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história da cidade cap 4

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História da Cidade de Leonardo Benevolo, Capítulo 4 - Grécia
História da Cidade de Leonardo Benevolo, Capítulo 4 - Grécia

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4. A CIDADE LIVRE NA GRÉCIA
Na Idade do Bronze, a Grécia se encontra naperiferia do mundo civil; a região montanhosa e desigual não se presta à formação de um grande Estado, eé dividida num grande número de pequenos principa-dos independentes. Em cada um deles, uma famíliaguerreira, a partir de uma fortaleza empoleirada numponto elevado, domina um pequeno território abertopara o mar.Estes Estados permanecem bastante ricos enquanto participam do intenso comércio marítimo do IImilênio, e cultivam várias espécies de indústria; ostesouros encontrados nas tumbas reais de Micenas ede Tirinto documentam o modesto excedente acumulado por uma classe dominante restrita. Mas o colapsoda economia do bronze e as invasões dos bárbaros pelonorte, no início da Idade do Ferro, truncam esta civilização e fazem regredir as cidades, por alguns séculos,quase ao nível da autarcia neolítica.O desenvolvimento subseqüente tira proveitodas inovações típicas da nova economia: o ferro, oalfabeto, a moeda cunhada; a posição geográfica favorável ao tráfico marítimo e a falta de instituições provenientes da Idade do Bronze permitem desenvolveras possibilidades destes instrumentos numa direçãooriginal. A cidade principesca se transforma na
polis
aristocrática ou democrática; a economia hierárquicatradicional se torna a nova economia monetária que,após o século IV, irá estender-se a toda a bacia orientaldo Mediterrâneo. Neste ambiente se forma uma nova
 
cultura, que ainda hoje permanece base da nossa tradição intelectual.E necessário recordar sucintamente a organização da
polis,
a cidade-Estado, que tornou possiveis osextraordinários resultados da literatura, da ciência eda arte.A origem é uma colina, onde se refugiam os habitantes do campo para defender-se dos inimigos; maistarde, o povoado se estende pela planicie vizinha, egeralmente é fortificado por um cinturão de muros.Distingue-se então a cidade alta (a
acrópole,
onde ficam os templos dos deuses, e onde os habitantes dacidade ainda podem refugiar-se para uma última defesa), e a cidade baixa (a
astu,
onde se desenvolvem oscomércios e as relações civis); mas ambas são partesde um único organismo, pois a comunidade citadinafunciona como um todo único, qualquer que seja seuregime político.Os órgãos necessários a este funcionamento são:1) O lar comum, consagrado ao deus protetor dacidade, onde se oferecem os sacrifícios, se realizam osbanquetes rituais e se recebem os hóspedes estrangeiros. Na origem era o lar do palácio do rei, depois torna-se um lugar simbólico, anexo ao edifício onde residemos primeiros dignitários da cidade
(os prítanes)
e sechama
pritaneu.
Compreende um altar com um fossocheio de brasas, uma cozinha e uma ou mais salas derefeição. O fogo deve ser mantido sempre aceso, equando os emigrantes partem para fundar uma novacolônia, tomam do lar da pátria o fogo que deve arderno
pritaneu
da nova cidade.2) O conselho
(bule)
dos nobres ou dos funcionários que representam a assembléia dos cidadãos, emandam seus representantes ao
pritaneu.
Reúne-senuma sala coberta que se chama
buleutérion.
3) A assembléia dos cidadãos
(agora)
que se reúne para ouvir as decisões dos chefes ou para deliberar. O local de reunião é usualmente a praça do mercado (que também se chama
agora),
ou então, nas cidades maiores, um local ao ar livre expressamente apres-tado para tal (em Atenas, a colina de Pnice). Nascidades democráticas o
pritaneu
e o
buleutérion
seencontram nas próximas da
agora.
Cada cidade domina um território mais ou menos grande, do qual retira seus meios de vida. Aquipodem existir centros habitados menores, que mantêm uma certa autonomia e suas próprias assembléias, mas um único
pritaneu
e um único
buleutérion
na cidade capital. O território é limitado pelas montanhas, e compreende quase sempre um porto (a certadistância da cidade, porque esta geralmente se encontra longe da costa, para não se expor ao ataque dospiratas); as comunicações com o mundo exterior serealizam principalmente por via marítima.Este território pode ser aumentado pelas conquistas, ou pelos acordos entre cidades limítrofes. Espartachega a dominar quase a metade do Peloponeso, isto é,8.400 km
2
; Atenas possui a Ática e a Ilha de Salamina,ao todo 2.650 km
2
. Entre as colônias sicilianas, Siracu-sa chega a ter 4.700 km
2
e Agrigento, 4.300. Mas asoutras cidades têm um território muito menor, e porvezes bastante pequeno: Tebas tem cerca de 1.000 km
2
e Corinto, 880 km . Entre as ilhas, algumas menorestêm uma única cidade (Egina, 85 km
2
; Nasso e Samos,cerca de 450 km
2
). Mas entre as maiores somente Rodes (1.460 km
2
) chega a unificar suas três cidades nofim do século V; Lesbos (1.740 km
2
) está dividida emcinco cidades; Creta (8.600 km
2
) compreende mais decinqüenta.A população (excluídos os escravos e os estrangeiros) é sempre reduzida, não só pela pobreza dosrecursos mas por uma opção política: quando crescealém de certo limite, organiza-se uma expedição paraformar uma colônia longínqua. Atenas no tempo dePéricles tem cerca de 40.000 habitantes, e somente trêsoutras cidades, Siracusa, Agrigento e Argos, superamos 20.000. Siracusa, no século IV, concentra forçada-mente as populações das cidades conquistadas, e chega então a cerca de 50.000 habitantes (Fig. 278). Ascidades com cerca de 10.000 habitantes (este número éconsiderado normal para uma grande cidade, e osteóricos aconselham não superá-lo) não passam de
 
quinze; Esparta, na época das Guerras Persas, temcerca de 8.000 habitantes; Egina, rica e famosa, temapenas 2.000.Esta medida não é considerada um obstáculo,mas, antes, a condição necessária para um organizado desenvolvimento da vida civil. A população deveser suficientemente numerosa para formar um exército na guerra, mas não tanto que impeça o funcionamento da assembléia, isto é, que permita aos cidadãosconhecerem-se entre si e escolherem seus magistrados.Se ficar por demais reduzida, é de temer a carência dehomens; se crescer demais, não é mais uma comunidade ordenada, mas uma massa inerte, que não podegovernar-se por si mesma. Os gregos se distinguemdos bárbaros do Oriente porque vivem como homensem cidades proporcionadas, não como escravos emenormes multidões. Têm consciência de sua comumcivilização, porém não aspiram à unificação política,porque sua superioridade depende justamente do conceito da
polis,
onde se realiza a liberdade coletiva docorpo social (pode existir a liberdade individual, masnão é indispensável).A pátria — como diz a palavra, que herdamos dosgregos — é a habitação comum dos decendentes de umúnico chefe de família, de um mesmo pai. O patriotismo é um sentimento tão intenso porque seu objeto élimitado e concreto:
Um pequeno território, nas encostas de uma montanha, atravessado por um riacho, escavado por alguma baía. De todos oslados, a poucos quilômetros de distância, uma elevação do terreno
 serve de limite. Basta subir à acrópole para abarcá-lo por inteiro com um olhar. É a terra sagrada da pátria: o recinto da família, as
tumbas dos antepassados, os campos cujos proprietários a todos se

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