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Guia Acadêmico - (Proc. Penal II)

Guia Acadêmico - (Proc. Penal II)

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09/13/2014

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 WWW.MEMESJURIDICO.COM.BR
PROCESSOPEnal II
1. Processo e Procedimento: 
todo
procedimento
é umasérie de atos seqüenciados cronologicamente. São atosprocessuais organizados que se sucedem. Já a palavra
processo
tem um sentido técnico mais profundo, porque
signica procedimento somado a uma relação jurídicapreestabelecida. A lei 11.719 de 20 de junho de 2008, deunova redação ao Código de Processo Penal no que diz
respeito aos procedimentos. Dessa forma, doravante osprocedimentos serão o comum e os especiais.
1.1.
 
Procedimentos comuns:
 
a)
 ordinário (para oscrimes punidos com pena máxima igual ou superior a 4anos);
b)
 sumário (para os crimes punidos com pena má-xima inferior a 4 anos e superior a 2 anos) e;
c)
 
sumarís
-
simo (para as contravenções e crimes cuja pena máximaseja de até 2 anos), conforme reza a nova redação doart. 394 do CPP.
1.2. Procedimentos especiais: 
são os mencionados
pelo Código de Processo Penal e aqueles previstos emlegislações esparsas, que fogem ao procedimento co
-mum por conterem atos diferenciados e uma celeridade
que foge à regra. Dessa forma, diante de uma infração,para se chegar a qual o procedimento que será adotado,primeiro se verica se não é caso dos procedimentos
especiais e, não sendo, o procedimento será o comum.Os procedimentos ditos especiais são:
a)
do Júri;
b) 
de
Crimes Aançáveis praticados por Funcionário Público;
c)
dos Crimes contra a Honra;
 
d)
dos Crimes contra aPropriedade Imaterial;
e) 
das Drogas; 
f)
 
dos Crimes deImprensa;
2. Procedimento Comum Ordinário: 
a seqüência dosatos no procedimento comum ordinário é a seguinte:Oferecimento da denúncia ou queixa > Recebimento da
denúncia ou queixa > Citação > Resposta a acusaçãoo> Decisão > Audiência de Instrução, Debates e Julga
-mento.
2.1. Oferecimento da denúncia ou queixa: 
como todas
as petições iniciais, a denúncia e a queixa estão cerca
-das de formalidades, devendo ser demonstradas as con-
dições da ação. Tecnicamente, a denúncia e a queixa são
iguais, tendo como ponto principal a narrativa pormeno-
rizada dos fatos para, com isso, dar condições ao réu dese defender (princípio do contraditório), pois, se o mesmonão tem conhecimento da acusação ou do alcance daacusação, não tem como se defender de acordo. Con
-
siderada em tão a igualdade técnica entre essas peças,
deve-se observar que a queixa tem dois requisitos a maisque a denúncia: a queixa deve ser assinada por um ad-
vogado e deve vir acompanhada de uma procuração com
poderes especiais.
Na ação pública o titular da açãoé o Ministério Público
e é ele que assina a petição ini
-cial (denúncia). Mas
na ação penal privada o titular daação é a vítima,
que não assina a petição inicial (queixa),tem que contratar um advogado para postular em juízo.A queixa vem acompanhada de uma procuração com po
-
deres especiais (art.44 CPP) . Os poderes da procuraçãosão os normais das procurações “ad judicia”, acrescidosda descrição dos fatos (o que a torna especíca) tambémna procuração. O momento oportuno para a acusaçãoarrolar as suas testemunhas é na petição inicial, podendoser arroladas até 8 (oito) testemunhas.
2.2. Recebimento da denúncia ou queixa: 
após o ofe
-recimento da denúncia ou queixa cabe ao Juiz, no rito
ordinário, decidir se recebe ou não a peça acusatória. OJuiz não está obrigado a recebê-la, podendo rejeitá-la.
2.2.1 Hipóteses de rejeição da denúncia ou da queixa:
 
