653
Código Penal
Art. 328
■
Tentativa:
Admite-se.
■
Confronto:
Se o agente apenas simula a qualidade de funcionário, ou usa uniforme
ou distintivo, arts. 45 e 46 da LCP.
Vide,
também,
Exercício funcional ilegalmenteantecipado ou prolongado,
art. 324 do CP.
■
Pena:
Detenção, de três meses a dois anos, e multa.
■
Ação penal:
Pública incondicionada.
Figura qua//fi-
■
Noção:
Se o agente, ao usurpar a função pública
(vide
comentário ao art. 327 do
cada (parágra-
CP),
aufere
(efetivamente)
vantagem
(
material ou moral).
fo único)
■
Pena:
Reclusão, de dois a cinco anos, e multa.
Jurisprudência
■
Objeto jurídico:
A objetividade jurídica é o interesse na normalidade funcional,
probidade, prestígio, incolumidade e decoro no serviço público (TJSP, RT507/358).
■
Sujeito ativo:
É necessário que o sujeito ativo seja um particular (TACrSP,
mv—
RJDTACr
14/206).
Contra:
o funcionário público, fora de sua função, pode ser agentedeste delito (TJSP, RT533/317; TACrSP,
mv—RT637/277).
■
Ânimo de usurpar:
O delito do art. 328 não se configura sem o ânimo de usurpar
(STJ, RHC 2.356-2,
DJU
17.12.92, p. 24256,
in
RBCCr
1/228), como no caso de
escrevente que interroga o réu em lugar do juiz (TJSP,
RF
277/276). A simplesirregularidade do exercício da função pública não se equipara à usurpação dela;
era caso de vereadores que ocuparam a mesa da Câmara, embora fosse questio-
nada a regularidade da eleição (TACrSP,
Julgados
71/128). Não comete o crime a
esposa, juíza de uma Junta, que substitui o marido, juiz de outra, em audiênciastrabalhistas desta, sem provimento específico (TRF da 5
á
R.,
RT
725/680). Nãopratica o delito escrevente juramentado em Cartório de Registro de Imóveis que,
embora em local diverso do cartório, emite simples protocolos de entrega de
documentos para registro no balcão (TJSC, RT749/742).
■
Tipo subjetivo:
O elemento subjetivo é a consciência de que se age sem direito
(TJSP, RT490/283). Se o exercício decorreu de boa-fé e não de dolo, fica descarac-
terizada a figura do art. 328 (TJMG, RT757/618).
■
Função inexistente:
É mister que o agente se faça passar por exercente de função
que realmente exista e pratique atos a ela pertinentes, o que não é o caso de quem
se intitula "polícia secreta" ou "detetive", em Estados onde inexistem tais cargos
(TJPR,
RT
568/317; TACrSP,
RT
401 /309).
■
Contratação irregular:
A contratação irregular não caracteriza o crime, que
somente se configura se o sujeito ativo investe-se e pratica ofício público de forma
indevida, arbitrária, sem título legítimo (TJSP, RT779/549).
■
"Despachante policial":
Sendo mero intermediário entre os particulares e os
órgãos públicos, exerce atividade eminentemente privada, razão pela qual o agenteque pratica irregularmente tal profissão não comete o delito deste art. 328 (TACrSP,
RJDTACr
27/91-2).
■
Guarda municipal:
Não cometem o delito agentes da Guarda Civil Municipal que,
com fundada suspeita de ocorrência de crime, efetuam prisão em flagrante, pois
agem como se fossem qualquer do povo; ademais, estando o delito inscrito no
capítulo dos crimes praticados por particular contra a administração em geral, não
se tipifica quando os agentes são funcionários da administração, salvo se agirem
na qualidade de particular (TACrSP, RT791/634).
■
Ato de ofício:
Inexiste usurpação de função pública na ação de quem, intitulan-
do-se delegado de polícia, pratica violência ou ludibria pessoas
(FRANCESCHINI,
Jurisprudência,
1976, v. IV, n° 6.708;
contra,
em caso de estelionato: TJSP,
mv — RT
541/369).
■
Competência:
Se a função pública usurpada é federal, o processo e julgamento
compete à Justiça Federal (TFR, Ap. 5.866,
DJU
18.6.87, p. 12259).