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Guia Acadêmico - (Direito Penal - Parte Geral I)

Guia Acadêmico - (Direito Penal - Parte Geral I)

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1. Noções fundamentais:
o fato social é sempre o ponto departida na formação da noção do Direito. O Direito surge dasnecessidades fundamentais das sociedades humanas, quesão reguladas por ele como condição essencial à sua própriasobrevivência. É no Direito que encontramos a segurançadas condições inerentes à vida humana, determinada pelasnor mas que formam a ordem jurídica. O fato social que semostra contrário à norma de direito forja o ilícito jurídico, cujaforma mais séria é o ilícito penal, que atenta contra os bensmais importantes da vida social. Contra a prática desses fatoso Estado estabelece sanções, procurando tornar invioláveisos bens que protege. As idéias modernas sobre a naturezado crime e as suas causas e a exigência prática de uma luta
ecaz contra a criminalidade foram desenvolvendo, ao lado da
velha reação punitiva, uma série de medidas que se dirigemnão a punir o criminoso, mas a promover a sua recuperaçãosocial ou a segregá-lo do meio nos casos de desajustamentoirredutível. São as chamadas medidas de segurança, com oobjetivo de prevenir ou reprimir a ocorrência de fatos lesivosaos bens jurídicos dos cidadãos. A mais severa das sançõesé a pena, estabelecida para o caso de inobservância de umimperativo. Dentre as providências de repressão ou prevençãoencontramos as medidas de segurança.
2. Função de tutela jurídica:
 já dizia Carrara que a função
especíca do Direito Penal é a
tutela jurídica.
Visa o Direito
Penal a proteger os
bens jurídicos. Bem é tudo aquilo que podesatisfazer as necessidades humanas
. Todo
valor reconhecido
pelo Direito torna-se um
bem jurídico.
O Direito Penal visa
proteger os bens jurídicos mais importantes, intervindo somentenos casos de lesão a bens jurídicos reputados fundamentaispara a vida em sociedade, impondo sanções aos sujeitos quepraticam delitos.
3. Defnição:
direito Penal é o conjunto de normas jurídicas queregulam o exercício do poder punitivo do Estado, ligando o deli-to, como pressuposto, à pena, como consequência jurí dica.
4. Características do Direito Penal:
o Direito Penal regula asrelações do indivíduo com a sociedade. Por isso, não per tenceao Direito Privado, mas, sim, ao Público.O Direito Penal regula relações jurídicas em que de um lado
surge o Estado com o
 jus puniendi,
o que lhe confere o caráter 
de Direito Público. Mesmo nos casos em que a ação penal se
movimenta por iniciativa da parte ofendida (crimes de açãoprivada), não se outorga
o jus puniendi 
ao particular. Esteexerce apenas o
 jus persequendi in juditio,
não gozando dodireito de punir o sujeito ativo do crime.
Segundo Magalhães Noronha, o Direito Penal é ciência
cultu-ral
porque pertence à classe das ciências do “dever ser”, enão à do “ser”. É ciência
normativa
porque tem a nalidade
de estudar a
norma
. O objeto da Ciência do Direito Penal é
o conjunto de preceitos legais que se refere à conduta doscidadãos, bem como às consequências jurídicas advindas donão-cumprimento de suas determinações. É também ciência
valorativa
. O direito não empresta às normas o mesmo valor;esse, porém, varia, de conformidade com o fato que lhe dá
conteúdo. Nesse sentido, o Direito valoriza suas normas, quesão dispostas em escala hierárquica. Incumbe ao Direito Pe-
nal, em regra, tutelar os valores mais elevados ou preciosos,ou, querendo, ele atua somente onde há transgressão devalores mais importantes ou fundamentais para a sociedade.E, ainda, ciência
fnalista
, porque atua em defesa da socie-dade na proteção de bens jurídicos fundamentais, como avida humana, a integridade corporal dos cidadãos, a honra,o patrimônio etc. A consciência social eleva esses interesses,tendo em vista o seu valor, à categoria de bens jurídicos que
necessitam de proteção do Direito Penal para a sobrevivênciada ordem jurídica. O Direito Penal é, por m,
sancionador 
,pois, por meio da cominação da sanção, protege outra norma jurídica de natureza extrapenal. Assim, o Direito Civil regula o
direito de propriedade, ao passo que o CP, nos preceitos se
-
cundários das normas que denem os “Crimes contra o Patrimônio”,
comina sanções àqueles que atentam contra a propriedade alheia.
É, pois, o Direito Penal, um conjunto complementar e sancionador 
de normas jurídicas.
5. Conteúdo do Direito Penal:
o conteúdo do Direito Penal abarca
o estudo do crime, da pena e do delinquente, que são os seus
elementos fundamentais, precedidos de uma parte introdutiva. Na
parte introdutória são estudadas a propedêutica jurídico-penal e anorma penal. É tratada da sua aplicação no tempo e no espaço,como também da sua exegese. Acrescentam-se partes referentesà ação penal, punibilidade e medidas de segurança.
1. Legalidade ou da reserva legal:
constitui uma efetiva limitaçãoao poder punitivo estatal. Embora seja hoje um princípio fundamental
do Direito Penal, seu reconhecimento constituiu um longo processo,
com avanços e recuos, não passando, muitas vezes, de simples“fachada formal” de determinados Estados Feuerbach, no iníciodo século XIX, consagrou o princípio da reserva legal por meio dafórmula latina
nullum crimen, nulla poena sine lege.
O princípio dareserva legal é um imperativo que não admite desvios nem exceçõese representa uma conquista da consciência jurídica que obedece aexigências de justiça.Em termos bem esquemáticos, pode-se dizer que,
 pelo princípioda legalidade, a elaboração de normas incriminadoras é funçãoexclusiva da lei, isto é, nenhum fato pode ser considerado crimi-noso e nenhuma pena criminal pode ser aplicada sem que antes
da ocorrência desse fato exista uma lei denindo-o como crime
e cominando-lhe a sanção correspondente.
A lei deve denir com
precisão e de forma cristalina a conduta proibida.A Constituição brasileira de 1988, ao proteger os direitos e garan-tias fundamentais, em seu art. 5º
,
inc. XXXIX, determina que “
não
haverá crime sem lei anterior que o dena, nem pena sem prévia
cominação legal 
”.
2. Intervenção mínima:
o princípio da intervenção mínima, tambémconhecido como “ultima ratio”, orienta e limita o poder incriminador do Estado, preconizando que a criminalização de uma conduta sóse legitima se constituir meio necessário para a proteção de deter-minado bem jurídico
. Se outras formas de sanção ou outros meios
de controle social revelarem-se sucientes para a tutela desse bem,
a sua criminalização é inadequada e não recomendável. Se para o
restabelecimento da ordem jurídica violada forem sucientes medidas
civis ou administrativas, são estas que devem ser empregadas e nãoas de natureza penal.
3. Adequação social:
segundo Welzel, o Direito Penal somen-tetipica condutas que tenham uma certa relevância social;
 