estavam previstas no art. 43 do CPP, porém passaram,
com a lei supra mencionada, a serem regidas pelo art.
395 do CPP, a saber:
(i)
for manifestamente inepta;
(ii) 
faltar pressuposto processual ou condição para o exercí
-
cio da ação penal;
(iii)
faltar justa causa para o exercícioda ação penal.Conforme abordamos no capítulo referente a ação penal,a denúncia ou a queixa devem seguir padrões rígidos de
formalidade. Se faltarem esses requisitos, dar-se-á a pe-
tição inicial por inepta. Quando a lei menciona que a faltade pressuposto processual ou condição para o exercícioda ação penal, há de se lembrar que existem situaçõesque fazem com que a ação penal não possa se desenvolver regularmente. Nesse prisma, é possível rejeitar a denúncia ou
queixa, quando ocorrer:
a)a extinção da punibilidade doagente:
as causas de extinção da punibilidade do art. 107, CP.traz rol não taxativo - há outras esparsas. ex: reparação dodano no peculato culposo; pagamento do cheque sem fundosantes do recebimento da denúncia, etc. O art. 61, CPP diz queo Juiz pode reconhecer a extinção da punibilidade em qualquer 
tempo;
b)a ilegitimidade de parte:
é a ilegitimidade ativa. apassiva refere-se ao mérito (se o réu foi ou não o autor do
crime) - ou é caso de absolvição/condenação ou trancamen
-
to da ação. Pode ser ilegitimidade ativa “ad causam” ou “adprocessum”. Ex: o MP oferece queixa-crime -> não pode. é ile
-
gitimidade “ad causam”. O ofendido não tem capacidade paraestar no processo (tem menos de 18 anos) -> ilegitimidade “adprocessum”; ou então o ofendido leigo entra com queixa sem
ser subscrita por advogado;
c)a falta de condição exigidapela lei:
são as condições de procedibilidade. Ex: denúncia érejeitada porque não tem representação nos crimes de açãopenal pública condicionada. Ex: sentença declaratória dafalência - condição objetiva de procedibilidade;
d)a falta de justa causa:
entende-se por justa a causa que a existênciade fundamento fático ou jurídico que autoriza a propositura daação. Falta justa causa para a ação quando inexistir lastro pro
-
batório mínimo (falta de indícios).
Nota 1:
se o magistrado padecer da dúvida entre receber ounão a denúncia ou a queixa deverá recebê-la, porque nessa
fase a dúvida pende em favor da sociedade (“in dubio pro so
-
cietate”).
Nota 2:
no mesmo ato do recebimento da denúncia ou quei-
xa, o Juiz marca o interrogatório e ordena a citação. Decidirá,ainda, sobre eventuais pedidos feitos pela acusação como avinda aos autos de certidões de antecedentes do réu, a prisão
preventiva, laudos, etc.
2.3. Citação:
em seguida, deverá o réu ser citado para integrar 
a lide. Sobre esse tópico chamamos atenção para o capítulopertinente às citações.
2.4. Defesa:
a lei 11.719/08 trouxe inovação importante ao
procedimento quando disse que o acusado será citado para
que no prazo de 10 (dez) dias ofereça defesa, sendo certo que
nessa defesa o acusado poderá argüir preliminares e alegar 
tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e jus
-
ticações, especicar as provas pretendidas e arrolar testemu
-
nhas (até o número de oito), qualicando-as e requerendo suaintimação, quando necessário. Como nessa defesa é argüida
toda matéria de defesa, se trata de uma verdadeira contes-
tação, sendo muito mais abrangente do que a antiga defesaprévia (que era prevista no art. 395 do CPP) arts 396 e 396-A.
2.5. Decisão: 
outra inovação da supra referida lei, após aapresentação da defesa, deverá o Juiz absolver sumariamenteo acusado (art. 397 do CPP) quando vericar:
a)
a existênciamanifesta de causa excludente da ilicitude do fato;
b)
a existên-cia manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente,salvo inimputabilidade;
c)
que o fato narrado evidentementenão constitui crime;
d)
- extinta a punibilidade do agente.
2.6. Audiência de Instrução, Debates e Julgamento: 
se-
guindo a forma que já havia sido estabelecida na lei 9.099/95(Juizados Especiais Criminais), a audiência de instrução, de
-
bates e julgamento terá a seguinte seqüência: o primeiro aser ouvido é o ofendido; depois são ouvidas as testemunhasde acusação; depois são ouvidas as testemunhas de defesa;a seguir o acusado é interrogado; a acusação tem a palavrapara sustentação oral pelo prazo de 20 (vinte) minutos, que
poderão ser acrescidos de mais 10 (dez) minutos; a defesa
terá igual prazo; o Juiz proferirá a sentença. Há de se observar,que o legislador mencionou, explicitamente (art. 400 do CPP)que a audiência de instrução deverá ocorrer em até 60 (ses
-
senta) dias, ressalvada questões acerca de carta precatória.
Ressalve-se, também, que enquanto não se esgotarem a oitiva
das testemunhas de acusação não começam as testemunhasdefesa. Após a oitiva de testemunhas nessa audiência, poderásurgir a necessidade de diligências, cuja necessidade se origi
-
ne de circunstâncias ou fatos apurados na instrução. É impe
-rioso esclarecer, também, que nos casos mais complexos ou
dependendo do número de testemunhas, poderá o Juiz deter 
-
minar a apresentação de memoriais, sucessivamente, primeiroa acusação e após a defesa, pelo prazo de 5 (cinco) dias.
3. Procedimento Sumário:
o procedimento sumário está pre-
visto no Código de Processo Penal dentro do Título II, dos Pro
-
cessos Especiais. Mas, por força da lei 11.719/08, em disposi
-
ção expressa alterando o Código de Processo Penal (atual art.394, §1º, CPP), é considerado um procedimento comum.Como vimos, seguirá o rito comum sumário aquele crimeque não tiver procedimento especial, cuja pena máximaseja superior a dois anos e for inferior a quatro anos. O
rito sumário seguirá a mesma seqüência de atos que o
rito ordinário. Todavia, o número de testemunhas que
pode ser arrolado por cada uma das partes será de até 5
(cinco) e a audiência de instrução, debates e julgamento
serão realizados no prazo máximo de 30 (trinta) dias con-forme artigos 531 e 532,(no rito ordinário o número de
testemunhas é de até oito e a audiência será realizada
em até 60 dias). De resto, os procedimentos são idên-
ticos. Ressalte-se que o atual artigo 394, §5º do CPPque “aplicam-se subsidiariamente aos procedimentosespecial, sumário e sumaríssimo as disposições do pro
-
cedimento ordinário” e que o artigo 533 diz que “aplica-se
ao procedimento sumário o disposto nos parágrafos do
art. 400 deste Código” e esse artigo relaciona exatamentecomo deve ser a audiência de instrução, debates e julga
-mento no rito ordinário.
4. Procedimento sumaríssimo (JECRIM): 
Segue o pro-
cedimento sumaríssimo qualquer infração que tenha penamáxima de 2 (dois) anos (infrações de menor potencialofensivo). A base legal do procedimento é a Lei 9.099/95,que regulou os juizados especiais cíveis e criminais. Aseqüência dos atos no procedimento dos juizados espe
-
ciais criminais é a seguinte: Termo circunstanciado (TC)> encaminhamento ao JECRIM > marcação de audiência
preliminar > audiência preliminar > oferecimento da de-núncia ou queixa (se o procedimento não for arquivado
anteriormente) > marcação de audiência de instruçãodebates e julgamento > citação > oferecimento de defesa
preliminar > recebimento da denúncia ou queixa > audi-
ência de instrução, debates e julgamento.
4.1. Termo Circunstanciado:
nas infrações de menor potencial ofensivo não há prisão em agrante. Ainda queo acusado (aqui chamado de “autor do fato”) esteja emestado de agrância, será encaminhado para a delega
-
cia, onde será lavrado um “TC” – termo circunstanciado,onde, continuamente, são ouvidas a vítima, eventuaistestemunhas e o pretenso “autor dos fatos”, todos em um
único auto. Não é aberto inquérito. O termo circunstan-
ciado é encaminhado ao Juízo, pela Autoridade Policial,cando uma cópia arquivada na delegacia.
4.2. Marcação de audiência preliminar:
chegando otermo circunstanciado ao Juizado Especial Criminal, o
Juiz marcará desde logo uma audiência preliminar, con-
vocando as partes, vítima e pretenso autor dos fatos para
comparecerem.
4.3. Audiência Preliminar: 
na audiência preliminar,
primeiro o Juiz verica, com a vítima, quais foram a ex
-tensão de seus danos (materiais, morais, etc.) e depois
volta-se ao autor do fato (que deverá estar acompanhadode advogado, senão ser-lhe-á nomeado um) para veri
-car se o mesmo aceita reparar os danos informados. Se oautor dos fatos aceitar, estará sendo feita a
composiçãocivil
, extinguindo-se o processo sem julgamento do méri
-to na esfera criminal e impedindo qualquer processo, pelo
mesmo fato, na esfera cível. Não aceitando, o Juiz infor 
-
ma a vítima que poderá pleitear os seus danos na esferacível e, se o tipo de ação penal demandar, vericará se avítima apresenta representação ou não. Seguindo o pro
-
cedimento, o Juiz, ou o órgão do Ministério Público ofe
-recerá ao autor dos fatos a possibilidade do cumprimentoimediato de uma pena não privativa de liberdade, que, se
o mesmo aceitar, extingue o processo sem julgamento domérito. É a chamada transação penal.
4.3.1. Transação Penal: 
aceitar a transação penal não
é o mesmo que admitir a prática delituosa ou infracional.
Quem aceita a transação não está assumindo a culpa. Asentença que homologa a transação penal é declaratóriade extinção da punibilidade, não gerando reincidência e
nem maus antecedentes, embora aquele que aceitou a
transação, no prazo de 5 (cinco) anos não possa acei
-
tar outra transação penal. Não aceita a transação penal,encerra-se a audiência preliminar e, se a ação for pública,os autos irão com vista ao Ministério Público.
4.4. Manifestação do Ministério Público (se a ação for pública): 
aberta a vista dos autos ao Ministério Público,
esse poderá entender que são necessárias novas dili-
gências no caso e pedir o encaminhamento dos autos de
PROCESSO EPROCEDIMEnTOS
 
