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Química
História e evoluçãoIntrodução:
O desenvolvimento da química, mais talvez do que o dasoutras ciências, teve caráter profundamente experimental: durantecentenas de anos acumularam-se conhecimentos empíricos sobre ocomportamento das substâncias, tentando-se organizar todas essasinformações num corpo doutrinário. Todavia, só a partir do séc. XIXquando a soma de conhecimentos se tornou ampla e abrangente, foipossível estabelecer um vínculo teórico para a interpretação dos fatose criar uma verdadeira teoria química.
Os conhecimentos experimentais:
o desenvolvimento material dacivilização, tanto no oriente, como no ocidente, foi acompanhado dodesenvolvimento de procedimentos de natureza química paraobteão de subsncias ou para sua purificação. Processo dedestilação, de fermentação, de redução e de extração são conhecidosda civilização do norte da África, do Oriente médio, da China e daÍndia. O fato químico, porém, talvez devido à própria complexidade,não era objeto de investigação, tal como ocorreu com o fato físico, oque o impediu, todavia, a formão de respeivel corpo deconhecimentos práticos.A metalurgia do cobre (e do estanho, do ouro, da prata) era bemconhecida, como também a do ferro. A técnica de fabricação do vidroe de sua coloração era razoavelmente dominada. Sabia-se falsificar aaparência de um metal para fazê-lo passar por nobre; utilizavam-sesoluções de polissulfetos, obtidas a partir de enxofre e carbonato.Esses conhecimentos passam aos árabes e retornam à Europa,por volta do séc.XIV. O século XVI encontra, então, sólido terreno paradesenvolver uma química cnica apurada, com procedimentos emétodos bastante semelhantes aos atuais. Aparece a preocupaçãoquantitativa, e os praticantes ( farmacêuticos, metalurgista emineralogistas ) começam a ponderar as substâncias reagentes. Abalança instala-se na química, para se tornar instrumento decisivo deinvestigação aprofundada de relações.A análise de uma obra capital na história da química da idéia desua prática no século XVI. Em 1556 surge, aparentemente depois demais de vinte anos de preparação, o livro de Georg Bauer (1494-1555), conhecido pelo nome latinizado de Georgis Agricola -
De ReMetallica -
manual prático de metalúrgica e química, cuja popularidadenão arrefeceu durante mais de um século. É surpreendente a soma deinformações nele contidas. Ao lado d indicações sobre a técnica deexploração de minas ( levantamento das jazidas, cortes no terreno,escavação de galerias, esgotamento de água, sustentação do terreno,
 
transporte do minério), Agricola dá informações e receitas, detalhadase precisas, sobre os processos de obtenção de metais.Descreve a metalúrgica do chumbo, do bismuto, do ferro, docobalto, do cobre, do ouro, da prata, do estanho, do mercúrio, doantimônio. A obtenção do enxofre, do óxido de arsênio. A obtençãoe/ou do uso de grande mero de compostos e ligas: alúmen,álgamas, ácido trico, bronze, lao, óxidos de chumbo, ácidosulfúrico, cloreto de dio, cloreto de amônio, vinagre e etc. Oextraordinário no livro - a refletir certamente evolução técnica cultural- são as objetidade e a precisão das descrições, feitas com o intuito deserem úteis e funcionais aos funciorios aos usrios. o sediscutem, e é isso outro traço característico da obra, nem teorias ehipóteses da constituições das substâncias.Sobre essa sólida base, continua a evolução do conhecimentocientífico das substâncias, no século XVII. É especialmente notável oaumento das informações sobre as propriedades terapêuticas dassubsncias, desenvolvido (a meio de especulões teóricasnebulosas) pelos iatroquímicos. São, à época, os farmacêuticos osativos pesquisadores da química, secundados pelos médicos; não aainda a profissão de químico. Dessa época data o conhecimentopreciso do ácido sulfúrico e do acido clorídrico.O alemão Johann Rudolf Glauber (1603 ou 1604 - 1668 ou 1670)faz do sulfato de dio quase de uma pacia (ahoje é eleconhecido como sal de Glauber). O.séc. XVIII é época de vigorosodesenvolvimento do conhecimento empírico. O número de metaisconhecidos