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Resquícios da ditadura em uma arte (im)pensável_Rosa Blanca

Resquícios da ditadura em uma arte (im)pensável_Rosa Blanca

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Published by Fabricia Jordão
Texto desenvolvido para o ciclo de debates Arte Estado: possíveis relações entre o sistema das artes e as políticas culturais no período da ditadura civil militar brasileira.

Projeto contemplado no edital Conexão Artes Visuais 2012 Funarte/MinC/Petrobras

Texto debatido na mesa-redonda: arte, ditadura e feminismo no dia 27/06/2013 no Centro Cultural São Paulo
Texto desenvolvido para o ciclo de debates Arte Estado: possíveis relações entre o sistema das artes e as políticas culturais no período da ditadura civil militar brasileira.

Projeto contemplado no edital Conexão Artes Visuais 2012 Funarte/MinC/Petrobras

Texto debatido na mesa-redonda: arte, ditadura e feminismo no dia 27/06/2013 no Centro Cultural São Paulo

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Categories:Types, Speeches
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Resquícios da ditadura em uma arte (im)pensável
Rosa Maria Blanca
Introdução
Primeiramente, desejaria localizar meu escrito como um pensamento permeadopor sua própria realidade situada à margem da história brasileira pretendida.Escrevo, como artista mexicana que chega ao Brasil, no final do século XX. Comoalguém que não viveu a ditadura, mas que provém de um país, o México, que sevê, paradoxalmente, beneficiado com o exílio de artistas e intelectuais das Américas, durante a década de sessenta, setenta e oitenta. Nesses termos,considero o México como um país privilegiado. Não só tem aberto suas portas aexiliados e exiliadas da América do Sul e Centro-América,como também, aintelectuais que tem fugido do franquismo do Estado espanhol, no século XX. Asuniversidades mexicanas têm sido afortunadas, absurdamente, por terem dentrodo seu corpo docente e de pesquisa, intelectuais perseguidos/as pelos regimesautoritários e totalitários.Na época das ditaduras, no México, foi aberto centros culturais onde circularammúsicas e músicos, poetas e artistas que tem lutaram por defender utopiasinterrompidas nas Américas. A arte mexicana está tingida por essas coresreflexivas. Com certeza, a minha experiência nesses ecos do exílio, tem marcadoa mim e a outros artistas mexicanos/as.No acontecimento das ditaduras, se entreveem outros fatos como o movimentofeminista e o pós-modernismo. Quando terminam as ditaduras, o estigma do AIDStambém se faz presente na arte e tanto na cultura do México e quanto na domundo. A minha entrada na arte contemporânea se dá, precisamente, pelosatravessamentos que me produz a morte de artistas próximos e o controle daprodução das subjetividades, do corpo e da sexualidade, através da violência,tanto física, quanto midiática. Estou me referindo aos motivos que me levam aproduzir trabalhos artísticos como
Sexo seguro / safe sex
(1996).No fim da década de oitenta e princípios da de noventa, decepcionada pelo rumocultural do México, empreendo uma viagem pelas Europas.
 
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Por diferentes circunstâncias pessoais e profissionais, desembarco no Brasil, em1996. Entro pelo aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para finalmente,aterrissar em Porto Alegre, desejando dar continuidade ao meu projeto artístico. A dureza e o rigor com que se trata a arte contemporânea, no Sul, disciplinamminha pesquisa. Realizo a dissertação de mestrado que leva por título:
 A crise daidentidade nacional no território mediado
. Anos depois, a diferença entre aspreocupações de uma arte global que se depara com problemas identitários,econômicos, políticos, dicotômicos, com os estudos pós-coloniais, com ainterculturalidade, as migrações e a dissolução / reafirmação das fronteiras e, aspreocupações formalistas de uma arte progressista brasileira, me forçam a tomar uma decisão. É quando transfiro meu local de trabalho para Florianópolis eescolho problematizar categorias identitárias, (re)articulando-me com uma cenatransnacional.Os estudos de gênero e feminismo dentro de um programa de pós-graduaçãointerdisciplinar abrem a porta, através de uma orientadora antropóloga e umafilósofa, para minha pesquisa, contaminada por essas preocupações nadabrasileiras e nem puristas. São preocupações com o político, o racial, o ambíguo,o pós-conquista, o afetivo e o identitário.Em constante deslocamento em uma ilha como Florianópolis, tenho observado agrande distância que existe entre a pesquisa acadêmica artística brasileira e asartes em globalização. Na falta de subsídios para poder abordar meu objeto deestudo antidisciplinar recorro à transdisciplinaridade. Assim, posso dar inicio a este escrito, percebendo que em muitos casos na arte enão somente na arte brasileira, a
ideia de “criação” ou “processo criativo”
leva a justificar a produção artística como um processo espontâneo e onde, se evidenciaa ausência de um pensamento crítico que não se posiciona nem política, nemhistórica e nem culturalmente. Nesse sentido, penso que a arte brasileira atualainda arrasta uma ditadura (1964
 –
1985), inserida no projeto de modernidadelatino-americana, como um contexto ainda não resolvido no sua história recente.
 
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Consequentemente, sugeriria que a arte brasileira fez e faz parte de um contextomais amplo projetado pela ciência moderna ocidental, tendo à ditadura como umaetapa no seu avanço lineal e normativo.Na discussão a seguir, articulo algumas relações que se produzem entre arte eciência, no Brasil. O objetivo é mostrar que a ditadura civil e militar como contextoainda não resolvido na história recente da arte e da cultura brasileira, faz parte deuma dimensão mais ampla. Uma dimensão que oclui instâncias de produção deconhecimento que afetam determinadas condições de possibilidade de artebrasileira. Quais as expressões de subjetividades que estão sendo construídas eprojetadas na arte? Quais os desfechos e desenlaces em devir na arte? Essassão questões que extrapolam os objetivos deste escrito. Apenas, gostaria detrazer a debate algumas percepções, a partir de perspectivas queer. Proponho asperspectivas queer como ações
de queerizar, apontar reiterações e tautologias,narrativas que ocultam a construtividade nas implicações da ciência moderna noque se refere à reprodução da normatividade em relação tanto à cidadania,sexualidade e racialização, como a convenções artísticas, estéticas, sociais,
étnicas e culturais” (Blanca 2011, 63).
 
 A discussão
 Ainda, vivemos o impasse da ciência moderna na arte brasileira, em um contextoneoliberal.
O regime militar “impôs regras no âmbito da ciência e do seu uso, quenesse período passa a ser mais controlada, mantida e orientada pelo Estado”
 (Maia 2012). A arte tem o papel de acelerar a integração do Brasil na economiamundial. Existe uma importância da pesquisa ligada a noções como
“desenvolvimento”, durante a ditadura.
 Esse projeto de modernidade racional e científico encontra, na arte brasileira,propostas que se manifestam sem nenhum tipo de oposição aparente, mas quetransitam de forma latente. A tensão tem se intensificado a partir do momento emque a ditadura civil e militar instaura um sistema das artes para filtrar este tipo depropostas direcionando as preocupações artísticas rumo a um campo formalista.Como caso concreto é possível citar a expulsão de Hélio Oiticica do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1965, junto com cidadãos moradores de

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