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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA
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a
Quinzena de Maio de 2009Ano XXIX - No. 1062 Modesto, California$1.50 / $40.00 Anual
São Jorge reconheceBatista Vieira e Tributo
 ARTE
Já nem nos lembramos qual foi a ultima vezque houve teatro na nossa Comunidade. Jáfoi há tanto tempo.Vimos outro dia uma foto de 1986 de uma peça de teatro, onde estava Cunha de Olivei-ra, Antonieta, Luciano Cardoso, Inês Eiras,Hélio Paiva. Outros tempos.Com tantos bons actores que temos na nos-sa comunidade (basta vê-los nos Bailinhosde Carnaval) podia-se e bem fazer um bomgrupo de teatro a nível de toda a California.Quem dá o primeiro passo?
Que é feito do nossoTeatro?
portuguesetribune@sbcglobal.net • www.portuguesetribune.com • www.tribunaportuguesa.com
Extraordinária foto de Jackson Nichols, fotógrafo
 freelance,
em Gustine2008. Jackson vai publicar um livro de fotos sobre as Festas.
A Câmara Municipal das Velas, São Jorge, nodia do seu padroeiro a 23 de Abril, atribuíuMedalhas de Prata a Batista Vieira e ao Con- junto Musical Tributo, pelo grande contributoque ambos têm dado ao desenvolvimento so-cial e cultural do Municipio das Velas.Parabéns a todos.
As Capas mais lindas do Mundo!
SATA reduz $400.00
na viagem de 8 de Junho
RECONHECIMENTO
Convenção Especial em Junho vai decidir
 
União da IDES, SES,UPEC e UPPEC
O Conselho Supremo da Irmandade do Espírito Santo doEstado da California (I.D.E.S), Conselho Supremo da So-ciedade do Espírito Santo do Estado da California (S.E.S.),Conselho Supremo da União Portuguesa do Estado daCalifornia (U.P.E.C.) e o Conselho Supremo da UniãoProtectora do Estado da California (U.P.P.E.C.) resolveramunir-se, tomando o nome de PORTUGUESE FRATER- NAL SOCIETY OF AMERICA. Nos dias 20 e 21 de Junho vai haver uma Convenção Es-
 pecial para a aprovação ocial da união.
Tudo leva a crer que esta convenção dará o seu apoio aesta união de fraternais.
Como resposta à pouca auência de viajantes para os
Açores, devido à crise económica, a SATA resolveu re-duzir em $400.00 dólares o preço da passagem do dia 8de Junho, com regresso a 29 do mesmo mês. A passagemida e volta custará $850.00 mais taxas.Ver anúncio na página 23.
 
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1 de Maio de 2009
SEGUNDA PÁGINA
Year XXIX, Number 1062, May 1, 2009
 