casocontrário, não poderiam ser delitos. Deduz-se, consequentemente,que há condutas que, por sua “adequação social”, não podem ser consideradas criminosas. Em outros termos,
segundo esta teoria,as condutas “socialmente adequadas” não podem constituir delitose, por isso, não se revestem de tipicidade.
4. Insignifcância:
o
 princípio da insignicância
foi cunhado pelaprimeira vez por Claus Roxin em 1964, que voltou a repeti-lo emsua obra
Política Criminal y Sistema dei Derecho Penal,
partindo dovelho adágio latino
minima non curat praetor.
A tipicidade penal exige uma ofensa de alguma gravidade aos bens jurídicos protegidos, pois nem sempre qualquer ofensa a esses bens
ou interesses é suciente para congurar o injusto típico.
Segundoesse princípio, que Klaus Tiedemann chamou de princípio da baga-tela, é imperativa uma efetiva proporcionalidade entre a gravidadeda conduta que se pretende punir e a drasticidade da intervençãoestatal. Amiúde, condutas que se amoldam a determinado tipo penal,
sob o ponto de vista formal, não apresentam nenhuma relevânciamaterial. Nessas circunstâncias, pode-se afastar liminarmente a
tipicidade penal porque em verdade o bem jurídico não chegou a ser lesado.
A
 
irrelevância ou insignicância de determinada conduta deve ser 
aferida não apenas em relação à importância do bem juridicamenteatingido, mas especialmente em relação ao grau de sua intensidade
,
isto é, pela extensão da lesão produzida.
A insignicância da ofensa afasta a tipicidade
.
Mas essa in-signicância só pode ser valorada por meio da consideraçãoglobal da ordem jurídica, como arma Zaffaroni.
5. Fragmentariedade:
signica que o
Direito Penal não deve, por conta desse caráter fragmentário, sancionar todas ascondutas lesivas aos bens jurídicos, mas tão somente aquelascondutas mais graves e mais perigosas praticadas contra bensmais relevantes
.
6. Culpabilidade:
não há pena sem culpabilidade, decorren-do daí três consequências materiais: não há responsabilidadeobjetiva pelo simples resultado; a responsabilidade penal é pelofato e não pelo autor; a culpabilidade é a medida da pena.
7. Humanidade:
o poder punitivo estatal não pode aplicar sanções que atinjam a dignidade da pessoa humana ou quelesionem a constituição físico-psíquica dos condena dos.
8. Irretroatividade da lei penal:
 
durante o período compreen-dido entre a entrada em vigor de uma lei e a cessação de suavigência todos os atos então praticados são por ela regulados.
Não serão alcançados, portanto, os fatos ocorridos antes ou
depois do mencionado período: não retroage tampouco temultratividade. É o princípio “tempus regit actum”
.
Contudo, vigesomente em relação à lei mais severa. Admite-se, no direitointertemporal, a aplicação do princípio da retroatividade da leimais favorável - art. 5º,
 
