Versão Abril 2009/JA
Melhor educação é possível:
contributos para um outro modelo de governação da educação, emPortugal.
Liberdade, confiança, compromisso, esperança
Joaquim Azevedo
NOTA: este é um documento em progresso contínuo, que divulgo em versão electrónica.Esta é a versão 1. É do Porto que escrevo estas linhas, carregadas de esperança.
O problema, o ponto de partida, o percurso e o ponto de chegada.
O clima que hoje se respira nas escolas portuguesas é de grande desmotivação edesesperança. Após o 25 de Abril de 1974, nunca tantos professores abandonaram a profissão, mesmo antes de obtido o tempo legal necessário para obter o direito a umareforma completa. Mas os problemas que podem estar subjacentes a esta situação nãosão de hoje ou de ontem, são estruturais, já têm décadas. É verdade que o actualGoverno empreendeu mudanças, de um modo legítimo, que geraram a acentuação deum descontentamento que já tinha acampado nas escolas. Após a aplicação demedidas como a da escolha dos professores “titulares” ou a da avaliação dodesempenho dos docentes, a situação explodiu, mas os rastilhos estavam bem visíveis,um pouco por todo o lado, desde há anos. E é sobre eles, e não apenas sobre os dias dehoje, que importa pensar. Porque a estas medidas outras se seguirão, tomadas por esteou por outro Governo e, na minha opinião, dificilmente se alterará no dia-a-dia dasescolas e melhorarão os resultados globais da educação. Os problemas principais nãoestarão nas medidas ou, melhor, não radicam sobretudo nem no modo mais ou menosadequado como são tomadas nem no nível de resistência que suscitam. Pode vir ahaver mais paz, mas de uma paz podre já estamos cansados. Temos de poder continuar a ter a esperança de que pode haver outra política de educação.O tempo presente reclama que se olhe para outros horizontes, que muitos teimam emnão querer ver. Reforma educativa atrás de reforma educativa, concluímos que osganhos são escassos. É preciso pensar porquê, não deixar correr os problemas daeducação como se fossem meras notícias impressas no jornal, que se consomem e pronto. O actual modelo político de governação da educação está esgotado. Bastaolharmos para o que se passa hoje mesmo à nossa volta: tantos milhares professores baixam os braços e, desmotivados, desistem da profissão, as escolas vivem num climade intranquilidade pouco propício a educar. O rotativismo político-partidário do“bloco central”, governo atrás de governo, continua, apesar disso, sem rumo, a tentar encher de carne um esqueleto com quem ninguém se identifica. Em cada legislaturaque se abre, não se abre um tempo novo. Apenas se perpetua, com repetições e atécom variações excêntricas, o modelo de governação que já deu provas de que nãoserve uma educação de qualidade de todos os portugueses, nem o futuro da nação.1
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