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Seis mil anos de história do céu
Cronologia astronômica
Gilberto Henrique Buchmann
 
 Introdução
 Esta cronologia apresenta os principais fatos que, desde os primórdios da civilização até nossos dias, fazem a história da astronomia. Com o intuito de evitar repetições enfadonhase tendo em vista impedir que esta exposição fique demasiado extensa, observa-se sempre ocritério do ineditismo, incluindo-se somente os acontecimentos que trazem novidades econtribuem, efetivamente, para a evolução do pensamento humano no que concerne àciência dos astros. Ficam de fora, por esse critério, os inúmeros objetos celestes (galáxias,estrelas, cometas, asteróides e mesmo exoplanetas) descobertos todos os anos, a não ser que a descoberta signifique algo novo ou, por alguma razão, esteja revestida deimportância especial. Estão excluídos, pelo mesmo motivo, os inumeráveis satéliteslançados nas últimas décadas, exceção feita àqueles cujo papel é relevante. Ademais, considerando-se que a intenção aqui é ressaltar os fatos, não os cientistas, estãoausentes desta cronologia referências diretas às datas de nascimento ou de morte dos pesquisadores. Contudo, sendo essas informações importantes para uma melhor compreensão e contextualização dos acontecimentos apresentados, elas são colocadas, sempre que possível, entre parênteses. Por fim, informamos que esta cronologia continuará sendo constantemente atualizada erevisada, na intenção de torná-la cada vez mais precisa e confiável. Seu máximo objetivo é divulgar a astronomia entre aqueles que apreciam essa ciência.O Autor 
 
c. 4200 a.C. – É criado no Egito, ainda no período pré-dinástico, um calendário lunar  primitivo com 12 meses: 6 com 29 e 6 com 30 dias, totalizando 354 dias. O mês, em média,tem 29,5 dias, uma boa aproximação para o mês sinódico (de Lua nova a Lua nova). Um13º mês é acrescentado a cadatrês, às vezes dois anos, a critério dos sacerdotes eastrônomos, para sincronizar esse calendário com o nascer helíaco de Sirius (Sótis para osegípcios), a mais brilhante estrela noturna. Esse evento, denominado Iniciador do Ano,coincide com a chegada da cheia do rio Nilo, em sincronia com as estações anuais.A necessidade de elaborar calendários deve-se à descoberta da agricultura: é preciso ser capaz de estabelecer o tempo certo para o plantio e a colheita.3761 a.C. (7 de outubro) – Esta é, para os judeus, a data da criação do mundo, sendo ocalendário judaico contado a partir de então, embora tenha sido criado e adotado muitotempo depois, tendo a versão definitiva sido estabelecida no século IV d.C. O ano civil judaico tem de 353 a 355 dias, divididos em 12 meses lunares. Para ajustar esse calendárioao ano solar, intercala-se um mês suplementar nos anos 3º, 6º, 8º, 11º, 14º, 17º e 19º aolongo de 19 anos. Há, assim, um total de 383 a 385 dias, no ano da intercalação.c. 3500 a.C. – São construídos, no Egito e na Mesopotâmia, os primeiros relógios de Sol(Gnomon), feitos, basicamente, de uma haste fincada na vertical, em pedra ou madeira.Assim, de acordo com o comprimento da sombra desta haste, é possível ter uma idéia dotempo.c. 3000 a.C. – Os chineses descobrem o Saros: intervalo de 18 anos, 11 dias e 8 horas, apóso qual a Terra, o Sol e a Lua retornam, aproximadamente, às mesmas posições relativas. Nesse intervalo ocorrem, em média, 43 eclipses solares e 28 lunares.c. 2900 a.C. – É oficializado no Egito um calendário com 365 dias. Mas o ano propriamentetem apenas 12 meses de 30 dias (360 dias) divididos em três quadrimestres correspondentesàs três estações regidas pelo Nilo: Cheia, Plantio e Colheita. No fim do 12º mês, sãoacrescentados cinco dias suplementares que não entram no cômputo oficial dos dias. Esse éum calendário solar, e o mês nele não mantém sincronia com as fases da Lua.Possivelmente 2608 a.C. – O imperador chinês Houng-Ti constrói um observatório paraelaborar um calendário.Possivelmente 2377 a.C. – Sob o império do chinês Yao, o zodíaco (Kyklos zokiakos, dogrego, que significa círculo de animais) é dividido em 28 constelações.2317 a.C. – Primeiro registro conhecido da passagem de um cometa, que se encontra nosanais astronômicos chineses.
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