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volta à delegacia para que seja aberto inquérito policial.Pode, também, o Ministério Público não se convencer ou
da materialidade, ou da autoria, ou dos dois aspectos e
requerer o arquivamento do feito. Por m, o MinistérioPúblico poderá oferecer a denúncia. Como os JuizadosEspeciais Criminais preconizam o princípio da oralidade,
a denúncia, a rigor, poderá ser feita até oralmente (e ain-da na audiência preliminar) e reduzida a termo.
4.5. Marcação da audiência de instrução debates e julgamento: 
após o oferecimento da denúncia pelo Mi
-
nistério Público, o Juiz não a recebe. Antes, marcará aaudiência para instrução, debates e julgamento, determi
-
nando a citação do acusado.
4.6. Citação:
o acusado será citado para comparecer à
audiência para instrução debates e julgamento, mas éalertado, na citação, que deverá comparecer acompanha
-
do do advogado (senão ser-lhe-á nomeado um), deverá,
na audiência, apresentar uma defesa preliminar, que podeabranger todos os aspectos de defesa, inclusive mérito e
poderá trazer testemunhas, que serão até o número de5 (cinco) se for crime, ou 3 (três) se for contravenção.Se quiser que as testemunhas sejam intimadas, deveráapresentar o rol com antecedência para que haja tempohábil para a diligência. Se o acusado não for encontrado,
deverá ser citado por edital e, como o procedimento não
comporta essa medida, sairá o processo do JECRIM.
4.7. Audiência para instrução, debates e julgamento:
ao início da audiência, o advogado do acusado apresen
-tará defesa preliminar, que poderá ser oral e reduzida a
termo. Então, o Juiz decide se recebe ou não a denúncia.Recebendo, o Magistrado ou o membro do Ministério Pú
-
blico oferecerá ao réu o benefício da Suspensão Condi
-
cional do Processo.
4.7.1. Suspensão Condicional do Processo:
cabe a
suspensão condicional do processo em qualquer infraçãopunida com pena mínima de 1 (um), cumpridas as condi
-
ções previstas pelo art. 77 do Código Penal (condições
da suspensão condicional da pena). Aceita a suspensão
condicional do processo, o processo cará suspenso por um período de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, sob condições.Não aceita a suspensão, tendo em vista a nova redaçãodo Código de Processo Penal
 