inc. XL, da CF, pois, segundo esseprincípio, a lei nova que for mais favorável ao réu sempreretroage.
Link Acadêmico 1
1. Fonte é o lugar de onde o direito provém.
2. Classifcação das Fontes
2.1. De produção, material ou substancial:
refere-se aoórgão incumbido de sua elaboração
. Compete à União (CF,art. 22, I).
2.2. Formal, de cognição:
refere-se ao modo pelo qual oDireito Penal se exterioriza
. Subdivide-se em:
imediata:
alei, composta de preceito primário (descrição da conduta) esecundário (sanção);
mediata:
costume, princípios gerais dodireito, jurisprudência e doutrina, LICC, art. 4º.
3. Classifcação da lei penal
a)leis incriminadoras:
são as que descrevem crimes ecominam penas.
b)leis não incriminadoras:
não descrevem crimes, nemcominam penas.
c)leis não incriminadoras permissivas:
tornam lícitas
determinadas condutas tipicadas em leis incriminadoras.
 Exemplo: legítima defesa.
d)
leis não incriminadoras fnais, complementares ou expli-
cativas:
esclarecem o conteúdo de outras normas e delimitam
o âmbito de sua aplicação.
Exemplo: arts. 12, 22 e todos os
demais da Parte Geral do CP, à exceção dos que tratam das
causas de exclusão da ilicitude.
4. Características das normas penaisa)
exclusividade:
só elas denem crimes e cominam penas
;
b)anterioridade:
as que descrevem crimes somente têm inci-dência se já estavam em vigor na data do seu cometimento
;
c)imperatividade:
impõem-se coativamente a todos, sendo
obrigatória sua observância
;
d)generalidade:
têm ecácia erga omnes, dirigindo-se a todos,
inclusive inimputáveis
;
e)
 
impessoalidade:
dirigem-se impessoal e indistintamente atodos. Não se concebe a elaboração de uma norma para punir 
especicamente uma pessoa
.
Introdução
Princípios doDireito PenalLei Penal e Fontesda Norma Penal
DIREITO PENAL -PARTE GERAL I
 
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2
5. Normas penais em branco (cegas ou abertas):
são nor-mas nas quais o preceito secundário (cominação da pena)está completo, permanecendo indeterminado o seu conteúdo
.Trata-se, portanto, de uma norma cuja descrição da condutaestá incompleta, necessitando de complementação por outradisposição legal ou regulamentar.
6. Fontes formais mediatas6.1. Costume:
consiste no complexo de regras não escritas,consideradas juridicamente obrigatórias e seguidas de modoreiterado e uniforme pela coletividade
. Os costumes sãoobedecidos com tamanha frequência que acabam se tornan-do praticamente regras imperativas, ante a sincera convicçãosocial da necessidade de sua observância. Diferente é o hábito,onde inexiste a convicção da obrigatoriedade jurídica do ato.Há três espécies de costume:
a)“contra legem”:
inaplicabilidade da norma jurídica em
 
face
do desuso, da inobservância constante e uniforme da lei 
.
b)“secundum legem”:
traça regras sobre a aplicação dalei penal 
.
c)“praeter legem”:
 preenche
 
lacunas e especica o conteú-
do da norma
.O costume não cria delitos, tampouco comina penas (princípioda reserva legal).
 
O costume
contra legem
não revoga a lei,em face do que dispõe o art. 2º, § 1º, da Lei de Introdução aoCódigo Civil (Dec.-Lei 4.657/42), segundo o qual uma lei sópode ser revogada por outra lei. O sistema jurídico brasileironão admite que possa uma lei perecer pelo desuso, porquanto,assentado no princípio da supremacia da lei escrita (fonteprincipal do direito), sua obrigatoriedade só termina com sua
revogação por outra lei. Noutros termos, signica que não pode
ter existência jurídica o costume
contra legem.
6.2. Princípios gerais do direito:
tratam-se de princípiosque se fundam em premissas éticas extraídas de material legislativo
.
6.3. A analogia
não é fonte formal mediata do Direito Penal,
mas método pelo qual se aplica a fonte formal imediata, istoé, a lei do caso semelhante. De acordo com o art. 4º
 
da LICC,na lacuna do ordenamento jurídico, aplica-se em primeirolugar outra lei (a do caso análogo), por meio da atividadeconhecida como
analogia
; na sua ausência, recorrem-se entãoàs fontes formais mediatas, que são o costume e os princípiosgerais do direito.
1. Formas de procedimento interpretativo:
equidade, dou-trina e jurisprudência.
2. Conceito:
é a atividade que consiste em extrair da norma
 penal seu exato alcance e real signicado
. A
 
interpretação devebuscar a vontade da lei, desconsiderando a de quem a fez. Alei terminada independe de seu passado, importando apenaso que está contido em seus preceitos.
3. Espécies de interpretação quanto ao resultadoa)declarativa:
há perfeita correspondência entre a palavrada lei e a sua vontade
.
b)restritiva:
quando a letra escrita da lei foi além da suavontade (a lei disse mais do que queria, e, por isso, a interpre-
tação vai restringir o seu signicado)
.
c)
extensiva:
a
 
