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Por uma imagetica feminista de mulheres_Lina Arruda

Por uma imagetica feminista de mulheres_Lina Arruda

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Published by Fabricia Jordão
Texto desenvolvido para o ciclo de debates Arte Estado: possíveis relações entre o sistema das artes e as políticas culturais no período da ditadura civil militar brasileira.

Projeto contemplado no edital Conexão Artes Visuais 2012 Funarte/MinC/Petrobras

Texto debatido na mesa-redonda: arte, ditadura e feminismo no dia 27/06/2013 no Centro Cultural São Paulo.
Texto desenvolvido para o ciclo de debates Arte Estado: possíveis relações entre o sistema das artes e as políticas culturais no período da ditadura civil militar brasileira.

Projeto contemplado no edital Conexão Artes Visuais 2012 Funarte/MinC/Petrobras

Texto debatido na mesa-redonda: arte, ditadura e feminismo no dia 27/06/2013 no Centro Cultural São Paulo.

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Categories:Types, Speeches
Published by: Fabricia Jordão on Jun 28, 2013
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Por uma imagética feminista de mulheres
1. Introdução à crítica feminista da representação
A produção de diversas artistas norte-americanas das décadas de 1970 e 1980 foiorientada pelo questionamento das identidades e estereótipos fixos que designam a categoria‘mulheres’ e determinam os papéis sociais dos sujeitos por ela apreendidos. Com esse propósito, muitas práticas artísticas voltaram-se crítica e enfaticamente à representaçãomediática de mulheres
1
e, consequentemente, aos códigos dos processos representativosoperantes. Essa manifestação pode ser interpretada como resposta tanto à representaçãoinsatisfatória, explicitadas na imagética dominante (
mass media
) e no imaginário artístico(nus femininos, ideal de beleza etc.), como à não-representação das mulheres, ou seja, à suaausência. No contexto de emersão de noções feministas nas artes visuais
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, pode-se dizer que arepresentação insatisfatória das mulheres resultou na promoção de desconstruções das atuaisordens de significados, enquanto a não-representação formalizou uma tentativa de se criar espaços para a produção de discursos das mulheres. Ambas foram responsáveis pelosurgimento da crítica feminista das políticas de representação, que era pautada pelanecessidade de se repensar a representação das mulheres, atribuindo-lhe um enfoquefeminista. Identifica-se, então, a origem de uma conscientização em torno da possibilidade detransformação da forma como são discutidas, supridas, evocadas, referidas e representadas asmulheres nos discursos e na imagética dominante.
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Optou-se, para essa pesquisa, pelo uso do termo ‘mulher’ pela facilidade cognitiva inerente à terminologia.Entretanto, tendo em vista que “nomear é ao mesmo tempo estabelecer uma barreira e também inculcar repetidamente a norma” (Butler, 1993, p. 8), frisa-se que tal emprego não pretende pressupor identidadesestáveis e que a necessidade de se problematizar a naturalização do significado do termo é devidamentereconhecida. Portanto, é imperativo reiterar que, nesse trabalho, a palavra ‘mulher’ referencia os corpos biopoliticamente assinalados como mulher.
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Optou-se, em determinados momentos, pelo uso do termo “arte feminista”. É imprescindível pontuar que talemprego não faz referência a um conjunto coerente de proposições artísticas: é, mais bem, relativo às distintas práticas que tangem temáticas feministas, salvaguardando a multiplicidade de seus suportes, linguagens econteúdos.
 
