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Carta do Mov. Psicanálise Autismo e Saúde Pública MPASP à presidente Dilma Rousseff

Carta do Mov. Psicanálise Autismo e Saúde Pública MPASP à presidente Dilma Rousseff

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Carta do Movimento Psicanálise Autismo e Saúde Pública à Presidente Dilma Rousseff solicitando o veto ao Projeto do Ato Médico
Carta do Movimento Psicanálise Autismo e Saúde Pública à Presidente Dilma Rousseff solicitando o veto ao Projeto do Ato Médico

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Published by: Psicossomática Instituto Sedes Sapientiae on Jun 25, 2013
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21 de junho de 2013
Excelentíssima Senhora Presidenta da República,
Nós, do Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública, integrantes de uma porção significativa de profissionais (psiquiatras, psicólogos, médicos pediatras,neurologistas, psicanalistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos) que trabalham no campo da saúde mental inseridos emdiversas instituições clínicas e acadêmicas disseminadas pelo Brasil:
Viemos nos dirigir respeitosamente à Senhora Presidenta Dilma Rousseff parasolicitar seu veto ao (PLS) 268/2002 correntemente apelidado de “Ato Médico” eque no dia de anteontem completará seu processo de aprovação peloCongresso Nacional, razão pela qual passa a estar sob sua consideração.
 As razões que nos movem para efetuar esse pedido são as seguintes:
O projeto em questão se fundamenta em um conceito de doença fartamentesuperado pela ciência contemporânea tornando anacrônicas todas as suasproposições de regulamentação de exercício profissional. Sua aprovação nãosomente implica em retrocesso no campo conceitual como resultará numasignificativa redução da capacidade operacional de todo o sistema de saúdepública e privada.Tornando os atos de ‘diagnóstico de doença’ (que nesse projeto de lei ficoudenominado “diagnóstico nosológico”), ‘indicação terapêutica’, ‘chefia deserviços médicos’, ‘prescrição de internação e alta’, “privativos” (sic) de umaúnica classe de agentes de saúde – os médicos – deixa-se inabilitados para taisefeitos todos os outros agentes de saúde que, atualmente, constituem aexpressiva maioria dos prestadores desses serviços, especialmente na área desaúde mental. Tal prevalência assim proposta da classe médica inevitavelmentevirá a gerar uma escassez artificial e também uma tendência ao reducionismoorganicista por força da formação profissional específica e da posiçãoprivilegiada que o médico viria a ocupar nos pontos-chave da condução de todoe qualquer processo vinculado à saúde, incluso o mental.No que tange ao conceito que serve de referência para tais determinaçõesprecisamos considerar que hoje em dia “doença” não designa apenas asafecções exclusivamente orgânicas, mas uma série de anomalias que vão doorgânico ao psíquico onde – especialmente no que se refere à saúde mental – a
 
 solução de continuidade cede seu lugar à complexidade causal e evolutiva.Sendo por isso a inclinação contemporânea – quando prevalece o critériocientífico e não o corporativo – a responsabilidade interdisciplinar tanto no quese refere ao diagnóstico quanto às indicações terapêuticas e a direção de suacura. Por isso cabe afirmar que esse projeto de lei caminha na direção oposta aoque atualmente a ciência recomenda.Tudo o que tem se avançado nos últimos 120 anos nas técnicas de reabilitaçãoe nos atendimentos de transtornos específicos, e que tem levado aespecificações diagnósticas e a indicações terapêuticas precisas que em muitoexcedem o que a medicina e a formação de qualquer médico conseguiriaabranger, fica completamente ignorado pelo texto desse projeto de lei. Avastidão de conhecimentos acumulados sobre a saúde humana torna absurda apretensão de que todo seu saber e todo seu exercício fiquem sob a condução deuma única classe profissional. A questão do ensino profissional é um capítulo à parte: propõe-se que o ensinode disciplinas médicas é privativo de médicos tanto na graduação quanto napós-graduação. Isso quer dizer que matéria médica somente será ensinada por médicos ou que matéria médica somente será ensinada àqueles que virão a ser médicos? Será que um médico não precisa ter algumas noções de psicologia?E, no caso de uma resposta afirmativa, quem seria o profissional apropriadopara ensinar tal matéria? Dúvida que surge porque na concepção dessa quaselei toda doença, incluso mental, é prevalentemente orgânica, única justificativapara que todas elas estejam sob comando médico. Dúvida em acréscimo: quemseria aquele que ensinaria as articulações entre o neurológico e o psíquico(atualmente inseparáveis)? Será, por outro lado, que ficaria dentro da lei ensinar matéria médica (Estrutura do Sistema Nervoso Central, Genética e Epigenética,sistema hormonal, diagnóstico diferencial) na carreira de psicologia? A ciência contemporânea não admite reduções que desarticulem mente-corposimplificando artificialmente a complexidade própria do fenômeno humano. Oque torna estranho que se pretenda reduzir a margem de seguridade de umatendimento de saúde pertinente para toda a população, já que tal seria oresultado da legitimação jurídica de uma exclusividade nos atos, diagnóstico,prescrição terapêutica, condução institucional, e ensino de temas vinculados àsaúde. Resultado inevitável de uma prática que se dirige, nesse caso, a romper a igualdade de responsabilidade profissional perante o paciente, com osconsequentes empecilhos para um verdadeiro e imprescindível trabalho emequipe.Respeitosamente,Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública/MPASP
 
 
Instituições participantes do Movimento Psicanálise,Autismo e Saúde Pública – MPASP
Universidades
FEUSPFMUSPGrupo de estudo sobre a criança (e sua linguagem) na clínica psicanalítica -GECLIPS/UFUMGIPUSPPUC /RJPsicologia PUC /USPFono PUC/SPUERJUFBA - Ambulatório Infanto-Juvenil da Residência em Psicologia Clínica eSaúde Mental do Hospital Juliano Moreira/UFBA-SESABUFMG Laboratório de Estudos Clínicos da PUC MinasUFPEUFRJUFSMUnBUnesp BauruUNICAMPUniversidade Católica de BrasíliaSetor de Saúde Mental do Departamento de Pediatria da UNIFESPCentro de Referência da Infância e da Adolescência - CRIA/UNIFESPDERDIC/PUCSPFaculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG)UNIFOR
Instituições de Psicanálise
 ALEPH - Escola de Psicanálise Associação Psicanalítica de Curitiba- APCCirculo Psicanalítico MG – CPMGCírculo Psicanalítico de Pernambuco – CPPEBP/SP (Escola Brasileira de Psicanálise)EBP/MG (Escola Brasileira de Psicanálise)EBP/RJ (Escola Brasileira de Psicanálise)Escola Letra FreudianaEspaço Moebus/BALaço AnalíticoEscola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano - Brasil (EPFCL-Brasil)

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