letra escrita da lei cou aquém da sua vontade
(a lei disse menos do que queria, e, por isso, a interpretação
vai ampliar o seu signicado)
.
4. O princípio “in dubio pro reo”:
para alguns, só se aplicano campo da apreciação das provas; para outros, esgotada aatividade interpretativa sem que se tenha conseguido extrair 
o signicado da norma, esta deverá ser interpretada de modo
mais favorável ao acusado.
1. Lei penal no tempo:
o CP adotou a
teoria da atividade
,
considerando-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que seja outro o momento do resultado (art.4º, CP)
. É o princípio “tempus regit actum”.
1.1. Hipóteses de conito de leis penais no tempo:
o Código
Penal procura resolver as situações de conitos temporais que
a lei penal apresenta no seu art 2º:
a)“abolitio criminis”:
a
lei nova deixa de considerar crime fato anteriormente tipi cado
como ilícito penal 
;
b)“novatio legis” incriminadora:
consideracrime fato anteriormente não incriminado
. É irretroativa,consoante rezam os arts. 5º, inc. XXXIX
,
da CF, e 1º, do CP;
c)“novatio legis in pejus”:
 
a lei posterior que de qualquer modo agravar a situação do sujeito não retroagirá
(art. 5º, inc.
 
XL, da CF);
d)“novatio legis in mellius”:
lei nova, mesmosem descriminalizar, dá tratamento mais favorável ao sujeito
(parágrafo único do art. 2º do CP).
2. Leis temporárias:
a vigência vem previamente xada pelo
legislador 
.
3. Leis excepcionais:
são
 
as que vigem durante situações deemergência
.
Link Acadêmico 2
1. Princípios adotados pelo Código Penal:
adotou-se, como regra,o
 princípio da territorialidade temperada
; como exceção, foram ado-tados os seguintes princípios:
real ou de proteção
, art. 7º, I, e par. 3º
do CP;
universal ou cosmopolita,
art. 7º, II,
“a” 
do CP;
nacionalidadeativa,
art. 7º, II,
“b” 
do CP;
nacionalidade passiva,
art. 7º, par. 3º do
CP; e
representação,
art. 7º, II,
“c” 
do CP
.
2. Lugar do crime:
o CP, no que concerne ao
lugar do crime,
adotoua
teoria da ubiquidade:
reputa-se lugar do crime tanto onde houve a
conduta, quanto o local onde se deu o resultado (art. 6º, CP).
3. Extraterritorialidade:
as situações de aplicação extraterritorial
da lei penal brasileira estão previstas no art. 7º do CP e constituem
exceções ao
 princípio geral da territorialidade
, este no art. 5º do CP.
As hipóteses são as seguintes:
3.1. Extraterritorialidade incondicionada:
aplica-se a lei brasileirasem qualquer condicionante (art. 7º, I, CP) na hipóteses de crimes praticados fora do território nacional, ainda que o agente tenha sido julgado no estrangeiro (art. 7º, I, CP)
, com fundamento nos princípiosda defesa e da universalidade
.
Os casos de extraterritorialidade incondicional referem-se a crimes:
contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; contra opatrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado,Território, Município, empresa pública, sociedade de economiamista, autarquia ou fundação instituída pelo poder público; contra aadministração pública, por quem está a seu serviço; de genocídio,
quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil.
3.2. Extraterritorialidade condicionada:
aplica-se a lei brasileiraquando satisfeitos certos requisitos, art. 7º, II e parágrafos 2º e 3º,CP 
, com base nos princípios da universidade, da personalidade, dabandeira e da defesa.As imunidades diplomáticas e parlamentares não estão vinculadasà pessoa-autora de infração penal, mas às funções eventualmentepor ela exercidas, não violando, assim, o preceito constitucional daigualdade de todos perante a lei.A imunidade parlamentar, por não constituir um direito do par-
lamentar, mas do próprio Parlamento, é irrenunciável, de cunho
personalíssimo, podendo ser de duas espécies:
1. Imunidade material ou absoluta:
refere-se à inviolabilidadedos parlamentares no exercício do mandato, por suas palavras evotos
- arts. 53,
caput 
; 27, par. 1º; e 29, VIII, da CF.
2. Imunidade formal, relativa ou processual:
 
