da ação das agências reguladoras ou na aplicação de investimentos vultosos na formação domercado da água.Destarte, esse é justamente o tipo de mercado que parece contrariar os pressupostos dateoria econômica, apesar do Estado proporcionar legal e financeiramente sua ordenação,seja como gestor de políticas públicas e na implantação de projetos em tecnologias limpaspara o setor, seja através das outorgas (concessões, permissões etc), delegatários agindo emparceria, usuários, representantes da comunidade das bacias (Parlamento das Águas).Entretanto, o que no mercado tradicional, o preço, se constitui como o termometro daspreferências dos consumidores, e o fator importante na equação da valoração econômicados recursos hídricos, nesse caso, se torna mais uma variável do modelo, embora sem odestaque costumeiro dos fundamentos da teoria neclássica:
"Está fora do interesse dos investidores assumir diretamente a responsabilidadepor entregar a água e taxar o consumidor final. Isso porque, em geral, osgovernos subsidiam as tarifas, já que a água é um bem vital. 'O governo precisada água, então pagará qualquer valor para quem a tornar disponível', avaliaTara[1]. 'Porém, a água em si continuará sob controle do governo. Então, o preçoda água em si não é o melhor investimento'.As novas tecnologias devem oferecer ainda bons ganhos para tecnologia queajudem a reduzir o consumo excessivo de algumas áreas da economia. É o casoda agricultura, o campeão setorial, que usa grandes volumes para irrigação. Umexemplo ilustra o desafio: para a produção de um bife de um quilo de carnebovina são necessários 16.000 litros de água,segundo dados do Instituto paraEducação sobre a Água, da Unesco"[2].
Aqui, corre-se o grande risco desse empenho social e do Estado cair na desmoralização, ouaté na grande perda dos frutos oriundos do processo de criação do mercado da água,representado por uma possível corrupção dos princípios originais, ou com a captura dessaestrutura por parte do lobby “privativista” dos grandes capitais, sobretudo sustentados pelosconhecidos fundamentos das leis de mercado de produtos e serviços.O Estado ao criar as agências de água balizadas por regras pré-estabelecidas em critériosda economia de mercado, para o setor, tem buscado há mais de uma década (Política deMeio Ambiente e Política dos Recursos Hídricos) a obtenção de resultados que asseguremseu papel na estruturação do mercado da água, mercado esse, reconhecidamente singulardiante das leis econômicas tradicionais; até então, as Agências de Água não temdemonstrado a eficiência esperada na consecução de seus objetivos: apresentam-sedeficitárias diante da necessidade dos vultosos investimentos exigidos, bem como nocontrole efetivo dos conflitos sócio-ambientais entre os usuários dos recursos hídricos, oque ocorre em função da sua natureza de bem difuso, bem de múltiplo uso, etc.Aparentemente, reconhece-se que o momento é bastante propício para capitaisaventureiros se voltarem para o mercado da água, afinal, ao se criar a experiência de um“mercado misto” da água, isto é, nem privado nem público, sob a égide dos fundamentosdas leis econômicas do mercado privado, e por outro lado tutelado pelo Estado através deleis específicas que dão credibilidade ao seu funcionamento, abriu-se um laboratório para oensaio de algo inovador, sendo operacionalizado sobre princípios claros da preservação
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