dada pela lei 11.719/08,determina a lei (art. 394, §4º do CPP) que “as disposiçõesdos arts. 395 a 398 deste Código aplicam-se a todos os
procedimentos penais de primeiro grau, ainda que não
regulados neste Código”.
4.7.2. Prazo:
caberá a citação, a defesa/contestação noprazo de 10 dias e a decisão do juízo acerca da possi
-
bilidade de absolvição sumária. Se não for o caso deabsolvição sumária, haverá audiência que transcorrerácom a oitiva da vítima, oitiva das testemunhas de acusa
-
ção, interrogatório do acusado, debates orais (primeiro aAcusação por um período de 20 minutos que podem ser 
acrescidos de mais 10 minutos e depois a defesa por igual
prazo) e o Juiz dá a sentença. Observe-se que a nova re
-
dação do artigo 538 do CPP diz que “nas infrações penaisde menor potencial ofensivo, quando o juizado especialcriminal encaminhar ao juízo comum às peças existentespara a adoção de outro procedimento, observar-se-á oprocedimento sumário previsto neste Capítulo”.
lInK aCaDÊMICO 1
1. Introdução:
o Tribunal do Júri é constitucionalmentecompetente para o julgamento dos crimes dolosos contraa vida (Homicídio – art. 121, CP / Participação em Suicídio – art. 122, CP / Infanticídio – art. 123, CP / Aborto – arts.124 a 128, CP) e também é competente para os crimes
conexos ou que guardem continência para com um dos
crimes dolosos contra a vida. Só não vão a julgamentopelo Júri Popular os crimes eleitorais, os crimes militarespróprios e os menores infratores. O procedimento do Júrié chamado de bifásico ou escalonado, isso porque temduas fases distintas: a primeira é o juízo de acusação (“iu
-
ditio acusationis”) e a segunda é o juízo da causa (“iuditiocausae”).Nota: a lei 11.689 de 09 de junho de 2008 alterou comple
-
tamente o rito do Júri, modicando todos os artigos a esserespeito que estavam previstos no Código de ProcessoPenal (do art. 406 ao art. 497 do CPP). A atual seqüência
de atos do rito do Júri é a seguinte: oferecimento da de-núncia ou queixa > recebimento da denúncia ou queixa >
citação > defesa/contestação > manifestação do Ministé
-
rio Público > audiência de instrução, debates e julgamen
-
to > decisão encerrando a primeira fase > manifestaçãoda acusação arrolando testemunhas > manifestação dadefesa arrolando testemunhas > Despacho resolvendoquestões pendentes e marcando a data do julgamento> Plenário.
2. Juízo de Acusação: 
a primeira fase do procedimen-
to do júri (juízo de acusação) é praticamente idêntica aoprocedimento comum ordinário. Isso porque, a rigor, sóexiste uma diferença: no rito ordinário após a defesa/con
-
testação vem uma decisão do juízo que poderá absolver 
sumariamente o acusado e, se não for o caso, marcar 
audiência para instrução, debates e julgamento. No Júri,após a defesa/contestação o Ministério Público deverámanifestar-se e o Juiz marcará a audiência de instrução,debates e julgamento. Ressalte-se, também, que a lei(atual art. 412 do CPP) diz que a primeira fase do Júri
deverá ser encerrada em até 90 (noventa) dias.
2.1. Pronúncia: 
a pronúncia é a decisão que encerra a pri-
meira fase do júri e que faz com que o acusado seja levadoa julgamento pelo Plenário do Júri, como também faz ter asegunda fase, e agora está prevista no art. 413 do CPP. Éimportante salientar que só com a decisão de pronúncia oprocesso alcança a segunda fase desse procedimento. O Juiz
pronunciará o acusado quando se convencer da autoria e de
indícios sucientes de que o acusado foi o autor dos fatos. Nãosão necessárias provas de autoria, bastando os indícios. Asuciência deve ser analisada caso a caso. O magistrado, napronúncia, não ca vinculado à classicação feita na denún
-
cia ou na queixa e se houverem outros elementos nos autosda culpabilidade de outros indivíduos não acusados, baixaráos autos para que o Ministério Público por 15 dias (art. 417,CPP), desmembrando-se os autos se o caso (regra do art. 80do CPP). A fundamentação da pronúncia deve limitar-se à indi
-
cação da materialidade do fato e da existência de indícios su
-
cientes de autoria ou de participação, devendo o juiz declarar odispositivo legal em que julgar incurso o acusado e especicar as circunstâncias qualicadoras e as causas de aumento depena, sendo que, se for o caso (crime aançável), arbitrar ovalor da ança para a concessão ou manutenção da liberdadeprovisória e decidir, motivadamente, no caso de manutenção,revogação ou substituição da prisão ou medida restritiva de
liberdade anteriormente decretada e, tratando-se de acusado
solto, sobre a necessidade da decretação da prisão preventiva.A intimação da decisão de pronúncia será feita pessoalmen
-
te ao acusado, ao defensor nomeado e ao Ministério Públicoe ao defensor constituído, ao querelante e ao assistente doMinistério Público, será por edital (regra do § 1
o
do art. 370
do CPP). Será intimado por edital o acusado solto que nãofor encontrado. Verica-se, dessa forma, que houve mudançasubstancial a lei sobre esse aspecto (intimação da pronúncia),
pois antes, o procedimento não seguiria o seu curso enquantoo acusado não fosse intimado da pronúncia (pessoalmente se
o crime for inaançável, pessoalmente se o réu estiver preso,pessoalmente ou ao defensor por ele constituído se tiver pres
-
tado ança antes da sentença, ao defensor se não tiver pres
-
tado ança e estiver foragido, mediante edital se não forem
encontrados nem o réu nem o defensor e mediante edital, se o
réu não constituiu defensor e não for encontrado). Agora, o Có
-
digo de Processo Penal silencia a esse respeito, dando a en
-
tender que o processo seguirá normalmente com a intimaçãopor edital. Se o magistrado car na dúvida entre pronunciar ounão, diz a corrente majoritária da jurisprudência que ele deverápronunciar, porque nessa fase pesa o chamado “in dubio prosocietate”. A decisão de pronúncia, como todas as decisõesdeve ser fundamentada, mas o exagero na fundamentação
poderá invalidá-la.
2.2. Impronúncia: 
a impronúncia se dará quando o magistra-do não se convencer da materialidade ou os autos não tiverem
indícios sucientes de autoria ou ainda quando faltarem ma
-
terialidade e indícios de autoria, com previsão no art. 414 doCPP. É uma decisão que arquiva o processo, mas, nos moldes
do arquivamento do inquérito policial, uma vez arquivados osautos, poderão ser reabertos mediante o concurso de novas
provas, desde que não tenha ocorrido a prescrição. Fala-seainda no termo “despronúncia” que, a rigor, é a impronúnciaque ocorre após o acusado ser pronunciado. Da decisão de
pronúncia cabe recurso em sentido estrito. Se o réu pronuncia-
do recorrer e o Tribunal ou mesmo o magistrado (no Juízo deretratação) entender que é caso de impronúncia,
despronun-ciará
o acusado.
2.3. Desclassifcação:
 