refere-se à prisão, ao processo, a prerrogativas de foro
 – arts. 53, par. 4º; e 102, I,
b
, do CF.Ao processo e julgamento – art. 53, parágrafos 1º e 3º, do CF.
O art. 10 do CP determina que o dia do começo inclui-se no cômputo
do prazo. Qualquer que seja a fração do primeiro dia, dia do começo,é computada como um dia inteiro.
1. O conceito clássico de delito:
fundamentava-se num conceitode ação eminentemente naturalístico, que vinculava a conduta aoresultado através do nexo de causalidade e mantinha em partesabsolutamente distintas o aspecto objetivo, representado pelatipicidade e antijuridicidade, e o aspecto subjetivo, representadopela culpabilidade.
2. O conceito neoclássico de delito:
conceito de ação, comconcepção puramente naturalística. O tipo, até então puramentedescritivo de um processo exterior, passou a ser um instituto plenode sentido, convertendo-se em tipo de injusto, contendo, muitasvezes, elementos normativos, e, outras vezes, elementos subjetivos.A antijuridicidade deixou de ser concebida apenas como a simplese lógica contradição da conduta com a norma jurídica, num puroconceito formal, começando-se a trabalhar um conceito material deantijuridicidade, representado pela danosidade social.A culpabilidade também foi objeto de transformações nesta faseteleológica, recebendo de Frank a “reprovabilidade”, pela formaçãoda vontade contrária ao dever.
3. O conceito no fnalismo:
a teoria nal da ação tem o méritode eliminar a injusticável separação dos aspectos objetivos e
subjetivos da ação e do próprio injusto, transformando, assim,o injusto naturalístico em injusto pessoal.
A contribuição mais marcante do nalismo foi a retirada de
todos os elementos subjetivos que integravam a culpabilidade,nascendo, assim, uma concepção puramente normativa.
O nalismo deslocou o dolo e a culpa para o injusto, retirando-
os de sua tradicional localização — a culpabilidade, levando,
dessa forma, a nalidade para o centro do injusto. Concentrou na culpabilidade somente aquelas circunstâncias que condi-
cionam a reprovabilidade da conduta contrária ao Direito, e oobjeto da reprovação situa-se no injusto.
4. Conceito de crime:
dos quatro sistemas de conceituação docrime - formal, material, formal e material, e formal, material esintomático, dois predominam: o formal e o material. O primeiro
apreende o elemento dogmático da conduta qualicada como
crime por uma norma penal. O segundo vai além, lançandoolhar às profundezas das quais o legislador extrai os elementos
que dão conteúdo e razão de ser ao esquema legal.
Sob o aspecto formal, bipartido,
crime é um fato típico e anti- jurídico. A culpabilidade constitui pressuposto da pena
(Capez,Damásio). Sustentam esses que a culpabilidade não pode ser um elemento externo de valoração exercido sobre o autor do
crime e, ao mesmo tempo, estar dentro dele. Não existe crime
culpado, mas autor de crime culpado.
Nosso Código Penal diz:Quando o fato é atípico, não existe crime (art. 1º do CP).
Quando a ilicitude é excluída, não existe crime (art. 23 do
CP) – “não há crime”.
Quando a culpabilidade é excluída, o Código diz “é isento de
pena” (art. 26 do CP).
1. Elementos:
conduta (ação ou omissão); resultado; nexocausal (crimes materiais) e tipicidade.
2. Elementos da conduta:
vontade, nalidade, exteriorização
e consciência.
3. Formas de conduta3.1. Ação:
para o nalismo,
é todo comportamento humano, positivo ou negativo, consciente e voluntário, dirigido a uma
nalidade
, tendo os seguintes momentos: representação men-tal do resultado querido; escolha dos meios para alcançar oresultado; aceitação dos resultados concomitantes, tambémchamados de efeitos colaterais; realização do projeto, ou seja,emprego dos meios escolhidos em busca dos resultados tidoscomo necessários ou prováveis.
3.2. Omissão:
comportamento negativo, abstenção demovimento
.
4. Relevância da omissão:
os crimes podem ser:
4.1. Comissivos:
quando a ação proibida é positiva, ou seja,quando a norma pretende que o sujeito se abstenha de agir deforma lesiva a bens jurídicos:
“não furte” (art. 155 do CP).
4.2. Omissivos:
quando a norma impõe um dever jurídico deagir, ou seja, quando a norma ordena que o sujeito impeça umdeterminado risco ou resultado lesivo ao bem jurídico: socorraa criança extraviada
(art. 135 do CP).
Quanto aos crimes
omissivos
, eles podem ser classicados
em:
4.2.1.Omissivos próprios:
crimes referidos por tipos da parteespecial de forma direta (a omissão é narrada expressamenteno tipo), nos quais há simplesmente o dever jurídico de agir 
.São crimes de mera conduta, pois não contêm previsão de
resultado naturalístico a ser evitado. No instante em que o su-
 jeito não age como o legislador espera e a norma determina, já está consumado o delito (omissão de socorro).
4.2.2.Omissivos impróprios:
também chamados de omissi-vos espúrios, impuros ou comissivos por omissão. Aqueles nosquais a omissão não é narrada de forma direta. São crimes,em princípio, comissivos. Exs.: homicídio e lesão cor  poral,nos quais há previsão da produção de resultado natu ralístico.Percebe-se que, em tais casos, o sujeito não tem sim plesmenteo dever jurídico de agir, mas, sim, o dever jurí dico de agir paraimpedir um resultado.
Podemos dizer que tem o dever de agir para impedir o resultadoo sujeito que assume a posição de “garante” (art. 13, § 2º, CP:
tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância); deoutra forma, assumiu a obrigação de impedir o resultado ou,com seu comportamento anterior, criou o risco da produçãodo resultado.
5. Objeto jurídico do crime:
é o bem jurídico protegido pelanorma penal 
. A vida, o patrimônio, por exemplo.
6. Objeto material do crime:
é a pessoa ou a coisa sobre aqual recai a conduta.
Interpretaçãoda Lei Penal Aplicaçãoda Lei PenalLei Penalem Relação às PessoasContagemde PrazoTeoria Geraldo DelitoFatoTípicoLei Penalno Espaço
 
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3
7. Corpo de delito:
é o conjunto de todos os elementossensíveis do fato criminoso, como instrumentos, objetos, a própria pessoa etc.
8. Do Resultado8.1. Resultado jurídico:
 
