cultura, que ainda hoje permanece base da nossa tradição intelectual.E necessário recordar sucintamente a organização da
polis,
a cidade-Estado, que tornou possiveis osextraordinários resultados da literatura, da ciência eda arte.A origem é uma colina, onde se refugiam os habitantes do campo para defender-se dos inimigos; maistarde, o povoado se estende pela planicie vizinha, egeralmente é fortificado por um cinturão de muros.Distingue-se então a cidade alta (a
acrópole,
onde ficam os templos dos deuses, e onde os habitantes dacidade ainda podem refugiar-se para uma última defesa), e a cidade baixa (a
astu,
onde se desenvolvem oscomércios e as relações civis); mas ambas são partesde um único organismo, pois a comunidade citadinafunciona como um todo único, qualquer que seja seuregime político.Os órgãos necessários a este funcionamento são:1) O lar comum, consagrado ao deus protetor dacidade, onde se oferecem os sacrifícios, se realizam osbanquetes rituais e se recebem os hóspedes estrangeiros. Na origem era o lar do palácio do rei, depois torna-se um lugar simbólico, anexo ao edifício onde residemos primeiros dignitários da cidade
(os prítanes)
e sechama
pritaneu.
Compreende um altar com um fossocheio de brasas, uma cozinha e uma ou mais salas derefeição. O fogo deve ser mantido sempre aceso, equando os emigrantes partem para fundar uma novacolônia, tomam do lar da pátria o fogo que deve arderno
pritaneu
da nova cidade.2) O conselho
(bule)
dos nobres ou dos funcionários que representam a assembléia dos cidadãos, emandam seus representantes ao
pritaneu.
Reúne-senuma sala coberta que se chama
buleutérion.
3) A assembléia dos cidadãos
(agora)
que se reúne para ouvir as decisões dos chefes ou para deliberar. O local de reunião é usualmente a praça do mercado (que também se chama
agora),
ou então, nas cidades maiores, um local ao ar livre expressamente apres-tado para tal (em Atenas, a colina de Pnice). Nascidades democráticas o
pritaneu
e o
buleutérion
seencontram nas próximas da
agora.
Cada cidade domina um território mais ou menos grande, do qual retira seus meios de vida. Aquipodem existir centros habitados menores, que mantêm uma certa autonomia e suas próprias assembléias, mas um único
pritaneu
e um único
buleutérion
na cidade capital. O território é limitado pelas montanhas, e compreende quase sempre um porto (a certadistância da cidade, porque esta geralmente se encontra longe da costa, para não se expor ao ataque dospiratas); as comunicações com o mundo exterior serealizam principalmente por via marítima.Este território pode ser aumentado pelas conquistas, ou pelos acordos entre cidades limítrofes. Espartachega a dominar quase a metade do Peloponeso, isto é,8.400 km
2
; Atenas possui a Ática e a Ilha de Salamina,ao todo 2.650 km
2
. Entre as colônias sicilianas, Siracu-sa chega a ter 4.700 km
2
e Agrigento, 4.300. Mas asoutras cidades têm um território muito menor, e porvezes bastante pequeno: Tebas tem cerca de 1.000 km
2
e Corinto, 880 km . Entre as ilhas, algumas menorestêm uma única cidade (Egina, 85 km
2
; Nasso e Samos,cerca de 450 km
2
). Mas entre as maiores somente Rodes (1.460 km
2
) chega a unificar suas três cidades nofim do século V; Lesbos (1.740 km
2
) está dividida emcinco cidades; Creta (8.600 km
2
) compreende mais decinqüenta.A população (excluídos os escravos e os estrangeiros) é sempre reduzida, não só pela pobreza dosrecursos mas por uma opção política: quando crescealém de certo limite, organiza-se uma expedição paraformar uma colônia longínqua. Atenas no tempo dePéricles tem cerca de 40.000 habitantes, e somente trêsoutras cidades, Siracusa, Agrigento e Argos, superamos 20.000. Siracusa, no século IV, concentra forçada-mente as populações das cidades conquistadas, e chega então a cerca de 50.000 habitantes (Fig. 278). Ascidades com cerca de 10.000 habitantes (este número éconsiderado normal para uma grande cidade, e osteóricos aconselham não superá-lo) não passam de
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