Para sempre. Aqui estou. É uma tarde de Verão, está quente. Tardede Agosto. Olho-a em volta, na sufocação do calor, na posse final domeu destino. E uma comoção abrupta - sê calmo. Na aprendizagemserena do silêncio. Nada mais terás que aprender? Nada mais. Tu, e avida que em ti foi acontecendo. E a que foi acontecendo aos outros - é aHistória que se diz? abro a porta do quintal. É um portãodesconjuntado, as dobradiças a despegarem-se. Há muito tempo já queaqui não vinhas. Sandra era da cidade, gostava da capital, detestava avida da aldeia. Lá ficou. Abro a porta devagar, ela range para o espaçodo jardim. É um jardim morto, as plantas secas, os canteiros arrasadosnas pedras que os limitavam. Alguns têm só terra ou hastes secas deroseiras. Vejo-as do portão, o carro à entrada a trabalhar. Depois meto-ona garagem, que é um barracão ao lado da casa. Um silêncio súbito,silêncio da terra. Só vozes ermas dos campos, ouço-as no calor paradoda tarde. Reparo agora melhor no pequeno jardim. Uma selva bravia.As plantas selvagens irromperam de todo o lado, aos cantos dos muros,à volta, junto à casa. Há algumas armações de madeira ainda, jáapodrecidas, suspensas de arames, sem flores. Olho-o um instante, olhoa casa, circunvago o olhar. Preparar o futuro - o futuro... E uma súbitaternura não sei porquê. Silêncio. Até ao oculto da tua comoção. Prepararo futuro, preparação para a morte. Está certo. Parte-se carregado decoisas, elas vão-se perdendo pelo caminho. Se ao menos uma breveideia. Não tenho. Não é bem a vida que faz falta só aquilo que a fazviver. Trago o carro para dentro, vou metê-lo na garagem. O carroacelera na tarde quente, a areia da alameda range., Paro, desligo omotor, um silêncio mais desértico. E um pequeno susto insinuado àscoisas. São três malas apenas, virá o resto depois. Tomo duas, subo o
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