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O Projeto Jari e sua ferrovia

O Projeto Jari e sua ferrovia

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06/16/2009

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O Projeto Jari e sua ferrovia
O
Projeto Jari
foi posto em prática logo após oProjeto Calha Norte, com o objetivo defortalecer as fronteiras daAmazônia.Esse projeto foi idealizado pelo milionário norte americanoDaniel Keith Ludwig
 . Elemandou construir uma fábrica de celulose noJapão
[2]
 , na cidade deKobe,usando tecnologia finlandesa da cidade deTampere, foram construídas duas plataformasflutuantes com uma unidade para a produção de celulose e outra para a produção deenergia. A unidade de energia produzia 55megawatts e era alimentada por óleo BPF a  base de petróleocom opção para consumo de cavacos de madeira
Flavio de Britto Pereira
 No ano de 1882, veio para o município de Almerim no Pará um jovem migrantecearense, chamado José Julio de Andrade que aos poucos consolidou suas atividadesextrativistas em Almerim e no município vizinho Mazagão. Achando a região poucoocupada, José Julio não teve muitos problemas para instalar-se e dominar o comercioextrativista da região. Aos poucos foi ocupando e tomando posse de uma área deaproximadamente um milhão e seiscentos mil hectares, (16.000km2) cuja via principalde acesso era o rio Jari. Para se ter idéia da área basta lembrar que o estado de Israel tem21.000km2. Esta foi a área na qual o projeto Jari se desenvolveu.O Coronel José Julio, como era conhecido, desenvolveu uma empresa quecomercializava principalmente castanha do Pará e borracha obtidos nesta área.Em 1948, já velho (pois morreu 4 anos depois em Portugal), vendeu suas terras a umgrupo de cinco comerciantes portugueses e um brasileiro, que continuaram o mesmosistema de extrativismo e comércio.Em 1967, a então Jari Indústria e Comercio S/A, como era denominada, foi vendida aoarmador americano Daniel Keith Ludwig que, indo contra a vontade de seusconselheiros econômicos, insistiu em estabelecer um empreendimento de grande portena Amazônia. Neste mesmo ano Ludwig concluiu as negociações com os proprietários e com ogoverno brasileiro, fundando então a Jari Florestal e Agropecuária Ltda., iniciando asatividades que passaram a ser conhecidas como o "Projeto Jari"A finalidade maior do projeto era a produção de celulose e papel, para suprir umademanda destes produtos que atingiria o seu pico em 1985 segundo seus informanteseconômicos.Foi planejado plantar uma área de cerca de 160.000 hectares, ou seja, 10% da áreadominada, dos quais 100.000 foram plantados entre 1968 e 1982.De acordo com os planos originais, uma fábrica de celulose foi projetada parafuncionamento em 1978, sendo encomendada e construída pelos estaleirosIshikawagima no Japão, sobre duas plataformas flutuantes, que foram rebocadas desde oJapão até Munguba no rio Jari, tendo atravessado o mar da China, os oceanos Pacífico,Índico e Atlântico, subindo o rio Amazonas até a sua confluência com o Jari, e o rio Jariaté a localidade de Munguba, onde foram instaladas. Numa das plataformas estava instalada a fábrica de celulose, com capacidade nominalde 220.000 toneladas de celulose branqueada de fibra curta por ano; na outra uma usinade força a vapor para gerar 55 megawatts de energia elétrica e o vapor necessário ao processo industrial.
 
Para os efluentes gasosos e líquidos da operação foi projetado um sofisticado sistema detratamento e controle, incluindo uma lagoa de estabilização de 184 hectares, por onde oslíquidos industriais percorrem 12 km, antes de desaguarem outra vez no rio, portantosem causarem nenhuma poluição.Paralelo a este empreendimento foi construída também uma planta de beneficiamentode caulim de alta qualidade, cujas jazidas foram encontradas a poucos quilômetros dafábrica, rio acima, na margem oposta, caulim este que serviria para branqueamento do papel, cuja fábrica seria construída numa segunda fase.Como atividades agrícolas Ludwig desenvolveu o plantio de arroz nas áreas alagadas devárzea a jusante da fábrica, no rio Jari próximo à sua foz no Amazonas, complexo estetotalmente mecanizado, aproveitando o sistema de marés que atingem o Amazonas e orio Jari para encher e esvaziar as áreas plantadas.Também desenvolveu uma pecuária de alta qualidade, com experimentos de inúmeroscruzamentos genéticos industriais, inclusive uma grande criação de búfalos, quegeraram uma tecnologia totalmente desconhecida no mundo, e que hoje é modelo paravárias áreas tropicais e até temperadas, tendo aumentado a sua capacidade reprodutivade cerca de 60 a 70%, como era conhecida, para até 98%, através do conhecimento doestro das búfalas.De hábitos simples e temperamento reservado, Ludwig desenvolveu suas atividades semse preocupar com a imagem negativa que aos poucos o projeto foi adquirindo junto àopinião pública nacional e internacional. No decorrer de 1981, desgostoso com o ambiente hostil que se formara contra ele eaborrecido com demoras inexplicáveis para obtenção da licença de construção de umahidrelétrica e outras atividades necessárias ao projeto, o empresário suspendeu o fluxode capital que havia mantido durante tantos anos e que, segundo os livros, passava deum bilhão de dólares, e iniciou suas providências para se afastar do Jari.Diante dos fatos, o governo brasileiro, decidiu convocar um grupo de 23 empresas brasileiras para assumir o controle do projeto.Dentre estas empresas estava a "Caemi" liderada por Augusto Trajano de AzevedoAntunes, o mesmo que anos antes organizara a Icomi, no Amapá, primeiro grandeempreendimento bem sucedido na Amazônia, depois de tantos fracassos com a Madeira-Mamoré, a Fordlândia e outros.Augusto Antunes atuou como mediador entre Ludwig e o consórcio brasileiro, tendoconseguido resolver o impasse de maneira razoável para todos, o que resultou natomada de posse do empreendimento pelo grupo brasileiro e a constituição, em 22 de janeiro de 1982, da empresa Companhia do Jari, que assumiu o controle total doempreendimento inclusive suas dívidas em ienes, relativa ao financiamento das plataformas.O novo grupo confiou a administração do projeto ao grupo Caemi, sendo a operaçãoexecutada por subsidiárias da Cia. Do Jari, a Caulim da Amazônia (caulim), a Cia.Florestal Monte Dourado (celulose) e a São Raimundo AgroIndustrial (arroz).Conscientes do desafio assumido e da necessidade de viabilizar o empreendimento,recuperando ainda sua imagem perante a opinião pública, os novos empreendedores passaram a atacar ativamente diversos pontos críticos, visando adequar a empresa ànova realidade. Devido ao pioneirismo as técnicas silviculturais não estavam bemdominadas, e os estudos mostraram que a partir de 1984 faltaria madeira para celulose,obrigando os novos administradores a relevantes programas de plantio e de pesquisasflorestais, que aconselharam a substituição das espécies utilizadas por outras de maior 
 