é a afronta à norma penal.
8.2. Resultado naturalístico:
é a alteração do mundo físico,diversa da própria conduta, mas causada por ela
. Os crimes,
quanto ao resultado, podem ser classicados em:
8.2.1.Materiais:
o tipo traz a descrição do resultado e o exige para a consumação;
8.2.2.Formais:
 
o tipo traz a descrição do resultado, mas nãoo exige para a consumação. O resultado naturalístico, embora possível, é irrelevante para a consumação do crime
. Como nãohá coincidência entre o que o tipo exige para a consumação(conduta) e o que o agente quer (resultado), também sãochamados de
tipos incongruentes
; poderíamos ainda dizer que no caso dos crimes formais não há perfeita sintonia entrea tipicidade objetiva e a subjetiva;
8.2.3.Mera conduta:
 
o tipo sequer traz descrição de resultado
.
Exs.: arts. 158 e 330, CP.
9. Nexo de Causalidade:
é o liame entre a conduta e o resul-
tado, necessário (mas não suciente) para que se possa atri buir 
a responsabilidade pelo resultado ao agente.
É adotada no Brasil a
teoria da equivalência dos antecedentes
,considerando
causa tudo aquilo que contribui para a geraçãodo resultado
. Para descobrir se um evento é ou não causa de
determinado resultado, basta excluí-lo hipoteticamente da ca-
deia causal e vericar se, idealmente, o resultado persistiria nas
mesmas circunstâncias. Se o resultado persiste, não é causa,pois sem ele o mesmo resultado foi gerado. Se o resultado deixade ocorrer, é causa (critério da eliminação hipotética).O Brasil não adota tal teoria de forma absoluta, havendo umaexceção:
a causa superveniente relativamente indepen-
dente rompe o nexo causal
, ou melhor, entende-se que nasuperveniência de causa relativamente independente não hánexo entre a conduta e o resultado. Assim, quando incide aexceção, uma conduta que pelo critério da eliminação hipo-tética seria considerada causa deixa de ser assim considerada
para ns penais.
As causas podem ser:
9.1. Dependentes:
são aquelas que se encontram na linhade desdobramento previsível e esperada da conduta
. É o quecostuma acontecer.
9.2. Independentes:
são aquelas que não se encontram nalinha de desdobramento previsível e esperada da conduta
.Divididas em:
9.2.1.Relativamente independentes:
quando precisam da as-sociação da conduta para que venham a gerar o resultado.
9.2.2.Absolutamente independentes:
quando não precisamda associação da conduta para que venham a gerar o resulta-do
. Geram o resultado ainda que isoladas.
Se houver causa absolutamente independente, não há nexocausal entre a conduta e o resultado, pois, ainda que a condutavenha a ser eliminada, o resultado permaneceria (aplicação docritério da eliminação hipotética).Cada uma das categorias enumeradas ainda pode ser classi-
cada quanto ao momento em que atua, como: preexistente
(quando anterior à conduta), concomitante (quando coincideno tempo com a conduta) e superveniente (quando posterior à conduta).
10. Imputação objetiva:
surgiu para conter os excessosda teoria da
conditio sine qua non,
evitando-se, com isso,o chamado
regressus ad innitus.
O nexo causal não podeser estabelecido, exclusivamente, de acordo com a relaçãode causa e efeito.Assim, além do elo naturalístico de causa e efeito, são neces-sários os seguintes requisitos:
10.1.
 Criação de um risco proibido e relevante. Ex.: uma mulher leva o marido para passear, esperando que ele venha a sofrer 
um acidente e morrer, o que acaba acontecendo. Passear é
um risco normal, irrelevante;
10.2.
 Que o resultado esteja na mesma linha de desdobramentocausal da conduta, ou seja, dentro do seu âmbito de risco.
Ex.: um tracante vende droga para alguém, que, por impru-
dência, morre por 
overdose
. A morte não pode ser, de formacausal, imputada ao vendedor, por se tratar de uma ação derisco próprio, fora do âmbito normal de perigo provocado pela
ação do tracante;
10.3.
Que o agente atue fora do sentido de proteção danorma.
11. Classifcação dos delitos
11.1. Crime comum:
 pode ser cometido por qualquer pessoa
.A lei não exige nenhum requisito especial. Exemplo: homicídio,furto etc.
11.2. Crime próprio:
só pode ser cometido por determinada pessoa ou categoria de pessoas
, como o infanticídio, no qual
só a mãe pode ser autora (art. 123, CP).
11.3. Crime de mão própria (de atuação pessoal ou deconduta infungível):
só pode ser cometido pelo sujeito em pessoa
,como o delito de falso testemunho (art. 342).
11.4. Crime de dano:
exige uma efetiva lesão ao bem jurídico protegido para a sua consumação
(art. 121, CP).
11.5. Crime de perigo:
 para a consumação, basta a possi bilidadedo dano, ou seja, a exposição do bem a perigo de dano
(art. 132 do
CP). Subdivide-se em:
11.6. Crime material:
só se consuma com a produção do resultadonaturalístico
, como a morte, para o homicídio; a subtração, para ofurto; a destruição, no caso do dano.
11.7. Crime formal:
o tipo não exige a produção do resultado para aconsumação do crime, embora seja possível a sua ocorrência
. Assim,o resultado naturalístico, embora possível, é irrelevante para que ainfração penal seja consumada.
11.8. Crime de mera conduta:
o
 