operar-se-á a desclassicação do de
-
lito, sempre que o Juiz se convencer que o crime em testilha
não é doloso contra a vida e nem guarda conexão ou conti-
nência a um. Assim, se de início pensava-se que o crime erade homicídio doloso, mas após a primeira fase (com oitiva detestemunhas e colheita de provas) concluiu-se que era um la
-
trocínio, ou um homicídio culposo, ou lesão corporal seguidade morte, p. ex., deve-se desclassicar a infração, tirando acompetência do júri e encaminhando os autos ao juiz singular.Sua previsão legal encontra-se no art. 419 do CPP.
Nota:
no juízo singular, o acusado terá nova oportunidade dedefesa, arrolando e ouvindo testemunhas e produzindo provas
de toda ordem.
2.4. Absolvição Sumária: 
por expressa disposição constitu
-cional, quem condena ou absolve os crimes dolosos contra
a vida, conexos ou continentes a esses é o Tribunal do Júri.O juiz, em regra, não tem competência para fazê-lo. Mas alei, entendendo que o réu não pode ser punido injustamente
por esse dispositivo, conferiu ao magistrado a possibilidade
de absolvê-lo antes da sessão plenária. É uma absolviçãoantecipada que acaba por sumariar o processo. É a chamada“absolvição sumária”.
Nota:
com a mudança legislativa trazida pela
lei 11.689/08
, a
absolvição sumária passa a ser prevista no art. 415 do CPP.Para que o Juiz absolva sumariamente o réu, é necessário queesteja provada a inexistência do fato, provado não ser o réu oautor ou partícipe do fato, o fato não constituir infração penalou car demonstrada causa de isenção de pena ou exclusão
do crime (excludente de ilicitude, excludente de culpabilidadeou erro). A lei faz uma ressalva para expor que a tese de exclu-
dente de culpabilidade oriunda de doença mental ou desenvol
-vimento mental incompleto ou retardado não pode ser argüida
para a absolvição sumária, salvo se for tese única.
2.5. Recursos das decisões que encerram a primeira fase: 
das decisões pronúncia e desclassicação cabe RESE, recur 
-
so em sentido estrito (art. 581 do CPP). Mas, da decisão deabsolvição sumária e de impronúncia, segundo a nova redaçãodo art. 416 do CPP caberá apelação.
3. Juízo da Causa: 
a segunda fase do júri, embora seja
reduzida, é totalmente diferenciada de todos os demais
procedimentos. Vejamos:
3.1. Manifestação da Acusação:
a segunda fase do júrise inicia quando transitar em julgado a sentença de pro
-
núncia. O Código de Processo Penal fala em “preclusa adecisão de pronúncia” (art. 421, CPP), ou seja, quandonão couber mais recurso, transitada em julgado. Antiga
-
mente, a primeira peça da segunda fase era o libelo crimeacusatório, que era apresentado pela acusação.
Nota:
a nova lei substituiu o libelo por uma simples ma-
nifestação, com o intuito de arrolar até 5 (cinco) testemu
-
nhas para serem ouvidas em plenário, juntar documentos
e requerer diligências, tudo isso em 5 (cinco) dias.
3.2. Manifestação da defesa: 
substituindo a contrarieda-de de libelo, a lei disse que a defesa, também no prazo de
5 (cinco) dias, poderá arrolar até 5 (cinco) testemunhas, juntar documentos e requerer diligências.
3.3. Despacho que marca o julgamento:
a seguir,deliberando sobre os requerimentos de provas a serem
produzidas ou exibidas no plenário do júri, e adotadas asprovidências devidas, o Juiz Presidente ordenará as dili
-gências necessárias para sanar qualquer nulidade ou es-
clarecer fato que interesse ao julgamento da causa e farárelatório sucinto do processo, determinando sua inclusãoem pauta da reunião do Tribunal do Júri. Salvo motivorelevante que autorize alteração na ordem dos julgamen
-tos, terão preferência os acusados presos, dentre os acu-
sados presos, aqueles que estiverem há mais tempo naprisão e em igualdade de condições, os precedentementepronunciados, conforme reza o art. 429 do CPP.
4. Julgamento:
no dia do julgamento, a primeira provi
-
dência a ser vericada é o comparecimento das partes. O julgamento não será adiado pelo não comparecimento do
acusado solto, do assistente ou do advogado do quere-lante, que tiver sido regularmente intimado.
4.1. Pedidos de adiamento e as justifcações de não
comparecimento:
deverão ser, salvo comprovado moti-
vo de força maior, previamente submetidos à apreciaçãodo juiz presidente do Tribunal do Júri. Por outro lado,
seo acusado preso não for conduzido
, o julgamento será
adiado para o primeiro dia desimpedido da mesma reu-
nião, salvo se houver pedido de dispensa de compareci
-mento subscrito por ele e seu defensor.
Se o membro doMinistério Público não comparecer 
, o juiz presidenteadiará o julgamento para o primeiro dia desimpedido damesma reunião, cienticadas as partes e as testemunhase se a ausência não for justicada, o fato será imediata
-
mente comunicado ao Procurador-Geral de Justiça com
a data designada para a nova sessão.
Se o defensor doréu não comparecer sem escusa legítima
, e se outro
não for por este constituído, o fato será imediatamente
comunicado ao presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, com a data designada para a nova
sessão. O detalhe é que não havendo escusa legítima,o julgamento será adiado somente uma vez, devendoo acusado ser julgado quando chamado novamente enessa hipótese, o juiz intimará a Defensoria Pública parao novo julgamento, que será adiado para o primeiro diadesimpedido, observado o prazo mínimo de 10 (dez)dias, o Presidente do Tribunal nomeará outro defensor ecomunicará o Conselho da Ordem dos Advogados.
Se atestemunha, sem justa causa, deixar de comparecer 
,
o juiz presidente, sem prejuízo da ação penal pela deso
-
bediência, aplicar-lhe-á a multa. Antes de constituído oConselho de Sentença, as testemunhas serão recolhidas
a lugar onde umas não possam ouvir os depoimentos das
outras. Esclareça-se que o julgamento não será adiadose a testemunha deixar de comparecer, salvo se umadas partes tiver requerido a sua intimação por mandado,na oportunidade de que trata o art. 422 deste Código,
declarando não prescindir do depoimento e indicando a
sua localização. Todavia, se intimada, a testemunha nãocomparecer, o juiz presidente suspenderá os trabalhos emandará conduzi-la ou adiará o julgamento para o pri
-
meiro dia desimpedido, ordenando a sua condução e o julgamento será realizado mesmo na hipótese de a teste
-
munha não ser encontrada no local indicado, se assim for certicado por ocial de justiça.
4.2. Jurados e composição do Conselho de Sentença:
 
