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O comerciante virtual
Autor: Gilberto Marques Bruno
- advogado do escririo Demarest Almeida Advogados em o Paulo. Especialista em Direito Empresarial emestre em Direito Tributário pelo Centro de Estudos e Extensão Universitáriadas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), também é professor do Curso des-Graduação em E-Business do Instituto Brasileiro de Pesquisa emInformática da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UNIRIO.
1. Considerações Iniciais:
É sabido que a internet é uma vasta rede, que propicia a interligação de umaelevada quantidade de computadores em todo o mundo. Esse liame quevincula dos internautas, vem trazendo uma série de discussões na sociedade,sobre diferentes temas, uma vez que a internet traz em seu bojo além dacomodidade aos usuários, propiciar-lhes a possibilidade de utilização de umaelevada gama de serviços de informação e comunicação.O world wide web (w.w.w.), teve seu berço de origem no Laboratório Europeude Física e Altas Energias (na cidade de Genebra), no final da década de 80(1989), como uma vertente do processo de redução de custos das operaçõesde comunicação. Também conhecido na linguagem técnica como "w3" ou"web", dentre os diferentes serviços da internet, faz uso de um protocoloespecífico "HTTP" (Hypertext Transfer Protocol), utilizado para transferirhipertextos (documentos compostos de textos, imagens e/ou sons), para o"HTML" (Hypertext Markup Language) de um programa do servidor de acesso,para outrem (usuário, cliente ou internauta). E assim, basta o internauta, darum clique no "mouse" de seu computador (desde que conectado a umprovedor de acesso), para ingressar no mundo do w.w.w., e utilizar-se de umaelevada gama de informações e serviços.A web na atualidade é considerada uma vasta e inesgovel fonte deinformações, cuja utilização consiste fundamentalmente, em buscas orientadaspor assuntos e/ou temas por meio dos provedores de pesquisa, os quais,efetuam as buscas dos documentos através de palavras e/ou palavras-chave,que o colocadas à disposição dos internautas por meio de listagens.Todavia, as utilidades oferecidas no campo da internet, não ficam adstritas abusca de informações e pesquisas, encontramos ainda, os "chats" (salas debate-papo), os serviços de "e-mail" (correio eletrônico), o "e-commerce"(comércio eletrônico) e outros.No presente trabalho, vamos traçar algumas ponderações à reflexão, quanto aquestão do comércio eletrônico, e a necessidade de criação de instrumentos deseguraa quanto a validade dos documentos e da assinatura digital,conferindo assim a tranqüilidade jurídica nas relações comerciais havidas narede mundial de computadores, bem como a tendência mundial de
 
uniformização da legislação relativa ao e-commerce.
2. O Comércio Eletrônico:
Através das páginas do "w.w.w.", as relações comerciais quanto a oferta debens e de serviços vêm passando por verdadeira revolução, originando a figurado "comércio virtual".Esse expressivo crescimento nas relações de consumo, é facilmente justificável, na medida em que tenhamos em conta duas premissasfundamentais, que decorrem dos tempos modernos, quais sejam: comodidadee disponibilidade de tempo!Como se sabe, em decorrência da excessiva carga de atividades no dia a dia,as pessoas procuram administrar o seu tempo, de sorte a cumprir todos oscompromissos com rapidez e eficncia, e, é sob este prisma que o "e-commerce", tem se apresentado como um meio promissor de desenvolvimentopara a oferta de bens e serviços, alavancando assim, a sedimentação do"virtual-commerce".Nesse esteio, é que se verifica a constante constituição de "portais" e "sites",em que seus objetivos sociais, estão voltados ao fomento de atividades denatureza mercantil.O que vale dizer, os segmentos do comércio estão criando de acordo com onosso entendimento, as chamadas "lojas on line", que nada mais são, do queestabelecimentos comerciais, que se apresentam individualmente na redemundial, para venda de seus produtos, e, os "shoppings centers on line", quedecorrem da congregação coletiva de diferentes empresas (lojas on line), queapresentam os seus produtos sob a forma de catálogos, colocados à disposiçãodos internautas (consumidores), dentro do "world wide web".De outra parte, é imperioso dizer que medida em que se opera o crescimentodas relações comerciais na rede mundial, fatalmente acabam surgindoinúmeros problemas de cunho jurídico relacionados aos negócios praticados noâmbito da internet, tais como: a) contratos específicos para operações nainternet; b) contratos celebrados nas transações de comércio eletrônico; c)mecanismos seguros para o pagamento eletrônico; d) proteção de dadoscadastrais e sua inviolabilidade; e) proteção da propriedade intelectual; f)privacidade quanto a proteção dos contdos; g) criminalidade; h)regulamentão precisa e uniforme dos sistemas de telecomunicações eoutros.Alguns destes temas, tive oportunidade de manifestar em outrasoportunidades, como foi o caso do "Sigilo de Dados e a Privacidade On Line",bem como "A questão da validade, eficácia e valor probatório dos documentoseletrônicos e da assinatura digital", "A Justiça e o Processo Virtual", e
 
"Considerações sobre os Direitos Autorais no w.w.w.", outros certamente embreve vou traçar algumas considerações!
3. E-Commerce – Conceito:
Etimologicamente a expressão comércio significa permuta, compra e venda deprodutos e/ou valores. Transportando algumas dessas expressões para oterreno do "world wide web", pode se dizer que no âmbito da internet, ocomércio eletrônico (e-commerce), conceitua-se como:"a utilização de tecnologias de informação, para fomentar e elevar o gráu deeficiência das relações comerciais, de sorte a gerar o desenvolvimento dasvendas de bens, de produtos e de serviços, quer seja entre empresas, que sejaem relação ao consumidor final."Este segmento de mercado, para que se tenha uma exata noção dasperspectivas de crescimento, falando-se especificamente dos países membrosda União Européia, apresentam números espantosos.No período de 1996 a 1997, o número de comerciantes e/ou estabelecimentoscomerciais na rede mundial, saltou de 1.384 para 4.459, com evolução naordem de 219,9%. De 1997 para 1998, de 4.459 estabelecimentos comerciaisvirtuais, passou-se para 18.893, um crescimento identificado na ordem de323,7%. De 1998 para 1999, chegou-se a 73.617 comerciantes na internet,números equivalentes a 289,7%, já no ano de 2000, a União Européia contavacom 162.428 estabelecimentos comerciais.Como se vê, em um espaço de 05 (cinco) anos, surgiram mais de 161.000(cento e sessenta e um mil) "estabelecimentos comerciais virtuais", o que seleva ao pensamento de que no presente ano, este crescimento venha a serestimado no mínimo na ordem de 100%.O que vale dizer, o "w.w.w." passou a ter um papel de fundamentalimportância, na prática de atos de natureza mercantil, decorrentes dostradicionais conceitos insculpidos nos Códigos Comerciais dos diferentespaíses.Contudo, essa tecnologia de informação destinada a incrementar o gráu deeficiência, e, por consequência fomentar assim a prática das relações decomércio dentro de um "ambiente virtual", superando as fronteiras territoriais,acaba por esbarrar em uma série de questionamentos de ordem jurídica, queainda causam preocupações para todos aqueles que estão acostumados afreqüentar o mundo do "world wide web".Assim, dada a extensão e complexidade do tema, voltaremos com a segundaparte do presente trabalho, para tratar dos problemas mais freqüentes nasrelações comerciais praticadas no âmbito da rede, bem como da tendênciauniformização da legislação relativa ao e-commerce, vez que a linguagem da
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