resultado naturalístico não é apenasirrelevante, mas impossível 
. É
 
o caso do crime de desobediência oude violação de domicílio, em que não existe absolutamente nenhum
resultado que provoque modicação no mundo concreto.
11.9. Crime comissivo:
é o praticado por meio de ação
. Homicídio,por exemplo.
11.10. Crime omissivo:
é o praticado por meio de uma omissão(abstenção de comportamento)
. Exemplo: art. 135 do CP (dei-xar 
de prestar assistência).
11.11. Crime omissivo próprio:
não existe o dever jurídico deagir;
o omitente não responde pelo resultado, mas apenas por sua
conduta omissiva (arts. 135 e 269, do CP). Dentro dessa modalidade
de delito omissivo tem-se o crime de conduta mista, em que o tipo
legal descreve uma fase inicial ativa e uma fase nal omissiva - por exemplo, apropriação de coisa achada, art. 169, parágrafo único, IIdo CP. Trata-se de crime omissivo próprio porque só se consuma
no momento em que o agente deixa de restituir a coisa. A faseinicial da ação, isto é, de apossamento da coisa, não é sequer atoexecutório do crime.
11.12. Crime omissivo impróprio ou espúrio ou comissivo por omissão:
o omitente tinha o dever jurídico de evitar o resultado e, portanto, por este responderá, cf. art. 13, § 2º, do CP 
. É o caso da
mãe que descumpre o dever legal de amamentar o lho, fazendo
com que ele morra de inanição, ou do salva-vidas que, na posiçãode garantidor, deixa, por negligência, o banhista morrer afogado:ambos respondem por homicídio culposo, e não por simplesomissão de socorro.
11.13. Crime doloso:
quando o agente quer ou assume o risco de produzir o resultado
(art. 18, I, CP).
11.14. Crime culposo:
quando o agente dá causa ao resul tado por imprudência, negligência ou imperícia
(art. 18, II, CP).
11.15. Crime instantâneo:
consuma-se em um dado instante, semcontinuidade no tempo
, como, por exemplo, o homicídio.
11.16. Crime permanente:
o momento consumativo se protrai notempo, e o bem jurídico é continuamente agredido
. A sua caracterís-tica reside no fato de a cessação da situação ilícita depender apenas
da vontade do agente. Exemplo: sequestro - art. 148 do CP.
11.17. Crime complexo:
resulta da fusão de dois ou mais tipos penais
(latrocínio = roubo
+
homicídio; estupro qualicado pelo
resultado morte = estupro
+
homicídio; extorsão mediante sequestro =extorsão
+
sequestro etc.). Não constituem crime complexo os delitos
formados por um crime acrescido de elementos que isoladamentesão penalmente indiferentes, por exemplo, o delito de denunciação
caluniosa, CP, art. 339, que é formado pelo crime de calúnia e por 
outros elementos que não constituem crimes.
11.18. Crime monoofensivo e pluriofensivo:monoofensivo
é oque atinge apenas um bem jurídico.
O homicídio, por exemplo, noqual se tutela tão somente a vida;
pluriofensivo
é o que ofendemais de um bem jurídico
, como o latrocínio, que lesa a vida e opatrimônio.
11.19. Crime unissubsistente:
é o que se perfaz com um úni co ato
,
como a injúria verbal. Não admite a tentativa.
11.20. Crime plurissubsistente:
é aquele que exige mais de um ato para sua realização
, como no caso do estelionato - art. 171, CP.
11.21. Crime de ação múltipla ou conteúdo variado:
é aquele emque o tipo penal descreve várias modalidades de realização do crime
 
(tráco de drogas, art. 33 da Lei 11.343/06; instigação, induzimentoou auxilio ao suicídio, art. 122 do CP).
11.22. Crime habitual:
é o composto pela reiteração de atos querevelam um estilo de vida do agente
, p. ex.: ruanismo (art. 230, CP);
exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica (art. 282,
CP). Só se consuma com a habitualidade na conduta. Enquanto no
crime habitual cada ato isolado constitui fato atípico, pois a tipicidade
depende da reiteração de um número de atos, no crime continuado
cada ato isolado, por si só, já constitui crime.
11.23. Crimes conexos:
pode ocorrer de o agente praticar várioscrimes sem que entre eles haja qualquer ligação. Ao contrário, podehaver entre eles um liame, uma ligação, um nexo entre os delitos.
Nesse caso, fala-se em crimes conexos. Assim, o sujeito pode
cometer uma infração para ocultar outra. Então, temos delitos inde-pendentes, pois estão ligados por um liame subjetivo. A conexão podeser:
a)teleológica:
um crime é praticado para assegurar a execuçãode outro.
Ex.: o sujeito mata o marido para estuprar a esposa. Há doiscrimes: homicídio e estupro. O primeiro é denominado crime-meio; o
segundo, crime-m;
b)consequencial:
 
