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Entrevista DM Raiz da Verdade.pdf

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08/10/2013

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 A Raiz da Verdade
 Auto-entrevista com o autorDagomir Marquezi
 
P - Como nasceu a Raiz da Verdade?
R - Não me lembro exatamente como surgiu a ideia. Mas há poucotempo assisti um episódio antigo do
Saturday Night Live
, umprograma que me influencia muito. E nesse episódio tinha umquadro com 3 executivos muito bêbados no balcão de um bardurante a happy-hour. Will Farrell, Alc Baldwin e outro ator.Eles falam aos berros, são muito machistas. Mas estão tãobebaços que de vez em quando um deles solta alguma verdadeinconfessável. Os outros dois se espantam, mas fingem que nãoouviram nada e continuam a beber e falar.
P - E contam histórias heróicas sobre um tal Bill Brasky...
R - Exatamente! Pois nesse episódio que eu assisti um delesconfessava que “se mastubava vendo TeleTubbies”. Eu devo terassistido e gostado do conceito “verdade inconfessável”. Até apiadinha dos Teletubbies eu encaixei inconscientemente napeça.
P - A peça tem cara de sitcom.
R - Ela podia acontecer em qualquer situação. A receita: umgrupo de pessoas se reúne socialmente e alguma coisa aconteceque faz com que eles passem a dizer suas verdades maisintimas. Podia ser num batizado, podia ser numa faculdade,podia ser num local de trabalho.
P - E por que você optou por um jantar?
R - Eu tenho uma teoria que todo autor quer se vingar dealguma coisa quando escreve. Quando escrevi essa peça eutrabalhava ao lado de duas mulheres que falavam de comida odia inteiro. Além disso os canais de TV a cabo passavam poruma fase de saturação de programas de culinária. Eu estavameio enjoado de tanta gente de avental. E criei o Olavo.
P - Como você descreve o Olavo?
R - Ele é um funcionário público cinquentão que ganha um montede dinheiro por fora. E se dá ao luxo de comer muito bem ecomprar vinhos com preço nos 4 dígitos. Uma vez por mês elefaz um jantar para amigos. E leva tudo extremamente a sério.Pesquisa sobre pratos exóticos, coloca música típica do lugar,explica detalhadamente os pratos que prepara para osconvidados e compra a atenção de todos abrindo uma garrafa de
 
vinho caro depois da outra. É extremamente tenso, detalhista ecarente.
P - E Vilma, a mulher de Olavo?
R - Eu pensei assim: quem aguentaria um sujeito como o Olavo?Uma mulher interesseira. Vilma é uma perua de livraria. Adorafazer cursos com nomes chiques, especialmente em francês. Decada curso (que o marido paga) ela aprende algumas frases queusa para impressionar as amigas. Olavo é tenso. Vilma éentediada. Ela diria “blasé”.
P - Os dois já começam a peça em crise.
R - Aquilo é uma bomba prestes a explodir. Mas Olavo e Vilmavivem se dando tapas com luvas de pelica.
P - E o casal Antônio e Marta?
R - Segui o mesmo principio que usei para criar a Vilma. Quetipo de pessoa seria amigo de Olavo? Antônio foi colega deOlavo na faculdade. E ficou para trás. Envelheceu mal. Virouum tecnocrata medíocre e aborrecido. Olavo é a chance que eletem de saborear um modo de vida mais sofisticado. Marta estácansada do marido. Assim que bebe duas taças de vinho começa apaquerar Pablo.
P - E Pablo?
R - Pablo é um tipo muito atual: o revolucionário chique. Falaum clichê atrás do outro. E se leva muito a sério. Eleconstruiu uma imagem e se mantém dependente do própriomarketing pessoal. Não é a toa que se torna o mais apavoradocom a perspectiva de não segurar suas verdades. É assessor deimprensa na repartição onde Olavo trabalha.
P - Amber é a mais diferente do sexteto.
R - Ela é um pouco como o Obelix, que caiu numa tina da poçãomágica e não precisa tomar mais para ficar forte. Amber émaluca, tomou todas e já fala a verdade naturalmente. Ela équase uma observadora da situação, tirando sarro de todomundo.
P - Existe mesmo uma sopa chamada calalou?
R - Sim. Eu experimentei numa cidade chamada Vauclin na ilha

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