2A questão da não-representação diz respeito à presença das mulheres. Além dosesforços para se efetuar uma representação imagética adequada no campo artístico, público ecultural, a crítica feminista da representação concerne à asseguração da presença das mulheresna esfera política e pública, na historiografia, historia literária, crítica de arte etc. Esse temafoi introduzido no campo das artes visuais por Linda Nochlin (com o pioneiro artigointitulado
Why have there been no great women artists?)
e posteriormente trabalhado por Griselda Pollock. Muitas autoras passaram a questionar como se daria a inclusão de mulheresartistas na história da arte e se dedicaram à exposição e desconstrução das assimetrias degênero que perpetuam, até os dias de hoje, as dificuldades de acesso de mulheres artistas aossistemas (mercado, docência, historiografia, crítica etc.) da arte.Simultânea e complementarmente aos referidos questionamentos acerca da não-representação, elaborou-se uma resposta à questão da representação insatisfatória, a qual seconfigurou, na prática artística, majoritariamente como uma incisão crítica nas imagenshegemônicas das mulheres.Acerca desse tema, Teresa de Lauretis identifica a contestação dos códigos e símbolosexplicitados por essas imagens como força motriz da crítica feminista da representação, a qual
começou com o agudo desgosto das espectadoras ante a grande maioria de filmes, e sedesenvolveu a partir dele. Não havia nenhum outro discurso público anterior onde se pudesse rastrear a questão do sentimento de desgosto ante a ‘imagem’ da mulher (e asconseqüentes dificuldades dessa identificação).
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 Nesse contexto, as imagens da mídia e das artes visuais que apresentavamrepresentações de mulheres ou símbolos de feminilidade se tornaram alvos de críticas que problematizavam os rumos e efeitos da construção e manutenção de identidades. Afinal, essessão os principais meios de produção e circulação de imagens responsáveis pela propagação daobjetificação das mulheres e de sua subordinação simbólica, e contribuem, através dadisseminação de representações estereotipadas norteadas por valores misóginos, com a perpetuação das assimetrias de gênero.O cenário apresentado evidencia que uma incisão crítica na representação imagéticadas mulheres fez-se necessária e qualificou-se como recurso fortuito para artistas que, guiadasou não por uma agenda feminista, buscavam desestabilizar a noção cultural hegemônica da
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DE LAURETIS. 1984. p. 95. A tradução desse trecho, bem como de todas as citações posteriores dessa autorae das demais utilizadas na pesquisa, são de minha autoria.
 
3categoria “mulheres”. Tais circunstâncias revelam o motivo pelo qual algumas práticasartísticas orientadas por um ethos feminista lideraram um retorno à representação, à figuraçãoe, mais precisamente, uma revisitação às imagens das mulheres.Pode-se dizer que o referido retorno se configura como uma revisão crítica darepresentação, caracterizada por Craig Owens como “uma tentativa de se usar a representaçãocontra si mesma para desafiar sua autoridade, sua declaração de posse de alguma verdade ouvalor epistemológico.”
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Ou seja, o retorno à representação, influenciado pela crítica feminista,não incorreu uma produção de novos códigos representativos ou estabeleceu uma represália proibitiva que censurou ou reprimiu o imaginário hegemônico
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. Pelo contrário, conformeargumentado nessa pesquisa, algumas artistas como Barbara Kruger, Martha Rosler, LaurieSimmons e Cindy Sherman se apropriaram da representação midiática (seus suportes, técnicase estética) e
Trabalha[ram] para expor as imagens como instrumentos de poder. Não somenteinvestiga[ram] as mensagens ideológicas codificadas nas imagens, mas, e maisimportante, investiga[ram] as estratégias e táticas através das quais tais imagensasseguram seu status autoritário na nossa cultura. [...] Através da apropriação,manipulação e paródia, essas/esses artistas trabalha[ram] para tornar visíveis osinvisíveis mecanismos por meio dos quais essas imagens asseguram sua transparência putativa.
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É importante mencionar que o referido retorno à representação se beneficiou ecolaborou para o declínio de alguns conceitos artísticos tradicionais, como o da originalidade.A legitimação do valor e da integridade da obra de arte deixava, a partir daquele contexto, deestar vinculada à inovação técnico-estilística e a noção estanque da “aura da obra de arte”,supostamente alcançada através do olhar e da mão do artista, passava a ser questionada pelas possibilidades de reprodutibilidade facilitadas pelos meios técnicos.
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OWENS, 1992, p. 88.
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Os fatores expostos induziram a hipóteses sobre a possibilidade de se alcançar uma representação adequada dasmulheres, o que pressupôs a idealização de termos gráficos e fotográficos capazes de evocar retóricas e símbolosfeministas. Nesse contexto identifica-se o surgimento do debate sobre a necessidade de se conceber umarepresentação nova e alternativa para as mulheres, o qual será analisado mais adiante.
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OWENS, 1992, p. 111.

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