que lhe é imposto a si e ao aluno; o professor tem que dar as aulas,simultaneamente, a quase trinta alunos e avaliar, cumprindoescrupulosamente os regulamentos, as circulares, os decretos-lei, osdecretos-regulamentares, as circulares e as recomendações… Tem horáriorígido e
n
turmas de
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alunos todos distintos. Este modo formal de ensinar,imposto ao professor, torna o ensino heterónomo; quer dizer, o saber éimposto ou proposto de fora ao aluno e isto provoca-lhe desinteresse pelosaber e, muitas vezes, aversão à escola. Por muito brilhante e sedutor queseja o discurso do professor, por mais variados que sejam os recursos e astécnicas, o aluno vê isso como uma maçada que se traduz numa totalindiferença e insucesso
.7º Há alguma verdade neste pressuposto. Todavia não é o conhecimento e ahabilidade pedagógicas que vão resolver o problema pelas razões jáapresentadas. Aliás, os cursos de formação em Pedagogia, em técnicas demotivação e noutras estratégias e técnicas pedagógicas não têm surtidoqualquer efeito visível no ensino português. Muitos colegas professoresacharam tais cursos uma pura perda de tempo porque “não aprenderamnada de novo” ou aquilo que aprenderam “não lhes serve de nada” ouporque a orgânica formal e burocrática da escola os impede de aplicar ouporque a sobrecarga de trabalho burocrático, de turmas e de alunos porturma lhes impossibilita fazer a experiência. Das técnicas experimentadasem situação ideal de laboratório até ao exercício prático na sala de aulanuma escola concreta vai uma distância abismal.8º Este pressuposto parte do princípio de que o professor é comparável aum trabalhador do sector produtivo e, por isso, se situa como que numalinha de produção taylorista em que tem que desenvolver uma sequênciaprecisa de movimentos e técnicas no sentido de transformar o objecto emfabricação. É evidente que este pressuposto está errado. Não só os alunosnão são objectos inertes, mas sujeitos activos com personalidade e vontadepróprias, mas também o acto de ajudar alguém a aprender, ainda por cimacom pessoas distintas, não pode ser formatado naquilo que seconvencionou ser uma sequência de «boas práticas», nem medido ouquantificado como sucede no fim de uma linha de produção. Ensinar, oumelhor, ajudar alguém a aprender, não é o mesmo que “encher chouriços”ou “coser sapatos”. Por outro lado, quando alguém faz aquilo de que gosta etem prazer na ajuda da descoberta e da aprendizagem, não precisa de servigiado para produzir um bom trabalho desde que os destinatários tenhaminteresse em aprender e saber cada vez mais…9º Sendo o ensino e a aprendizagem um processo auto-organizativo
, elenão deve ser dirigido e super-regulamentado de fora: tem que existir um
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“Cette contreproductivité est celle du système éducatif qui détruit la curiosité, la volonté etla capacité d’apprendre par soi-même”... Jean-Pierre Dupuy e Jean Robert,
La trahison del’opulence
, PUF, Paris, 1976, p. 63.
2
Clara Costa Oliveira,
Educação como processo auto-organizativo – Fundamentos teóricos para uma educação permanente e comunitária
, Ed. Instituto Piaget, Lisboa, 1999, pp. 30/1.
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