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ENTRE RÓTULOS E POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O DEBATE AS RECENTES MANIFESTAÇÕES NAS RUAS DO BRASIL

ENTRE RÓTULOS E POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O DEBATE AS RECENTES MANIFESTAÇÕES NAS RUAS DO BRASIL

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Published by: Sérgio Botton Barcellos on Jun 28, 2013
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06/28/2013

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ENTRE RÓTULOS E POSSÍVEIS QUESTÕES PARA O DEBATE: AS RECENTESMANIFESTAÇÕES NAS RUAS DO BRASIL
Sérgio Botton Barcellos No Brasil nas últimas semanas pudemos observar e participar de um conjunto demanifestações por diversas localidades do Brasil e por um conjunto de pautas, dentre elas a questãodo aumento da tarifa do transporte público e as condições precárias de mobilidade urbana, que podem ser consideradas um dos estopins imediatos das últimas manifestações. Dentre váriasmanifestações acirrando os ânimos e provocando os manifestantes, que levaram os protestos a setransformar em uma revolta popular, foram as contínuas ações violentas da Polícia Militar.Uns dizem que o Brasil, o gigante, ou sei lá quem acordou. Outros meio estupefatos, poisnão conseguem entender o que está acontecendo. Muitos outros estão participando dasmanifestações reivindicando mudanças pontuais e até transformações sociais. Basta, recorrer aoslivros e notícias cotidianas, para perceber que o  povo já está mobilizado e nas ruas há muito tempo,os movimentos sociais que organizam-se no espaço rural e urbano estão mobilizados e naresistência faz muito tempo, como os Movimentos pelo transporte, Movimento dos atingidos pelosgrandes empreendimentos (Vale do Rio Doce, Belo Monte, etc..) e Copa do Mundo, MovimentosFeministas, Movimento GLBTS, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Movimento dosSem Emprego, Comissões Pastorais, Movimento Estudantil e uma grande variedade de outrosmovimentos.O povo já estava desperto há muito tempo, não talvez em forma de multidão. O mesmo pode-e evidenciar, em relação a violência policial com agentes fardados e a paisana, não énovidade, pois acontece cotidianamente pelas ruas e periferias brasileiras.A multiplicidade de pautas e acontecimentos que estão contidas nas manifestações, além dotransporte público e da Copa do Mundo, não permite ter certeza de uma única interpretação sobrecomo essas mobilizações foram possíveis. Quem achar que consegue captar todas suas dimensões e projeções futuras de imediato, corre um sério risco de ter uma interpretação inapropriada dasdiversas manifestações que estão ocorrendo, para defender hipóteses dedutivas e previamenteelaboradas, para confirmar seus próprios argumentos e responder sozinho suas próprias questões,sem se permitir ao exercício de participação, de refletir e disputar o sentido dessas mobilizações emseu lócus privilegiado, ou seja, nas ruas. Esse texto, busca trazer alguns elementos para o debate etrazer apenas dois, dos muitos pontos de vista disponíveis na rede, para estimular o debate sobre oatual momento.
 
 
Os muitos, dos muitos grupos contidos e alguns sentidos dessas manifestações
Evidencia-se uma ambivalência em nossa cultura política brasileira que ao mesmo tempo emque questiona certas posturas e atitudes nas manifestações, como as atitudes de vandalismo, ou as bandeiras partidárias, ou os
caras pintadas
com a bandeira do Brasil, também sãoretroalimentadas no cotidiano pelas instituições de Estado e grande mídia.Contudo, o conjuntodefatores que levaram esses diversos grupos sociais saírem nas ruas aos milhares,são bastante
 
