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Ficções de Interlúdio

Ficções de Interlúdio

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De Fernando Pessoa
De Fernando Pessoa

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06/16/2009

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FICÇÕES DO INTERLÚDIO/3
PARA ALÉM DO OUTRO OCEANODE C[OELHO] PACHECO
 
ANOTAÇÕES1Destinado, igualmente a
Orpheu 3,
consta dos textos que chegaram aser compostos. Está assinado por Coelho Pacheco e tem a seguintededicatória: "À memória de Alberto Caeiro". Numa nota do punho dePessoa de um projeto de paginação de
Orpheu 3,
está assinado CoelhoPacheco.
2
Pacheco é um episódio heterônimo de Fernando Pessoa de quem senão conhece mais nenhuma produção. Estas notas que assina, comuma técnica quase futurista de disposição e pontuação, seguem estranhamente próximo o tipo de raciocínio, forçadamente linear e de associações,de Alberto Caeiro. O conteúdo é, no entanto, mais de um gosto, aindaindiscriminado, a Álvaro de Campos. o é uma composição de primeiro plano, nem como sentido poético nem como expressão estética.Porque não está datado, nada se pode concluir da sua feitura. O estardedicado à memória de Alberto Caeiro pode apenas querer significar quea tal foi destinado à altura da publicação de
Orpheu 3.
Mais do queuma influência concreta de Alberto Caeiro, esta composição parece antesum quase e indistinto proto-Caeiro-Campos.
 
NUM SENTIMENTO
de febre de ser para além doutro oceanoHouve posições dum viver mais claro e mais límpidoE aparências duma cidade de seresNão irreais mas lívidos de impossibilidade, consagrados em[pureza e em nudezFui pórtico desta visão irrita e os sentimentos eram só o desejo[de os terA noção das coisas fora de si, tinha-as cada um adentroTodos viviam na vida dos restantesE a maneira de sentir estava no modo de se viverMas a forma daqueles rostos tinha a placidez do orvalhoA nudez era um silêncio de formas sem modo de serE houve pasmos de toda a realidade ser só istoMas a vida era a vida e só era a vida.O meu pensamento muitas vezes trabalha silenciosamenteCom a mesma doçura duma máquina untada que se move sem[fazer barulhoSinto-me bem quando ela assim vai e ponho-me imóvelPara não desmanchar o equilíbrio que me faz tê-lo desse modoPressinto que é nesses momentos que o meu pensamento é claroMas eu não o oiço e silencioso ele trabalha sempre de mansinhoComo uma máquina untada movida por uma correiaE não posso ouvir senão o deslizar sereno das peças que
[trabalham
Eu lembro-me às vezes de que todas as outras pessoas devem[sentir isto como euMas dizem que lhes dói a cabeça ou sentem tonturasEsta lembrança veio-me como me podia vir outra qualquerComo por exemplo a de que eles não sentem esse deslizarE não pensam em que o não sentem

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