para o julgamento serão convocados 25 (vinte e cinco) jurados daqueles que constarem na lista geral de juradosdo Tribunal. Não será realizado o julgamento se não com
-
parecerem no mínimo 15 (quinze) jurados (não haveráquorum para o julgamento). Dos jurados que comparece
-rem (com o quorum necessário) serão sorteados 7 (sete)
 jurados que farão parte do conselho de sentença. A cada jurado que vai sendo sorteado, o Juiz Presidente da ses
-
são perguntará primeiro à defesa e depois à acusação seaceitam aquele jurado. Cada parte poderá recusar até 3(três) jurados imotivadamente e com motivo quantos fo
-
rem necessários (motivos de impedimento e suspeição).
Se for mais de um acusado, com mais de um defensor, a
recusa só poderá ser feita por um dos defensores. Com
-
posto o conselho de sentença e feito o juramento de im
-
parcialidade, começará efetivamente o julgamento.
4.3. Plenário:
primeiramente, o Juiz Presidente ouve oofendido, se possível, as testemunhas de acusação, astestemunhas de defesa, as partes poderão requerer aca
-
reações, reconhecimento de pessoas e coisas, esclare
-
PROCEDIMEnTO DO JÚRI
 
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cimento de peritos, leitura de peças a que se reram e a
seguir ouvirá o réu.O uso de algemas na sessão plenária passou a ser 
proibido (art. 474, §3º do CPP), salvo se absolutamentenecessário à ordem dos trabalhos, à segurança das teste
-
munhas ou à garantia da integridade física dos presentes.
 A seguir, iniciam-se os
debates orais
.
a)
Se o julgamentofor de apenas 1 (um) réu, a acusação falará em até 1(uma) hora e meia, a defesa falará em até 1 (uma) hora emeia, poderá ter réplica pela acusação de 1 (uma) hora etréplica pela defesa de até 1 (uma) hora;
b)
Havendo maisde 1 (um) acusado, o tempo para a acusação e a defesaserá acrescido de 1 (uma) hora e elevado ao dobro o da
réplica e da tréplica.Durante os debates as partes não poderão, sob pena denulidade, fazer referências à decisão de pronúncia, às
decisões posteriores que julgaram admissível a acusaçãoou à determinação do uso de algemas como argumentode autoridade que beneciem ou prejudiquem o acusado,ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatóriopor falta de requerimento, em seu prejuízo, não será per 
-
mitida a leitura de documento ou a exibição de objeto quenão tiver sido juntado aos autos com a antecedência mí
-nima de 3 (três) dias úteis, dando-se ciência à outra parte,
compreendendo-se na proibição deste artigo a leitura de jornais ou qualquer outro escrito, bem como a exibição devídeos, gravações, fotograas, laudos, quadros, croqui ouqualquer outro meio assemelhado, cujo conteúdo versar sobre a matéria de fato submetida à apreciação e julga
-
mento dos jurados.
Nota 1:
havendo mais de um acusador ou mais de umdefensor, os prazos cam inalterados, deve todos os acu
-sadores e todos defensores dividirem o prazo destinado
para esse m.
Nota 2:
Encerrados os debates, o Juiz Presidente deveindagar dos jurados se estão aptos a julgar, fazer os de
-vidos esclarecimentos, se necessário for e, preparados,
o Juiz Presidente, os Jurados, a acusação, a defesa eeventuais serventuários da justiça se reunirão na sala
secreta.
Nota 3:
O réu não participa da reunião na sala secreta.
4.4. Votação dos quesitos:
cada jurado receberá umacédula contendo o voto “sim” e uma cédula contendo ovoto “não”. O Juiz Presidente formulará uma série de per 
-
guntas objetivas, que sejam respondíveis “sim” ou “não”.Essas perguntas são chamadas de
quesitos
.Os quesitos são formulados de acordo com as tesessustentadas pelas partes.e seguirão a seguinte ordem:
a)
a materialidade do fato;
b)
a autoria ou participação;
c)
 se o acusado deve ser absolvido;
d)
se existe causa de
diminuição de pena alegada pela defesa;
e)
se existem
circunstância qualicadora ou causa de aumento de penareconhecidas na pronúncia ou em decisões posterioresque julgaram admissível a acusação.A resposta negativa, de mais de 3 (três) jurados, a qual
-quer dos quesitos sobre materialidade e autoria encerra a
votação e implica a absolvição do acusado. Respondidos,armativamente por mais de 3 (três) jurados os quesitos
relativos a materialidade e autoria será formulado quesito
com a seguinte redação: “
O jurado absolve o acusado?”.
 
