No período da grande divisão política em dois blocos colossais, objectivamentecompelidos a colidirem um com o outro, o horror continuou. Os conflitos no TerceiroMundo, o crescimento renovado do totalitarismo não são meros incidentes históricos,assim como tampouco o foi, segundo a "Dialéctica", o fascismo em sua época. Opensamento crítico, que não se detém nem mesmo diante do progresso, exige hoje quese tome partido pelos últimos resíduos de liberdade, pelas tendências ainda existentes auma humanidade real, ainda que pareçam impotentes em face da grande marcha dahistória.O desenvolvimento que diagnosticamos neste livro em direcção à integração total estásuspenso, mas não interrompido; ele ameaça se completar através de ditaduras eguerras. O prognóstico da conversão correlata do esclarecimento no positivismo, o mitodos factos, finalmente a identidade da inteligência e da hostilidade ao espíritoencontraram uma confirmação avassaladora. Nossa concepção da história não presumeestar livre disso, mas, certamente, não está à cata de informações à maneira positivista.Crítica da filosofia que é, não quer abrir mão da filosofia.Retornámos dos Estados Unidos, onde o livro foi escrito, para a Alemanha, na convicçãode que aqui poderemos fazer mais do que em outro lugar, tanto teórica quantopraticamente. Juntamente com Friedrich Pollock, a quem o livro é agora dedicado por seus 75 anos, como já o era por seus 50 anos, reconstruímos o
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com o pensamento de prosseguir a concepção formulada na "Dialéctica". Nodesenvolvimento de nossa teoria e nas experiências comuns que se seguiram, tivemos aajuda, no mais belo sentido, de Gretel Adorno, como já ocorrera por ocasião da primeiraredacção.Quanto às alterações, fomos muito mais parcimoniosos do que o costume na reedição delivros publicados há mais de uma década. Não queríamos retocar o que havíamos escrito,nem mesmo as passagens manifestamente inadequadas. Actualizar todo o texto teriasignificado nada menos do que um novo livro. A ideia de que hoje importa mais conservar a liberdade, ampliá-la e desdobrá-la, em vez de acelerar, ainda que indirectamente, amarcha em direcção ao mundo administrado, é algo que também exprimimos em nossosescritos ulteriores. Contentamo-nos, no essencial, com a correcção de erros tipográficos ecoisas que tais. Semelhante reserva transforma o livro numa documentação; temos aesperança de que seja, ao mesmo tempo, mais do que isso.Frankfurt am Main, abril, 1969.Theodor W. AdornoMax Horkheimer
Prefácio
Quando começámos o trabalho, cujas primeiras provas dedicamos a Friedrich Pollock,tínhamos a esperança de poder apresentar o todo concluído por ocasião de seuquinquagésimo aniversário. Mas quanto mais nos aprofundávamos em nossa tarefa, maisclaramente percebíamos a desproporção entre ela e nossas forças. O que nospropuséramos era, de facto, nada menos do que descobrir por que a humanidade, em vezde entrar em um estado verdadeiramente humano, está se afundando em uma nova
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