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De Qual Vida Estamos Falando

De Qual Vida Estamos Falando

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De qual vida estamos falando? Análise crítica dos discursos sobreo aborto e perspectivas
Carla de Paiva Bezerra - Bacharel em Direito pela UnB, graduada em 2007
Introdução
A prática do aborto já foi documentada em diversas culturas e épocas.Embora amplamente praticado no mundo greco-romano, o aborto foicondenado pela moral cristã desde o princípio, a partir da idéia dasacralidade do dom da vida. Tema controvertido, o debate sobre alegalidade do aborto toca em diversas esferas: moral, ética e jurídica.Mas, na realidade, o tom apaixonado e, em geral, intolerante, temsempre um forte aspecto religioso onde quer que se discuta a suaregulamentação.Outorgado em 1940, o Código Penal Brasileiro vigente até os diasatuais tipifica a prática do aborto como crime, em suas diversasmodalidades. São previstos, porém, dois permissivos penais: para oscasos de estupro e risco de morte ou perigo à vida da gestante[1].  Entre os anos 40 e 70 o debate sobre as características do abortoexistia de forma incipiente. Neste momento, o movimento feminista aestava mais voltado para a conquista do espaço público. No Brasil, talfato se refletiu na luta pelo direito ao voto liderado por Berta Lutz, ou
 
na conquista por melhores condições de trabalho, igualdade salarial,licença maternidade, lutas encampadas pelas militantes comunistas eanarquistas. O debate sobre sexualidade, direitos reprodutivos,planejamento familiar, era colocado em segundo plano.Durante os anos 70, em um momento, dentro da sociedade ocidentalcapitalista, de grande questionamento das instituições, dos costumes eda tradição, o tema da descriminalização do aborto passa a ter maiorrelevância. O movimento feminista sofre uma alteração de prioridadese, temas antes tidos como secundários, começam a se destacar, dentreeles as temáticas da sexualidade e do amor livre. Vale lembrar que édesta época o advento da pílula anticoncepcional, que traz de formaconcreta a possibilidade de a mulher optar ou não pela maternidade.No Brasil, o tema ganha maior destaque somente nos anos 80, com aconstituinte. A transição para um regime democrático, acompanhadapelo alto grau de mobilização popular, trouxe inúmeras demandas eexpectativas de inovações na legislação. O movimento feminista fezuma forte e organizada pressão no Congresso e a Constituição de 1988acabou por incorporar uma série de direitos para as mulheres,especialmente nas áreas cível e trabalhista. Porém, a questão do abortocontinua sem avanços.Desde 88 até a atualidade inúmeros projetos foram apresentados paraalterar a legislação do aborto. De um lado, alguns que tentamendurecer a legislação, propondo a supressão dos dois permissivos
 
legais existentes, aumento de penas, ou mesmo que a prática do abortopasse a ser considerada crime hediondo. De outro, há inúmerosprojetos que possibilitam a flexibilização da punição do aborto, querampliando os permissivos legais (para os casos de feto anencéfalo, comgraves deformações, dentre outros), quer regulamentando a suaprática como legal em qualquer caso. O mais avançado projeto de lei foio substitutivo apresentado à apreciação da Comissão de SeguridadeSocial e Saúde pela então Deputada Federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ)em dezembro de 2005 (PL nº 1135/91) [2].O projeto, porém, sequer conseguiu sair daquela comissão.Em 2007, a aprovação de legislação favorável à prática do aborto emPortugal, a partir dos resultados de um plebiscito consultivo[3],e as últimas declarações do Ministro da Saúde[4] brasileiro, sobre a necessidade de debater o tema com a sociedade, contribuíram paraque o tema fosse novamente destaque nos veículos de comunicação.Os dois principais e antagônicos setores que movimentam o debatesão: o Movimento Feminista e a Igreja Católica (e outras denominaçõesreligiosas, especialmente as cristãs), numa articulação em âmbitointernacional conhecida como "Movimento Pró-Vida". Essadenominação tem origem nos Estados Unidos, onde a regulamentaçãodo aborto tem por base uma decisão judicial da Suprema Corte e nãouma lei específica, o que dá contornos diferentes ao debate[5].Porém, é possível observar a transposição da mesma linha argumentativa paracada um dos lados em vários países das Américas. Se por um lado o

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