SATA mais barata...
A
s páginas das Festas do Espirito Santo e nãosó, e que são elaboradas com muito traba-lho pela Irmandade do Espirito Santo IDES,ocupam cinco páginas do nosso jornal. Rece- bemos muitos telefonemas por causa desta lista. Já agoravou-vos pedir um favor. Façam sentir aos responsáveisdas vossas festas, que forneçam todas as informaçõesdas festas no principo do ano, para assim a IDES po-der atempadamente publicar as mesmas quer na internetquer através do Tribuna. Não se esqueçam disso. Infe-lizmente muitas organizações não compreendem o be-
necio desta lista.
A
SATA baixou os preços na viagem de 8 deJunho com regresso a 29 do mesmo mês, em$400.00 dólares por pessoa. Decisão acertadae queremos crer que em outras datas poderáacontecer a mesma coisa. A crise económica mundialobriga a que as companhias aéreas sejam inovadoras, in-teligentes e acompanhem os desejos dos seus clientes.Esperemos que a SATA possa responder bem à nossacomunidade.
D
evemos sentir-nos bem, quando um dos nos-sos é reconhecido na sua terra natal. Infeliz-mente a RTP Açores deu a noticia tão apres-sadamente que só conseguimos reconhecer os cabelos brancos de Batista Vieira em menos de 5 se-gundos, mas logo a seguir a mesma RTP Açores (desca-radamente) gastou quase 4 minutos a falar no jogo SantaClara-Boavista. Critérios que não se compreendem. Àatenção do nosso amigo Pedro Bicudo..Obrigado RTP Açores pelo mau servico que prestaste. Jáestamos acostumados. Noticiários assim nem no tempo do Chico Baeta. jose avila
EDITORIAL
F
ez esta semana seisanos que nos mu-dámos para Mo-desto. Parece quefoi ontem, mas já vimosModesto crescer substan-cialmente, temos maisnetos, muitos mais amigose estamos mais velhos. OTribuna evoluíu imenso
no seu aspecto gráco ede colaboradores, enm,
foram seis anos de muitascoisas boas.É normal quando uma pessoa se muda que ascongregações religiosaste batam a porta a ofere-cerem os seus préstimos.Aconteceu-nos em Milpi-tas e em San José.Também sucedeu o mesmoem Modesto.A cena era interessante derecordar. Batiam à porta eao abrir as pessoas diziamdonde vinham. Educada-mente eu dizia mais oumenos isto: “Olhe, eu vou-lhes fazer uma perguntamuito simples. Se respon-derem sim, os senhores podem expor as suas ideiase nós conversaremos otempo que for preciso, seresponderam não, a con-versa acabará aqui. Está bem? Perguntava eu? Simsenhor, respondiam eles.Muito bem, a pergunta éesta - “a mulher na vossacongregação religiosa temos mesmos direitos que ohomem? Pode a mulher ascender aos cargos que oshomens ascendem?” Não, diziam eles. En-tão despedíamo-nos e euconvidava-os a regressar quando a Igreja ou a reli-gião deles tivesse a mulher no mesmo pedestal quetem o homem.Isto aconteceu talvez umaduzia de vezes. Infeliz-mente nunca mais me ba-teram a porta. É pena, nãoé?Já agora lembro o artigo 1da Declaração Universaldos Direitos do Homem:
“Todos os seres humanosnascem livres e iguais emdignidade e em direitos.Dotados de razão e deconsciência, devem agiruns para com os outrosem espírito de fraterni-dade.”
E
stava a pensar dar um nome a estanossa conversa.Levei algum tem- po a pensar que título éque haveria de dar. E entãouma luz apareceu no fun-do do tunel. Lembrei-mede um nome de uma coisaque eu adoro e que não émuito comum em todas asnossas Ilhas. Desde peque-no que sou um apaixonado por esse produto e quando
vou às Ilhas co um bom
 bocado a olhar para ele,a parti-lo e a cheirá-lo.Chama-se simplesmentePERREXIL, ou como éconhecido noutras terraso Funcho do Mar. Até háuma cidade no Brasil comeste nome.Perrexil em curtume é algode fabuloso, para acom- panhar pratos de peixe ederivados. Uma maravi-lha da terra. Na Graciosahavia muito perrexil, maslembro-me que a primeiravez que fui à Boca do In-ferno, no Guincho, Sintra
em 1960, quei pasmado
com a abundância do per-rexil. Enchi dois sacos de plástico e ofereci-os aosmeus tios que viviam emQueluz. Eles nunca tinham
visto daquilo e caram
também viciados.O ano passado em con-versa com uma senhora,numa das nossas festas,ela dizia-me que tinha umcanteiro cheio de perrexil.Eu prometi-lhe ir visitá-la, mas perdi o contacto eagora peço-lhe que me te-lefone, pois eu irei alegree prazenteiramente a suacasa encher um saco plas-tico para curtir. O Perrexilé uma planta endémicada Macaronésia e EuropaOcidental.Se nunca experimentaramnão sabem o que estão a perder.
E
sta cena passou-se em Tracy nu-ma tarde de toiroshá anos. No in-tervalo passei por um gru- po de homens, todos eles já bastante idosos, onde sediscutia acaloradamente a primeira parte da corrida.“Uma autêntica miséria,Isto está cada vez pior,Estas Corridas de Praçanão prestam para nada, OsToiros parecem bezerros”.
Enm, era tal a sinfonia de
 palavras dignas de registo.Um dos mais velhos, nun-ca disse nada e quando odisse, falou assim: “Ó seustoleirões. Vocês algumavez viram toiros de Praçana nossa terra?”“T’ás doido ou quê, eramvinte escudos, eu não ostinha para o gastar, res- ponderam todos quase emuníssono”. Voltem lá paraa segunda parte e apren-dam a ver toiros.. seus ba-nanas.E a segunda parte come-çou 15 minutos atrasada.
Crónicas do Perrexil
J. B. Castro Avila
O teste da portae o Dia da Mãe
 
