunidade, pelo Tenente-de-Mestre-de-Campo-General Jorge Soares de Macedo, cujos passos acompanho desde sua partida de Portugal até suamorte, que deve ter ocorrido em Óbidos pelo ano de 1713, ficaram explicadas cabalmente, assimcreio, as razões que motivaram seu enigmático comportamento no episódio da fundação da Colôniado Sacramento, que tanto tem intrigado nossos historiadores.
 
Não me estendo mais nesse assunto, que abordei por duas razões:despertar, quem sabe, o interesse de alguma instituição cultural para a divulgação desse estudo,destinado ao campo restrito dos estudiosos e por isso mesmo sem perspectivas comerciais; e explicarao leitor a origem de meu apreço por Laguna, que vem de longe.
 
Foi, pois, com especial satisfação que, no desempenho de uma função pública em Criciúma, de1966 a 1968, pude travar contato com essa formosa e acolhedora cidade, que está sendo agora"descoberta" pelos gaúchos, graças à melhoria das comunicações e aos encantos turísticos queencerra.
 
Ficou ela à margem do progresso material que empolgou algumas comunas próximas, muito maismodernas; nenhuma a suplanta, porém, na riqueza dos fundamentos culturais, ciosamente guardadose milagrosamente preservados a influências externas, que lhe marcam a feição tipicamente brasileira.Sente-se, desde o primeiro contato, a presença palpável, até nas camadas mais humildes e menosinstruídas de sua população, de um sólido substrato de cultura, bom gosto e refinamento, e da índolepacata e amorável, tão característica de nosso povo.
 
 
Ali conheci uma pessoa realmente extraordinária, Dona Joana Daux Mussi, que, embora nãonascida em Laguna, encarnava perfeitamente todas as virtudes de sua gente, ela fez da gentileza, doamor ao próximo, e da caridade para com os humildes, os desvalidos, os desprezados e os velhos, aprópria razão de ser de sua existência ativa e fecunda.
 
À sua memória dedico, com a maior reverência e saudade, este trabalho, no qual se encontrarão asraízes daqueles a quem ela tanto protegeu.
 
Este trabalho foi feito mediante a organização sistemática, por famílias, dos assentos paroquiais deLaguna, hoje recolhidos à Cúria Metropolitana do Bispado de Tubarão, a saber:a) 1595 assentos de casamento, contidos em 3 Livros, abrangendo os períodos de 14/9/1783 a4/4/1804, de 4/4/1804 a 21/9/1822 e de 21/9/1822 a 16/6/1832;b) 2169 assentos de batismo, também em 3 Livros: de 5/2/1804 a 26/12/1808 e de 26/3/1809a 15/3/1815 (que inicialmente estavam contidos num único Livro, com folhas numeradas de 1 a 387)e de 25/5/1815 a 20/9/1818;c) 1490 assentos de óbito, num único Livro, relativos ao período de 27/3/1820 e 18/4/1832.Esses, segundo fui informado, são os Livros paroquiais mais antigos recolhidos à Cúria de Tubarão;apesar de minhas diligências, não consegui localizar os que os antecederam, cujo valor histórico seria,sem dúvida, muito maior.
 
0 que se oferece ao leitor, pois, é uma imagem da população da Freguesia de Laguna, tão precisaquanto possível, no alvorecer do século XIX; apesar de todo o meu cuidado, devo acentuar que sãoquase inevitáveis os enganos em trabalhos desta natureza, em que tantas datas são citadas; aquelesque porventura se interessarem em prosseguir o estudo das respectivas famílias até os dias atuais,aconselho que não deixem de conferir os dados que aqui divulgo, para cujo fim são dadas todas asreferências necessárias.
 
Na região Sul de Santa Catarina existiam, na época, apenas duas Freguesias: a de Vila Nova, quedeveria estender-se desde essa vila até os limites com a Freguesia da Enseada de Brito, isto é, até oatual Morro dos Cavalos, e a Freguesia de Laguna, que se estendia para o Sul, até o Rio Mampituba,atual divisa com o Estado do Rio Grande do Sul. 0 fato, pois, de dizer-se que alguém nasceu e foibatizado "em Laguna", naquela época, não significa, necessariamente, que o tenha sido na própriaVila: da leitura atenta dos assentos ficou-me a certeza de que o Vigário percorria periodicamente suaParóquia, ministrando os sacramentos.
 
Percebe-se que duas localidades já despontavam: Tubarão e Araranguá, citadas com frequência nosassentos consultados; uma única referência encontrei a Urussanga, que deve ser a hoje chamadaUrussanga Velha. Outros lugares citados várias vezes são: Pescaria Brava, Caputera, Perrexil, Barra,São Tiago, Areias, Ponta do Daniel, Saco do Lessa, Saco das Flores, Congonhas, Rio de Aratingaúva,Saco de Tacoroçutuba, Rincão, Morro Grande, Morrinhos de Tubarão, Costa do Siqueiro, Ponta Grossa,Laranjeiras, Cabeçuda e Imaruí, onde já existia a Capela de São João Batista.
 
O escasso conhecimento que tenho dos fatos lagunenses relativos ao século XIX impediu-me de juntar dados biográficos às personagens citadas, o que, decerto, tornaria este trabalho menosmonótono; tarefa que incumbe aos cronistas locais.
 
Chamo a atenção do leitor para alguns pontos cujo interesse histórico é maior, como sejam: aidentificação das raízes paulistas da heroína Anita Garibaldi (v. título Salvador Antunes, N-16) e osestudos sobre as famílias Gonçalves Ribeiro, Prates e Rodrigues de Jesus, a cujo respeito trago algunsdados inéditos.
 
Finalmente, fique claro que o título "Dona" não era de uso indiscriminado, como atualmente: sóusavam-no as mulheres que a ele tinham direito, seja por sua ascendência seja por casamento;respeitei cuidadosamente esse critério, que de um relance permite identificar as famílias de maiorprojeção social da localidade.
 
Lamento que não me tenha sido possível examinar, por falta de oportunidade, os autos de inúmerosinventários existentes no "Museu Anita Garibaldi", de Laguna e numerosos outros existentes noArquivo Público do Rio Grande do Sul (estes, notadamente, do período de 1800 a 1820), queencerram, sem dúvida, preciosos dados sobre as famílias estudadas; forneço porém, sempre quepossível, os dados de catálogo.
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