O negro no futebol brasileiro
Os times não aceitavam jogadores negros no início da história do futebol no Brasil. Os atletasdriblavam a proibição alisando o cabelo e cobrindo o rosto com pó-de-arroz para se passarem por brancos.Um dos exemplos mais famosos desta prática é o jogador do Fluminense Carlos Alberto. Durante uma partida de seu clube contra o América, pelo Campeonato Carioca de 1914, a maquiagem que usava começoua escorrer, revelando sua verdadeira cor. A torcida adversária não perdoou e lhe atribuiu o apelido de Pó-de-Arroz.Esta atitude de preconceito da torcida que ocorreu em 1914 ainda ocorre em diversos lugares atualmente.
O técnico do Zenit, Dick Advocaat, declarou que é impossível o clube russo, finalista da Copa daUefa, contratar um jogador negro. De acordo com o treinador holandês, os torcedores não gostariam de ver um negro com a camisa do time.
O negro como treinador de futebol
Em especial queremos analisar o preconceito contra os treinadores dos clubes. Poucos são os que sedestacam neste cenário. No clássico “O negro no futebol brasileiro”, de 1947, o jornalista Mario Filho contacomo os jogadores negros praticamente reinventaram o jeito de jogar futebol no Brasil, influenciado em seus primórdios por ingleses e aristocratas. A contribuição do negro dentro de campo, porém, não se estendeu paracargos de comando, nem mesmo o de simples treinadores. O flagrante é tão atual que a Série A doCampeonato Brasileiro de 2005 começou sem nenhum técnico negro — Andrade comandou o Flamengointerinamente no lugar do contratado Celso Roth. Na Série B, existiam três técnicos negros.Em meio à eclosão de manifestações de racismo contra jogadores no mundo inteiro, o sociólogo daUniversidade de Viçosa (MG) Jairo Vieira levou para a sua tese de doutorado
a suspeita de que existe um preconceito “à brasileira” no futebol. Um dos seus enfoques é de que o negro só é usado no futebol brasileiro para fazer esforço físico, porém ele não deveria ser visto desta forma, pois apresenta a mesma capacidadeintelectual que qualquer outra pessoa de qualquer raça, emprestando seu inegável talento nos campos. Masraras são as passagens de técnicos negros por clubes de ponta e, muito menos, de dirigentes.A pesquisa Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e suas AçõesAfirmativas, realizada pelo Instituto Ethos em 2001, comprova a informação de que a maioria dos negros nãoocupa cargos de direção no comércio, por exemplo. Ela mostra que é quase inexistente a presença de negrosem cargos de chefia, gerência e entre executivos. Nessas empresas, os negros aparecem em cargos dediretoria em percentual que se aproxima do zero: 1,98%.O ex-jogador Sócrates afirma que no Brasil os treinadores são escolhidos de forma aleatória, em quenão há meritocracia. Assim, a discriminação na hora da escolha é maior. Ele ressaltou ainda que o negro noBrasil tem menos acesso à educação. —
E isso já o prejudica na disputa por um lugar no mercado detrabalho —
afirmou o ex-jogador.Zico, que nunca teve um técnico negro, acha que não há perseguição contra a cor na hora da escolhade um treinador. Mas acredita que deve ser levado em conta o pouco acesso do negro à instrução. —
Alguns podem não se sentir preparados para comandar
— disse o treinador.
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Origem
: http://esportes.terra.com.br/futebol/europeu2007/interna/0,,OI2884914-EI9969,00.html acesso em 25 de maio de2008.2VIEIRA, Jairo.
Zagueiro raçudo, sim; técnico estrategista, não
; Universidade de Viçosa
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