(ou causal)
quando um crimeé cometido para assegurar a ocultação, a impunida de ou vantagemde outro
. Ex.: o sujeito, após furtar, incendeia a casa para fazer desaparecer qualquer vestígio. O incêndio é cometido para assegurar a ocultação do furto;
c)ocasional:
quando um crime é cometido por ocasião da prática de outro
. Ex.: subtração de jóias da vítimaestuprada. O furto é praticado por ocasião do cometimento do
estupro, não havendo entre eles relação de meio e m.
Link Acadêmico 3
Tipicidade penal
é a perfeita adequação entre o fato concretoe o tipo incriminador (modelo abstrato)
. Adotamos atualmentea teoria de um tipo penal complexo, com parte objetiva e sub- jetiva. O juízo de tipicidade comporta, assim, análise objetivae subjetiva. Subjetiva quando se refere ao aspecto interno dosujeito (previsão do resultado, consciência da conduta, vontade,objetivos etc.). Objetiva quando externo ao sujeito, perceptíveldiretamente pelo observador (o movimento corpóreo, o lugar da conduta, o resultado naturalístico etc.).A tipicidade penal pode ser dolosa, quando presente no tipo
o elemento subjetivo do tipo dolo. Pode também ser culposa,
quando necessário tão somente o elemento normativo culpa.Sem dolo ou culpa, não há crime, conforme o já estudado
 prin-cípio da culpabilidade
, que rege o Direito Penal brasileiro.
A adequação típica pode ser: imediata, nos casos em que o fatoconcreto se adapta diretamente à hipótese típica, ou seja, o tipoespelha a conduta realizada no mundo exterior; e mediata ouindireta, nos casos em que o fato não encontra correspondentedireto na narrativa típica. Exemplo: não há um tipo que narre“tentar matar alguém”. A adequação típica apenas ocorreráde forma mediata, ou seja, será preciso recorrer a uma normade ampliação da adequação típica da tentativa para que ohomicídio na forma tentada seja considerado típico. O mesmoacontece com o concurso de agentes.
1. O tipo penal:
o vocábulo
tipo
é utilizado com o sentido de
modelo
. O tipo penal incriminador seria o modelo de condutaproibida, em princípio. Ao invés de descrever a própria proibiçãoda conduta (“não matar, sob pena de ...“), o sistema de modelos(tipos) traz a descrição da conduta proibida no preceito primário,e no secundário, a sanção.
Nos tipos penais podem ser discriminadas:
a)elementares:
são os dados essenciais da gura típica, sem os quais ocorre
atipicidade absoluta ou relativa.
Há atipicidade absoluta quan-do, com a eliminação hipotética do dado, a conduta deixa deser relevante penal (retire hipoteticamente o termo “outrem” docrime de lesão corporal e o fato deixa de ter relevância penal,pois a autolesão não é, em princípio, punível). Consideramosque houve atipicidade relativa quando a exclusão hipotética
do dado resulta na alteração da classicação típica, ou seja,
o fato passa a ser capitulado em outro tipo (elimine a violênciaou grave ameaça do roubo e o fato passa a constituir furto);
b)
circunstâncias:
são todos os dados acessórios da guratípica que orbitam as elementares e têm como função inuir na
dosagem da pena
. São
objetivas
quando se referem a aspectosexternos ao sujeito e
subjetivas
quando tratam do agente.
2. Tipicidade conglobante:
fórmula corretiva da tipicidadeformal desenvolvida por Eugenio Raúl Zaffaroni, para que sealcance a verdadeira tipicidade penal 
. Assim, a tipicidade penalseria a soma da tipicidade formal com a tipicidade conglobante.Se o juízo de tipicidade implica proibição a priori da conduta,não podem ser consideradas sequer proibidas aquelas con-dutas que não são apenas toleradas (descriminantes), mas,sim, fomentadas ou determinadas pelo ordenamento, sendo,assim, importante considerar o que a norma queria atingir, o
que ela quer proibir. Por outro lado, se as excludentes de anti
- juridicidade permitem excepcionalmente o que é em princípioproibido, não teria sentido, excepcionalmente, permitir o que emtese não era proibido, ou seja, torna-se desnecessário apelar para as descriminantes quando a questão deve ser resolvidano âmbito da tipicidade.
Assim, as práticas esportivas e as intervenções cirúrgicas não
seriam sequer fatos típicos a serem desconsiderados pelasdescriminantes do exercício regular de direito, tampoucoa invasão sob mandado do oficial de justiça poderia ser considerada típica, mas não injusta pelo estrito cumprimentodo dever legal.Tais condutas deveriam ser compreendidas como penalmenteatípicas, pois o ordenamento desde logo não as proíbe. Estãofora do âmbito de alcance da tipicidade conglobante, ainda,
as lesões insignicantes. Acrescentamos aqui, também, as
criações de risco permitido.
3. Tipicidade dolosa:
costuma-se designar dolo comointenção, vontade. Há duas importantes teorias acerca doselementos constitutivos do dolo:
a)teoria normativa dodolo
:
dolo é consciência, vontade e consciência da ilicitude;
 
b)teoria psicológica do dolo
:
dolo é consciência e vontadede estar concretizando/concretizar os elementos do tipo
.Aliás, a consciência é o dado essencial, mormente para quese compreenda, logo mais, o erro de tipo.
Da Tipicidade
Do CrimeDoloso

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