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Sob o olhar atento de João Cobú, retornamos lentamente pelos mesmoscaminhos palmilhados até ali. Por algum tempo Raul sentiu ainda o cheiroexótico a exalar de seu corpo espiritual, como puro reflexo das condiçõesadversas e dos fluidos grosseiros, quase materiais, encontrados naquelasterras tenebrosas.Reflexões profundas foram inspiradas por essa visita que fizemos a uma dasregiões de trevas mais inferiores do planeta, nos dois planos da vida. Quepensamentos poderiam passar pelas mentes de seres como aquele queramos? Quais planos seriam arquitetados pelos draes e seussubordinados, os espectros ou chefes de legiões?Ainda estávamos pensando nessas questões, quando João Cobú nos convidoua participar de uma conferência entre os seres subordinados aos dragões eseus superiores. Os chefes de legião se reuniriam em determinado lugar naquelas paragens, e alguns ditadores astrais, os dragões, estariam presentes.Pai João nos disse que seria uma oportunidade de ouvirmos dos própriosenvolvidos alguma coisa sobre seus planos. Quem sabe assim poderíamosfazer uma idéia mais ampla a respeito de sua personalidade, seu caráter?Depois de tudo acertado, e munidos da permissão do Alto, dirigimo-nos comuma legião de guardiões para o lugar ao qual Pai João nos guiava.O local parecia uma das cúpulas de poder, um conjunto conhecido entre oschefes de legião das sombras como Pavilhão dos Invenveis. O nomeimponente já representava o orgulho e a pretensão dos soberanos daqueladimensão das trevas. A construção se erguia entre diversas outras, e suaarquitetura soberba não parecia algo terreno, humano. Havia mesmo algo deinumano na aparência do lugar, algo que não poderíamos definir. O emblemada suástica encimava o pórtico do Pavilhão.Quando nos avizinhávamos do pavilhão, Jamar e um representante de outralegião de guardiões, que nos acompanhava, acercaram-se de um dosespectros, que montava guarda na entrada. O ambiente era protegido comcampos de força muitíssimo fortes, e os espectros — seres a serviço dosdragões — estavam atentos à menor aproximação. Jamar e seu companheirochegaram quase furtivamente perto do chefe de legião.— Alto lá! — pronunciou o espectro. — Mostrem suas credenciais ou serãoescravizados pelos soberanos.Jamar e Antón, o outro guardião, apresentaram-se de forma a não deixar pairar a mínima dúvida quanto às suas credenciais:— Somos guardiões da luz. Estamos aqui com autorização dos superiores e doCordeiro.
 
— Que procuram entre nós os representantes do Cordeiro? Bem sabem queestamos em pólos opostos. Além do mais, temos uma importante conferência,da qual só participarão os convidados dos soberanos.— Somos enviados do Cordeiro — tomou a palavra o guardião. — Temoscredenciais que nos permitem entrar e sair quando quisermos. Comunique issoao seu superior.— É coragem ou estupidez o fato de virem aqui? — perguntou o chefe delegião.Nem uma nem outra — respondeu Jamar, seguro de si. — Não é preciso muitacoragem para enfrentar sua estirpe quando se tem autoridade superior. Enunca será estupidez preferir se informar, pesquisar e ouvir o outro lado em vezde guerrear ou usar de métodos antiéticos. Como se sabe em todo o astral, sualegião prefere sempre a força e a coação. Os enviados do Cordeiro preferemos métodos mais brandos, como o uso da razão, do coração e da força moral,que em tudo é superior.O semblante do espectro parecia irradiar ódio. Ele não esperava uma respostaà altura de sua provocação. Mas os guardiões foram firmes.Após ouvir a palavra do guardião representante de um comando superior, oespectro deslizou em meio aos fluidos grosseiros de sua zona de ação. Afoito,dirigiu-se a um dos dragões, que exercia a liderança no local. Ao retornar, jáparecia menos seguro de si, pois, para sua surpresa, trazia a permissão dosdragões para a entrada da comitiva. Eles sabiam não poder ignorar o comandosuperior dos guardiões, que estava diretamente subordinado ao governo ocultodo mundo, o colegiado de seres sublimes que administravam o planeta sob aamorável orientação de Jesus. Não havia como desprezar tamanha autoridade.A um sinal de Jamar e Anton, achegamo-nos aos dois. Agora a equipe estavacompleta novamente. Voltando-se para o espectro, Anton falou com firmeza:— Não interferiremos em seus planos. Estamos aqui somente para observar.Podem continuar suas atividades.