(de acordo com o art. 483, § 2º do CPP).Decidindo os jurados pela condenação, o julgamento
prossegue, devendo ser formulados quesitos sobre a
causa de diminuição de pena alegada pela defesa e cir 
-
cunstância qualicadora ou causa de aumento de pena,reconhecidas na pronúncia ou em decisões posterioresque julgaram admissível a acusação.
Nota 1:
sustentada a desclassicação da infração paraoutra de competência do juiz singular, será formuladoquesito a respeito, para ser respondido após o 2
o
(segun-do) ou 3
o
(terceiro) quesito, conforme o caso.
Nota 2:
sustentada a tese de ocorrência do crime na sua
forma tentada ou havendo divergência sobre a tipicaçãodo delito, sendo este da competência do Tribunal do Júri,o juiz formulará quesito acerca destas questões, paraser respondido após o segundo quesito. Materialidade eautoria, teses da defesa, teses da acusação e, por m,sempre um quesito obrigatório sobre se há alguma cir 
-cunstância atenuante em favor do réu.
Nota 3:
se houver mais de um réu, deverá ser formulada
uma série de quesitos para cada réu.
5. Observações importantes sobre o Tribunal do Júri: 
há algumas informações que são extremamente relevan
-
tes que dizem respeito à instituição do Júri.
5.1. Princípios que regem o Julgamento no Tribunaldo Júri: 
existem dois princípios que regem o julgamentopelo Tribunal do Júri:
soberania dos veredictos
e
inco-municabilidade
.
a)Princípio da soberania dos veredictos:
se houver impugnação à segunda instância, atacando a sentençacondenatória ou absolutória, a segunda instância não po
-
derá reverter a decisão (de condenação para absolviçãoou de absolvição para condenação) porque o Júri é so
-berano. Assim, poderá ser anulada a primeira decisão e
submetido o processo a uma nova sessão de julgamento
(para que outro corpo de Jurados decida soberanamen-te); 
b)Princípio da incomunicabilidade:
o pensamento
de um jurado acerca do processo não poderá ser externa
-
do, ou seja, outro jurado não cará sabendo. Esclareça-se que os jurados podem conversar nos intervalos do julgamento, mas nunca sobre o processo ou sobre o seu
entendimento pessoal acerca da criminalidade em geral, doscriminosos em geral, do rigor ou brandura de penas etc., por-
que não poderá externar o seu pensamento. E, no momentoda votação, um jurado não pode saber o que o outro jurado
pensa e qual o seu voto.
5.2. Desaforamento: 
desaforar é tirar de um foro e encami-
nhar a outro foro, ou seja, se mudará o lugar em que o réudeverá ser julgado. Pelas regras do Código de Processo Penal(art. 427) haverá o desaforamento sempre que o interesse daordem pública o reclamar ou houver dúvida sobre a imparciali
-
dade do Júri ou a segurança pessoal do réu, ou ainda, quandohouve comprovado excesso de serviço e o julgamento não
puder ser realizado no prazo de 6 (seis) meses contados do
trânsito em julgado da pronúncia (art. 428 do CPP). O desa
-
foramento é pedido ao Tribunal de Justiça (segunda instân
-cia) e, em todos os casos o acusado deve ser previamente
ouvido sobre a possibilidade dessa medida. Correto e possível,
portanto, o desaforamento, mas com critérios. Já se decidiu:
“A jurisprudência do STF é no sentido de que a indicação dacomarca, para o desaforamento, deve ser a mais próxima, eque a exclusão das mais próximas deve ser fundamentada” 
(RTJ 34/588, 47/471, 71/26 e 131/588)
.
No mesmo sentido:
 
STJ, REsp 298, 6ª Turma, JSTJ 18/236 e RT 664/324.
 