 produtividade, e novas técnicas florestais desenvolvidas pela equipe de brasileiros queassumiu.Isto mudou a tendência do projeto a tal ponto que em 1986 ele deu o primeiro ano delucro para os acionistas.A Cia Florestal Monte Dourado completará em 22 de janeiro de 2002 vinte anos deatividades com um currículo bastante satisfatório, construído palmo a palmo duranteeste período.Material genético testado, mudas de alta qualidade, escolha dos sítios adequados,melhor preparo do solo, controle efetivo de pragas e ervas invasoras, sistemas de corte etransporte de baixo impacto sobre o ambiente e a racionalização no uso dosequipamentos e da mão de obra foram as medidas básicas que mais contribuíram para asignificativa redução de custos e grande aumento da produtividade dos plantios nomesmo local, portanto sem expandir as áreas desmatadas com novas derrubadas.Hoje a tecnologia adquirida propicia o plantio repetido nas mesmas áreas onde já foramcolhidas as safras anteriores de madeira, já estando o projeto na quinta e sexta rotações,com produtividades crescentes, já sendo considerada a floresta de maior produtividadeno Brasil e conseqüentemente do mundo, com o mais baixo custo por tonelada demadeira, ocupando apenas 47.000 hectares, portanto menos do um terço da áreainicialmente concebida para plantios.Isto é bom para os novos empreendedores que vierem a se instalar na região Amazônica, pois é um exemplo de desenvolvimento sustentado e de ocupação que deu certoempregando e sustentando direta e indiretamente mais de 100.000 brasileiros. No campo industrial, um aumento da produção da fábrica pela adequação de diversosequipamentos elevou paulatinamente sua capacidade nominal de 220 mil para 340 miltoneladas de celulose por ano, mostrando assim o alto grau de profissionalismo dasequipes brasileiras.Infelizmente, após a morte de seu mentor, um dos maiores empresários que o Brasil já possuiu, o Projeto Jari - como inúmeras outras empresas do grupo Caemi, como a Icomia MBR e inclusive a própria Caemi - foram vendidos a outros grupos, pois nenhum deseus sucessores estava à altura de continuar os grandes feitos deste portentoso brasileiroque foi Augusto Trajano de Azevedo Antunes.Com obstáculos superados e em plena produção, a empresa passou a merecer atenção deoutros grandes empresários, e após receber várias propostas, o BNDES e o grupo Caemiresolveram aceitar a proposta da Saga Investimentos e Participações, holding de capital100% nacional controlada por Sergio Amoroso, que apresentou a melhor proposta, e nodia 29 de fevereiro de 2000 foram finalmente assinados os documentos para atransferência.Se alguém se interessar pela completa história do Projeto Jari poderá adquirir o livro"Jari 70 anos de História" do autor Cristóvão Lins, que na sua terceira edição conta asaga da ocupação desta região desde sua ocupação pelos indígenas.Para atender a toda esta atividade na sua imensa área foram projetados por Ludwigdiversos sistemas de transporte de pessoal e carga, não só para chegar e sair da regiãocomo também e principalmente, para movimentação dentro deste grande território.Primeiramente visando a grande movimentação de carga entre o Jari e o mundo (porqueo grande mercado de celulose e caulim visado era, como foi até hoje, a Europa), foramconstruídos três portos, um em Belém, outro junto à fábrica de celulose e o terceiro junto à planta de beneficiamento de caulim. Estes dois últimos têm capacidade parareceber navios de até 35.000 toneladas.

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