influentes e se entrelaçam em uma perspectiva democrática e de uma parcela que almejatransformações sociais, como pautar a desigualdade social, ao mesmo tempo com diretrizesconservadoras, autoritárias e ufanistas que se reconfiguram e são apresentadas pela mídia com umrevestimento democratizante
.
Um traço disso, é que conservadores estão determinados a também sair das redes sociais e iàs ruas. Uma das características dessas manifestações, o que não pode ser desconsiderado, é quedepois que a grande mídia comprou as manifestações e isso virou um viral nas redes sociais,muitos/as vestiram
suas “velhas roupas coloridas”
(como diria Belchior) em algum momento nasegunda e quinta passada e resolveram ir às ruas para dar uma rejuvenescida na sua monótona vida pequeno burguesa, uma refrescada em seus preconceitos e reafirmar suas crenças sobre a
nação
.Outra coisa, que observa-se inclusive nos campos políticos que ainda se dizem de esquerda,nem que em performance estética, fazem uma espécie de metadiscurso generalista denominandouma grande parte dos/as participantes das manifestações como fascistas, ou de direita e comoconspiradores de um golpe de Estado. Ora francamente, esse tipo de discurso, despolitiza o debate,tanto, quanto as ações de traços ufanistas e de algeriza as bandeiras partidárias que estão ocorrendonas manifestações.Em suma, rótulos, deduções e a arrogância ao analisar os recentes fatos e manifestação sãofrutos de uma formação política que há tempos não vem sendo feita, ou mesmo, que é realizada demodo protocolar no âmbito dos partidos e em muitas organizações de esquerda. Essas posturas, possivelmente não estão dando e nem darão conta para auxiliar na compreensão dos últimosacontecimentos e manifestações nas ruas. Nos atentemos então em olhar e juntos nas ruas, quemestá lá e por quais motivações está ocupando esse espaço, junto com tantos/as outros/as.Outra evidência dessas manifestações e que chama a atenção é a percepção de um tipo deação conjunta das polícias estaduais no país, seja nos dias de aferrecimento dos combates aosmanifestantes na quinta-feira (20/06)
, quanto no dia de susposta “tregua” como a que ocorreu n
asmanifestações de segunda-feira (17/06). Esse tipo de ação pôde ser observada, tanto na ação
 
 policial, quanto na de possíveis agentes policiais infiltrados nas manifestações promovendo adepredação dos prédios públicos e incitando demais manifestantes a essa ação.Isto apesar deescamoteado,pela opinião pública, mídia e governo, é um fato que também deve ser mais analisado nesse contexto. Por exemplo, ação deagentes policiais infiltrados nas
 
manifestações aparentemente, trata-se de uma prática tradicional da polícia mundo a fora, na qualinfiltra pessoas nos atos promovendo atos de depredação para logo em seguida justificar uma ação policial mais ostensiva e violenta com o intuito de dispersar os manifestantes, ou mesmo, justificar atos de abuso da força policial e fragilizar politicamente as mobilizações perante a opinião pública.Em relação a essas questões e um possível alinhamento de discurso da mídia com o governo,cabe trazer Noam Chomsky em um dos seus escritos, no qual ele abordou asestratégias de
 
manipulação das informações e da mídia,como, por exemplo, a de criação de problemas para
 
depois oferecer soluções
 
e causar certa reação no público a fim de que eles sejam os demandantesdas medidas que os grupos hegemônicos desejam. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou seintensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, ou criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamentodos serviços públicos.Oberva-se dos governos pouca sensibilidade com as pautas das manifestações e com poucoou nenhum compromisso programático com as bandeiras históricas de luta no campo das esquerdasno Brasil. Exemplo disso é o atual governo federal, que diz que ouve os movimentos e asorganizações sociais, mas não escuta (Sim, escutar requer outra atitude e outra sensibilidade!).Os dois últimos governos e o recente governo federal representam uma construção históricae anos de luta de uma significativa parcela da classe trabalhadora no Brasil e estava sendo protagonista em algumas transformações muito bem avaliadas na vida imediata do povo brasileiro,como, por exemplo, as políticas de redistribuição de renda. Contudo, não é por isso que nãodevemos ficar atentos em que medida está se fazendo política para desestabilizar e modificar osaparatos e mecanismos do Estado que historicamente replicam desigualdade e injustiça social noBrasil.Ao não optarmos em pautar o sistema social e econômico desigual e (re) formador de preconceitos de gênero, expressão social, regionais, de raça e etnia, percebe-se que tendemos a criar uma reivindicação aparente por direitos exclusivos e uma indignação de pouco lastro reflexivo nasociedade, seja em um plano abstrato, ou
na realidade concreta, para colocar em “xeque” ideologias
que emergem em meio às formas de dominação que se expressam no atual estágio do capitalismo,mesmo com o verniz (muito mal passado) do respeito e a tolerância a diversidade.

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