— Você sabe que não podemos simplesmente ignorá-los. Os soberanos —assim se referiam aos dragões deram ordens a respeito de nossocomportamento quanto a vocês. Não acatamos ordens do Cordeiro nem deseus representantes.— Não importa o que pensam, estamos apenas representando um poder superior.Dessa maneira, o guardião deu por encerrada a conversa com o espectro.Minha curiosidade aumentava vertiginosamente ao ouvir a conversa entre ochefe de falanges dos dragões e o guardião. Anton, eno, resolveu mesocorrer, fazendo algumas observações:
 
Os chefes de legião, conhecidos entre os esritos inferiores comoespectros, são os encarregados de administrar as ordens dos dragões e de seexpor vibratoriamente no lugar deles. Na verdade, o é do feitio doschamados soberanos atuarem no chamado campo de batalha espiritual; muitolonge disso. Sentem-se o superiores, como representantes de umaconstelação de poder reconhecida entre os habitantes do astral, queencarregam outros seres dessa função, como se nomeassem assessores ouporta-vozes. Conduzem tudo da clausura de suas bases, nas profundezas daescuridão.Os chefes de legião, de um modo geral, são os responsáveis pela arquiteturados planos de ataque às organizações do bem e às nações do planeta Terra.Elaboram investidas a representantes do pensamento progressista, a governose líderes comunitários de expressão, representativos no âmbito global. Elestambém são os organizadores e supervisores das bases, dos laboratórios edas comunidades astrais de grande importância para os planos dos dragões."Olhei para o chefe de legião e vi que estava envolvido numa estranhaluminosidade, que, embora fraca, abraçava-o por inteiro. Diante de minhacuriosidade, Anton explicou:— Por ocuparem uma posição importante em sua estrutura de poder, os chefesde legião costumam se apresentar protegidos por potentes campos de força,freqüentemente associados a campos de invisibilidade, para que não sejampercebidos, tanto entre os desencarnados, quanto pelos médiuns desdobradosem corpo astral.— A aparência desses espíritos me traz algo à memória; no entanto, nãoconsigo definir com precisão o quê...Os espectros ou chefes das falanges sombrias o antigos generaisnazistas e outros estrategistas, que participaram de inúmeros conflitos ao longoda história. Entre eles, encontram-se cientistas do in Reich e personalidadesque articularam ou fomentaram guerras, inclusive pelo caminho da diplomaciasubvertida, fazendo-se temidos em diversas latitudes do planeta.— Entendo agora as imagens que me vêm à tona — retrucou Raul, lembrandoas idéias que a imagem do estranho chefe de legião fazia com que eclodissemem sua mente.Proporcionando um tempo para que pudéssemos assimilar as observações, oguardião continuou, decorridos alguns instantes:— Normalmente, os chefes não enfrentam diretamente o campo de batalhaespiritual. Assim como seus superiores, também buscam preservar-se, aindaque num nível diferente, pois, ao contrário dos dragões, não ocupam o primeiroescalão da hierarquia maligna. Os chamados espectros apenas arquitetam eorganizam as idéias, indicando, de longe, as estratégias para se efetivarem asofensivas, perpetradas por espíritos não menos perigosos. Eis a razão por que,no âmago desse sistema de forças e poder que compõe a estrutura das trevas,
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