com segurança amplia a listagem agrícola: platina, níquel,manganês, moblidênio, telúrio, ,tungstênio, cromo. São identificadosos óxidos de zircônio, de estrôncio, de titânio, de ítrio, mas não seisolam os metais.A descoberta da cnica de manipulação de gases permiteidentificar o dióxido de carbono, o nidrogênio (ar metico) e ohidrogênio (ar inflamável). Joseph Priestlay (1733-1804)aumenta osconjuntos dos gases conhecidos, numa sequência de experiênciasmemoráveis; indentifica o óxido de nítrico, o dióxido de enxofre, o gásclorídrico, o amoníaco e finalmente o oxigênio ( ar desflogisticado, arígneo, de Sheele).Não é demais realçar o extraordinário feito técnico daidentificão de um s. Ao lado das limitões naturais dosequipamentos disponíveis, concorria para tornar mais difícil a questãoo fato de não dispor de teoria coerente para a interpretação dosfenômenos químicos. Po isso mesmo, no final do século. XVIII, tornou-se indispensável formulação desse tipo, que viria coroar a evolução dopensamento teórico que acompanhará o amealhar do conhecimentoexperimental.As formulações teóricas da química até o séc. XVIII. Adiversidade das modificações das substâncias - aparente na variedade
 
ampla de propriedades, formas e comportamentos - constituiu sempreum motivo básico para a procura de uma teoria unificadora, capaz deinterpretá-la coerentemente. OP pensamento teórico químico (mesmoquando não explicitado como tal) teve sempre essa preocupação.A princípio, naturalmente, a interpretação só poderia ser feitapor via racional, consoante o desenvolvimento histórico dopensamento humano. Foi o que fez, por exemplo, Aristóteles, no séc.IV a.C., com os seus quatro elementos ( aguá, fogo, terra, e ar) emque estavam asa qualidades elementares - frio, quente, seco e úmido- combinadas aos pares. As propriedades das substâncias decorriamde variações do grau dessas elementares, da modificações das suasproporções. A unificão teórica era completa e as idéias deAristóteles, sob uma forma ou outra, mantiveram sua integridadeessencial até o séc. XVIII.Daí surgiu a alquimia, o apenas como cura especulaçãointelectual, mas como conseqüência de uma forma racional dopensamento, embora o factual. Para o químico moderno é aalquimia obscura, nebulosa e verossímio. Talvez o seja, nos seusaspectos esotéricos; mas como forma de pensar em química, comotentativa de elaboração teórica, é coerente com uma filosofia e,portanto, não lhe falta substentação intelectiva.O alquimista vem do artesão, que tentava purificar, transformar,alterar subsncias e se guiava pela existência das qualidadeselementares. Então, para conseguir modificações essenciais ( hoje sediriam estruturais ) era necessário levar a subsncia à formaprimeira, mas indiferenciado, para depois imprimir-lhe, medianteadições apropriadas, as qualidades desejadas. Daí as receitas comprolongadas calcinaçòes, com destilações repetidas dezenas de vezes,com extrações sucessivas, com o que se visava a obter, sob formapura, isenta de imperfeições, a essência das substâncias.Assim se desenvolveram escolas de alquimia em Alexandria, emBizâncio, no mundo árabe. A sistematização da alquimia no Islã - Aolado do seu envolvimento no pensamento místico - foi importante porsua ocasião de sua transmissão aos países europeus. Organizaram-seas teorias da constituição das substâncias, partindo da teoria deAristóteles, segundo a qual as qualidades podiam ser exteriores ouinteriores. Seria possível modificar uma subsncia se as suasqualidades interiores fossem exteriorizadas, o que se conseguiamediante um elixir. As qualidades elementares eram materiais quepodiam ser manipulados, desde que houvesse um veículo apropriado.As substâncias eram classificadas segundo as suas propriedades:espíritos (voláteis), metais (fusíveis), corpos (pulverizáveis).A evolão do conhecimento levou à formulão da teoriadualista da constituição das substâncias ( enxofre-mercúrio) e àpossibilidade teórica da transmutão das subsncias, que setraduziu em vigoroso esforço experimental. Quando a alquimia retorna
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