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COLABORAÇÃO
P
or razões a que até o próprio diabo não tem amínima expectativa deacesso ou possível com- preensão, aparentemente conti-nua acesa nos Açores a contro-vérsia àcerca da legitimidade emiçar nos quartéis locais a bandeirarepresentativa da Região Autóno-ma dos Açores. Não é minha intenção destacar  pormenores ou apontar nomesda oposição, incluindo militaresde alta patente e comando. Igual-mente, não tenciono memoriar o que aconteceu com as bandei-ras ao tempo do governo de MotaAmaral. De preferência, atrevo-me a narrar uma caricata situa-ção que, aqui há anos na Califór-nia, se criou à volta de bandeirasexpostas na frontaria dum restau-rante pertencente a um açoriano.Franklin de Oliveira, presen-temente aposentado, quandoera proprietário do restaurante“Captain’s Cove”, situado emCannery Row, cidade de Monte-rey, teve de comparecer na Câ-
mara Municipal a m de explicar e justicar a presença de três ban
-deiras (americana, portuguesa eaçoriana), em frente do edifício.A esse respeito, na minha coluna“Pois é, c’más coisas é”, publiqueia mini-paródia que ora passo atranscrever do (já extinto) jornal“Portugal-USA”, edição de 10 deDezembro, 1986. O título, fácilde adivinhar, foi precisamente “AGuerra das Bandeiras”.
“Estava eu na minha ocina de
trabalho rindo-me a bandeirasdespregadas com as últimas al-voradas àcerca das brigas das bandeiras entre generais e ilhéus,quando alvoraçado me entra
 p’la porta dentro o meu alhado
Francisco das Olivas. Este rapaz, por sinal muito esperto, trata-mesempre por Godfather (padrinho),ainda mesmo antes de abrir o seu popular e concorrido restaurante“Angra do Capitão”, onde se bebe bem e come-se melhor.Pelos vistos, um disfarçado ge-neral, com medalhas pregadas nocu das calças, fora inaculado p’rafazer inspecção ao comércio e in-dústria, localizados na Avenidadas Canarías, na cidade de Latade Sardinhas, imortalizada pelolaureado John Steinbeck, autor das novelas Cannery Row e Tor-
tilla Flat. O despacho ocial não
se fez esperar: “Você tem de re-tirar imediatamente as bandeirasem frente ao restaurante”.
Tudo isto porque o meu rico a
-lhado, que se preza de ser simul-taneamente um grande patriotae um bon vivant, tem três ban-deiras a adornar a entrada do seumui atractivo estabelecimento decomes-e-bebes. Ora estas ban-deiras (a americana, a portugue-sa e a açoriana), que de há muitose desfraldam, garridas e catitas,marcando uma autêntica presença poliglótica nessa zona turística,foram consideradas uma afrontaà supina soberania dos escalõesmilitares.
Mas o meu alhado (benza-te,
Deus) não arredou pé, nem tão pouco se acobardou perante aameaça do general. E tal qual onosso compatriota Zé dos Cocosripostou: “Antes morrer empan-turrados que em paz desconsola-dos”.Claro, o general perdeu as estri- beiras e foi às nuvens. E num ar-
roto de intensidade sismográca,
cheirando a vinha d’alhos, gritoua plenos pulmões:“Tu vais mas é p’ró xelindró”.Imperturbável, o Francisco dasOlivas retorquiu: “Ó seu pedaçod’asno, se pretende spika inglês,diga City Hall e não xelindró”.E, sem mais delongas, o meu
alhado dirigiu-se à Assembleia
dos Cravos, onde disparou o ulti-mato: “As minhas bandeiras con-tinuarão hasteadas pois que,além de serem símbolos polifór-micos, elas representam a Liber-dade Yankee, o Império Alfa-cinha e a Autonomia Regional. Nestas bandeiras estão espelha-das a hamburger, a caldeirada ea alcatra. O mesmo não se podeaplicar àqueloutras bandeirolas
no m da Avenida das Canarías,
em frente ao Balneário das Lon-tras (Aquarium)”.Aparentemente, a simples men-ção do recém-inaugurado bal-neário avolumou-se em trunfo e bisca, pois que rumores de nepo-tismo, favorecendo aquela novaatracção turística e aquática, es-tavam já a escoar e a escorrer  p’la cidade Lata de Sardinhas.Tanto assim que os membros daAssembleia dos Cravos, numadecisão peremptória e inabalá-vel, receando o reaparecimentofantasmagórico de Steinbeck,concordaram polifonicamente na
resolução ocial de que as três
 bandeiras, içadas à entrada dorestaurante Angra do Capitão,eram parte integral do patrimó-nio local.P’ra selar este voto de tamanhamagnitude, comercial e indus-trial, foi adicionada uma propos-ta de lei p’ra que a próxima reu-nião da assembleia tenha lugar na
Casa de Pasto do meu alhado, a
quem eu já aconselhei que ofe-reça como repasto gastronómi-co umas apetitosas e suculentasSopas do Espírito Santo e PolvoGuisado com canjirões de vinhoverde.O restaurante “Captain’s Cove”abriu em 1974 e fechou em 1999. Na lista de cocktails, confeccio-nados pelo Franklin, destacava-se PORRA TONTA, preparado à base de rum, licor de maracujá esumo de ananás.Da “Sapateia Açoriana”, de Vi-torino Nemésio, este par de qua-dras:Bandeira do Espírito SantoPosta de sangue coalhado,Com borlinhas como em mantoP’ra príncipe encantado. No dia de ajustar contas,Se as dos bodos não chegarem,Teremos bandeiras prontas,P’ràs torres que nos restarem.
A Guerra das Bandeiras
Tribuna da Saudade
Ferreira Moreno
of 00

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