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Reflexão _ Porque não me olhas

Reflexão _ Porque não me olhas

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Reflexão _ Porque não olhas
Reflexão _ Porque não olhas

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06/16/2009

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Um destes dias o João Pedro, um sem-abrigo em Coimbra, veio a nossa casa pedir algo para comer. Já era noite. Convidámo-lo a entrar e perguntamos-lhe o que desejava jantar. Admirado pela questão disse que queria apenas aquilo que tivéssemos preparado.Insistimos que ele nos dissesse aquilo que tinha vontade de comer, visto que de facto, nãotínhamos nada previsto. A sorrir disse: “umas costeletas com batatas fritas caíam mesmo bem!”. Óptimo, disse-mos nós, e convidámo-lo a vir preparar o jantar connosco. Foineste clima que ele partilhou connosco a sua vida de sem-abrigo. Entre as muitas liçõesda sua vida retive a frase: “O que mais me custa é quando alguém não me olha, me evitaou me condena pelo seu olhar. Porque me olhas assim? Apetece-me muitas vezes perguntar… Sou pessoa como tu, mesmo vivendo na rua”.
Porque não me olhas?
 Não olhar, não querer ver, ou passar ao lado é a atitude mais fácil diante doincómodo que pode ser um sem-abrigo, um drogado, um imigrante… De consciência“tranquila” continuo o meu caminho. Recuso-me olhar para o lado. Os que estão à beirado caminho não têm nada para dar e o melhor é não parar, assim nem arrisco mequestionar.Esta atitude recordou-me um dos conselhos de Tobite a seu filho “Nunca afastes dealgum pobre o teu olhar, e nunca se afastará de ti o olhar de Deus” (Tb 4, 7). O pobre,seja ele o meu vizinho, ou aquele que vive algures em Africa, na Asia, na America, ounos suburbios de uma grande cidade, é o preferido de Deus. Talvez não tenha nada parame dar, mas no seu olhar posso-me encontrar comigo, com Deus e com o próximo.Porque não me olhas? Talvez porque o meu olhar me pode denunciar, mas “Ninguém étão rico que não tenha mais nada a receber, nem tão pobre que não tenha nada para dar”.Porque não me olhas? Questão que eu sinto particularmente pertinente em relaçãoaos países do Sul. Desde que cheguei do Congo que posso contar as vezes que ouvi falar dos problemas que vivem os povos africanos. Os nossos olhos só vêm o que algunsescolhem para vermos. Porque não interessam aos olhos da comunicação social osmilhões de pessoas que vivem no limiar da pobreza? Nascem, lutam diariamente pelo“pão nosso de cada dia”, morrem… no silêncio. E quando temos a coragem de olhar,como olhamos?
“Porque me olhas assim?”
O nosso olhar é o espelho do que nos vai no coração. Pelo nosso olhar podemosacolher ou rejeitar aqueles que se cruzam connosco. Quando temos a coragem de olhar não corramos o risco de julgar, seria melhor não parar. Mais do que uma esmola o pobreespera ser olhado como um irmão. As feridas de um passado atribulado, da solidão, daexclusão são profundas e não temos o direito de, continuamente, as metermos aodescoberto com o nosso “triste” olhar.Porque me olhas assim? Tem vontade de dizer o João Pedro e tantos milhões de pessoas que só são, tantas vezes, dignas de um olhar, quando é para julgar ou salientar o“espectáculo” dos seus dramas quotidianos.Porque me olhas assim? Esta expressão pode igualmente ter um sentido positivo.Quantas pessoas pelo seu olhar, pela sua proximidade, pela a sua atenção deixam aqueleque sofre sem palavras e mesmo embaraçados concluem: não tenho nada para te dar. É o

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