E odesaforamento para Comarca de outro Estado é inadmissível(TJSP, Desaf. 179.923, 5ª Câm., j. 30.3.95).
5.3. A função dos jurados:
o juiz presidente requisitará àsautoridades locais, associações de classe e de bairro, entida
-
des associativas e culturais, instituições de ensino em geral,universidades, sindicatos, repartições públicas e outros nú
-
cleos comunitários a indicação de pessoas que reúnam ascondições para exercer a função de jurados. O serviço doJúri é obrigatório, e compreenderá os cidadãos maiores de 18(dezoito) anos de notória idoneidade. Nenhum cidadão pode
-
rá ser excluído dos trabalhos do júri ou deixar de ser alistadoem razão de cor ou etnia, raça, credo, sexo, prossão, classesocial ou econômica, origem ou grau de instrução e a recusainjusticada ao serviço do júri acarretará multa no valor de 1(um) a 10 (dez) salários mínimos, a critério do juiz, de acordocom a condição econômica do jurado.
5.3.1. Estão isentos do serviço do Júri:
o Presidente daRepública e os ministros de Estado; os Governadores e seusrespectivos secretários; os membros do Congresso Nacional,das Assembléias Legislativas dos Estados e das CâmarasDistritais e Municipais; os Prefeitos Municipais; os Magistradose membros do Ministério Público e da Defensoria Pública; osservidores do Poder Judiciário, do Ministério Público e da De
-
fensoria Pública; as autoridades e os servidores da polícia e dasegurança pública; os Militares em serviço ativo; os cidadãos
maiores de 70 (setenta) anos que requeiram sua dispensa;
aqueles que o requererem, demonstrando justo impedimento.
5.3.2. Recusa ao serviço do júri:
se fundada em convicçãoreligiosa, losóca ou política importará no dever de prestar serviço alternativo, sob pena de suspensão dos direitos polí
-
ticos, enquanto não prestar o serviço imposto, entendendo-sepor serviço alternativo o exercício de atividades de caráter ad
-
ministrativo, assistencial, lantrópico ou mesmo produtivo, noPoder Judiciário, na Defensoria Pública, no Ministério Públicoou em entidade conveniada para esses ns. Os jurados res
-pondem criminalmente como se fossem funcionários públicos.
5.4. Ata de Julgamento:
o julgamento no Tribunal do Júri éregistrado em uma ata. Essa ata tem importância fundamental,principalmente pelo fato de que só podem ser levantadas even
-
tuais irregularidades e cerceamentos em sede de apelação seconstarem na ata. O artigo 495 do CPP dispõe “in verbis”: “Aata descreverá elmente todas as ocorrências e mencionaráespecialmente: a data e a hora da instalação dos trabalhos;o magistrado que a presidiu a sessão e os jurados presentes;os jurados que deixarem de comparecer, com escusa ou semela, e as sanções aplicadas; o ofício ou requerimento de isen
-
ção ou dispensa; o sorteio dos jurados suplentes; o adiamentoda sessão, se houver ocorrido, com a indicação do motivo;a abertura da sessão e a presença do Ministério Público, doquerelante e do assistente, se houver, e a do defensor do acu
-
sado; o pregão e a sanção imposta, no caso de não compareci
-
mento; as testemunhas dispensadas de depor; o recolhimentodas testemunhas a lugar de onde umas não pudessem ouvir odepoimento das outras; a vericação das cédulas pelo juiz pre
-
sidente; a formação do conselho de sentença, com o registrodos nomes dos jurados sorteados e recusas; o compromisso eo interrogatório, com simples referência ao termo; os debates eas alegações das partes com os respectivos fundamentos; osincidentes; o julgamento da causa; a publicidade dos atos dainstrução plenária, das diligências e da sentença.”
5.5 Presidente do Tribunal do Júri:
como se verica, o Tribu
-
nal do Júri é um Tribunal popular, com juízes leigos, extraídosdo povo. Como esses juízes naturais não dispõem de conheci
-
mento técnico, quem conduz os trabalhos no julgamento é umJuiz togado. É o Juiz Presidente. O Juiz Presidente tem atri
-
buições no julgamento, que lhe foram conferidas pelo art. 497do CPP. São elas: regular a polícia das sessões e prender osdesobedientes; requisitar o auxílio da força pública, que cará
sob sua exclusiva autoridade; dirigir os debates, intervindo emcaso de abuso, excesso de linguagem ou mediante requeri-
mento de uma das partes; resolver as questões incidentes quenão dependam de pronunciamento do júri; nomear defensor 
ao acusado, quando considerá-lo indefeso, podendo, neste
caso, dissolver o Conselho e designar novo dia para o julga
-
mento, com a nomeação ou a constituição de novo defensor;mandar retirar da sala o acusado que dicultar a realizaçãodo julgamento, o qual prosseguirá sem a sua presença; sus
-
pender a sessão pelo tempo indispensável à realização das
diligências requeridas ou entendidas necessárias, mantida a
incomunicabilidade dos jurados; interromper a sessão por tempo razoável, para proferir sentença e para repouso ourefeição dos jurados; decidir, de ofício, ouvidos o Minis
-
tério Público e a defesa, ou a requerimento de qualquer destes, a argüição de extinção de punibilidade; resolver as questões de direito suscitadas no curso do julgamento;determinar, de ofício ou a requerimento das partes ou dequalquer jurado, as diligências destinadas a sanar nuli
-
dade ou a suprir falta que prejudique o esclarecimento
da verdade; regulamentar, durante os debates, a inter-
venção de uma das partes, quando a outra estiver com
a palavra, podendo conceder até 3 (três) minutos paracada aparte requerido, que serão acrescidos ao tempodesta última.
5.6 Súmulas sobre o Júri:
sobre o Júri, foram editadas
as súmulas do STF 156 (é absoluta a nulidade do julga
-
mento pelo júri, por falta de quesito obrigatório), 162 (éabsoluta a nulidade do julgamento pelo júri, quando os
quesitos da defesa não precedem aos das circunstâncias
agravante), 206 (é nulo o julgamento ulterior pelo júri coma participação de jurado que funcionou em julgamento
anterior do mesmo processo), 712 (é nula a decisão quedetermina o desaforamento de processo de competência
do júri sem audiência da defesa), 713 (o efeito devolu
-
tivo da apelação contra decisões do Júri é adstrito aosfundamentos da sua interposição), 721 (a competênciaconstitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foropor prerrogativa da função estabelecido exclusivamentepela Constituição Estadual) e do STJ 21 (pronunciado oréu, ca superada a alegação de constrangimento ilegalda prisão por excesso de prazo na instrução) e 191 (apronúncia é causa interruptiva da prescrição, ainda que oTribunal do Júri venha a desclassicar o crime).
lInK aCaDÊMICO 2
1. Novo Procedimento da Lei de drogas: 
a Lei
11.343/06 trouxe um procedimento novo, e bastante sim
-
plicado, para os crimes relacionados a entorpecentes.
 A seqüência é a seguinte: oferecimento da denúncia >
defesa preliminar > recebimento da denúncia > citação >defesa/contestação > decisão > audiência de instrução,debates e julgamento. As novidades são que o prazo
para o oferecimento da defesa preliminar será de 10 (dez)dias, podendo ser alegada toda matéria de defesa, inclu-
sive mérito e exceções. Nessa defesa preliminar, deveráa defesa, se quiser, arrolar as suas testemunhas, quepoderão alcançar o número de 5 (cinco). Observe-se quemais a frente no procedimento não haverá oportunidade
de defesa prévia, pelo que, a defesa preliminar será omomento oportuno para que a defesa apresente as suas
testemunhas. Recebida a denúncia, o Juiz designará diae hora para a audiência de instrução, debates e julga
-
mento, ordenando a citação pessoal do acusado. Na au
-
diência de instrução, debates e julgamento, primeiro o réuserá interrogado, depois serão ouvidas as testemunhasde acusação, depois as testemunhas de defesa, depois
serão feitos debates orais que serão de 20 (vinte) minutospodendo ser acrescidos de mais 10 (dez) minutos para
a acusação, igual prazo para a defesa e o Juiz prolataa sentença.
Nota:
tendo em vista a nova redação do Código deProcesso Penal dada pela lei 11.719/08, determina a lei(art. 394, §4º do CPP) que “as disposições dos arts. 395a 398 deste Código aplicam-se a todos os procedimen
-tos penais de primeiro grau, ainda que não regulados
neste Código”. Dessa forma, caberá a citação, a defesa/contestação no prazo de 10 dias e a decisão do juízoacerca da possibilidade de absolvição sumária.
2. Procedimento dos Crimes de Imprensa: 
a lei
5.250/67 dene os crimes veiculados pela imprensa
(parte material) e também traz o procedimento a elesatinentes (parte processual). O procedimento a ser se-
guido é: oferecimento da denúncia ou queixa > citação> defesa preliminar > manifestação do Ministério Públi
-
co (se a ação for privada) > recebimento da denúnciaou queixa > citação > defesa/contestação > decisão> marcação de audiência de instrução e julgamento >alegações escritas > sentença. Existem algumas pe
-culiaridades que cercam o procedimento dos crimes
de imprensa. Por primeiro, o número de testemunhas,que poderão se de 8 (oito) caso o crime seja punido
com reclusão e 5 (cinco) se o delito for punido com
detenção. O prazo decadencial para o oferecimento dequeixa ou representação é de 3 (três) meses da data daveiculação da notícia. A defesa preliminar é oferecida
em 5 (cinco) dias, podendo o acusado apresentar toda
matéria de defesa, arrolar testemunhas e apresentar aexceção da verdade. Por exceção da verdade (“exceptioveritatis”) entende-se a defesa do acusado armando ter passado a informação que está sendo acusado, porqueé verdade. Cabe exceção da verdade na calúnia e nadifamação contra ato de funcionário público no exercícioda função, mas não cabe na injúria. Se o acusado não
PROCEDIMEnTOS ESPECIaIS(DROGaS, IMPREnSa,FUnCIOnÁRIO PÚBlICO,HOnRa, PROPRIEDaDEIMaTERIal E FalÊnCIa)

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